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Islamismo

Islamismo é uma religião abraâmica monoteísta centrada no Alcorão e nos ensinamentos do profeta Maomé. Seus crentes são chamados muçulmanos e totalizam aproximadamente 1,9 bilhão* de pessoas em todo o mundo, o que faz deles a segunda maior população religiosa do mundo depois dos cristãos.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 15/07/2026
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Etimologia

"Islã" provém do árabe Islām, que por sua vez deriva da quarta forma verbal da raiz slm, aslama, e significa "submissão (a Deus)". Segundo o arabista e filólogo José Pedro Machado, a palavra "Islã" não teria surgido na língua portuguesa antes de 1843, ano em que aparece no capítulo IX da obra Eurico, o Presbítero, de Alexandre Herculano. O islamismo é descrito em árabe como um diin, o que significa "modo de vida" e/ou "religião" e possui uma relação etimológica com outras palavras árabes como Salaam ou Shalam (Shalaam / Shalom), que significam "paz". "Muçulmano", por sua vez, deriva da palavra árabe muslim (plural, muslimún), particípio activo do verbo aslama, designando "aquele que se submete". O vocábulo pode ter penetrado no português a partir do castelhano, sendo provável que essa língua o tenha tomado do italiano ou do francês, línguas nas quais o vocábulo surge em 1619 e 1657, respectivamente (no primeiro caso como mossulmani, na obra Viaggi, de Pietro della Valle, e no segundo como mousulmans, na obra Voyages, de Le Gouz de la Boullaye).

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Crenças

Deus

A pedra basilar da fé islâmica é a crença estrita no puro monoteísmo. Deus é considerado único e sem igual. Cada capítulo do Alcorão (com a exceção de um) começa com a frase "Em nome de Deus, o Clemente, o Misericordioso". Uma das passagens do Alcorão frequentemente usadas para ilustrar os atributos de Deus é a que se encontra no capítulo (sura) 59: "Ele é Deus e não há outro deus senão Ele, que conhece o invisível e o visível. Ele é o Clemente, o Misericordioso! Ele é Deus e não há outro deus senão Ele. Ele é o Soberano, o Santo, a Paz, o Fiel, o Vigilante, o Poderoso, o Forte, o Grande! Que Deus seja louvado acima dos que os homens lhe associam! Ele é Deus, o Criador, o Inovador, o Formador! Para ele os epítetos mais belos" (59, 22-24).

Anjos

Os anjos são, segundo o islã, seres criados por Deus a partir da luz. Não possuem livre arbítrio, dedicando-se apenas a obedecer a Deus e a louvar o seu nome. Maomé nada disse sobre o sexo dos anjos, mas rejeitou a crença dos habitantes de Meca, de acordo com a qual eles seriam os filhos de Deus. Desempenham vários papéis, entre os quais o anúncio da revelação divina aos profetas; protegem os seres humanos e registram todas as suas ações. O anjo mais famoso é Gabriel, que foi o intermediário entre Deus e o profeta. Para além dos anjos, o islamismo reconhece a existência dos gênios (jinnis), espíritos que habitam o mundo natural e que podem influenciar os acontecimentos. Ao contrário dos anjos, os gênios possuem vontade própria; alguns são bons, mas de uma forma geral são maus. Um desses espíritos maus é Satanás (Iblis), também ele um gênio, segundo a crença islâmica, que desobedeceu a Deus e dedica-se a praticar o mal.

Livros sagrados

O preeminente texto sagrado do islamismo é o Alcorão. Os muçulmanos acreditam que os versículos do Alcorão foram revelados a Maomé por Deus, por meio do arcanjo Gabriel (Jibrīl), em várias ocasiões entre os anos 610 e 632, o ano em que o profeta morreu. Enquanto Maomé estava vivo, essas revelações foram escritas por seus companheiros, embora o principal método de transmissão fosse oralmente por meio da memorização. O Alcorão é dividido em 114 capítulos (sura) que combinados contêm 6.236 versículos (āyāt). Os capítulos cronologicamente anteriores, revelados em Meca, tratam principalmente de tópicos espirituais, enquanto os capítulos posteriores de Medina discutem mais questões sociais e legais relevantes para a comunidade muçulmana. Os juristas muçulmanos consultam o hádice ('relatos'), ou o registro escrito da vida do profeta Maomé, tanto para complementar o Alcorão quanto para auxiliar em sua interpretação. A ciência do comentário e exegese do Alcorão é conhecida como tafsir. Além de seu significado religioso, é amplamente considerado como o melhor trabalho da literatura árabe e influenciou a arte e a língua árabe.

