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Humanismo

O humanismo é uma postura de vida filosófica e ética, que afirma que os seres humanos têm o direito e a responsabilidade de dar sentido e forma às suas próprias vidas. É uma perspectiva comum a uma grande variedade de posturas morais que atribuem a maior importância à dignidade, aspirações e capacidades humanas, particularmente a racionalidade. Embora a palavra possa ter diversos sentidos, o significado filosófico contemporâneo destaca-se por contraposição ao apelo ao sobrenatural ou a uma autoridade superior.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 15/07/2026
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Etimologia

A palavra "humanismo" deriva da palavra latina humanitas, que foi usada pela primeira vez na Roma antiga por Cícero e outros pensadores para descrever valores relacionados à educação liberal. Esta etimologia sobrevive no conceito universitário moderno de humanidades – artes, filosofia, história, literatura e disciplinas relacionadas. A palavra reapareceu durante o Renascimento italiano como umanista. A palavra "humanista" foi usada para descrever um grupo de estudantes de literatura clássica e aqueles que defendiam uma educação clássica. Em 1755, no influente A Dictionary of the English Language, de Samuel Johnson, a palavra "humanista" é definida como filólogo ou gramático, derivado da palavra francesa humaniste. Em uma edição posterior do dicionário, o significado "um termo usado nas escolas da Escócia" foi adicionado. Na década de 1780, foi utilizada na teologia por Thomas Howes, que foi um dos muitos oponentes de Joseph Priestley durante as célebres disputas unitaristas. Por causa dos diferentes significados doutrinários de unitariano e unitarismo, Howes usou "as denominações mais precisas de humanistas e humanismo" ao se referir a aqueles como Priestley "que mantêm a mera humanidade de Cristo". Esta origem teológica do humanismo é considerada obsoleta.[nota 1]

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Definição

Imagem: deusto · BY-NC-SA · Openverse

Não existe uma definição única e amplamente aceita de humanismo, e os estudiosos deram significados diferentes ao termo. Para o filósofo Sidney Hook, escrevendo em 1974, os humanistas se opõem à imposição de uma cultura em algumas civilizações, não pertencem a uma igreja ou religião estabelecida, não apoiam ditaduras e não justificam o uso da violência para reformas sociais. Hook também disse que os humanistas apoiam a erradicação da fome e melhorias na saúde, habitação e educação. Na mesma coleção editada, o filósofo humanista H. J. Blackham argumentou que o humanismo é um conceito que se concentra na melhoria das condições sociais da humanidade, aumentando a autonomia e a dignidade de todos os seres humanos. Em 1999, Jeaneane D. Fowler disse que a definição de humanismo deveria incluir a rejeição da divindade e uma ênfase no bem-estar e na liberdade humanos. Ela também observou que há uma falta de sistema de crenças ou doutrina partilhada, mas que, em geral, os humanistas visam a felicidade e a autorrealização.

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História

Antecessores

Traços de humanismo podem ser encontrados na filosofia grega antiga. Os filósofos pré-socráticos foram os primeiros filósofos ocidentais a tentar explicar o mundo em termos da razão humana e da lei natural, sem depender de mitos, tradições ou religião. Protágoras, que viveu em Atenas (c. 440 a.C.), apresentou algumas ideias humanistas fundamentais, embora apenas fragmentos de sua obra tenham sobrevivido. Ele fez uma das primeiras declarações agnósticas; de acordo com um fragmento: "Sobre os deuses não posso saber nem se eles existem, nem que não existem, nem de que tipo são em forma: pois muitas coisas me impedem de saber isso, sua obscuridade e a brevidade da vida do homem". Sócrates falou da necessidade do "conhecer a si mesmo"; seu pensamento mudou o foco da filosofia então contemporânea da natureza para os humanos e seu bem-estar. Ele foi um teísta executado por ateísmo, que investigou a natureza da moralidade pelo raciocínio. Aristóteles ensinou o racionalismo e um sistema de ética baseado na natureza humana que também é paralelo ao pensamento humanista. No terceiro século a.C., Epicuro desenvolveu uma filosofia influente e centrada no ser humano que se concentrava em alcançar a eudaimonia. Os epicuristas continuaram a teoria atomista de Demócrito – uma teoria materialista que sugere que a unidade fundamental do universo é um átomo indivisível. A felicidade humana, viver bem, a amizade e evitar excessos foram os ingredientes-chave da filosofia epicurista que floresceu dentro e fora do mundo pós-helênico. É uma opinião repetida entre os estudiosos que as características humanísticas do pensamento grego antigo são as raízes do humanismo 2.000 anos depois.

