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Istambul

Istambul, a antiga Bizâncio e Constantinopla, é a maior cidade da Turquia e rivaliza com Londres como a mais populosa da Europa, com 15 067 724 habitantes na sua área metropolitana em 2018. A grande maioria da população é muçulmana, mas também há um grande número de laicos e uma minoria de cristãos e judeus.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 14/07/2026
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Toponímia

O atual nome da cidade, İstanbul em turco (AFI: [is'tambu] ou, coloquialmente, [ɨsˈtambul]) é usado nas suas diversas variações pelo menos desde o século X, tendo-se tornado o nome comum em turco desde a sua integração no Império Otomano depois da Queda de Constantinopla, em 1453. Etimologicamente o nome é derivado da expressão grega medieval "εἰς τὴν Πόλιν" [istimˈbolin] ou, no dialeto egeu, "εἰς τὰν Πόλιν" [istamˈbolin] (em grego moderno: στην Πόλι [stimˈboli]), que significa "na cidade", "à cidade" ou "centro da cidade".[a] No século XIX ainda eram usados diversos nomes para a cidade. Os europeus em geral usavam principalmente Stambul e Constantinopla para se referirem a toda a cidade, embora por vezes se distinguissem ambos os nomes — Constantinopla podia designar apenas a parte mais antiga, a sul do Corno de Ouro (atual Fatih), usando-se "Pera" para designar a zona norte, chamada Beyoğlu pelos turcos, o nome que é usado atualmente. Desde os tempos bizantinos que Pera foi a área onde as comunidades de origem europeia ocidental se concentraram, uma situação que perdurou até ao fim do Império Otomano. Entre os turcos era mais frequente que Istambul designasse apenas a parte mais antiga.[a]

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História

Pré-história

Em 2008, durante as obras de construção da estação de Yenikapı, foi descoberto um assentamento neolítico até então desconhecido, datado de cerca de 6 500 a.C., quando o Bósforo ainda não se tinha formado e o mar de Mármara era pouco mais que um lago interior. Entre os séculos XIII e XI a.C., tribos trácias estabeleceram dois assentamentos — Lygos e Semistra — em Sarayburnu (cabo do Serralho), perto do local onde se ergue atualmente o Palácio de Topkapı.[a] O primeiro povoamento no lado anatólio (oriental) foi encontrado no monte Fikirtepe, no que é hoje o distrito de Kadıköy. Data da Idade do Cobre e nele foram encontrados artefatos que datam de 5 500 a 3 500 a.C.. Não longe dali, foi descoberto um entreposto comercial fenício que existiu no início do 1º milénio a.C.[a] Calcedónia, a primeira colónia grega na área, foi fundada por dóricos da cidade de Mégara que se estabeleceram no cabo de Moda, cerca de 685 a.C. (675 a.C. ou 639 a.C. segundo outras fontes), onde hoje se situa o distrito de Kadıköy.[b]

Bizâncio

Bizâncio foi igualmente fundada por colonos de Mégara, que se estabeleceram nos antigos povoados trácios de Lygos e Semistra, no lado ocidental (europeu) do Bósforo, na margem sul do Corno de Ouro 17 anos depois de fundarem Calcedónia, ou seja, 667 a.C., 659 a.C. ou 619 a.C..[b] No final do século VII a.C. foi fundada uma acrópole no cimo do cabo do Serralho, no local onde hoje se encontra o Palácio de Topkapı. Segundo a lenda, a localização da nova cidade foi indicada ao rei de Mégara, Bizas, de onde provém o nome Bizâncio, pelo Oráculo de Delfos, quando o rei lhe foi pedir conselho sobre uma nova terra para se estabelecer com a sua família e seguidores. O oráculo aconselhou-o a procurar a "terra dos cegos" e fundar a cidade no lado oposto àquele onde essa se encontrava. Bizas percebeu a importância estratégica do Cabo do Serralho, rodeado de água por três lados (o mar de Mármara a sul e sudoeste, o Bósforo a leste e nordeste e o Corno de Ouro a norte), na importante rota marítima que liga o Mediterrâneo ao mar Negro através do mar de Mármara e do Bósforo, pelo que assumiu que o oráculo se referia aos calcedónios como "cegos" por não terem sido capazes de ver que era ali, e não no lado oriental, o local ideal para construir uma cidade.