Profetas

O islamismo ensina que Deus revelou a sua vontade à humanidade por meio de profetas. Existem dois tipos de profeta: os que receberam de Deus a missão de dar a conhecer aos homens a vontade divina (anbiya; singular nabi) e os que para além dessa função lhes foi entregue uma escritura revelada (rusul; singular rasul, "mensageiro"). Cada profeta foi encarregado de relembrar a uma comunidade a existência ou a unicidade de Deus, esquecida pelos homens. Para os muçulmanos, a lista dos profetas inclui Adão, Abraão (Ibraim), Moisés (Muça), Jesus (Issa) e Maomé (Muhammad), todos eles pertencentes a uma sucessão de homens guiados por Deus. Maomé é visto como o Último Mensageiro, trazendo a mensagem final de Deus a toda a humanidade sob a forma do Alcorão, sendo por isso designado como o "Selo dos Profetas". Quando Maomé começou a revelar o Alcorão, ele não acreditou que isso teria proporções mundiais, mas sim que somente reforçaria a fé no Deus.

Julgamento Final

Segundo as crenças islâmicas, o dia do Julgamento Final (Yaum al-Qiyamah) é o momento em que cada ser humano será ressuscitado e julgado na presença de Deus pelas ações que praticou. Os seres humanos livres de pecado serão enviados diretamente para o Paraíso, enquanto os pecadores devem permanecer algum tempo no Inferno, antes de poderem também entrar no Paraíso. As únicas pessoas que permanecerão para sempre no Inferno são os hipócritas religiosos, isto é, aqueles que se diziam muçulmanos, mas de fato nunca o foram. Segundo a mesma crença, a chegada do Julgamento Final será antecedida por vários sinais, como o nascimento do Sol no poente, o som de uma trombeta e o aparecimento de uma besta. De acordo com o Alcorão, o mundo não acabará verdadeiramente, mas sofrerá antes uma alteração profunda.

Predestinação

Os muçulmanos acreditam no qadar, uma palavra geralmente traduzida como "predestinação", mas cujo sentido mais preciso é "medir" ou "decidir quantidade ou qualidade". Uma vez que, para o islã, Deus foi o criador de tudo, incluindo dos seres humanos, e sendo uma das suas características a omnisciência, ele já sabia, quando procedeu à criação, as características que cada elemento da sua obra teria. Assim sendo, cada coisa que acontece a uma pessoa foi determinada por Deus. Essa crença não implica a rejeição do livre arbítrio, pois o ser humano foi criado por Deus com a faculdade da razão, pelo que pode escolher entre praticar ações positivas ou negativas.

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Práticas

Os cinco pilares do islamismo são cinco deveres básicos de cada muçulmano: Os muçulmanos consideram ainda três práticas como essenciais à religião islâmica: além da jihad, que também é importante para os sunitas, há o Amr-Bil-Ma'rūf, "exortar o bem", que convoca todos os muçulmanos a viver uma vida virtuosa e encorajar os outros a fazer o mesmo; e o Nahi-Anil-Munkar, "proibir o mal", que orienta os muçulmanos a se abster do vício e das más ações, e também encorajar os outros a fazer o mesmo.

Chacado

A profissão de fé consiste numa frase — que deve ser dita com a máxima sinceridade — por meio da qual cada muçulmano atesta que "não há outro deus senão Deus e Maomé é seu servo e mensageiro".

Salá

A oração no islamismo (conhecida como Salá) é composta por cinco partes, todas espalhadas durante o dia e a noite, iniciando pela alvorada até à noite. Considerada o ponto mais próximo que se pode chegar de Deus. No islamismo não há obrigatoriamente hierarquia entre os adeptos, porém a comunidade, conhecida como ummah, escolhe uma pessoa com conhecimento suficiente para dirigir a adoração. Durante essas orações, são recitadas suratas do Alcorão, geralmente ditas em árabe, conduzidas pelo escolhido entre a comunidade. Não existe restrição para que o crente reze fora da mesquita, tampouco isso é uma desbonificação de sua oração, que pode ser feita em qualquer lugar, desde que tenha feito antes sua purificação. A purificação é realizada por meio da higiene especifica e detalhada, que consiste basicamente em lavar as mãos, os antebraços, a boca, as narinas, a face; em passar água pelas orelhas, pela nuca, pelo cabelo e pelos pés. Se um muçulmano se encontrar numa área sem água ou numa área onde o uso da água não é aconselhável (porque poderia causar uma doença), pode substituir as abluções pelo uso simbólico de areia ou terra (tayammum). A oração abre-se com a orientação do crente na direcção de Meca (quibla).

