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Linguística histórica

Linguística histórica é a disciplina linguística que estuda o desenvolvimento histórico de uma língua — como ela surgiu, quais línguas influenciaram sua estrutura e uso, as mudanças que sofreu ao longo do tempo e o porquê dessas mudanças, etc. Como tal, a linguística histórica ocupa um lugar destacado no estudo da evolução diacrônica das línguas e a sua relação ou parentesco genético. Ao mesmo tempo, a Linguística Histórica se preocupa com a reconstrução de línguas antigas, mortas ou extintas. Nesse aspecto, ela pode se confundir com a Filologia.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 22/06/2026
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Definição do termo

Saussure indica os dois eixos que "todas as ciências deveriam ter interesse em assinalar": Segundo o autor, é sincrônico "tudo quanto se relacione com o aspecto estático da nossa ciência; diacrônico tudo que diz respeito às evoluções. Sincronia designa, portanto, "um estado da língua". Diacronia designa "uma fase de evolução". Portanto, "a linguística diacrônica estuda, não mais as relações entre os termos coexistentes de um estado de língua, mas entre termos sucessivos que se substituem uns aos outros no tempo". Outra definição parecida para os estudos diacrônicos é a de Carlos Alberto Faraco, que define diacronia como "o estudo da história das línguas": "Se estudamos as mudanças da língua no tempo (comparando, por exemplo, o português do século XIII com o do século XVI e com o do século XX), estamos fazendo um estudo diacrônico”. Apesar de ambas as definições serem semelhantes, as pesquisas na área da linguística diacrônica não possuem a homogeneidade que teoricamente deveriam ter. Há, por exemplo, aspectos conflitantes em duas análises sobre o problema da relação entre os termos pecu e pecúnia. Esses termos aparecem em três grandes dialetos: no indo-iraniano, no germânico e no itálico, e são alvos de dois estudos (Vocabulário das Instituições Indo-Européias (capítulos 3 e 4) de Émile Benveniste, e Ensaio de Semântica, de Michel Bréal) cujas conclusões não são convergentes .

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Histórico

A linguística histórica foi o primeiro ramo da linguística a ser estabelecido em bases sólidas pela pesquisa universitária. Na historiografia linguística de língua inglesa, aponta-se tradicionalmente como data de fundação dessa disciplina o ano de 1786, quando o linguista amador Sir William Jones, fez sua famosa proposta em que se apontava a origem comum do grego, do latim e do sânscrito, e portanto a existência da família linguística das línguas indo-européias, todas descendentes de um único antepassado comum. A linguística histórica desenvolveu-se com vigor durante todo o século XIX, graças sobretudo a linguistas que eram alemães de origem, ou haviam recebido sua formação na Alemanha. A área a que se deu mais atenção foi a linguística comparativa, que se interessava por decidir que línguas tinham uma origem comum (e portanto, que famílias linguísticas existem), por estabelecer mediante um trabalho de reconstrução as propriedades das línguas não documentadas (protolínguas) e por identificar as várias mudanças que levaram cada uma das línguas antepassadas a fragmentar-se em várias línguas filhas diferentes.

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Análise

Imagem: Vitor Oliveira from Torres Vedras, PORTUGAL · BY-SA · Openverse

Émile Benveniste critica o raciocínio utilizado pelos comparatistas, do qual compartilha Michel Bréal. O método comparatista, segundo Faraco, tem como ponto de partida a publicação, em 1808, de um texto de autoria de Friedrich Schlegel sobre a língua e a sabedoria dos hindus. Nele, o autor estabelece a tese de parentesco (principalmente entre as estruturas gramaticais) entre o sânscrito, o latim, o grego, o germânico e o persa. Mas foi somente com Franz Bopp que esse parentesco foi empiricamente revelado, e o método comparatista efetivamente criado. Foi ainda através deste mesmo método que os linguistas ditos comparatistas, gramáticos e o neogramáticos fizeram a reconstituição hipotética de várias línguas, entre elas o indo-europeu. Essa abordagem comparatista propõe que o termo pecúnia, no latim, designava então a riqueza em gado; pecu designava gado e peculium, a parte do gado deixada aos escravos. Num processo entendido pelos etimologistas como "ampliação de sentido", o termo pecúnia passou então a designar toda espécie de riqueza. Michel Bréal diz que esse processo é um lento deslocamento de sentido, sendo necessária para sua observação uma profunda análise histórica, e, apesar de julgá-lo como um fenômeno de ocorrência "normal", deveria ocorrer entre povos cuja vida e pensamento são "intensos e ativos".

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Fontes consultadas

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