Madagáscar
Madagáscar (português europeu) ou Madagascar (português brasileiro), oficialmente República de Madagáscar/Madagascar, anteriormente conhecida como República Malgaxe, é um país insular no Oceano Índico, que ocupa a maior ilha do continente africano, situada ao largo da costa sudeste da África.
Madagáscar era o nome que André Filipe Passos Jerónimo deu à ilha (1502) e deriva do latim medieval: era o nome de uma ilha imaginária da região por volta de 1500 que identificou a Madagáscar atual. Por sua vez, o nome latino, derivado de "Madeigascar" (também Madagosho, Madagascar), era o nome de um reino insular africano mencionado por Marco Polo em seu livro (século XIII).
Nas eleições presidenciais de 2001 houve uma tentativa de Ratsiraka de forjar o resultado a seu favor. Depois da violência ocorrida nos protestos, Ratsiraka fugiu do país. O candidato oposicionista Marc Ravalomanana declarou-se eleito. Os malgaxes elegeram Ravalomanana no ano seguinte. Em abril de 2007, um referendo resultou na ampliação do poder presidencial e na anulação da autonomia das províncias. Ravalomanana foi responsável pela antecipação das eleições legislativas para setembro − o seu partido Eu Amo Madagascar (TIM) obteve 105 assentos. Nos primeiros dias de 2009, Ravalomanana entrou em confronto com o prefeito de Antananarivo e milionário das comunicações, Andry Rajoelina, e decretou o encerramento de sua emissora de televisão. Rajoelina acedeu à vontade da população, que não concordava com o fato de os alimentos estarem muito caros e de Ravalomana ter decidido o arrendamento das terras cultiváveis da ilha a um grupo empresarial com sede na Coreia do Sul, sem beneficiar diretamente o país. Rajoelina liderou uma onda de protestos que provocou a morte de dezenas de pessoas. O exército deu-lhe apoio, obrigando Ravalomanana a renunciar à força. Rajoelina tomou posse da presidência e dissolveu o parlamento.
Pré-história
Achados arqueológicos, como marcas de cortes em ossos encontrados no noroeste e ferramentas de pedra no nordeste do país, indicam que Madagáscar foi visitada por caçadores-coletores por volta de 2 000 a.C. Os humanos do início do Holoceno podem ter habitado a ilha há 10 500 anos, com base em ranhuras encontradas em ossos de pássaros-elefantes. No entanto, outro estudo concluiu que as marcas feitas pelo homem do Holoceno datam de 1 200 anos atrás, no mínimo, e que o dano ósseo mencionado anteriormente pode ter sido feito por necrófagos, movimentos de solo ou cortes do processo de escavação. Tradicionalmente, os arqueólogos estimam que os primeiros colonos chegaram em ondas migratórias sucessivas, através de embarcações como a canoa polinésia, vindos especialmente do sul de Calimantã, na Indonésia. Esta onda migratória em massa possivelmente ocorreu durante o período entre 350 a.C. e 550 d.C. Outros arqueólogos são cautelosos sobre as datas em que ocorreram as migrações, especialmente sobre aquelas anteriores a 250 d.C. Em ambos os casos, essas datas tornam Madagáscar uma das últimas grandes massas de terra no mundo a ser colonizada por humanos, anterior à colonização da Islândia e da Nova Zelândia. É proposto que pessoas pertencentes ao povo Ma'anyan foram trazidas como trabalhadores e escravos por malaios e javaneses em suas frotas comerciais para Madagáscar.
Primeiros habitantes, penetração europeia e período merina
A população que vive em Madagascar resulta da mistura de malaio-indonésios que chegaram à ilha no primeiro milênio da era cristã com os habitantes originários da região entre a África e a Península Arábica. No século XII, estabeleceram-se no seu litoral os comerciantes que vieram da Arábia.
Portugueses
O primeiro Ocidental que chegou à ilha foi o português Diogo Dias, em 1500. Quando o capitão do mar português Diogo Dias avistou a ilha, enquanto participava na 2ª Armada das Armadas da Índia portuguesa, o Brasil também foi encontrado pela primeira vez na mesma viagem da 2ª Armada, comandada por Pedro Álvares Cabral. Matatana foi o primeiro povoado de portugueses na costa de sul, a 10 km a oeste do Forte Dauphin, aqui em 1508 os colonos construíram uma torre, uma pequena aldeia e Coluna de pedra (Padrão) este povoado foi desenhado em 1613 a mando do Vice-Rei da Índia D. Jeronimo de Azevedo. Matatana foi representada numa imagem de 1613, de um povoamento do início do século XVI, no Livro de Humberto Leitão.
