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Jequié

Jequié é um município brasileiro do interior e sudoeste do estado da Bahia. Está a 365 km de Salvador, na zona limítrofe entre a caatinga e a zona da mata.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 17/07/2026
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História

Origens

A palavra Jequié deriva da língua tupi: jequi: cesto afunilado, usado como armadilha para peixes, tendo como variações cacuri, jequiá, jiqui, jiquiá, juquiá, jequié. O município desenvolveu-se a partir da movimentada feira que atraía comerciantes de todos os cantos da região, no fim do século XIX. Pertencente ao município de Maracás de 1860 a 1897, Jequié abastecia as regiões sudeste e sudoeste da Bahia, assim como a bacia do rio de Contas. Com sua crescente importância como centro de comércio, a cidade cresce então linearmente às margens do Rio de Contas que, na época, era mais volumoso e estreito, e cercado por uma extensa mata. O município de Jequié é originado da sesmaria do capitão-mor João Gonçalves da Costa, que sediava a fazenda Borda da Mata. Esta mais tarde foi vendida a José de Sá Bittencourt, refugiado na Bahia após o fracasso da Inconfidência Mineira. Em 1789, com sua morte, a fazenda foi dividida entre os herdeiros em vários lotes. Um deles foi chamado Jequié e Barra de Jequié.

Emancipação política

Em pouco tempo, Jequié tornou-se distrito de Maracás, e dele se desmembrou em 1897, tendo como primeiro intendente (cargo à época equivalente a prefeito) Urbano Gondim. A partir de 1910 é que se torna cidade e já se transforma em um dos maiores e mais ricos municípios baianos. O nome "Jequié" é uma palavra indígena para designar "onça", em alusão a grande quantidade desses animais na região. Outros historiadores já afirmam que o topônimo tem origem no "jequi", um objeto afunilado, muito utilizado pelos índios mongoiós para pescar no Rio de Contas.

Jequié: capital da Bahia

Importante episódio da história estadual foi a decisão inusitada tomada pelo então Presidente da Assembleia Legislativa do Estado, Aurélio Rodrigues Viana que, assumindo o governo em 1911, decretou a mudança da capital do estado, de Salvador para Jequié, ocasionando imediata reação do Governo Federal, que bombardeou Salvador e forçou a renúncia desse mesmo governador, que adotara a medida. Jamais tendo se constituído de fato, o gesto entretanto marcou a História da Bahia, como um dos mais tristes, sobretudo pelo bombardeio da capital, provocando o incêndio da biblioteca pública, onde estava guardada a maior parte dos documentos históricos de Salvador.

Destruição e recomeço

Depois da terrível enchente de 1914, que destruiu quase tudo em Jequié, a feira, o comércio e a cidade passaram a desenvolver-se em direção às partes mais altas. Após a enchente, Jequié ficou conhecida como a "Chicago Baiana", pois essa cidade norte-americana também foi destruída, em 1871, e teve que recomeçar quase do zero. A diferença é que Jequié acabou em água e Chicago em fogo. Em 1919, o então intendente Antero Cícero dos Santos, inaugurou o cemitério municipal São João Batista, no atual bairro da Caixa D'Água.

Desenvolvimento urbano e crescimento econômico

No dia 1º de setembro de 1923 foi instalada a agência do Banco do Brasil em Jequié. Primeiro funcionou no saudoso "Sobrado dos Grillos", depois foi para a avenida Rio Branco, em seguida para a Praça Ruy Barbosa, e nos dias atuais funciona na Rua da Itália. A cidade foi a primeira da região sudoeste da Bahia a ter uma agência do Banco do Brasil. Apesar das ações de desmatamento que acabaram por assorear o Rio de Contas, impossibilitando a navegação, a cidade seguiu firme em direção ao progresso e, em 1927, festejou a chegada da "Estrada de Ferro Nazareth". Nesse tempo, Jequié era a quarta cidade mais importante da Bahia e teve no comerciante Vincenzo "Vicente" Grillo o seu grande benemérito. Em 1930, com o advento da Revolução, o então intendente (prefeito) Geminiano Saback teve que deixar o cargo, interrompendo assim o seu projeto de pavimentar a cidade.

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Economia

O comércio da cidade é bem diversificado e absorve boa parte das pessoas empregadas. O município tem uma posição estratégica na microrregião e é responsável por parte de seu abastecimento. Jequié possui 302 empresas do setor industrial (micro, pequena, média e grandes empresas), 1.020 do setor de comércio, 1.230 do setor de prestação de serviços e sete agências bancárias: Banco do Brasil, (2) Caixa Econômica Federal, Bradesco, (2) Itaú e Banco do Nordeste, além de duas cooperativas de crédito que atuam como instituição financeira: Sicoob e Unicred. A cidade ainda conta com um Distrito Industrial formado por 37 empresas voltadas para produção de alimentos, calçados, confecções, madeira, plásticos, tanques, pias e sabões de velas, que emprega ao todo 7.276 funcionários (SUDIC, out/2016). Entre 2006 e 2008 foram injetados mais de dez milhões de reais no comércio de Jequié com a aquisição de materiais de construção para o maior projeto habitacional do Estado, com a construção de 604 casas populares.

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Monumentos

A cidade tem vários monumentos, e o principal deles foi o Obelisco de Jequié, localizado na Praça Ademar Nunes Vieira, também conhecida por "Praça da Bíblia", bairro Jequiezinho.