Zacate

O islamismo estabelece que cada muçulmano deve pagar anualmente uma certa quantia, calculada a partir dos seus rendimentos, que será distribuída pelos pobres ou por outros beneficiários definidos pelo Alcorão (prisioneiros, viajantes, endividados). Essa contribuição é encarada como uma forma de purificação e de culto. A quantia corresponde a 2,5% do valor dos bens em dinheiro. Quem tiver possibilidades pode ainda contribuir, de forma voluntária, com outras doações (sadaqa), mas é importante que o faça em segredo e sem ser movido pela vaidade.

Saum

Durante o Ramadão (o nono mês do calendário islâmico), cada muçulmano adulto deve abster-se de alimento, de bebida, de fumar e de ter relações sexuais, desde o nascer até ao pôr do sol. Os doentes, os idosos, os viajantes, as grávidas ou as mulheres lactantes estão dispensados do jejum.

Haje

Esse pilar consiste na peregrinação (ou haje) a Meca, obrigatória pelo menos uma vez na vida para todos os que gozem de saúde e disponham de meios financeiros. Ocorre durante o décimo segundo mês do calendário islâmico. Os muçulmanos vestem-se com um traje especial todo branco, antes de chegar a Meca, para que todos estejam igualmente vestidos e não haja distinção de classes. Durante toda a peregrinação, não se preocupam com o seu aspecto físico. Depois de praticarem sete voltas em torno da Caaba, os peregrinos correm entre as duas colinas de Safa e Marua. Na última parte do haje, os muçulmanos devem passar uma tarde na planície de Arafate, onde Maomé disse o seu "Último Sermão". Os rituais chegam ao fim com o sacrifício de carneiros e bodes.

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História

Maomé e o nascimento do islamismo (570-632)

De acordo com a tradição islâmica, Maomé nasceu em Meca no ano 570 e ficou órfão ainda jovem. Crescendo como um comerciante, ele se tornou conhecido como o "de confiança" (em árabe: الامين) e foi procurado como árbitro imparcial. Mais tarde, ele se casou com sua empregadora, a empresária Cadija. No ano 610, perturbado pelo declínio moral e pela idolatria predominantes na cidade de Meca e buscando reclusão e contemplação espiritual, Maomé retirou-se para a Caverna de Hira, na montanha Jabal al-Nour, próxima de Meca. Foi durante seu tempo na caverna que ele teria recebido a primeira revelação do Alcorão do anjo Gabriel. O evento da retirada de Maomé para a caverna e a subsequente revelação é conhecido como a "Noite do Poder" (Laylat al-Qadr) e é considerado um evento significativo na história islâmica. Durante os 22 anos seguintes de sua vida, a partir dos 40 anos, Maomé continuou a receber revelações de Deus, tornando-se o último dos profetas enviados à humanidade por Deus.

Período islâmico inicial (632-750)

Maomé morreu em 632 e os primeiros sucessores, chamados califas – Abacar, Omar, Otomão, Ali e por vezes Haçane ibne Ali – são conhecidos no islamismo sunita como al-khulafā' ar-rāshidūn ("califas bem guiados"). Algumas tribos abandonaram o islamismo e rebelaram-se sob líderes que se declararam novos profetas mas foram esmagados por Abacar nas Guerras Rida. As populações nativas locais de judeus e cristãos, perseguidos como minorias religiosas e hereges e fortemente tributados, muitas vezes ajudaram os muçulmanos a assumir o controle de suas terras, resultando na rápida expansão do califado nos Impérios Sassânida e Bizantino. Otomão foi eleito em 644 e seu assassinato por rebeldes levou Ali a ser eleito o próximo califa. Na Primeira Guerra Civil, a viúva de Maomé, Aixa, levantou um exército contra Ali, tentando vingar a morte de Otomão, mas foi derrotada na Batalha do Camelo. Ali tentou destituir o governador da Síria, Moáuia I, que era visto como corrupto. Moáuia então declarou guerra a Ali e foi derrotado na Batalha de Sifim. A decisão de Ali de arbitrar irritou os carijitas, uma seita extremista, que sentiram que, por não lutar contra um pecador, Ali também se tornou um pecador. Os carijitas se rebelaram e foram derrotados na Batalha de Naravã, mas um assassino carijita mais tarde conseguiu matar Ali. O filho de Ali, Haçane ibne Ali, foi eleito califa e assinou um tratado de paz para evitar mais combates, abdicando em favor de Moáuia com a contrapartida que ele não nomeasse um sucessor.