Domínio romano

A partir de 191 a.C. ou 146 a.C., Bizâncio aliou-se a Roma que a reconheceu como "cidade livre e federada". No século I a.C. foi integrada na República, apesar de terem sido mantidas algumas estruturas de governo democrático local e a sua autonomia só ter sido suprimida em 73 d.C. por Vespasiano. Supõe-se que nesse tempo a cidade não ocupasse muito mais do que é hoje área do Palácio de Topkapı e da Basílica de Santa Sofia. Em 194 d.C., Bizâncio viu-se envolta numa disputa entre o imperador romano Septímio Severo e o usurpador Pescênio Níger. Após tomar partido pelo último, a cidade foi sitiada pelas forças leais a Septímio em 196 d.C. e sofreu extensos danos, tendo sido arrasadas as muralhas e os monumentos. Cinco anos depois, o mesmo Septímio Severo ordenou a reconstrução da cidade, que rapidamente alcançou sua antiga prosperidade, chegando a ser rebatizada como Augusta Antonina pelo imperador, em homenagem a seu filho. Em 262 d.C. Bizâncio foi devastada pelas tropas do imperador romano Galiano, mas foi rapidamente reconstruída.

Império Bizantino

Em 395 o império tornou a ser dividido e Constantinopla passou a ser a capital do Império Romano do Oriente, que ficaria conhecido como Império Bizantino. Foram construídas numerosas igrejas em toda a cidade, incluindo aquela que durante praticamente mil anos foi a maior catedral do mundo, a Basílica de Santa Sofia. O Patriarcado Ecuménico de Constantinopla desenvolveu-se na cidade e ainda hoje o seu líder é uma das figuras mais destacadas na Igreja Ortodoxa Grega. A localização de Constantinopla ajudou a assegurar que a sua existência resistiria ao teste do tempo — durante muitos séculos as suas lendárias muralhas protegeram a Europa de invasores vindos de leste e do avanço do Islão.

Domínio turco

Depois de conquistar a cidade, Maomé II empenhou-se em revitalizá-la, nomeadamente convidando e forçando a nela se fixarem muitos muçulmanos, judeus e cristãos de outras partes da Anatólia, criando uma sociedade cosmopolita que perdurou praticamente durante todo o período otomano. No fim do século XV a população tinha crescido para 200 000, fazendo de Istambul a segunda maior cidade da Europa. Maomé mandou reparar as infraestruturas danificadas, iniciou a construção do Grande Bazar e sobre as ruínas da antiga acrópole construiu o Palácio de Topkapı, que serviu de residência imperial oficial durante 400 anos. Ordenou também a construção da primeira mesquita imperial de construção otomana, a Mesquita de Fatih, para o que foi demolida a Igreja dos Santos Apóstolos, a maior da cidade a seguir a Santa Sofia.

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Geografia

Istambul está situada no noroeste da Turquia, na Região de Mármara (Marmara Bölgesi) e é a capital da província (ill) de Istambul. Em 2004, a área metropolitana administrada pela Autoridade Municipal de Istambul (İstanbul Büyükşehir Belediyesi) ocupava uma área de 5 343, 3 479 km² (65%) no lado europeu e 1 864 km² (35%) no lado asiático. O Bósforo (em turco: Boğaziçi) é um estreito que divide em duas partes a cidade de Istambul e separa fisicamente a Rumélia, na Europa, da Anatólia, na Ásia, ligando o mar Negro, a norte, com o mar de Mármara, a sul, que por sua vez está ligado ao mar Mediterrâneo pelo estreito de Dardanelos. A cidade apresenta assim a característica peculiar de se estender por dois continentes. Além da divisão leste-oeste, a parte histórica do lado europeu é dividida no sentido leste-oeste pelo Corno de Ouro, um porto natural e estuário de uma ribeira orientada no sentido noroeste-sudeste, situado a norte da península histórica onde foi fundada Bizâncio (o Cabo do Serralho ou Sarayburnu, atual distrito urbano de Fatih).

