Papa Leão XIII
Leão XIII, nascido Vincenzo Gioacchino Raffaele Luigi Pecci-Prosperi-Buzzi, foi o 256º Papa da Igreja Católica, liderando de 20 de fevereiro de 1878 até sua morte em 20 de julho de 1903. Seu pontificado, que durou 25 anos, marcou a entrada da Igreja Católica no século XX e é o quarto mais longo da história. Ele faleceu aos 93 anos, sendo o segundo papa mais idoso, superado apenas por Bento XVI.
Pontos-chave
- Leão XIII foi o 256º Papa, reinando de 1878 a 1903, marcando a entrada da Igreja no século XX.
- Seu pontificado de 25 anos é o quarto mais longo da história da Igreja Católica.
- Faleceu aos 93 anos, sendo o segundo papa mais idoso, atrás apenas de Bento XVI.
- Ele promoveu o entendimento entre a Igreja e o mundo moderno, incentivando o estudo de Tomás de Aquino e abrindo o Arquivo Secreto do Vaticano.
- Leão XIII foi o primeiro papa a ter sua voz gravada e a ser filmado por uma câmera de cinema.
Vincenzo Gioacchino Raffaele Luigi Pecci-Prosperi-Buzzi nasceu em Carpineto Romano e teve uma educação jesuíta, destacando-se por seu intelecto e apreço pela língua latina.
Primeiros Anos e Educação (1810-1836)
Nascido em 1810, Vincenzo Pecci foi o sexto de sete filhos. Cresceu em um lar onde a religião era central. Estudou no Colégio Jesuíta de Viterbo até 1824, onde se destacou por sua habilidade em latim, escrevendo poemas aos onze anos. Após a morte de sua mãe, ele e seu irmão Giuseppe continuaram seus estudos no Colégio Jesuíta Romanum em Roma.
Antes de ser sacerdote, Pecci foi nomeado prelado pessoal pelo Papa Gregório XVI. Como administrador provincial de Benevento, ele restaurou a ordem pública e reformou a economia. Mais tarde, serviu como Núncio Apostólico na Bélgica, onde fortaleceu relações e promoveu a educação católica.
Administrador Provincial (1837-1843)
Em 14 de fevereiro de 1837, aos 27 anos, Pecci foi nomeado prelado pessoal pelo Papa Gregório XVI, sendo ordenado sacerdote em 31 de dezembro de 1837. Pouco depois, foi nomeado legado (administrador provincial) de Benevento. Lá, ele enfrentou uma economia em declínio, banditismo e a influência da Máfia/Camorra. Pecci restaurou a ordem prendendo criminosos e reformou o sistema tributário para estimular o comércio.
De 1846 a 1877, Pecci foi um bispo popular em Perugia, enfrentando desafios como ataques da mídia e movimentos revolucionários. Ele se dedicou a reformar a vida religiosa, investir na educação clerical e promover atividades de caridade, enquanto defendia o papado contra o nacionalismo italiano.
Assistente Papal e Desafios
Em 1843, Pecci foi nomeado assistente papal. De 1846 a 1877, ele foi um bispo popular e bem-sucedido em Perugia. No entanto, após Pio IX conceder liberdade de imprensa em 1847, Pecci tornou-se alvo de ataques. Os movimentos revolucionários de 1848 na Europa Ocidental, embora revertidos por tropas estrangeiras, custaram à Igreja Católica parte de sua popularidade.
Reforma e Educação Religiosa
Pecci convocou um conselho provincial para reformar a vida religiosa em suas dioceses. Ele investiu na ampliação do seminário para futuros padres e na contratação de professores tomistas renomados, incluindo seu irmão Giuseppe Pecci. Sua residência ao lado do seminário facilitava o contato diário com os alunos.
Iniciativas de Caridade
Pecci desenvolveu diversas atividades de caridade, fundando abrigos para meninos, meninas e mulheres idosas. Ele abriu filiais do banco Monte di Pietà, que oferecia empréstimos a juros baixos para pessoas de baixa renda, e criou cozinhas de sopa administradas pelos capuchinhos. Em 19 de dezembro de 1853, foi elevado ao Colégio dos Cardeais. Em resposta a terremotos e inundações, doou todos os recursos de festividades às vítimas.
Defesa do Papado e da Igreja
Pecci defendeu o papado e suas reivindicações. Quando as autoridades italianas expropriaram conventos e mosteiros, ele protestou moderadamente. Diante da estatização das escolas católicas, ele adaptou o seminário teológico, adicionando tópicos seculares e abrindo-o para não-teólogos. Ele também enfrentou a legislação que exigia aprovação governamental para declarações episcopais ou papais.