Era clássica (750-1258)

Axafii codificou um método para determinar a confiabilidade dos hádices (ou hadith). Durante o início da era do Império Abássida, estudiosos como Albucari e Muslim ibne Alhajaje compilaram as principais coleções de hádices sunitas, enquanto estudiosos como Alculaini e Ibne Babauai compilaram as principais coleções de hádices xiitas. As quatro Madhhab sunitas (hanafismo, hambalismo, maliquismo e xafeísmo) foram estabelecidas em torno dos ensinamentos de Abu Hanifa, Amade ibne Hambal, Malique ibne Anas e Axafi. Em contraste, os ensinamentos de Jafar Açadique formaram a jurisprudência do jafarismo. No século IX, Tabari completou o primeiro comentário do Alcorão, que se tornou um dos comentários mais citados no islamismo sunita, o Tafsir al-Tabari. Alguns muçulmanos começaram a questionar a piedade da indulgência na vida mundana e enfatizaram a pobreza, a humildade e a evitação do pecado com base na renúncia aos desejos corporais. Ascetas como Haçane Albasri inspirariam um movimento que evoluiria para o tasawwuf ou sufismo.

Era pré-moderna (1258-século XVIII)

Por meio das redes comerciais muçulmanas e da atividade das ordens sufistas, o islamismo se espalhou para novas áreas e os muçulmanos foram assimilados a novas culturas. Sob o Império Otomano, o islamismo se espalhou para o sudeste da Europa. A conversão ao islamismo muitas vezes envolvia um grau de sincretismo, como ilustrado pela aparição de Maomé no folclore hindu. Os povos turcos muçulmanos incorporaram elementos das crenças do xamanismo turco ao Islã. Muçulmanos na China da Dinastia Ming que eram descendentes de imigrantes anteriores foram assimilados, às vezes por meio de leis que determinavam a assimilação, adotando nomes e cultura chineses, sendo que a cidade de Nanquim se tornou um importante centro de estudo islâmico.

Era moderna (séculos XVIII a XX)

No início do século XIV, ibne Taimia promoveu uma forma puritana do Islã, rejeitando abordagens filosóficas em favor de uma teologia mais simples e pediu para abrir os portões da itjihad ao invés da imitação cega de estudiosos. Ele convocou uma jihad contra aqueles que considerava hereges, mas seus escritos tiveram apenas um papel marginal durante sua vida. Durante o século XVIII na Arábia, Maomé ibne Abdal Uaabe, influenciado pelas obras de ibne Taimia e ibne Alcaim, fundou um movimento, chamado uaabismo com sua autodesignação como muwahiddun, para retornar ao que ele via como um islamismo "puro". Ele condenava muitos costumes islâmicos locais, como visitar o túmulo de Maomé ou de homens santos, como inovações posteriores e pecaminosas, o que o fez destruir rochas e árvores sagradas, santuários sufistas, as tumbas de Maomé e seus companheiros e a tumba de Hussein em Carbala, um importante local de peregrinação xiita. Ele formou uma aliança com a família Saud, que, na década de 1920, completou a conquista da área que se tornaria a Arábia Saudita.

Era Contemporânea (século XX-presente)

Precursores do modernismo islâmico influenciaram movimentos políticos islâmicos como a Irmandade Muçulmana e partidos relacionados no mundo árabe, que tiveram um bom desempenho nas eleições após a Primavera Árabe, como o Jamaat-e-Islami no sul da Ásia e Partido AK, que está democraticamente no poder na Turquia há décadas. No Irã, a revolução substituiu uma monarquia secular por um Estado islâmico. Outros, como Sayyid Rashid Rida, romperam com os modernistas islâmicos e se opuseram a abraçar o que ele via como influência ocidental. Enquanto alguns eram quietistas, outros acreditavam na violência contra aqueles que se opunham a eles, até mesmo outros muçulmanos, como o Estado Islâmico do Iraque e do Levante, que até tentaram recriar o moderno dinar de ouro como seu sistema monetário.