Renascimento

O movimento intelectual mais tarde conhecido como humanismo renascentista apareceu pela primeira vez na Itália e influenciou grandemente a cultura ocidental contemporânea e moderna. O humanismo renascentista surgiu na Itália e um interesse renovado pela literatura e pelas artes ocorreu na Itália do século XIII. Estudiosos italianos descobriram o pensamento grego antigo, particularmente o de Aristóteles, através de traduções árabes da África e da Espanha. Outros centros foram Verona, Nápoles e Avinhão. Petrarca, frequentemente referido como o pai do humanismo, é uma figura significativa. Petrarca foi criado em Avinhão; ele se inclinou para a educação desde muito jovem e estudou ao lado de seu pai bem-educado. O entusiasmo de Petrarca pelos textos antigos levou-o a descobrir manuscritos como Pro Archia, de Cícero, e De Chorographia, de Pompônio Mela, que foram influentes no desenvolvimento da Renascença. Petrarca escreveu poemas em latim como Canzoniere e De viris illustribus, nos quais descreveu ideias humanistas. Sua contribuição mais significativa foi uma lista de livros descrevendo as quatro disciplinas principais—retórica, filosofia moral, poesia e gramática—que se tornaram a base dos estudos humanísticos (studia humanitatis). A lista de Petrarca baseava-se fortemente em escritores antigos, especialmente Cícero.

Iluminismo

Durante a Era do Iluminismo, as ideias humanísticas ressurgiram, desta vez mais distantes da religião e da literatura clássica. A ciência e o intelectualismo avançaram e os humanistas argumentaram que a racionalidade poderia substituir o teísmo como meio de compreender o mundo. Valores humanísticos, como a tolerância e a oposição à escravatura, começaram a tomar forma. Novas ideias filosóficas, sociais e políticas surgiram. Alguns pensadores rejeitaram completamente o teísmo; e o ateísmo, o deísmo e a hostilidade à religião organizada foram formados. Durante o Iluminismo, Baruch Spinoza redefiniu Deus como significando a totalidade da natureza; Spinoza foi acusado de ateísmo, mas permaneceu em silêncio sobre o assunto. O naturalismo também foi promovido por proeminentes Enciclopedistas. O Barão d'Holbach escreveu o polêmico Sistema da Natureza, alegando que a religião foi construída sobre o medo e ajudou tiranos ao longo da história. Diderot e Helvétius combinaram seu materialismo com uma crítica política contundente.

De Darwin à era atual

O filósofo francês Auguste Comte (1798-1857) introduziu a ideia—que às vezes é atribuída a Thomas Paine—de uma "religião da humanidade". De acordo com o estudioso Tony Davies, esta pretendia ser um culto ateu baseado em alguns princípios humanísticos e tinha alguns membros proeminentes, mas logo entrou em declínio. Mesmo assim, foi influente durante o século XIX, e seu humanismo e rejeição ao sobrenaturalismo são ecoados nas obras de autores posteriores como Oscar Wilde, George Holyoake—que cunhou a palavra secularismo—George Eliot, Émile Zola e E. S. Beesly. A Idade da Razão de Paine, juntamente com a crítica bíblica do século XIX aos hegelianos alemães David Strauss e Ludwig Feuerbach, também contribuíram para novas formas de humanismo.

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Variedades de humanismo

Imagem: deusto · BY-NC-SA · Openverse

Os naturalistas do início do século XX, que viam o seu humanismo como uma religião e participavam de congregações semelhantes a igrejas, usaram o termo "humanismo religioso". O humanismo religioso apareceu principalmente nos EUA e agora é raramente praticado. A Associação Humanista Americana surgiu do humanismo religioso. O mesmo termo tem sido usado por grupos religiosos como os quakers para descrever a sua teologia humanística. O termo "humanismo renascentista" foi dado a uma tradição de reforma cultural e educacional realizada por chanceleres cívicos e eclesiásticos, colecionadores de livros, educadores e escritores que se desenvolveu durante o século XIV e início do século XV. No final do século XV, esses acadêmicos começaram a ser chamados de umanisti (humanistas). Embora as raízes do humanismo moderno possam ser atribuídas à Renascença, o humanismo da Renascença difere enormemente dele.

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Escola literária

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Também há a escola literária chamada humanismo, que surgiu no século XIV, perdurando até o final do século XV, através do humanismo que surge o Renascimento. Nesse período, destacam-se as prosas doutrinárias, dirigidas à nobreza. Já as poesias, que eram cultivadas por fidalgos, utilizavam o verso de sete e de cinco silabas, respectivamente a redondilha maior e menor. Entre os autores dessa poesia palaciana, reunida no Cancioneiro Geral de Garcia de Resende, destacam-se Sá de Miranda, Bernardim Ribeiro, Jorge de Aguiar, João Roiz de Castel-Branco, Jorge d' Aguiar, Aires Teles, Gil Vicente, entre outros.

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Fontes consultadas

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