Principais ameaças ambientais

A agropecuária causa grande impacto ambiental na região pela substituição da vegetação nativa pelo plantio de pastagens para alimentação dos rebanhos. A extração de madeira para construção civil e para produção de carvão, a poluição do Rio de Contas, bem como o tráfico de animais também são consideradas como ações de forte impacto ambiental regional, além da Ferrovia da Integração Oeste-Leste com uma extensão de 1.490 km (1.100 km na Bahia) tem sua implantação dividida em três trechos: 530 km – Ilhéus/Caetité passando por Jequié, 413 km Caetité/Barreiras e 547 km Barreiras/Figueirópolis (TO).

Consequências

Ações provocadas pelo ser humano desencadeiam uma série de consequências drásticas para o ambiente, a fauna e flora que o compõem. Desmatamento ocasionado para implantação de pasto, extração de madeira, inserção de novas culturas, construção civil. Superexploração de recursos naturais gera esgotamento ou comprometimento da disponibilidade destes recursos. Queimadas alcançam ampla distribuição e propagação, o que a torna letal a vegetação e animais dos locais afetados. Poluição, descarte de esgotos domésticos e industriais nas águas, os resíduos dispensados tornam o ambiente alterado, inviável para permanência de determinadas espécies.

Alguns trabalhos sobre a biodiversidade local

A Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia possui um programa de Pós Graduação em Genética Biodiversidade e Conservação, onde alguns estudos sobre a biodiversidade local são realizados.

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Demografia

Imigrações

Os sobrenomes também foram modificados, por causa dos frequentes erros de escrivães em cartórios. A família Senhorinho, por exemplo, tem origem um tanto obscura, e talvez foi fruto desses erros de cartório. Provavelmente, a palavra é uma corruptela da italiana Signorino. Da mesma forma, os sobrenomes espanhóis Peletero e Sánchez, viraram Peleteiro (com i) e Sanches (com s e sem acento). Semelhantemente ocorreu com a família judaica Cohen, que teve a grafia modificada para Cohim.

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Infraestrutura

Saúde

Jequié conta com o Hospital Geral Prado Valadares, um hospital regional da rede Sistema Único de Saúde e referência para aproximadamente 30 municípios. Fundado em março de 1947, conta com 155 leitos e é campo de estágio para estudantes da área de saúde da Faculdade de Tecnologia e Ciências, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia e Escola Técnica de Enfermagem. Possui ambulatórios de urologia, pediatria, ortopedia, ginecologia, psiquiatria e neurologia, onde realiza internamentos nas especialidades de pediatria, clínica médica, obstetrícia, cirurgia geral e psiquiatria, com cerca de 11 500 atendimentos ambulatoriais por mês. É o único hospital da cidade que presta atendimento a grandes emergências na região.

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Cultura

A SECUT mantém uma grade fixa de projetos culturais, a serem realizados durante todo o ano, na Casa da Cultura Pacífico Ribeiro, além de outras atividades de dinamização e promoção da cultura no Teatro Municipal, Biblioteca Municipal e Museu Histórico.

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Esporte

Outras modalidades que crescem na cidade são, Dirt Jump e Street, que são modalidades mais extremas, onde saltos e manobras com a bicicleta são contados. A Equipe No Rastro é também a pioneira da modalidade na cidade, com eventos como o No Rastro Mega Urban, No Rastro Dirt Fight e o Mega Urban Bola de Neve.

Maçonaria

A cidade possui quatro lojas maçônicas: "União Beneficente - GLEB", " Obreiros do Rio das Contas - GOB", "Areópago Jequieense - GLEB" e "Força e Luz - GOB". A última Loja Maçônica citada situa no bairro Amaralina, enquanto as outras se localizam no Centro. A "União Beneficente" foi a primeira loja em Jequié, fundada em 28 de janeiro de 1929, e ocupa o Edifício São João, construído em 1946. Todas as lojas possuem sede própria. Jequié faz parte do 6º Distrito da Grande Loja Maçônica do Estado da Bahia e da 2ª Inspetoria Litúrgica do Estado da Bahia do Supremo Conselho do Grau 33 do R.'.E.'.A.'.A.'. para a República Federativa do Brasil. O delegado do G.'.M.'. e Sob.'. Gr.'. Inspetor Litúrgico é o Ir.'. Cid Carvalho Teixeira, 33.

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Segurança pública

Jequié é servida pela Polícia Civil, sediando a 9ª COORPIN (Coordenadoria de Polícia do Interior, que abrange 24 cidades da região). Também, conta com a 1ª DT (Primeira Delegacia Territorial), com a DRFR (Delegacia de Repressão a Furtos e Roubos) e a DEAM (Delegacia Especializada em Atendimento à Mulher), ainda pelo 19º Batalhão da Polícia Militar, pela PM/CIPE Central e também pelo 8º Grupamento de Bombeiros Militar. A cidade ainda conta com um conjunto penal com capacidade para 363 detentos, unidades da Polícia Rodoviária Federal e Polícia Rodoviária Estadual, além do Tiro de Guerra - 6ªRM TG 06-009.

Violência

Jequié é o município mais violento do Brasil, segundo levantamento do anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, com base em dados de 2022 e levando em conta mortes violentas intencionais. O levantamento leva em consideração municípios com 100 mil habitantes ou mais. O município teve a mais alta taxa de assassinatos em 2022, com 88,8 homicídios para cada grupo de 100 mil pessoas; registrou 142 mortes violentas. O principal fator para Jequié ocupar a primeira posição é a disputa do tráfico de drogas. Santo Antônio de Jesus (2ª posição), Simões Filho (3ª posição) e Camaçari (4ª posição), que também são municípios da Bahia, vêm logo atrás na lista dos mais violentos. O levantamento foi divulgado em 2023.

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Cidades-irmãs

Jequié integra a Associação Internacional das Cidades Educadoras.

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Fontes consultadas

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