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Demografia

Em 2020, cerca de 24% da população global, ou cerca de 1,9 bilhão de pessoas, era muçulmana. Em 1900, essa estimativa era de 12,3%, em 1990 era de 19,9% e as projeções sugerem que a proporção será de 29,7% em 2050. O Pew Research Center estima que entre 87% e 90% dos muçulmanos são sunitas e entre 10% e 13% são xiitas. Aproximadamente 49 países são de maioria muçulmana, com 62% dos muçulmanos do mundo vivendo na Ásia e 683 milhões de adeptos na Indonésia, Paquistão, Índia e apenas Bangladesh. Os árabes muçulmanos formam o maior grupo étnico entre os muçulmanos no mundo, seguidos pelos bengalis e pelos punjabis. A maioria das estimativas indica que a China tem aproximadamente 20 milhões a 30 milhões de muçulmanos (1,5% a 2% da população). O islamismo na Europa é a segunda maior religião depois do cristianismo em muitos países, com taxas de crescimento devidas principalmente à imigração e taxas de natalidade mais altas de muçulmanos em 2005, representando 4,9% de toda a população da Europa em 2016.

Países lusófonos

Em Portugal, existe igualmente uma comunidade muçulmana, que nada tem a ver com os muçulmanos que viveram no país durante a Idade Média; são na sua maioria naturais das antigas colónias portuguesas de Moçambique e Guiné-Bissau, que se fixaram em Portugal após a independência desses territórios. O ismaelismo também está presente em Portugal, tendo a sua sede no Centro Ismaili de Lisboa, construído pela Fundação Aga Khan. Estima-se que o número de muçulmanos em Portugal ronde os 30 mil. Segundo o censo de 2000, o Brasil tinha 27 239 muçulmanos. Porém, para a Federação Islâmica Brasileira, o número de muçulmanos no Brasil ronda o 1,5 milhão. A maioria dos muçulmanos brasileiros vive nos estados do Paraná e Rio Grande do Sul, mas também existem comunidades significativas no Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul e São Paulo. Grande parte desses muçulmanos são descendentes de imigrantes sírios e libaneses que se fixaram no Brasil durante a Primeira Guerra Mundial.

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Principais ramos

Sunismo

O sunismo é o nome da maior denominação do islamismo. O termo é uma contração da frase "ahl as-sunna wa'l-jamaat", que significa "povo da suna (as tradições do profeta Maomé) e da comunidade". Sunitas acreditam que os primeiros quatro califas foram os sucessores legítimos de Maomé e fazem referência principalmente a seis grandes obras de hádices para questões jurídicas, enquanto seguem uma das quatro escolas tradicionais de jurisprudência: hanafismo, hambalismo, maliquismo ou xafeísmo. A teologia tradicionalista é uma escola de pensamento sunita, proeminentemente defendida por Amade ibne Hambal (780-855), que se caracteriza por sua adesão a uma compreensão textualista do Alcorão e da suna, a crença de que o Alcorão é incriado e eterno e oposição à teologia especulativa, chamada calâm, em questões religiosas e éticas. O mutazilismo é uma escola de pensamento sunita inspirada na filosofia da Grécia Antiga. O maturidismo, fundado por Abu Mançor Almaturidi (853–944), afirma que as escrituras não são necessárias para a ética básica e que o bem e o mal podem ser compreendidos apenas pela razão, mas as pessoas confiam na revelação, para assuntos além da esfera humana. compreensão. O alaxarismo, fundado por Alaxari (c. 874-936), sustenta que a ética pode derivar apenas da revelação divina, mas aceita a razão em relação a questões exegéticas e combina abordagens Muʿtazila com ideias tradicionalistas.

Xiismo

O xiismo é a segunda maior denominação muçulmana e dividem-se com os sunitas sobre o sucessor de Maomé como líder, que os xiitas acreditavam ser de certos descendentes da família de Maomé conhecidos como Ahl al-Bayt e esses líderes, referidos como imames, têm autoridade espiritual adicional. De acordo com muçulmanos sunitas e xiitas, evento significativo ocorreu em Gadir Cum, durante o retorno de Maomé de sua peregrinação final a Meca, onde ele nomeou seu primo Ali como executor de seu último testamento e testamento, bem como seu uáli (autoridade). Os xiitas reconhecem que Maomé nomeou Ali como seu sucessor (califa) e imame (líder espiritual e político) depois dele. Alguns dos primeiros Imames são reverenciados por todos os grupos xiitas e sunitas, como Ali. O xiismo duodecimano, o primeiro e maior ramo xiita, acredita nos doze imames. Eles reconhecem que a profecia dos doze foi predita no hádices dos Doze Sucessores, que é registrado tanto por fontes sunitas quanto xiitas.