Sismos

Istambul está situada próximo da Falha Setentrional da Anatólia, uma falha geologicamente ativa responsável por vários grandes sismos na história da cidade, tanto no passado como em tempos mais recentes. Entre os sismos mais devastadores destaca-se o de 1509, que causou um tsunami que galgou as muralhas, destruiu mais de cem mesquitas e causou mais de dez mil mortos. Mais recentemente, em 1999, o sismo de İzmit provocou mais de 18 000 mortes, das quais cerca de mil em Istambul. Os estudos demonstram que há um risco elevado de que nas próximas décadas se produza um terremoto devastador na região de Istambul.[d] É provável que devido às dificuldades para estabelecer e impor normas convenientes de segurança na construção dos edifícios, se repita o que aconteceu durante o sismo de agosto de 1999, isto é, que haja um número enorme de desmoronamentos, especialmente nas habitações de menor custo de alvenaria dos gecekondular (favelas) dos subúrbios.

Poluição

O elevado e rápido crescimento urbano, a grande densidade industrial em certas zonas e o tráfego intenso causam problemas ambientais significativos. Nos últimos anos a qualidade do ar tem melhorado devido à utilização de gás natural e um melhor tratamento de resíduos diminuiu os problemas relacionados com lixo. No entanto, a poluição atmosférica e aquática devida às numerosas fábricas, veículos e habitações continua a ser problemática, o mesmo se passando em relação à poluição sonora. Os problemas tendem a ser mais agudos nos bairros mais pobres e suas vizinhanças.[e] O sistema de esgotos funciona mal em algumas zonas, sendo frequentes os entupimentos provocados por lixo, o que por vezes provoca grandes poças quando não inundações, que aumentam o risco de doenças infecciosas. A principal causa desses problemas reside no facto da infraestrutura não estar adaptada ao tremendo crescimento urbano das últimas décadas.[e]

Clima

Segundo a classificação climática de Köppen-Geiger, Istambul tem um clima de transição entre o úmido subtropical (Cfa, segundo Köppen) e o mediterrânico (Csa, segundo Köppen), visto que há um decréscimo nas precipitações durante o verão, mas não tão forte quanto em outros locais de clima mediterrânico típico, e com influências oceânicas (Cfb, segundo Köppen) acentuadas, principalmente a norte. O clima de Istambul caracteriza-se por verões longos, quentes e húmidos, e invernos frios, chuvosos, ocasionalmente com neve que pode ser abundante, embora geralmente não dure mais do que alguns dias, pois não é comum que as temperaturas negativas se mantenham durante muito tempo.

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Demografia

Estatísticas populacionais

Em 2018, a área metropolitana de Istambul tinha 15 067 724 habitantes. Em 2009 tinha 13 120 596 habitantes, 13 120 596 (50,2%) homens e 6 533 800 (49,8%) mulheres, o que representa 17,8% do total da população da Turquia (73 722 988). A densidade populacional total era 8 229,6 hab./km², variando por distrito desde os 43 831,4 hab./km² de Güngören, a pouca distância do centro histórico do lado europeu, até aos 30,6 hab./km² de Çatalca, o distrito mais a noroeste. Estes distritos são, respetivamente, o menor e o maior em área. As áreas com maior densidade concentram-se sobretudo a oeste, sudoeste e noroeste do centro, estando muito próximos deste. Os distritos históricos de Beyoğlu e Fatih têm, respetivamente, 27 168 e 26 115 hab./km², ocupando a 7ª e 8ª posições entre os distritos com maior densidade. No lado asiático, o distrito com maior densidade é Uscudar, com 14 760 hab./km², um valor não muito distante dos de Ataşehir e Kadıköy que, como Uscudar, se situam no extremo sudoeste da parte asiática de Istambul.

