Lionel Messi
Lionel Andrés Messi Cuccittini é um futebolista argentino que atua como atacante no Inter Miami. Como capitão da Seleção Argentina, venceu a Copa do Mundo de 2022. Possui oito prêmios Bola de Ouro da France Football, oito títulos de Melhor Jogador do Mundo pela FIFA, dois Prêmios Laureus de Melhor Esportista, seis Chuteiras de Ouro da Europa e, com 48 conquistas coletivas, é o jogador com mais títulos oficiais da história do futebol.
Primeiros anos
Lionel Andrés Messi Cuccittini nasceu em 24 de junho de 1987, em Rosário, na província de Santa Fé. Ele é o terceiro dos quatro filhos de Jorge Messi e Celia Cuccittini. Por parte paterna, Messi possui ascendência italiana e espanhola, sendo bisneto de imigrantes da região central-norte do Adriático, Marche, na Itália. Seu sobrenome, por exemplo, é originário de Porto Recanati. Já por parte materna, sua ascendência é predominantemente italiana. Messi demonstrava grande apego à bola desde criança, a ponto de se recusar a ir às compras com a família se não o deixassem levar uma bola. Criado em um ambiente familiar unido e apaixonado por futebol, Leo desenvolveu sua paixão pelo esporte desde cedo, jogando frequentemente com seus irmãos mais velhos, Rodrigo e Matías, e seus primos, Maximiliano e Emanuel Biancucchi, que também seguiram carreiras no futebol profissional.
Carreira juvenil
Durante os seis anos em que jogou pelo Newell's, foi membro da "Máquina de '87", um time juvenil de Rosário, cujo nome fazia referência ao ano de nascimento de seus integrantes. Messi costumava entreter a torcida com dribles e jogadas de efeito durante o intervalo dos jogos em casa do time principal do Newell's. “Ao vê-lo, você pensaria: esse garoto não sabe jogar bola. Ele é um anão, muito frágil, muito pequeno. Mas imediatamente você perceberia que ele nasceu diferente, que era um fenômeno e que se tornaria alguém impressionante.” Porém, com onze anos, detectou-se um problema hormonal que retardava o desenvolvimento ósseo de Messi e, consequentemente, seu crescimento. Por um ano e meio, o tratamento de 900 dólares mensais, que consistia em injeções alternadas em cada perna toda noite, foi custeado pela fundação onde seu pai trabalhava, até que a fonte secou. Como o Newell's não quis custear a continuação do tratamento, o pai ofereceu o filho ao River Plate. O interesse do clube da capital fez com que o Newell's voltasse atrás, mas de forma insuficiente, oferecendo duzentos pesos ao mês.
Barcelona
Messi foi integrado ao time principal com apenas dezesseis anos, debutando em um amistoso contra o Porto, na inauguração do Estádio do Dragão, em 16 de novembro de 2003. O primeiro jogo oficial, porém, viria quase um ano depois, no clássico contra o Espanyol, em 16 de outubro de 2004. Seu primeiro gol viria na temporada seguinte, em 1º de maio de 2005, contra o Albacete, com assistência de Ronaldinho Gaúcho. Após se destacar como artilheiro, melhor jogador e campeão da Copa do Mundo FIFA Sub-20 de 2005, passou a ter mais espaço no Barcelona e maior visibilidade na Argentina. Na temporada 2005–06, conseguiu lugar cativo entre os titulares da campanha que resultaria no bicampeonato espanhol e na primeira Liga dos Campeões da carreira. Todavia, não pôde atuar na decisão continental em virtude de uma lesão sofrida nas oitavas de final, contra o Chelsea.
Paris Saint-Germain
O Barcelona não conseguiu renovar o contrato de Messi em razão da grave crise financeira enfrentada pelo clube e das restrições impostas pelas normas de fair play financeiro da La Liga. Em decorrência desse contexto, o jogador deixou o clube sem realizar uma despedida oficial diante da torcida, em razão das limitações impostas pela pandemia de COVID-19. Numa entrevista coletiva no Camp Nou, o craque argentino, em lágrimas, despediu-se do clube e explicou por que não conseguiu permanecer. Após mais de uma semana de especulações sobre seu futuro, Messi foi anunciado oficialmente como reforço do Paris Saint-Germain em 10 de agosto. O argentino assinou contrato até o final de 2023, com opção de renovação por mais uma temporada.