Ibadismo

O ibadismo é praticado por 1,45 milhão de muçulmanos em todo o mundo (~0,08% de todos os muçulmanos), a maioria deles em Omã. O ibadismo é frequentemente associado e visto como uma variação moderada dos carijitas, embora os próprios ibaditas se oponham a esta classificação. Os carijitas eram grupos que se rebelaram contra o califa Ali por sua aceitação da arbitragem com alguém que consideravam pecador. Ao contrário da maioria dos grupos carijitas, o ibadismo não considera os muçulmanos pecadores como incrédulos. Os hádices ibaditas, como a coleção Jami Sahih, usam redes de narradores do início da história islâmica que consideram confiáveis, mas a maioria dos hádices ibaditas também são encontrados em coleções sunitas padrão e os ibaditas contemporâneos frequentemente aprovam as coleções padrão dos sunitas.

Muçulmanos não denominacionais

Os muçulmanos não denominacionais não pertencem ou não se identificam com uma denominação islâmica específica. Pesquisas recentes relatam que grandes proporções de muçulmanos em algumas partes do mundo se autoidentificam como “apenas muçulmanos”, embora haja pouca análise sobre as motivações subjacentes a este tipo de resposta. O Pew Research Center relata que os entrevistados que se identificam como “apenas muçulmanos” constituem a maioria dos muçulmanos em sete países (e uma pluralidade em três outros), sendo a proporção mais elevada no Cazaquistão, com 74%. Pelo menos um em cada cinco muçulmanos em pelo menos 22 países identifica-se desta forma.

Misticismo

O sufismo (em árabe: تصوف, translit. tasawwuf), é uma abordagem místico-ascética do islamismo que busca encontrar uma experiência pessoal direta de Deus. Os estudiosos sufis clássicos definiram o tasawwuf como "uma ciência cujo objetivo é reparar o coração e afastá-lo de tudo o mais, exceto Deus", por meio de "faculdades intuitivas e emocionais" que devemos ser treinados para usar. Não é uma seita do islamismo e os seus adeptos pertencem a várias denominações muçulmanas. O ismaelismo, cujos ensinamentos estão enraizados no gnosticismo e no neoplatonismo bem como nas escolas iluminacionistas e isfahan de filosofia islâmica, desenvolveu interpretações místicas do Islã. Haçane de Baçorá, o primeiro asceta sufista frequentemente retratado como um dos primeiros sufistas, enfatizou o medo de falhar nas expectativas de obediência de Deus. Em contraste, sufistas proeminentes posteriores, como Almançor Alhalaje e Jalaladim Rumi, enfatizaram a religiosidade baseada no amor para com Deus. Tal devoção também teria impacto nas artes, sendo Rumi ainda um dos poetas mais vendidos da América.

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Direito e jurisprudência

A xaria é a lei religiosa que faz parte da tradição islâmica. É derivado dos preceitos religiosos do Islã, particularmente do Alcorão e do hádice. Em árabe, o termo sharīʿah refere-se à lei divina e é contrastado com fiqh, que se refere às suas interpretações acadêmicas. A forma de sua aplicação nos tempos modernos tem sido objeto de disputa entre tradicionalistas e reformistas muçulmanos. A teoria tradicional da jurisprudência islâmica reconhece quatro fontes da xaria: o Alcorão, a suna (Hádice e Sira), qiyas (raciocínio analógico) e ijma (consenso jurídico). Diferentes escolas jurídicas desenvolveram metodologias para derivar decisões da xaria a partir de fontes bíblicas, utilizando um processo conhecido como ijtihad. A jurisprudência tradicional distingue dois ramos principais do direito, ʿibādāt (rituais) e muʿāmalāt (relações sociais), que juntos abrangem uma ampla gama de tópicos. Suas decisões atribuem ações a uma das cinco categorias chamadas ahkam: obrigatórias (fard), recomendadas (mustahabb), permitidas (mubah), abomináveis (makruh) e proibidas (haram). O perdão é muito celebrado no Islã e, no direito penal, embora seja considerado permissível impor uma pena a um infrator proporcional à sua ofensa; perdoar o ofensor é melhor. Dar um passo além, oferecendo um favor ao infrator, é considerado o auge da excelência. Algumas áreas da xaria coincidem com a noção ocidental de lei, enquanto outras correspondem mais amplamente a viver a vida de acordo com a vontade de Deus.

