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Iúçufe ibne Taxufine

Iúçufe ibne Taxufine Naceradim ibne Talacaquinim, mais conhecido apenas como Iúçufe ibne Taxufine, Iúçufe ibne Texufine, Iúçufe ibne Texefine, Iúçufe ben Texufine e Iúçufe ben Taxefine, foi o primeiro emir do Império Almorávida, governando entre 1061 e sua morte. Natural do Suz, integrou-se cedo ao movimento almorávida, no contexto das reformas religiosas e políticas lideradas pelos sanajas do deserto. Destacou-se rapidamente tanto por sua capacidade militar quanto administrativa, qualidades que lhe permitiram ascender dentro da hierarquia do movimento. Após a morte de Iáia, passou a servir a Abu Becre, assumindo o controle da administração setentrional do movimento, função na qual consolidou progressivamente sua autoridade pessoal sobre as tribos sanajas e sobre os territórios conquistados no Magrebe.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 17/07/2026
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Vida

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Primeiros anos

De acordo com a tradição, Iúçufe ibne Taxufine nasceu em 1009/10 na região amazigue do Suz, onde passou a infância e a juventude. Sabe-se que pertencia ao clã dos tarfutitas dos sanajas lantunas e era filho de Taxufine ibne Ibraim e primo-irmão de dois dos primeiros seguidores do ideólogo Abedalá ibne Iacine, Iáia e Abu Becre ibne Omar. Começou sua carreira junto a Abu Becre, que tornou-se o segundo chefe militar almorávida após a morte de Iáia. Foi provavelmente governador da região de Tafilete durante vários anos, após sua conquista em 1056 pelos almorávidas, e participou nas campanhas de submissão das planícies costeiras do rio Suz. Em 1070, segundo Ibne Idari, Abu Becre, chefe militar do movimento após a morte de seu irmão Iáia, fundou Marraquexe, que tornar-se-ia a capital do ascendente Império Almorávida, em substituição de Agmate; em certas datações, sobremaneira amparadas na data apresentada em algumas fontes árabes (Ibne Abi Zar e Ibne Caldune), assume-se que a cidade foi fundada em 1062 (Dreses dá o improvável ano de 1178). Algumas tradições, por conseguinte, colocam erroneamente Iúçufe como fundador da cidade. De todo modo, nesse mesmo ano, Abu Becre deixou sob comando de Iúçufe os territórios almorávidas ao norte e a continuidade das campanhas contras os zenetas, enquanto ele marcharia para enfrentar os sanajas massufas, que se tinham rebelado contra o movimento, invejosos dos privilégios dos lantunas, seus rivais tradicionais.

Consolidação do Magrebe

Estabelecida a estrutura administrativa do Estado e reorganizado o exército, Iúçufe retomou as campanhas de unificação, avançando para a planície do Saís. Dali, apoderou-se de Sefru e dedicou algum tempo a controlar toda a área circundante a Fez, antes de investir contra ela e tomá-la. Em 1063, investiu contra a cidade, cujo emir Muançar ibne Hamade (r. 1063–1067/8) foi derrotado em combate e decidiu abandoná-la. Com essa conquista, todo o norte do atual Marrocos estava sob controle almorávida, salvo Ceuta e Tânger. Algum tempo depois, contudo, os magrauas rebelaram-se, Muançar ibne Hamade depôs o tenente almorávida instalado ali e retomou sua capital. Isso obrigou Iúçufe a conduzir uma campanha contra eles, depois da qual submeteu os gomaras do Rife e alcançou o Mediterrâneo. Após essas novas vitórias, Fez foi atacada, o que causou a morte de Muançar. O filho de Muançar, Tamime, resistiu por algum tempo aos ataques, mas foi derrotado e executado e sua capital foi conquistada. A depender da cronologia adotada, a data da conquista é variadamente descrita como pertencendo aos anos 1060 ou 1070. Alguns autores colocam que ela caiu em 1069, enquanto outros sugerem 1070 ou 1074/5. Fez foi amplamente reformada, para minimizar os danos decorrentes dos vários ataques: Iúçufe uniu o bairro andalusino e o cairuanês, ergueu uma nova muralha e uma fortaleza para o governador e a guarnição e construiu novas mesquitas e banhos. Além disso, Iúçufe designou Omar ibne Solimão Almassufi como governador.