Inter Miami
Após confirmações da imprensa francesa de que Messi deixaria o PSG ao fim da temporada 2022–23, o clube saudita Al-Hilal apresentou a primeira proposta pelo craque, oferecendo mais de 400 milhões de euros anuais, segundo o jornalista Fabrizio Romano. O Barcelona trabalhava na formatação de uma proposta para repatriar Messi, aguardando o aval de La Liga para abrir espaço na folha salarial, já que o clube estava cerca de 200 milhões de euros acima do limite permitido. No entanto, Xavi Hernández — técnico do Barcelona em 2023 — afirmou que o presidente Joan Laporta foi o único responsável por impedir o retorno de Lionel Messi ao Barcelona, alegando que o dirigente temia que o craque argentino exercesse influência excessiva no clube. Xavi declarou que o acordo com Messi já estava praticamente fechado após a Copa do Mundo de 2022, com conversas mantidas até março de 2023, e que a La Liga havia aprovado a operação financeira — contrariando a versão oficial.
Ascensão Internacional (2005–2008)
Antes de ser convocado para a seleção principal, Messi foi o principal destaque da Seleção Argentina na Copa do Mundo FIFA Sub-20, disputada nos Países Baixos entre 10 de junho e 2 de julho de 2005. Nas oitavas de final, marcou o gol de empate contra a Colômbia; nas quartas de final, anotou um dos gols da vitória sobre a Espanha; e voltou a balançar as redes na semifinal diante da Seleção Brasileira. Na final, contra a Nigéria, converteu duas cobranças de pênalti, assegurando o título para a Argentina. Ao término do torneio, foi eleito o melhor jogador da competição, além de receber a Chuteira de Ouro, como artilheiro do campeonato. Sua estreia em Copas do Mundo da FIFA ocorreu em 2006, na edição disputada na Alemanha, país-sede do torneio. Com 18 anos e 357 dias, tornou-se o quinto jogador mais jovem a marcar um gol na história do torneio ao anotar o último tento da goleada por 6–0 sobre a Sérvia e Montenegro. Apesar do destaque individual e da boa campanha inicial, a Seleção Argentina foi eliminada nas quartas de final pela Seleção Alemã, em uma partida decidida nos pênaltis. No ano seguinte, na Copa América de 2007, realizada na Venezuela, marcou nas quartas de final contra a Peru e novamente na semifinal diante da México. A Argentina avançou até a final da competição, na qual foi derrotada pela Seleção Brasileira por 3–0, encerrando o torneio como vice-campeã.
Diego Maradona como treinador e Copa América na Argentina (2008–2012)
Maradona assumiu o comando da Seleção Argentina em outubro de 2008, após a saída de Alfio Basile. Em 2009, o período foi marcado por fortes críticas à Seleção Argentina, em razão de uma série de resultados negativos nas Eliminatórias da Copa do Mundo. Entre eles, destacou-se a derrota por 6–1 para a Bolívia em La Paz. Outro revés significativo foi a derrota por 3–1 para a Seleção Brasileira em Rosário. Em decorrência desses resultados, a Argentina chegou à última rodada ameaçada de não se classificar, assegurando apenas de forma dramática a última vaga direta para a Copa do Mundo ao vencer a Seleção Uruguaia no confronto decisivo, disputado em Montevidéu.
Três finais e a busca frustrada pelo título (2012–2016)
Em razão do desempenho considerado inferior apresentado pela Seleção Argentina nos anos anteriores, quando comparado àquele exibido por Messi no Barcelona, o treinador Alejandro Sabella, contratado em meados de 2011 após a eliminação da equipe na Copa América, declarou à imprensa que o jogador passaria a exercer a função de capitão. Segundo o técnico, a medida visava atribuir-lhe maior responsabilidade e ampliar sua experiência no comando da equipe. Em sua primeira partida pela seleção em 2012, Messi marcou, pela primeira vez em sua carreira internacional, um hat-trick. O feito ocorreu na vitória sobre a Suíça em 1.º de março, no Stade de Suisse, Wankdorf. Em amistoso contra o Brasil, disputado em 9 de junho de 2012, no MetLife Stadium, voltou a marcar três gols e foi eleito o melhor jogador da partida na vitória argentina por 4–3.