Grupos étnicos e religião

Istambul (ou Constantinopla) foi uma cidade muito cosmopolita ao longo da sua história, onde sempre conviveram muitas comunidades estrangeiras e diversas religiões, apesar da sua situação de grande capital, primeiro do Cristianismo e depois do Islão. Constantinopla rivalizou durante mais de um milénio com Roma como capital da Cristandade e mesmo depois da conquista muçulmana continuou a ser a sede da Igreja Ortodoxa. Um dos líderes ortodoxos mais reverenciados do mundo ainda é o Patriarca Ecuménico de Constantinopla, que reside em Istambul. Principalmente após Selim I ter conquistado Meca no início do século XVI, Istambul tornou-se a capital do mundo islâmico e os sultões otomanos eram simultaneamente califas, uma situação que se manteve até aos primeiros meses da república turca.

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Governo e política

Os limites e divisões administrativas da área metropolitana de Istambul coincidem com as da província homónima desde 2004. Existem 39 distritos (municípios; em turco: ilçeler), os quais, como a generalidade dos distritos turcos, são administrados por um prefeito (belediye başkanı) eleito democraticamente a cada cinco anos e por um governador (kaymakam) nomeado pelo governo central turco. Existe ainda um governador provincial (vali), também nomeado pelo governo central de Ancara. O atual (2011) governador de Istambul é Hüseyın Avnı Mutlu, em funções desde 31 de maio de 2010. Acima dos municípios "menores", a área metropolitana tem uma administração municipal, a İstanbul Büyükşehir Belediyesi ("Municipalidade Metropolitana de Istambul"), que coordena a gestão dos municípios no sentido de haver coerência nas respetivas políticas e solidariedade entre os municípios. Por exemplo: os orçamentos aprovados por cada distrito podem ser emendados pelo conselho municipal metropolitano. Além disso, a "municipalidade metropolitana" tem a seu cargo a gestão de serviços comuns, como transportes, saneamento, obras de maior envergadura e regulamentação de alguns aspetos da vida da cidade, nomeadamente taxas.

Subdivisões administrativas

Pode dizer-se que Istambul tem três centros devido à divisão criada pelo Bósforo e pelo Corno de Ouro: um na península a sul do Corno de Ouro onde foi fundada Bizâncio, cujo principal marco é Sultanahmet, outro na outra margem do Corno de Ouro, cujo principal marco é a Praça Taksim, e outro em Uscudar e Kadıköy, no lado oriental do Bósforo. Os distritos dos centros históricos são principalmente: Fatih, que grosso modo ocupa o que foi a capital bizantina, Beyoğlu, Uscudar e Kadıköy. Zeytinburnu, a extremidade sul de Eyüp, Beşiktaş, Şişli e os distritos envolventes, todos na parte europeia, também têm grande concentração de bairros antigos. Alguns distritos mais distantes dos centros são de carácter mais rural do que propriamente urbano, como se pode inferir da sua baixa densidade populacional. Exemplos disso são principalmente Çatalca e Silivri na extremidade ocidental, Arnavutköy a noroeste e Şile na extremidade nordeste, e Adalar, um arquipélago na parte leste do mar de Mármara, mas também Çekmeköy, na parte asiática. Beykoz só é densamente urbanizado na extremidade sul junto ao Bósforo. Eyüp e Sarıyer, a norte do centro europeu, têm zonas densamente urbanizadas (o último nem tanto, concentrando-se sobretudo nas margens do Bósforo e uma outra zona junto ao mar Negro) e grandes áreas de terreno não urbanizado, nomeadamente de floresta. Algo semelhante se passa com Pendik e Tuzla, cujas áreas mais a norte são pouco povoadas, ao contrário das áreas mais a sul. Além dos distritos, há centenas de bairros em Istambul, alguns deles conhecidos internacionalmente e com algum tipo de personalidade administrativa.

Cidades gémeas

Istambul tem acordos de geminação e/ou de cooperação com mais de cinquenta cidades de todos os continentes. A primeira cidade gémea de Istambul foi o Rio de Janeiro, cujo protocolo respetivo data de 1965.