Pirataria e colonialismo
Nesse mesmo século e no princípio do XVIII, Madagascar foi ponto de frequência de piratas como Henry Every, o capitão Misson e William Kidd. A constituição dos vastos reinos malgaxes foi favorecida pelo comércio de escravos e armas. O de Merina, que o rei Andrianampoinimerina (1787-1810) unificou, tornou-se o reino dominante. O filho daquele soberano, Radama I (1810-1828), teve sucesso ao ser ajudado pelos britânicos, que administravam as ilhas Maurícias, e controlou ele mesmo a maioria do território insular de Madagascar. No início da década de 1860, Radama II abriu o reino aos europeus e em especial a uma companhia comercial com sede na França, a quem tratou privilegiadamente. Em 1868, o controlo do litoral noroeste foi cedido pelo reino de Merina aos franceses.
Colonização e independência
Em 1890, o Reino Unido reconheceu o protetorado francês de Madagascar mas o domínio colonial não se efetivou até 1895, ano em que a França teve sucesso na derrota do exército que defendia o reino de Merina. O primeiro governador francês, general Joseph-Simon Gallieni, foi responsável pela abolição da escravatura e em 1897 responsável pela expulsão da rainha Ranavalona III para a ilha de Reunião. Após a Segunda Guerra Mundial, a ilha de Madagascar foi elevada à categoria de território ultramarino da França, sendo bem representada no parlamento da metrópole. Em 1958 adquiriu a sua autonomia dentro da Comunidade Francesa e dois anos depois, em 26 de junho de 1960, foi declarada a sua independência com o nome de República Malgaxe. Na década de 1970, as relações com a França deterioraram-se e os malgaxes se revoltaram contra os imigrantes vindos das ilhas Comores. A maioria dos imigrantes morreu e os que sobreviveram foram expulsos.
Ditadura militar
Em 1975 foi instituída a segunda república e publicou-se o Estatuto da Revolução Socialista Malgaxe, a que os malgaxes chamam Livreto Vermelho. No final do ano, os malgaxes elegeram como presidente Didier Ratsiraka, que ficou no poder por mais de 15 anos. Em 1982, depois de várias crises nacionais, foram afastados os ministros que eram contra a causa socialista e destituído de seus cargos o líder da oposição, Monja Jaona. Sucederam-se vários primeiros-ministros, houve frequentes conflitos e, no período entre 1989 e 1990, Ratsiraka, presidente pela terceira vez, foi responsável pela nomeação de ministros de oposição e pela promoção de reformas políticas de restabelecimento do pluripartidarismo. Nos termos da Constituição de 1992, foi proibida a sua reeleição. Foram realizadas eleições presidenciais, que o oposicionista Albert Zafy venceu. Como a justiça acusou o presidente recém-eleito de desrespeito à Constituição, Zafy demitiu-se da presidência em 1996. As eleições daquele ano foi ganhas por Ratsiraka. Em 1998, após um referendo popular realizaram-se modificações na Constituição, sendo o país transformado numa federação.
A República de Madagascar compreende a Ilha do mesmo nome e algumas ilhas próximas. Está situada ao lado da costa de Moçambique, da qual está separada pelo Canal de Moçambique. Os vizinhos mais próximos de Madagáscar são a possessão francesa de Mayotte, a noroeste, a possessão francesa da Reunião, a leste, e as suas dependências Ilhas Gloriosas (noroeste), Ilha de João da Nova (oeste), Bassas da Índia, Ilha Europa (sudoeste) e Tromelin (leste), as Comores a noroeste e as Seicheles ao norte. Geograficamente, é possível dividir Madagascar em três zonas paralelas longitudinais no sentido norte-sul: o planalto central, a estreita faixa litoral do leste e a zona de mesetas e planícies do oeste. O planalto central, localizado a uma altitude que varia entre 800 e 1 400 metros acima do nível do mar, cobre mais de 60% da área do país. Essa unidade geomorfológica é considerada uma elevação íngreme desde a faixa litoral do leste e desce suavemente acima da amplitude das planícies localizadas a oeste. O ponto mais alto é o pico Maromokotro, com 2 876 metros de altitude, no maciço Tsaratanana.
Madagáscar é uma república semipresidencialista. O principal partido político do país é a Associação pelo Renascimento de Madagáscar (Arema). O país segue a Constituição de 1992. Em meados de 2000, foi constituído um senado no país. Madagáscar tem uma Assembleia Nacional com 150 membros eleitos por voto direto, com mandato de cinco anos. Em 2009 houve uma crise política em Madagáscar, os protestos começaram em janeiro de 2009, e foram orientadas para agir contra ao governo do Presidente de Madagascar, Marc Ravalomanana. Os protestos, que se tornaram violentos.
