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Horário de verão

Horário de verão é a prática de adiantar os relógios uma hora durante os meses da primavera e do verão, com o alegado objetivo de economizar energia nas regiões que mais recebem luminosidade solar nesse período do ano. Normalmente, os países que adotam essa medida avançam uma hora no início da primavera e retornam para o horário padrão no outono.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 08/07/2026
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Justificativa

Imagem: Palácio do Planalto · BY · Openverse

As sociedades industrializadas geralmente seguem um cronograma baseado em relógios nas atividades do dia a dia que não mudam no decorrer do ano. O horário de início do trabalho e da escola, e a coordenação do transporte público, por exemplo, mantém-se constante no ano. Em contraste, as rotinas de trabalho e conduta pessoal dos agricultores são mais comumente governadas pela tempo em que a luz solar está visível e pelo horário solar aparente, que pode mudar sazonalmente devido à inclinação axial da Terra. A luz do dia dos trópicos norte e sul dura mais no verão e menos no inverno, com o efeito tornando-se maior à medida que nos afastamos dos trópicos. Ao sincronizadamente redefinir todos os relógios de uma região para uma hora adiante ao horário padrão, os indivíduos que seguem essa rotina vão acordar uma hora antes do que iriam de outro modo; eles vão iniciar e completar as rotinas de trabalho uma hora antes, e terão sessenta minutos extras de luz solar depois da jornada de trabalho. No começo de cada dia, contudo, haverá uma hora de luz a menos, tornando a prática mais incómoda durante o inverno.

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História

Imagem: STJNoticias · BY · Openverse

A primeira sugestão de obrigar as pessoas a levantarem-se mais cedo durante o verão foi lançada em 1784 pelo político e inventor americano Benjamin Franklin, antes da invenção da electricidade. A sua ideia não recebeu qualquer receptividade, quer dos governos, quer da sociedade científica, mesmo depois dele enviar uma carta (An Economical Project for Diminishing the Cost of Light) ao Jornal de Paris, em 1784, sobre a possível economia em cera de vela que seria gerada caso a medida dele fosse adotada. É importante notar que Franklin apenas sugeriu que as pessoas acordassem mais cedo no verão, a tiros de canhão ou a toque de sino — sem, no entanto, mencionar mudanças na hora oficial. Ele partiu da observação de que no início da primavera, em Paris, o sol nascia às seis horas, sendo que até ao final de Junho ainda nasceria mais cedo (às quatro horas), e que no inverno não nascia mais tarde do que as oito horas. Ora, segundo ele, a "maior parte das pessoas" só se levantava ao meio-dia (!), desperdiçando de quatro a oito horas de luz solar durante a manhã, e concluiu que a luz do dia poderia ser mais bem aproveitada. Assim, a maioria da população passaria a acordar, trabalhar e estudar em consonância com a luz do sol, e com isso não se consumiriam tantas velas nas fábricas e residências daquela época. A ideia, na época, não chegou a sair do papel. Uma ideia, por certo, abstrusa, pois Franklin apenas se poderia estar a referir a uma minoria de desocupados, certamente alguma aristocracia, que dormia até tarde, "até ao meio-dia", segundo diz no seu escrito. É sabido que as classes trabalhadoras, desde sempre, despertavam ao raiar do dia e se recolhiam ao pôr-do-sol, não precisando, portanto, de despertar ainda mais cedo. O público a que se destinava a sua carta (um pouco disparatada), não era certamente o proletariado e o campesinato.

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Conceito

Imagem: profcarlos · BY-NC · Openverse

O horário de verão contribui para reduzir o consumo de energia, mas a medida só funciona nas regiões distantes da linha do equador, porque nesta estação os dias se tornam mais longos e as noites mais curtas. Porém nas regiões próximas ao equador, como a maior parte do Brasil, os dias e as noites têm duração igual ao longo do ano e a implantação do horário de verão nesses locais, traz pouco ou nenhum proveito. Contudo, seu maior efeito é diluir o horário de pico, evitando assim uma sobrecarga do sistema energético. Segundo o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS)."O Horário de Verão tem como objetivo principal a redução da demanda máxima do Sistema Interligado Nacional no período de ponta. Isso é possível, pelo fato da parcela de carga referente à iluminação ser acionada mais tarde, que normalmente o seria, motivada pelo adiantamento do horário brasileiro em 1 hora. O efeito provocado é de não haver a coincidência da entrada da iluminação, com o consumo existente ao longo do dia do comércio e da indústria, cujo montante se reduz após as 18 horas".

