História do Islão
O islã ou islão nasceu na Arábia, região à qual os árabes se referem como Jazirat Al-'Arab, "a ilha dos árabes", o que denota o seu carácter isolado, separada da África e da Ásia pelo mar. É uma região inóspita marcada pela presença do deserto, onde a água é um bem raro.
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Antes do advento do islão, os árabes não formavam uma unidade política coerente. Nos inícios do século VI a Arábia posiciona-se em torno de dois impérios que se defrontam. A oeste, Bizâncio, cristã e herdeira de Roma, dominava o norte de África, a Palestina, a Síria, a Anatólia, a Grécia e o Sul da Itália. A Leste, o Império Persa Sassânida ocupa uma área que corresponde aos atuais Iraque e Irão e tinha como religião oficial o zoroastrismo, mas nele também viviam cristãos, judeus e maniqueus. A oeste da Arábia situava-se a Abissínia, que professava o cristianismo copta. A base desta sociedade era a tribo que reunia descendentes de um mesmo antepassado. Uma tribo era composta por vários clãs, e agrupava famílias alargadas que se encontram sob a autoridade de um homem. Algumas tribos eram sedentárias e outras eram nómadas (beduínos). As tribos viviam em guerra constante. Do ponto de vista religioso, a Arábia era a terra do politeísmo, mas também viviam nela comunidades monoteístas. Tribos judaicas, talvez chegadas à península Arábica após a destruição do Segundo Templo em 70, formavam comunidades que habitavam os locais de Fardaque e Iatrebe, nome pré-islâmico da cidade de Medina. Algumas tribos da Arábia setentrional tinham se convertido ao cristianismo monofisista ou ao cristianismo nestoriano. Influências zoroastrianas e cristãs faziam-se sentir a sul, no Iêmen.
A 12 de Rabi-al-awwal (terceiro mês do calendário árabe), no ano do Elefante - o que corresponde a 570/571 da era cristão - nasce em Meca um homem que viria a alterar a história da Arábia e do Mundo. O seu nome era Maomé (Muhammad). Maomé era filho de Abedalá e de Amina. O seu pai faleceu pouco antes do seu nascimento e a sua mãe quando ele tinha seis anos. O menino teve como tutor o avô Abdul Mutalibe e depois o seu tio Abu Talibe. Maomé pertencia a um clã empobrecido da poderosa tribo dos Coraixitas (Quraysh, "tubarão"), os hachemitas. O poder dos Coraixitas advinha do facto de controlarem o santuário da Caaba. Maomé tornou-se um mercador, realizando nesse contexto viagens à Síria; aos vinte e cinco anos casou com uma rica viúva de nome Cadija. Maomé tinha por hábito jejuar e meditar nas montanhas próximas de Meca. Por volta de 610, aos quarenta anos e enquanto fazia um desses retiros espirituais na montanha Hira, ele experimentou uma revelação divina. Um ser misterioso (Jibril, o arcanjo Gabriel) ordenou-lhe que recitasse; vencida a hesitação inicial, Maomé recitou aquilo que viria a ser a primeira revelação do livro que mais tarde seria compilado como o Alcorão.
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A morte de Maomé - que tinha sido não só um líder religioso, mas também um líder político -, representou um momento de crise na comunidade muçulmana, uma vez que ele não nomeou claramente um sucessor. A comunidade muçulmana decidiu convocar a Nidwa (Assembleia) para resolver o impasse e nomear um novo líder, que recebeu o título de califa (khalifa, "representante"). Nos anos que se seguiram à morte de Maomé houve quatro califas, aos quais os muçulmanos se referem como os "Califas Bem Guiados" (al-Khulufa al-Rashidun). O primeiro foi Abacar (r. 632–634), um dos sogros de Maomé e um dos seus companheiros mais próximos, encarregado por ele de dirigir a oração quando a sua doença o impedira de fazê-lo pessoalmente. Apesar de só ter governado dois anos, o seu califado foi determinante na medida em que consolidou o islão na península Arábica. Após a morte de Maomé, algumas tribos de beduínos tinham abandonado o Islão e entendiam que não deviam lealdade à Abacar. Para além disso, vários homens que se apresentavam como profetas geravam agitação. A revolta dos beduínos ficou conhecida como Rida (apostasia) e foi solucionada por Abacar através da diplomacia e do recurso à força militar.
Moáuia esforçou-se por terminar com o carácter electivo do califado, promovendo a hereditariedade. A dinastia que inaugurou, a dos Omíadas, representou uma deslocação do centro político do islão de Medina para Damasco, cidade que os novos senhores fizeram a sua capital até à queda da dinastia em 750. A era omíada ficou marcada por uma segunda vaga de expansão territorial. A ocidente, o Magrebe é conquistado entre 669 e 710, a Península Ibérica em 711 e as conquistas também avançam a este. Moáuia I (r. 661–680) divide o império em províncias e coloca à frente de cada uma um governador. Nomeia o seu filho Iázide I como seu sucessor, o que gerou nova contestação, pois Iázide era conhecido por ser um debochado. Iázide (r. 680–683) enfrentou a oposição do filho mais novo de Ali, Huceine, que parte de Meca com um grupo de apoiantes em direcção a Cufa. Em Carbala, a 10 de Outubro de 680, ele e os seus homens foram derrotados pelo exército enviado por Iázide, apenas tendo sobrevivido dois dos seus filhos. O evento marcou a mente dos xiitas, que todos os anos recordam o massacre de Hussein num festival de penitência e de luto conhecido como Ashura.