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Economia

Além de ser a maior cidade e a antiga capital do país, Istambul foi sempre o centro da vida económica da Turquia, para o que contribui em grande medida a sua localização numa encruzilhada de rotas comerciais internacionais terrestres e marítimas. A metrópole é igualmente o maior centro industrial e financeiro da Turquia, onde estão cerca de 20% dos empregos na indústria e 38% da área industrial do país (dados de 2000). Em 2000 Istambul era responsável por 55% do comércio, 45% do comércio grossista, 21% do PIB e 27,5% do PNB da Turquia. No mesmo ano, 40% das receitas de impostos cobrados a nível nacional provinham de Istambul. Em 2006, a cidade era responsável por 27,5% do consumo nacional e nela estavam sediados 35% dos depósitos bancários; 20% das dependências bancárias turcas encontram-se em Istambul. Em 2006 o PIB de Istambul foi de .mw-parser-output .tooltip-dotted{border-bottom:1px dotted;cursor:help}133 mil milhões * de dólares US, mais do triplo do que Ancara e mais elevado do que o de grandes cidades mundiais como Berlim, Pequim ou Singapura. A cidade foi considerada a 34ª mais rica do mundo pela consultora PricewaterhouseCoopers. Em 2005 as empresas baseadas em Istambul exportaram bens no valor de 41,397 mil milhões *US$ e importaram 69 883 mil milhões US$, o que correspondeu, respetivamente, a 56,6% e 60,2% do total da Turquia nesse ano. A distribuição do rendimento entre a população é muito pouco uniforme. Em 1994, 20% dos mais ricos usavam 64% dos recursos, enquanto os 20% mais pobres usavam apenas 4%. De acordo com a revista Forbes, Istambul tinha 35 bilionários em março de 2008, o que a colocava como quarta cidade do mundo com mais bilionários. Em 2007 havia 43 centros comerciais em Istambul e estavam em construção mais 35, além de mais 30 em fase de projeto.

Turismo

A beleza e situação estratégica do local onde a cidade se encontra, a sua rica e extensa história, patente nos inúmeros monumentos, a mistura única de Ocidente e Oriente, decorrente não só da sua localização entre dois continentes, mas também da cultura dos seus habitantes do presente e do passado, a vida intensa nas suas ruas e praças, o contraste e harmonia entre o facto da cidade ser simultaneamente uma metrópole europeia e asiática, onde se encontram locais onde se tem a sensação de que não devem ter mudado muito desde há centenas de anos até às zonas mais modernas que não destoariam em qualquer grande capital europeia ocidental, desde aquilo que foi a maior igreja da Cristandade durante mil anos até aos arranha-céus e centros comerciais mais modernos, passando por muitas dezenas de monumentos otomanos que durante séculos inspiraram os artistas ocidentais pelo seu exotismo e luxo, tudo contribui para fazer de Istambul um destino turístico de eleição para milhões de turistas que visitam anualmente a cidade.

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Infraestruturas

Educação

Em 2007 existiam em Istambul 4 350 escolas não superiores (comuns e profissionais), cerca de metade delas primárias. O número de professores nessas escolas ascendia a 90 784 e o de estudantes a 2 991 320 (c. 25% da população). No total havia 59 238 salas de aula. O número médio de alunos por escola era de 688, o de alunos por professor 33 e de alunos por sala de aula 50. Nos últimos anos houve um grande reforço das infraestruturas de educação — por exemplo: de 2000 para 2007 quase duplicaram o número de professores e de salas de aula e o número de alunos aumentou mais de 60%. Istambul tem um grande número de universidades, oito estatais e mais de vinte privadas, a maior partes destas últimas criadas nos últimos anos. Entre elas encontram-se algumas das mais prestigiadas na Turquia, como a Universidade de Istambul (Istambul Üniversitesi) e a Universidade Técnica de Istambul (İstanbul Teknik Üniversitesi), entre outras. Além das universidades, há pelo menos sete escolas superiores profissionais importantes e duas academias militares.