Locais onde é adotado

Cerca de trinta países usam o horário de verão pelo menos em uma área dos seus territórios. Grande parte das terras habitadas, no Hemisfério Norte, fica em altas latitudes, onde o inverno é mais rigoroso, com o Sol se pondo muito cedo e nascendo lentamente durante o dia. No verão, o inverso ocorre. É comum o dia ainda estar claro às 20 ou até às 22 horas. Por isso, nesses lugares o horário de verão faz uma grande diferença. Boa parte dos países que adota a medida está situada nas regiões entre os trópicos e os polos. É possível citar os países membros da União Europeia, a maioria dos países que formavam a antiga União Soviética, a maioria do Oriente Médio (Iraque, Síria, Líbano, Israel, Palestina), parte da Oceania (Austrália, em parte do seu território, e Nova Zelândia), a América do Norte (Canadá e Estados Unidos), alguns da América Central (Cuba, Haiti e Bahamas), e da América do Sul (Paraguai e Chile).

Benefícios

Internacionalmente os estudos apontam três benefícios do horário de verão: economia energética, redução de acidentes nos horários de pico do trânsito (que durante esse período possuem mais iluminação natural) e redução de assaltos e crimes. No caso brasileiro podemos acrescentar um importante benefício que se refere à possibilidade de armazenarmos mais água nos reservatórios das hidrelétricas durante o verão e poder utilizá-la depois durante os meses secos do inverno. O Horário de Verão reduz a demanda por energia no período mais crítico do dia, ou seja, que vai das 18h às 21h quando a coincidência de consumo por toda a população provoca um pico, denominado "horário de ponta". Além disso, a implantação do Horário de Verão, ao permitir que entre 19 e 20 horas ainda se disponha de claridade no céu, evita o custo de operação de usinas de energia elétrica para iluminar, ao entardecer, todas as regiões onde o sistema é implantado e que abrangem os maiores centros consumidores.

Malefícios

Com o horário de verão, as pessoas dormem antes do habitual e acordam uma hora mais cedo. Esta alteração do horário de sono, segundo especialistas, pode trazer alguns prejuízos, como sonolência durante o dia, insônia à noite, cansaço e falta de apetite. Essa confusão que acontece no nosso organismo é um fenômeno que os médicos chamam de "desordem temporal interna" em tudo semelhante ao jet lag, mas muito pior, porque em vez de durar alguns dias, prolonga-se durante todos os meses em que o horário de verão se encontra em vigor. Estudos apontam, inclusive, que animais de estimação também são afetados com esses mesmos malefícios. As discussões acadêmicas significativas sobre seu impacto na saúde humana começaram nos anos de 1970. Segundo um estudo realizado no Brasil, o corpo humano precisa de ao menos 14 dias para se adaptar totalmente ao horário de verão. Uma análise publicada em 2011 no The New England Journal of Medicine demonstrou um aumento na ordem de 5% nos ataques cardíacos (infartos do miocárdio) na população como um todo, na primeira semana do horário de verão. Um estudo do professor Weily Toro Machado, da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), com o título Daylight Saving Time and incidence of Myocardial Infarction: Evidence from a regression discontinuity design, publicado na Revista Economics Letters em 2015. indica que a alteração abrupta no relógio biológico dos cidadãos afetados pela medida eleva em até 8,5% a incidência de infartos.

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Histórico do horário de verão no Brasil

Imagem: Hélio Sassen Paz · BY-NC-ND · Openverse

O horário de verão no Brasil foi adotado pela primeira vez em 1 de outubro de 1931, através do Decreto 20.466, abrangendo todo o território nacional. Foi designado pela sigla internacional BRST (Brasília Summer Time), e equivale a UTC −2 (salvo em MT e MS, onde equivale a UTC −3, e sua sigla internacional foi AMST (Amazon Summer Time). Houve vários períodos em que este horário não foi adotado, porém de 1985 até 2018 o horário de verão foi adotado anualmente. Até 2007, a duração e a abrangência geográfica do horário de verão eram definidas anualmente por decreto da Presidência da República. Em 8 de setembro de 2008, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou o decreto n° 6.558, quando o horário de verão passou a entrar em vigor no terceiro domingo de outubro e terminar no terceiro domingo de fevereiro. Em julho de 2017, tramitou na Câmara dos Deputados um projeto de lei sobre o fim do horário de verão, tendo em vista a mudança no perfil de uso de energia da população brasileira.

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