Imunoterapia
A imunoterapia é um ramo da terapia que cuida do tratamento e imunoprofilaxia de doenças infecciosas, alérgicas, parasitarias e cancerígenas, usando como meio recursos imunológicos.
O sistema imune celular e humoral envolvem respectivamente os linfócitos e anticorpos dentre outros elementos. Os linfócitos T auxiliares, células T citotóxicas, células T reguladoras, células B, células natural killer e células apresentadoras de antígenos (APC, antigens presenting cell) são múltiplos componentes de respostas celular que comunicam-se entre si via interação célula-célula mediada por diversas moléculas de adesão e receptores existente na superfície celular e compostos bioquímico secretados (proteínas) denominados citocinas. Os antígenos são capazes de gerar uma resposta imunológica eficiente no combate as células tumorais (produtos de oncogenese ou supressores de tumores). No processo de transformação celular, as células passam a expressar, de maneira desregulada, proteínas envolvidas no ciclo celular, como por exemplo Ras, BCR-ABL e p53. Os linfócitos T CD+ são capazes de reconhecer estes antígenos nas superfícies das células tumorais e desenvolver uma resposta citotóxica contra estas células.
Essa nova classe de tratamento representa uma alternativa aos pacientes com câncer nos quais as terapias convencionais não alcançaram respostas satisfatórias. O mecanismo de ação do método imunoterápico, basicamente, tem como premissa melhorar e capacitar o sistema imunológico do próprio paciente para que ele reconheça e combata as células do tumor, tornando-o hábil para driblar as barreiras imunossupressoras criadas pelas células cancerígenas
Inibidores de checkpoint
Com o entendimento de que as neoplasias malignas podem usurpar as vias de checkpoint imunológico, a partir de agentes como a proteína 4 associada a linfócitos T citotóxicos (CTLA-4) e a proteína de morte celular programada 1 (PD-1), o bloqueio do ponto de checagem imune foi desenvolvido como um tratamento terapêutico. Essa estratégia tem se mostrado eficaz em muitos tumores sólidos, como melanoma, câncer de pulmão, câncer de células renais e câncer urotelial
Terapia com vacinas
O objetivo é apresentar antígenos tumor-associados no contexto das moléculas coestimulatórias apropriadas, de forma a se conseguir obstruir os mecanismos de evasão tumoral que costumam conduzir à tolerância (um estado de paralisia imunológica). As abordagens para imunização de um hospedeiro portador de tumor utilizando antígenos associados a tumores varia da vacinação com células tumorais intactas à administração de vacinas contendo peptídeo imunogênico selecionado com ou sem imunoadjuvantes. As investigações em curso também estão avaliando a terapia com vacinas combinada à inibição ou remoção das células Treg. Vacinação com células tumorais não modificadas intactas. Mesmo utilizando compostos adjuvantes, a vacinação com células tumorais não modificadas intactas geralmente é ineficaz para desencadear uma resposta imune clinicamente relevante. Se as células tumorais escapam do reconhecimento imune in situ, é possível que a imunização com células oriundas do tumor apresente as mesmas limitações.
Os conceitos inovadores da imunoterapia irão transformar a medicina e a vida das pessoas com um impacto muito maior do que teve a revolução dos antibióticos no século XX. Quase não há área da medicina moderna que não possa dispensar os conhecimentos da imunologia A imunoterapia é um campo de tratamento para o câncer em desenvolvimento exponencial. O conhecimento do potencial do sistema imune contra células cancerígenas não é recente, contudo a aplicação das abordagens imunoterapeuticas ganhou força recentemente. Cada vez mais estudos estão sendo realizados para desvendar e manipular os mecanismos imunológicos envolvidos no combate a essa doença, impulsionados pelo advento de novas tecnologias. Hoje, a imunoterapia já é vista como um dos tratamentos mais notáveis no combate a cânceres hematológicos. Além disso, essas terapias têm ganhado espaço dentro do tratamento dos cânceres sólidos. Embora muitas abordagens imunoterápicas sejam experimentais e sua aplicação abrangente ainda se apresente incerta, os resultados obtidos pelos estudos clínicos demonstram uma animadora perspectiva ao redor desse novo horizonte no combate ao câncer.