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Sociedade

Personagens religiosos

O islamismo não tem clero no sentido sacerdotal, como sacerdotes que fazem a mediação entre Deus e o povo. Imame (em árabe: إمام) é o título religioso usado para se referir a uma posição de liderança islâmica, muitas vezes no contexto da realização de um culto islâmico. A interpretação religiosa é presidida pelo ulemá (علماء, ulama), um termo usado para descrever o corpo de estudiosos que receberam treinamento em estudos islâmicos. Um estudioso do hádice é chamado de muhaddith, um estudioso da jurisprudência é chamado de alfaqui (em árabe: فقيه, faqih), um jurista qualificado para emitir pareceres ou fátuas é chamado de mufti e um cádi é um juiz islâmico. Os títulos honoríficos dados aos estudiosos incluem xeque, mulá e mawlawi. Alguns muçulmanos também veneram santos associados a milagres (em árabe: كرامات, translit. karāmāt).

Governança

Na jurisprudência econômica islâmica, a acumulação de riqueza é um insulto e, portanto, o comportamento monopolista é desaprovado. As tentativas de cumprir a xaria levaram ao desenvolvimento do sistema bancário islâmico. O islamismo proíbe a riba, normalmente traduzida como usura, que se refere a qualquer ganho injusto no comércio e é mais comumente utilizada para significar juros. Em vez disso, os bancos islâmicos estabelecem parceria com o mutuário e ambos partilham dos lucros e de quaisquer perdas do empreendimento. Outra característica é evitar a incerteza, que é vista como jogo e os bancos islâmicos tradicionalmente evitam instrumentos derivados, como futuros ou opções, que historicamente os protegeram das recessões do mercado. Os califados Ortodoxo e Omíada costumava estar envolvido na distribuição de caridade do tesouro, conhecida como Bayt al-mal, antes de se tornar uma atividade amplamente individual por volta do ano 720. O primeiro califa, Abacar, distribuiu o zakat como um dos primeiros exemplos de renda mínima garantida, com cada cidadão recebendo de 10 a 20 dirrã anualmente. Durante o reinado do segundo califa Omar, a pensão alimentícia foi introduzida e os idosos e deficientes tinham direito a estipêndios, enquanto o califa omíada Omar II designou um servo para cada pessoa cega e para cada duas pessoas com doenças crônicas.

Vida diária e familiar

Muitas práticas diárias se enquadram na categoria de adab, ou etiqueta. Alimentos proibidos específicos incluem produtos suínos, sangue e carniça. A saúde é vista como uma confiança de Deus e os intoxicantes, como as bebidas alcoólicas, são proibidos. Toda carne deve provir de um animal herbívoro abatido em nome de Deus por um muçulmano, judeu ou cristão, exceto a caça que alguém tenha caçado ou pescado para si mesmo. As barbas são frequentemente encorajadas entre os homens como algo natural e modificações corporais, como tatuagens permanentes, são geralmente proibidas por violarem a criação.[a] Seda e ouro são proibidos para os homens no islamismo manterem um estado de sobriedade. Haya, frequentemente traduzido como “vergonha” ou “modéstia”, é por vezes descrito como o caráter inato do Islã e informa grande parte da vida cotidiana muçulmana. Por exemplo, as roupas no islamismo enfatizam um padrão de modéstia, que inclui o hijabe para as mulheres. Da mesma forma, a higiene pessoal é incentivada com certos requisitos.

Artes e cultura

O termo “cultura islâmica” pode ser usado para significar aspectos da cultura que pertencem à religião, como festivais e código de vestimenta. Também é usado de forma controversa para denotar os aspectos culturais do povo tradicionalmente muçulmano. Finalmente, "civilização islâmica" também pode referir-se aos aspectos da cultura sintetizada pelos primeiros califados, incluindo a dos não-muçulmanos, às vezes referida como "islamizada". A arte islâmica abrange as artes visuais, incluindo campos tão variados como arquitetura, caligrafia, pintura e cerâmica, entre outros. Embora a confecção de imagens de seres animados tenha sido muitas vezes desaprovada em conexão com leis contra a idolatria, esta regra tem sido interpretada de diferentes maneiras por diferentes estudiosos e em períodos históricos distintos. Esta restrição tem sido usada para explicar a prevalência da caligrafia e dos mosaicos como aspectos-chave da cultura artística islâmica. Além disso, a representação de Maomé é uma questão controversa entre os muçulmanos. Na arquitetura islâmica, diversas culturas mostram influência, como a arquitetura islâmica norte-africana e espanhola, como a Grande Mesquita de Cairuão, contendo colunas de mármore e pórfiro de edifícios romanos e bizantinos, enquanto as mesquitas na Indonésia costumam ter telhados de vários níveis de estilos javaneses locais.

