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Lexicografia

A lexicografia é área de estudos do léxico [carece de fontes?] que se dedica a organização do repertório lexical existente em uma língua e, a responsável pela produção de dicionários, vocabulários e glossários. Por ser o léxico "um saber partilhado que existe na consciência dos falantes de uma língua", é possível afirmar que tal área de estudos tem como uma das principais características a interdisciplinaridade. Entre as áreas de trabalho em conjunto, pode-se citar como exemplos a semântica — área de estudos que em muito dialoga com os estudos lexicais, tendo em vista os seus estudos relativos ao significado —, a etimologia, a terminologia e a filologia — visto ser o texto escrito a principal fonte de trabalho para os estudos lexicais.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 10/07/2026
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As produções lexicográficas

Imagem: Luís Trigo · BY-SA · Openverse

Além de dicionários, produções lexicográficas também incluem vocabulários e glossários. Muitas vezes empregados como sinônimos, dicionários, vocabulários e glossários têm objetivos e funções distintas. Entende-se por glossário o conjunto de termos com utilização específica de um determinado domínio de conhecimento com a definição destes termos. Os verbetes são curtos e podem ser apresentados sob a forma de um a tradução. O vocabulário, é o conjunto dos vocábulos empregados no âmbito de uma determinada temática, em um dado espaço físico e temporal. O dicionário contém itens lexicais de uma língua, apresentando o significado e a categoria gramatical, e consoante a obra, podem incluir a pronúncia, a etimologia. Dicionários assumem diversos formatos, suportes, com objetivos diversos, como dicionários bilíngues ou monolíngues, dicionários de termos técnicos para uma área de conhecimento específica, e dicionários escolares. Estes últimos enquadram-se na lexicografia pedagógica, e são orientados pelo público a que se destinam (aprendentes) e o objetivo específico (a aprendizagem de língua, seja materna, seja estrangeira).

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A lexicografia ocidental: da Antiguidade ao início da Idade Moderna

Imagem: Alebasi24 · BY-SA · Openverse

O interesse em inventariar as unidades lexicais de uma língua está presente desde a Antiguidade, tendo o Appendix Probi como um exemplo para tal período. Porém, tal prática de organização encontra-se distante do que se entende atualmente como lexicografia. Segundo Biderman (1984) os “precursores do moderno lexicógrafo eram, na verdade, filólogos ou gramáticos, preocupados com a compreensão de textos literários anteriores, ou com a correção de "erros" lingüísticos. Os filólogos alexandrinos, p.ex., buscaram elaborar léxicos e glossários sobre os textos homéricos para a sua melhor compreensão.”. Durante a Idade Média, tal interesse pela organização do léxico se manteve existente. Ainda que não se possa enquadrá-las dentro do fazer lexicográfico como este é compreendido atualmente, pode-se citar como exemplo as glosas de Reicheneau (datada do século VIII) que vem a ser "listas de palavras tiradas da Vulgata (versão latina da bíblia) de difícil compreensão para a época do autor, traduzidas no vernáculo românico da região". Diante disso, pode-se entender então que tais repertórios lexicais visavam um apoio a leitura de textos específicos datados de épocas pretéritas.

03

A lexicografia na França entre os séculos XVII e XVIII

Imagem: puigjoan · BY-NC-SA · Openverse

Os primeiros dicionários monolíngues ocidentais são produzidos no século XVII, sendo o Vocabulário da língua italiana, criado pela Academia della Crusca em 1612, a base para as demais produções europeias. Ao longo do século XVII, a língua francesa passou a ser vista como “a alma nacional” o elemento fundamental para a união do povo francês. Tal projeto de união teve como pilar a Academia Francesa de Letras. Fundada pelo cardeal Richelieu em 1635, a Academia tinha como objetivo principal “trabalhar com todo cuidado e diligencia visando a formulação de regras para a nossa língua, tornando-a mais pura, éloquente e capaz de difundir as artes e as ciências”. A produção de um dicionário de língua francesa era um dos objetivos principais da Academia, porém o mesmo só conseguiu ser publicado em finais do século XVII, mais precisamente em 1694. Apesar de uma interdição legal, que proibia a circulação de qualquer outro dicionário, antes da publicação daquele produzido pela Academia, em 1680 tem-se a publicação do Dictionnaire François contenant les mots et les choses, de Pierre Richelet; e em 1690 o Dictionnaire Universel, contenant généralement tous les mots françois tant vieux que modernes et les termes de toutes les Sciences et les Arts, obra composta em três volumes por Antoine Furetière.

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A lexicografia de língua portuguesa: os dicionários brasileiros

Imagem: puigjoan · BY-NC-SA · Openverse

A obra de referência para o estudo da produção lexicográfica portuguesa é o Vocabulario Portuguez e Latino, publicado em Coimbra entre 1712-1721, pelo padre Rafael Bluteau. Tal produção “não é apenas um dicionário bilíngue cujo objetivo seria fornecer a palavra ou expressão latina que traduzisse um termo português; na verdade, Bluteau elaborou um trabalho misto, pois a parte relativa à língua portuguesa constitui praticamente um dicionário da língua portuguesa”. O primeiro dicionário monolíngue de língua portuguesa vem a ser o Dicionário da Língua Portuguesa, de autoria de Antônio de Morais. Ao longo do século XIX, podemos citar também as seguintes publicações: Grande dicionário português, também intitulado Tesouro da Língua Portuguesa, proposto pelo frei Domingos Vieira (falecido antes da conclusão da obra); o “Aulete, Dicionário Contemporâneo da Língua Portuguesa, planejado e iniciado por Caldas Aulete foi finalizado por Santo Valente e demais colaboradores, devido à morte do ilustre lexicógrafo”. No século XX tem-se como exemplos de produções lexicográficas brasileiros os títulos: Dicionário da Língua Portuguesa, de Antenor Nascentes (1961-1967), o Novo Dicionário da Língua Portuguesa, popularmente conhecido como dicionário Aurélio, de Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, (1975; 1986; 1999), o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa (2004) e o Dicionário UNESP do português contemporâneo (2004) de Borba e colaboradores.

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