Fase de instabilidade e reconstrução (2016–2019)
Entretanto, em 12 de agosto, anunciou seu retorno a seleção, sendo convocado pelo novo treinador da Seleção Argentina Edgardo Bauza para os jogos contra Uruguai e Venezuela pelas Eliminatórias. Em seu retorno, marcou o único gol da vitória sobre o Uruguai por 1–0, colocando a Argentina na liderança das Eliminatórias Sul-Americanas para a Copa de 2018 naquele momento. Seus gols mandaram a Argentina para a Copa do Mundo FIFA de 2018 na Rússia. A participação da Argentina na Copa do Mundo de 2018 estava em risco para a última partida de qualificação, sendo a sexta colocada no grupo, fora dos cinco possíveis classificados da CONMEBOL na Copa do Mundo, o que significa que não pode se classificar para a Copa pela primeira vez desde 1970. Em 10 de outubro de 2017, Messi levou seu país para a classificação da Copa do Mundo ao marcar um hat-trick, enquanto a Argentina vinha de desvantagem para derrotar o Equador por 3–1 fora; A Argentina não derrotou o Equador em Quito desde 2001. Os três gols de Messi fizeram com que ele se tornasse o maior artilheiro de todos os tempos nas eliminatórias da Copa do Mundo CONMEBOL, com 21 gols, ao lado do uruguaio Luis Suárez, superando o recorde anterior que foi defendido pelo compatriota Hernán Crespo.
A consagração com a camisa albiceleste (2019–2022)
A Copa América de 2021 iniciou-se para a Argentina em 14 de junho de 2021. Na partida de abertura, Lionel Messi marcou de falta no empate em 1–1 contra o Chile no Estádio Nilton Santos. Este gol, o 57º de falta em sua carreira, superou a marca de Cristiano Ronaldo e o estabeleceu como o jogador em atividade com mais gols de falta. Além disso, Messi ultrapassou o recorde de Gabriel Batistuta de 38 gols em jogos oficiais pela Argentina. Na fase de grupos, Messi foi fundamental. Na segunda partida, ele deu a assistência para o gol de Guido Rodríguez na vitória por 1–0 contra o Uruguai. Na vitória por 1–0 sobre o Paraguai, Messi igualou o recorde de Javier Mascherano de 147 partidas pela Argentina, quebrando-o na partida seguinte, a goleada por 4–1 sobre a Bolívia, na qual marcou dois gols e deu uma assistência.
Defendendo a Coroa Mundial (2022–2026)
Milhões de pessoas tomaram as ruas de Buenos Aires e de outras cidades em celebrações históricas. Estima-se que cerca de 4 milhões de pessoas participaram da grande comemoração do campeonato mundial no Obelisco de Buenos Aires. Messi publicou na rede social Instagram uma sequência de 10 fotos comemorando o título da Argentina. Em poucos dias, a publicação ultrapassou a marca de 57 milhões de curtidas e superou a famosa imagem do “ovo”, que possuía cerca de 56 milhões, tornando-se a postagem mais curtida da história da plataforma. Após conquistar a Copa do Mundo, Messi optou por adiar sua aposentadoria da Seleção Argentina e permaneceu atuando pela equipe, pois desejava jogar como campeão mundial.
Estilo de jogo
Devido à sua baixa estatura, Leo possui um centro de massa mais baixo, o que lhe confere maior agilidade e capacidade de mudar de direção rapidamente, levando a mídia espanhola a chamá-lo de "La Pulga Atómica". Essa característica, combinada com sua força na parte superior do corpo e equilíbrio, o auxilia a suportar os desafios físicos dos oponentes. Suas pernas curtas e fortes permitem que ele se destaque em curtos períodos de aceleração, enquanto seus pés rápidos mantêm o controle da bola ao driblar em velocidade. Seu ex-treinador do Barcelona, Pep Guardiola, observou que "Messi é o único jogador que corre mais rápido com a bola do que sem ela". Apesar de ter melhorado a capacidade com o pé mais fraco, Messi é predominantemente um jogador de pé esquerdo.
Comparações com Maradona
Têm sido cada vez mais frequentes as comparações com o que é considerado uma das maiores lendas do futebol argentino, não só pela forma explosiva de jogar, mas também pelos gols parecidos com os de Maradona. Um deles, contra o Getafe, em jogada frequentemente comparada ao gol de Maradona diante da Inglaterra na Copa do Mundo FIFA de 1986, na qual ambos driblaram diversos adversários, inclusive o goleiro. Messi também faria o seu gol de mão contra o Espanyol, da mesma forma que Maradona fizera também contra os ingleses. Assim como Maradona, Messi também tem baixa estatura e chuta com a perna esquerda (os dois escrevem com a direita), além de ambos terem passado pelo Newell's Old Boys e pelo Barcelona ao longo de suas carreiras.