Saúde

A cidade tem inúmeras unidades de saúde, tanto estatais como privadas, entre hospitais, clínicas, laboratórios e unidades de investigação médica. Muitas destas unidades dispõem de equipamento de alta tecnologia, o que tem contribuído para um recente crescimento do chamado turismo médico, com origem sobretudo em países da Europa Ocidental, onde os serviços de assistência médica governamentais como os do Reino Unido e Alemanha enviam pacientes com menores rendimentos para serem tratados em Istambul devido ao custo mais baixo dos tratamento que envolvem alta tecnologia. Entre as áreas mais procuradas encontram-se a cirurgia oftalmológica a laser e cirurgia plástica.[a]

Abastecimento de água

Os primeiros sistemas de abastecimento de água datam da fundação da cidade no século VII a.C. No tempo dos romanos existiam dois aquedutos principais: o de Mazulkemer e o de Valente (este último ainda é um dos grandes monumentos da Antiguidade de Istambul). Estes aquedutos levavam água recolhida na área de Halkalı, no distrito de Küçükçekmece, a oeste do centro da cidade antiga, até à zona do Fórum de Teodósio (ou Taurino; atualmente a Praça Beyazıt); a água era depois recolhida em numerosas cisternas, algumas delas transformadas em atrações turísticas atualmente, como a da Basílica (Yerebatan Sarayı), a de Teodósio (Şerefiye Sarnıcı) ou a de Filoxeno (Binbirdirek Sarnıcı).[a]

Outros serviços

A eletricidade é distribuída pela empresa estatal Türkiye Elektrik İletim (TEİAŞ). A primeira central termoelétrica da Turquia, a Silahtarağa Santral foi construída em Istambul em Eyüp, no cimo do Corno de Ouro em 1914 e funcionou até 1983; atualmente é o complexo cultural e universitário de Santralistanbul. O primeiro serviço moderno de correios e telecomunicações do Império Otomano, o Ministério dos Correios e Telégrafos (Posta ve Telgraf Bakanlığı), foi criado em Istambul em 1840. A primeira patente do telégrafo de Samuel Morse foi emitida pelo sultão Abdul Mejide I, que testou pessoalmente o aparelho no antigo Palácio do Beilerbei em 1847. Em 9 de agosto de 1847 foi instalada a primeira linha de telégrafo entre Istambul e Edirne.

Transportes

Os transportes públicos de Istambul são geridos pela empresa municipal İstanbul Elektrik Tramvay ve Tünel (IETT, "Serviços de Bondes e do Tünel"), sucessora da primeira empresa de transportes públicos da cidade, a Dersaatet Tramvay Şirketi, fundada em 1869. Em 2010 a IETT tinha uma frota de 2 768 autocarros, os quais percorriam diariamente cerca de 448 000 km em 468 linhas e 7 889 paragens. Há também algumas empresas privadas de autocarros, cuja atuação é controlada pela IETT. Além dos serviços convencionais de autocarros, a cidade Istambul dispõe de um serviço de Bus Rapid Transit, o Metrobüs, duas linhas de metropolitano de superfície, e uma linha de metropolitano, e duas linhas modernas de elétricos rápidos, duas linhas ferroviárias suburbanas

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Cultura

Istambul é considerada a capital cultural da Turquia e também a cidade turca onde a presença da cultura ocidental é mais forte. Para a riqueza cultural da cidade contribui decisivamente a tradição de encontro e fusão entre Ocidente e Oriente, presente desde praticamente a fundação da cidade — por exemplo, um dos mercados de livros mais antigos do mundo é o Sahaflar Çarşısı, o qual existe no mesmo local desde o período bizantino. Este mercado encontra-se na zona de Beyazıt, perto do local onde se erguia o Fórum de Teodósio e ali se encontram muitos livros históricos e raros. Todos estes fatores estiveram na base da escolha de Istambul como Capital Europeia da Cultura em 2010, juntamente com Pécs, na Hungria, e Essen, na Alemanha.[a] A cidade acolhe com frequência estrelas pop internacionais, as quais chegam a encher estádios, e há espetáculos de ópera, jazz, ballet e teatro, tanto de produções nacionais como estrangeiras, muitas vezes com salas repletas. Há diversos festivais culturais sazonais com relevância internacional, como por exemplo o Festival Internacional de Cinema de Istambul e a Bienal de Istambul, uma exposição de arte contemporânea, ambos realizados pela İstanbul Kültür Sanat Vakfı (İKSV), Fundação Para as Artes e Cultura de Istambul, a qual organiza também festivais internacionais de design, teatro, música, ballet, dança contemporânea, ópera, jazz, música tradicional e pop, etc..[a]