Primeiras ações no Alandalus

Desde o colapso do Califado de Córdova, os territórios muçulmanos no Alandalus fragmentaram-se em pequenos reinos, por vezes hostis entre si, chamados taifas. A desunião abriu espaço para a expansão dos reinos cristãos (Reconquista). A turbulência militar (perda de territórios), econômica (salários dos mercenários, exação de butins de parias) e política (imposição de protetorados, vassalagens, zonas de influência) criaram uma situação em que a opinião pública andalusina exigia urgentemente o controle efetivo dos cristãos além-fronteiras, a restauração de uma ordem islâmica interna, a redução de impostos e um certo retorno à unidade califal. Em 1077 (ocupação de Tânger) e 1083 (devido à campanha castelhana contra Sevilha, Medina Sidônia e Tarifa em 1082), Iúçufe recebeu pedidos de ajuda das taifas contra os reinos cristãos. Iúçufe fez da captura de Ceuta seu objetivo principal antes de tentar intervir no Alandalus. Ceuta, a última grande cidade no lado africano do estreito de Gibraltar que ainda resistia a ele, era controlada pelas forças zenetas sob o comando de Iáia Dia Adaulá, filho de Sucute Albarguati. Quando Iáia se mostrou pouco cooperativo e não respondeu aos pedidos de Iúçufe para permitir a travessia do estreito, Iúçufe e a delegação enviada pelos andalusinos convocaram juízes para emitirem fátuas contra ele. Durante onze meses, Iúçufe sitiou Ceuta. Em seguida, pediu e recebeu ajuda naval do rei de Sevilha, Almutâmide (r. 1069–1091). A frota sevilhana bloqueou a cidade por mar, enquanto o filho de Iúçufe, Tamime, liderou o cerco por terra. A cidade finalmente se rendeu em junho-julho de 1083 ou em agosto de 1084.

Campanhas contra Valência

A captura de Múrcia colocou os almorávidas ao alcance de Valência, que estava oficialmente sob o controle de Iáia Alcadir, o antigo governante da Taifa de Toledo. Ele havia sido instalado ali em 1086 pelos castelhanos após estes tomarem Toledo. O governo impopular de Alcadir em Valência era apoiado por uma guarnição castelhana chefiada por O Cid. Em outubro de 1092, quando O Cid estava longe da cidade, houve uma insurreição e um golpe de Estado liderado pelo cádi (juiz) Abu Amade Jafar ibne Jaafe. Este convocou ajuda dos almorávidas em Múrcia, que enviaram um pequeno grupo de guerreiros à cidade. A guarnição castelhana foi forçada a sair e Alcadir foi capturado e executado. Entretanto, os almorávidas não enviaram forças suficientes para se opor ao retorno de O Cid e Ibne Jaafe perdeu apoio popular ao instalar-se como governante, atuando como mais um rei de taifa. O Cid iniciou um longo cerco à cidade, cercando-a completamente, incendiando aldeias vizinhas e confiscando safras da região. Ibne Jaafe chegou a aceitar pagar tributo para O Cid pôr fim ao cerco, o que resultou na escolta dos almorávidas para fora da cidade. Por razões ainda obscuras, um exército almorávida de socorro liderado pelo sobrinho de Iúçufe, Abu Becre ibne Ibraim, aproximou-se de Valência em setembro de 1093, mas recuou sem enfrentar O Cid. Ibne Jaafe continuou a negociar. No fim, recusou pagar o tributo e o cerco prosseguiu. Em abril de 1094, com a cidade faminta, decidiu rendê-la pouco depois. O Cid voltou a entrar em Valência em 15 de junho de 1094, após 20 meses de cerco. Em vez de governar por meio de um fantoche, assumiu o poder diretamente como rei.

Legitimidade e morte

Em certo momento, Iúçufe passou a reconhecer o Califado Abássida de Baguedade como seus suserano. Embora os próprios abássidas tivessem pouco poder político direto nesse período, o simbolismo desse ato era importante e reforçou a legitimidade de Iúçufe. Segundo Ibne Idari, foi nesse mesmo momento que Iúçufe adotou o título de miralmuminim ("comandante dos muçulmanos"). Ibne Idari data esse evento para 1073–1074, mas alguns autores — entre eles o historiador moderno Évariste Lévi-Provençal — datam essa decisão política para mais tarde, muito provavelmente quando os almorávidas estavam no processo de assegurar o controle do Alandalus. De acordo com Amira Bennison, o reconhecimento do califa abássida deve ter sido estabelecido no mais tardar na década de 1090. Quando Abedalá ibne Alárabi e seu filho Abu Becre visitaram Baguedade entre 1096 e 1098, possivelmente como parte de uma embaixada almorávida ao califa Almostadir (r. 1094–1118), alegou que as orações de sexta-feira já estavam sendo realizadas em nome do califa abássida por todos os territórios governados por Iúçufe.

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Características e legado

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Iúçufe tinha tez castanho-escura (asmar também podendo significar uma coloração nitidamente negra), e pode ter sido incapaz de se expressar em árabe. Com seus hábitos ascéticos e frugais, permaneceu fiel ao seu modo de vida e ao seu traje do deserto; vivendo de farinha de cevada, produtos lácteos e carne de camelo, parecia ser o antípoda dos príncipes indolentes e ostentosos de Alandalus. Diz-se que era o modelo de monge-soldado das arrábitas. Inteligente, era um grande organizador, melhor inclusive do que militar. Hábil e astuto, podia conciliar opiniões diversas. De enorme energia e atividade, dominou todos os assuntos políticos e militares do Estado. Era piedoso, equilibrado e generoso com os juízes (alfaquis) maliquitas, a quem nunca deixava de consultar, e evitava atos de crueldade. Como a casa de Abu Becre e Iúçufe negava o sangue berbere e, em seus parentes agnáticos, ostentava uma linhagem himiarita, vários juízes árabes, especialmente aqueles de origem catanita, foram nomeados para cargos importantes. Diz-se, inclusive, que Iúçufe não realizava quaisquer ações sem antes estar estar munido de fátuas suficientes.

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