Organizando o Concílio Vaticano I
Pecci estava bem-informado sobre o Concílio Vaticano I (1869-1870), com seu irmão Giuseppe auxiliando na preparação. Nos últimos anos em Perugia, ele abordou o papel da Igreja na sociedade moderna, definindo-a como a mãe da civilização material por defender a dignidade dos trabalhadores e promover a caridade. Em agosto de 1877, com a morte do Cardeal Filippo De Angelis, Pio IX o nomeou Camerlengo, exigindo sua residência em Roma.
Eleição como Papa Leão XIII
Com a morte de Pio IX em 7 de fevereiro de 1878, e distrações políticas como a Guerra Russo-Turca e a morte de Vítor Emanuel II, o conclave se reuniu em Roma em 18 de fevereiro de 1878. Os cardeais debateram relações Igreja-Estado e o Concílio Vaticano I. Pecci foi eleito na terceira votação, escolhendo o nome Leão XIII. Foi coroado em 3 de março de 1878. Ele renunciou à administração da Diocese de Perugia em 27 de fevereiro de 1880, que mais tarde foi elevada a Arquidiocese de Perugia-Città della Pieve em 1986.
Como Papa, Leão XIII buscou harmonizar a Igreja com o mundo moderno, promovendo a ciência e a erudição. Ele foi pioneiro ao ter sua voz gravada e ser filmado, e seu pontificado foi marcado por intensas atividades diplomáticas, teológicas e de canonização.
Abertura à Ciência e Modernidade
Ao ser eleito, Leão XIII incentivou o entendimento entre a Igreja e o mundo moderno. Ele reafirmou a doutrina escolástica da coexistência entre ciência e religião, exigindo o estudo de Tomás de Aquino. Abriu o Arquivo Secreto do Vaticano a pesquisadores e refundou o Observatório do Vaticano para demonstrar que a Igreja apoia a ciência. Ele foi o primeiro papa a ter sua voz gravada e a ser filmado por uma câmera de cinema.
Relações Exteriores
Leão XIII iniciou seu pontificado com uma carta amigável ao Czar Alexandre II, buscando o respeito pela dignidade dos católicos russos. Após o assassinato de Alexandre II, ele enviou um representante à coroação de Alexandre III, que pediu a união das forças religiosas e que os bispos se abstivessem de agitação política. As relações melhoraram ainda mais quando Leão XIII distanciou o Vaticano da aliança Roma-Viena-Berlim, facilitando a aproximação entre Paris e São Petersburgo.
Contribuições Teológicas
O pontificado de Leão XIII foi teologicamente influenciado pelo Concílio Vaticano I. Ele emitiu cerca de 46 cartas e encíclicas apostólicas abordando questões centrais sobre casamento, família, estado e sociedade. Ele também escreveu duas orações pela intercessão de São Miguel Arcanjo e aprovou vários Escapulários, como o da Santa Face (1885), Nossa Senhora do Bom Conselho (1893), São José (1893) e Sagrado Coração (1900).
Leão XIII concedeu audiências a figuras notáveis, como o futuro Papa Bento XV e Santa Teresa de Lisieux, demonstrando sua acessibilidade e influência. Ele também criou 147 cardeais em 23 consistórios, incluindo seu irmão e seu sucessor, Pio X.
Audiências Notáveis
Uma das primeiras audiências de Leão XIII foi com professores e alunos do Colégio Capranica, onde conheceu o jovem seminarista Giacomo Della Chiesa, futuro Papa Bento XV. Em 1887, durante uma peregrinação, a futura Santa Teresa de Lisieux pediu-lhe permissão para entrar na ordem carmelita aos 15 anos. Apesar da proibição de falar, ela expressou seu desejo, e o Papa respondeu: 'Vá... vá... Você entrará se Deus quiser'. Pouco depois, ela foi autorizada a ingressar no Carmelo.
Leão XIII foi o primeiro papa a nascer no século XIX e a morrer no século XX, falecendo aos 93 anos em 20 de julho de 1903. Seu pontificado foi o terceiro mais longo na época de sua morte. Ele foi sepultado na Arquibasílica de São João de Latrão.
Leão XIII foi o principal sagrante de diversos bispos durante seu pontificado, contribuindo para a sucessão apostólica da Igreja.
Bispos Sacerdotes por Leão XIII
Leão XIII atuou como o principal sagrante em várias ordenações episcopais, desempenhando um papel fundamental na consagração de novos bispos para a Igreja Católica.