No ano de 2021, Madagáscar tinha uma população estimada em 28 milhões habitantes. A expectativa de vida é de 62 anos. O número médio de filhos por mulher é de 5,24 e 68,9% da população é alfabetizada. A população malgaxe é predominantemente uma mistura de malaio e africano. Pesquisas recentes sugerem que a ilha era desabitada até à chegada de navegantes malaios, cerca do primeiro século da nossa era, pelo sul da Índia e da África Oriental, onde adquiriram esposas e escravos africanos. Migrações subsequentes da Ásia e África consolidaram esta mistura original e surgiram 18 diferentes grupos tribais. Os malaios são os traços mais comuns em pessoas que vivem na parte central da ilha, os "merina" (3 milhões) e "betsileo" (2 milhões). Os habitantes da costa são de origem africana. Os maiores grupos costeiros são os betsimisaraka (1,5 milhões) e os grupos tsimihety e sakalava (700 000 pessoas cada um).
Línguas
A língua malgaxe é de origem malaio-polinésia e geralmente é falada em toda a ilha. Os numerosos dialetos de malgaxe, que geralmente são mutuamente inteligíveis, podem ser agrupados sob um dos dois subgrupos: malgaxe oriental, falado ao longo das florestas e montanhas do leste, incluindo o dialeto Merina de Antananarivo; e malgaxe ocidental, falado ao longo das planícies costeiras ocidentais. O francês tornou-se a língua oficial durante o período colonial, quando Madagáscar esteve sob a autoridade da França. Na primeira Constituição nacional de 1958, o malgaxe e o francês foram nomeados as línguas oficiais da República Malgaxe. Madagáscar é um país francófono e o francês é falado como segunda língua entre a população e usado para a comunicação internacional.
Madagáscar divide-se em seis províncias, subdivididas em 148 departamentos. As províncias têm o nome da respetiva capital. São:
A economia de Madagascar assenta essencialmente na agricultura, na criação de gado e nas pescas. Embora o arroz seja a principal cultura, é o café que representa a maior fatia ao nível da exploração. Em 2019, o país produziu, como culturas de maior volume produtivo: 4,2 milhões de toneladas de arroz, 3,1 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, 2,9 milhões de toneladas de mandioca, 1,1 milhão de toneladas de batata doce e 250 000 ton de batata comum, 392 mil toneladas de banana, 298 mil toneladas de manga, 226 mil toneladas de taro, 219 mil toneladas de milho, 104 mil toneladas de abacaxi, 83 mil toneladas de laranja e 74 mil toneladas de coco. Já entre os cultivos de alto valor, alguns para exportação (os chamados cash crops), o país produziu 65 mil toneladas de café, 13 mil toneladas de uva, 12 mil toneladas de pêssego, 10 mil toneladas de cacau, 7,2 mil toneladas de castanha de caju, 4,6 mil toneladas de pistache, 3,2 mil toneladas de baunilha e 396 toneladas de chá, entre outros. Madagascar é o maior produtor mundial de baunilha natural, que é a 2ª especiaria mais cara do planeta (custava quase 1 000 US$/kg em 2017). No café, foi o 17º maior produtor mundial em 2019.
Artes
Uma grande variedade de literatura oral e escrita foi desenvolvida em Madagáscar. Uma das tradições artísticas mais importantes da ilha é a sua oratória, expressa nas formas de hain-teny (poesia), kabary (discurso público) e ohabolana (provérbios). Um poema épico exemplificando essas tradições, a Ibonia, foi transmitido ao longo dos séculos em várias formas diferentes em toda a ilha e oferece uma visão sobre as diversas mitologias e crenças das comunidades tradicionais malgaxes. Esta tradição foi continuada no século XX por artistas como Jean-Joseph Rabearivelo, que é considerado o primeiro poeta moderno da África, e Elie Rajaonarison, um exemplo da nova onda de poesia malgaxe. Madagascar também desenvolveu uma rica herança musical , incorporada em dezenas de gêneros musicais regionais, como o salegy, originado na região costeira, e o hiragasy, oriundo das terras altas, que animam as reuniões das aldeias e pistas de dança locais. Madagascar também tem uma cultura crescente de música clássica fomentada por academias de jovens, organizações e orquestras que promovem o envolvimento dos jovens na música clássica.