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Composta por 37 califas, o Califado Abássida foi iniciada com Açafá. O seu sucessor, Almançor (r. 754–775), mudou a capital do império em 762 para Bagdade, uma cidade construída para servir esse propósito. A influência persa vai predominar na vida política do califado e a nível cultural o fundo árabe mistura-se com elementos persas, sírios e indianos. Os xiitas tinham sido apoiantes dos abássidas na sua investida pelo poder; porém os abássidas abandonam as pretensões destes em pouco tempo. Em 786, em Meca, ocorreu um massacre de descendentes de Ali. Alguns conseguiram fugir e estabelecem em 789 o reino independente dos Idríssidas no actual território de Marrocos, que perdurará até ao século X. Na época do califa Harune Arraxide (r. 786–809) Bagdade é um dos centros mais brilhantes da civilização mundial. Este califa ordenou que após a sua morte o império fosse dividido entre os seus dois filhos, Alamim e Almamune. Quando Harune morreu os seus filhos envolveram-se numa luta pelo poder, tendo Almamune saído vencedor em 813. Almamune adoptou o mutazilismo, uma doutrina que rejeitava a teoria muçulmana da predestinação e que defendia que o Alcorão não deveria ser interpretado de uma forma literal. Este movimento era visto como herético pela maioria dos muçulmanos.
No século XV e XVI foram criados três grandes impérios que tinham no islão a sua religião oficial: o Império Otomano que dominou o Médio Oriente, os Bálcãs e o Norte de África; o Império Sefévida no Irão e o Império Mogol na Índia. ~
O Império Mogol
O Império Mogol resultou das várias invasões mongóis na Pérsia e na Índia. Foi fundado em 1526 por Babur, um descendente de Gengis Cã e de Tamerlão. O império governou os territórios que correspondem ao que hoje em dia são a Índia, o Paquistão, o Bangladexe e o Afeganistão, durante vários séculos antes de cair perante os ingleses em 1857. O império deixou um importante legado cultural e artístico na Índia. Entre os edifícios mais conhecidos mandados construir pelos Mogóis encontra-se o Taj Mahal.
O Império Otomano
O mundo islâmico atingiu um novo esplendor com o Império Otomano, cujas origens se encontram nas migrações dos turcos das estepes da Ásia Central para a Anatólia onde fundaram um pequeno estado. Em 1453, depois de um cerco de dois meses, os otomanos tomaram Constantinopla. O antigo Império Bizantino foi substituído pelo novo Império Otomano como a grande potência do mar Mediterrâneo. O auge deste império foi alcançado durante a era de Solimão, o Magnífico (r. 1520–1566) quando foram conquistados os Bálcãs e a Hungria. Em 1529 os otomanos tentaram conquistar Viena, mas o cerco à cidade fracassou. Em 1571 a Batalha de Lepanto representou um duro golpe para os otomanos, já que nela perderam parte importante da sua frota marinha (um dos grandes pontos fortes do Império Otomano). Em consequência da derrota dos otomanos na Batalha de Viena de 1683 o império perderia a posse da Hungria e de alguns territórios nos Bálcãs.
Império Safávida
Os safávidas governaram o Irão (Pérsia) entre 1501 e 1736. Embora se identificassem como descendentes de Ali, os safávidas tinham origens numa ordem sufista. Foi durante o governo dos safávidas, que tinham como capital a cidade de Isfaã, que o xiismo foi imposto como religião oficial do Irão, tendo sido perseguidas todas as outras formas do islão. Este facto histórico está na origem da separação religiosa actual do Irão em relação aos seus vizinhos sunitas. Até aquele momento o xiismo não tinha sido particularmente forte no Irão. Os Sefévidas foram derrubados por Nadir Xá em 1736.
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O começo da conquista do mundo islâmico pelos Europeus remonta ao fim do século XVIII, quando Napoleão Bonaparte conquistou o Egito em 1798. Por volta de 1818 a Índia já estava praticamente toda sob influência britânica e em meados do século XIX já a maior parte do mundo islâmico tinha sido conquistado pelas potências europeias, em concreto pela França, Inglaterra e Rússia.
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Nos anos que antecedem a Primeira Guerra Mundial inicia-se a prospecção de petróleo no Médio Oriente, na qual os ingleses se revelarão os mais ávidos. Durante a Primeira Guerra Mundial os Aliados exploraram o descontentamento em relação ao Império Otomano existente em regiões como a Arábia e a Síria. Apesar das promessas de apoio ao movimento nacionalista árabe, o fim da guerra acabou por traduzir-se num aumento da colonização europeia sobre os países árabes. Os ingleses tinham prometido a Huceine ibne Ali que seria o rei de um grande território formado por aquilo que é hoje o Líbano, a Síria, o Iraque, a Palestina, a Jordânia e a Arábia. Esta promessa não foi cumprida e a queda do Império Otomano em 1918 apenas fez com que os árabes mudassem de amo: aos franceses seria atribuído, pela Sociedade das Nações, um mandato sobre a Síria e o Líbano e aos ingleses sobre a Palestina. Os filhos de Huceine ibne Ali governam dois territórios sob patrocínio britânico, a Transjordânia e o Iraque. Na Arábia forma-se um reino liderado por ibne Saude, com o apoio dos Estados Unidos.