Centros culturais, salas de concerto e orquestras

O principal centro cultural estatal é Centro Cultural Atatürk, sediado num dos edifícios que domina a Praça Taksim, que além de dispor de duas salas de concerto onde têm lugar espetáculos de música, ópera e ballet, nele estão instalados duas orquestras, uma sinfónica e outra de música popular, e um coro e orquestra de música clássica turca. A cidade conta com pelo menos 15 centros culturais importantes, 11 salas de concerto de grande qualidade e centenas de galerias de arte. Um dos centros culturais mais modernos é o Santralistanbul, o qual inclui um museu de arte moderna, um museu de energia, um anfiteatro, uma sala de concertos e uma biblioteca pública. O complexo está instalado naquilo que foi a primeira central eléctrica da Turquia e está integrado no campus da Universidade Istanbul Bilgi.

Museus

Istambul tem inúmeros museus e aqui apenas se mencionam alguns dos mais notórios. O İstanbul Modern é um museu de arte contemporânea dedicado sobretudo a obras de artistas turcos, mas que também organiza exposições de artistas estrangeiros. O Museu de Pera é famoso pelas suas coleções de azulejos e de arte orientalista. O Museu Sakıp Sabancı tem vastas coleções de porcelanas chinesa e europeia, mobiliário, caligrafia islâmica e pintura, sobretudo de obras orientalistas de pintores otomanos e europeus que viveram no Império Otomano. O Museu Doğançay é dedicado principalmente à obra do seu fundador, o pintor impressionista turco Burhan Doğançay, e do seu pai Adil Doğançay. O Museu Rahmi M. Koç é um museu industrial que tem em exposição diverso equipamento industrial, desde automóveis e locomotivas do século XIX e início do século XX até barcos, submarinos, aviões e outras máquinas antigas.

Meios de comunicação social

A maior parte dos media e da indústria editorial estão baseados em Istambul e a generalidade dos que não estão têm delegações, edições ou emissões na cidade. Os jornais mais populares da Turquia em 2008 (Hürriyet, Milliyet, Posta, Sabah, Yeni Asır e Zaman) estão todos sediados em Istambul, o mesmo acontecendo com os dois jornais considerados mais prestigiados, o Milliyet e o Cumhuriyet. Os dois jornais de maior circulação no início de 2011 foram o Zaman e o Posta, com tiragens de, respetivamente, 826 000 e 485 024. São também publicados diversos jornais e revistas em inglês e outras línguas. Entre os jornais em língua estrangeira com maior difusão encontram-se o Today's Zaman e o Hürriyet Daily News, ambos em inglês.

Desporto

Os desportos de massas em Istambul têm uma tradição que remonta pelo menos ao período romano. Durante esses tempos e os do Império Bizantino que se lhe seguiu, as corridas de quadrigas que se realizavam no Hipódromo de Constantinopla chegavam a ter mais de 100 000 espetadores e a competição era tão renhida que as equipas tinham um peso político considerável e não raro davam origem a motins, como a Revolta de Nica, em 532, durante a qual uma parte da cidade e a recém ampliada Basílica de Santa Sofia foi destruída. Como na generalidade da Turquia, atualmente o desporto mais popular em Istambul é o futebol. Os jogos das principais equipas são motivos de grandes festas de rua, que não raro começam logo na véspera e provocam grandes enchentes de multidões cantando, abraçando-se e buzinando, que resultam em grandes congestionamentos de tráfego, sobretudo na área de Beyoğlu em geral e na Praça Taksim em particular. Na cidade estão sediados pelo menos cinco dos mais importantes clubes de futebol turcos: o Galatasaray S.K, o Beşiktaş J.K., o Fenerbahçe S.K., o Kasımpaşa S.K. e o İstanbul Başakşehir F.K. (chamado İstanbul Büyükşehir até 2014). Os primeiros três quase invariavelmente disputam os lugares cimeiros de todas as competições nacionais e é comum estarem presentes em competições internacionais.

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Fontes consultadas

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