Lugares sagrados

A Caaba ("O Cubo"), um edifício situado dentro da mesquita principal de Meca (A Grande Mesquita), na Arábia Saudita, é o local mais sagrado do islamismo. De acordo com o Alcorão, ela foi construída por Abraão (Ibraim) para que todas as pessoas fossem ali celebrar os ritos da haje. O segundo local sagrado do islamismo é a Mesquita do Profeta, na cidade de Medina, cidade para a qual Maomé e os primeiros muçulmanos fugiram (num movimento conhecido como Hégira), e onde se encontra o seu túmulo. A cidade de Jerusalém é o terceiro local sagrado do islamismo. Este estatuto advém da sua associação aos profetas anteriores a Maomé e sobretudo pelo fato de os muçulmanos acreditarem que o profeta teria viajado para esse local durante a noite, cavalgando um ser denominado Buraque, numa viagem conhecida como Isra. Uma vez em Jerusalém, ele teria ascendido ao céu (Mi’raj), onde dialogou com Deus e outros profetas, entre os quais Moisés e Jesus. No local de Jerusalém onde se acredita que Maomé subiu ao céu, foi construída a Cúpula da Rocha, em cerca de 690, e a Mesquita de Al-Aqsa, sobre as ruínas do antigo Templo de Salomão dos judeus.

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Influências em outras religiões

Alguns movimentos, como os drusos, Berguata e Ha-Mim, ou emergiram do islamismo ou passaram a compartilhar certas crenças islâmicas, e se cada um é uma religião separada ou uma seita do islamismo é às vezes controverso. A fé drusa separou-se ainda mais do ismaelismo à medida que desenvolveu suas próprias doutrinas únicas e, finalmente, separou-se completamente do ismaelismo e do islamismo; estes incluem a crença de que o imame Aláqueme Bianre Alá era Deus encarnado. O iazdanismo é visto como uma mistura de crenças curdas locais e da doutrina sufista islâmica introduzida no Curdistão pelo xeque Adi ibne Muçafir no século XII. O babismo origina-se do xiismo duodecimano que passou por Saíde Ali Maomé, enquanto um de seus seguidores, Baha'u'llah, fundou a Fé Bahá'í. O siquismo, fundado pelo Guru Nanak no Panjabe do final do século XV, incorpora principalmente aspectos do hinduísmo, com algumas influências islâmicas.

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Críticas

As críticas ao islamismo existem desde seus estágios formativos. As primeiras vieram de autores judeus, como ibne Camuna, e de autores cristãos, muitos dos quais viam o islamismo como uma heresia ou uma forma de idolatria, geralmente explicando-o em termos apocalípticos. Escritores cristãos criticaram as descrições sensuais do paraíso feitas pelo Islã. As doutrinas do teólogo católico Agostinho de Hipona, por exemplo, levaram ao amplo repúdio ao prazer corporal tanto na vida terrena quanto na vida após a morte. Ali ibn Sahl Rabban al-Tabari, no entanto, defendeu a descrição corânica do paraíso afirmando que a Bíblia também implica tais ideias, como beber vinho no Evangelho de Mateus. Imagens difamatórias de Maomé, derivadas de representações da Igreja Bizantina do início do século VII, aparecem no poema épico do século XIV, Divina Comédia, de Dante Alighieri. Aqui, Maomé é retratado no oitavo círculo do inferno, junto com Ali. Dante não culpa o islamismo como um todo, mas acusa Maomé de cisma, ao estabelecer outra religião depois do cristianismo.

Fundamentalismo e radicalismo

Correntes radicais do islamismo frequentemente são acusadas de atos terroristas, como os atentados às Torres Gêmeas, protagonizados nos ataques de 11 de setembro de 2001 pela Al Qaeda. E a defesa intolerante da extinção do Estado de Israel defendida pelo grupo terrorista Hamas. Em sua carta de fundação, por exemplo, o Hamas é claro na defesa da destruição do Estado Sionista, sendo apoiado pela maioria do povo palestino. Fundamentalistas também defendem a submissão da mulher, a perseguição a cristãos e o assassinato de dissidentes em países islâmicos. Estima-se que aproximadamente quatro milhões de cristãos libaneses emigraram de seu país em consequência das pressões impostas pelos muçulmanos.

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Fontes consultadas

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