Rivalidade com Cristiano Ronaldo
A partir de 2007, quando Messi foi indicado pela primeira vez entre os finalistas ao prêmio de melhor jogador do mundo, teve início a rivalidade esportiva com o português Cristiano Ronaldo, então principal destaque do Manchester United. Naquele ano, ambos ficaram atrás do brasileiro Kaká, do Milan, vencedor da premiação. Messi terminou em segundo lugar, em um episódio marcado por um equívoco na cerimônia, quando o troféu chegou a ser entregue a Cristiano Ronaldo, terceiro colocado, por Pelé. Em 2008, o prêmio foi conquistado por Cristiano Ronaldo, impulsionado pela vitória na Liga dos Campeões da UEFA, enquanto Messi ficou novamente na segunda posição. Já em 2009, a rivalidade ganhou maior projeção quando Barcelona e Manchester United se enfrentaram na final da Liga dos Campeões. O clube catalão venceu por 2–0, com Messi marcando o segundo gol da partida. Naquele ano, Leo terminou em primeiro lugar na votação da Bola de Ouro.
Personalidade
Interessado pela íntima e pouco divulgada vida pessoal de Messi, o jornalista e escritor Leonardo Faccio, conterrâneo do jogador e que também reside em Barcelona, escreveu "Messi, El chico que siempre llegaba tarde" ("Messi, o menino que sempre chegava atrasado", em espanhol), livro publicado pela editora Debate. Por incumbência de sua editora, Faccio tentou se aproximar de Messi durante muito tempo, conhecendo a personalidade do jogador. Na obra, o escritor apresenta Messi como um garoto tímido e aparentemente simples, diferente da grande maioria dos garotos de sua idade e seu poder aquisitivo, mas que ao mesmo tempo é uma pessoa complexa. No total, Leonardo conseguiu apenas uma entrevista de 15 minutos com Lionel no ano de 2008, o suficiente para saber que "suas palavras limitam mais do que explicam" e, portanto, optou por se aproximar dele através de "mais de cem" pessoas do seu círculo social, dentre eles jogadores, treinadores e amigos próximos ao jogador.
Relacionamentos
Lionel Messi e Antonela Roccuzzo se conheceram ainda na infância, quando tinham cerca de nove anos de idade, em razão da proximidade entre suas famílias. O contato inicial ocorreu por meio de um primo de Antonela, que atuava nas categorias de base do Newell’s Old Boys ao lado de Leo, clube tradicional da cidade de Rosário. À época, os pais de Antonela eram proprietários de um mercado local, estabelecimento frequentado pela família de Messi. No início de 2011, Messi colocou um fim num relacionamento de longa data que mantinha com Antonela. Pouco tempo depois, em agosto do mesmo ano, os dois demonstraram publicamente ter reatado o romance ao serem fotografados juntos na ilha de Ibiza, leste da Espanha, durante as férias do jogador. Em novembro de 2012 Lionel e Antonela tiveram o seu primeiro filho, Thiago, nascido em Barcelona. O segundo filho do casal, Mateo, nasceu em 2015.
Mídia
Além de seu desempenho esportivo, Messi consolidou-se como uma das figuras mais valiosas do esporte em termos de imagem e marketing. Foi classificado como o atleta mais comercializável do mundo pela revista britânica SportsPro em 2020 e 2023. O ranking avalia fatores como desempenho esportivo, relevância global, apelo midiático e potencial comercial. O tamanho do sucesso dentro de campo fez com que Messi se tornasse garoto-propaganda de jogos de futebol eletrônico da Konami, figurando nas capas das franquias Pro Evolution Soccer e Winning Eleven (no Japão), nas edições de 2009 e 2011. Marcou presença na capa do jogo no ano de 2010, embora dessa vez ao lado de Fernando Torres, então atacante do Liverpool. Messi é um dos embaixadores do jogo EFootball, antigo PES.
Filantropia
Ao longo de sua carreira, Messi participou de ações beneficentes voltadas a crianças em situação de vulnerabilidade social. Desde 2004, tem dedicado tempo e recursos ao Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), organização com a qual o Barcelona também mantém ligação. Messi atua como Embaixador da Boa Vontade da UNICEF desde sua nomeação em março de 2010, realizando sua primeira missão de campo quatro meses depois, ao viajar ao Haiti para dar visibilidade à situação das crianças do país após o terremoto de 2010. Participou, desde então, de campanhas da organização voltadas à prevenção do HIV, à educação e à inclusão social de crianças com deficiência.


