História da medicina
A história da medicina atual ou cosmopolita é a história das grandes contribuições de todos os povos a esta arte e prática universal que constitui a medicina. Confunde-se portanto com a história da civilização ocidental. Nesta perspectiva pode ser dividida em: pré história; história antiga que praticamente corresponde à antiguidade oriental e distinguindo-se a medicina na Grécia antiga e Roma e os clássicos períodos de divisão da história ocidental: Idade Média, Moderna e Contemporânea.
Oriente é um modo de ver como oriental um conjunto de povos da Ásia e Norte da África. Os textos sobre esse tema incluem as civilizações Egípcia, Chinesa, Norte-Indiana (Indo-Européia), Persa (Indo-Européia), Norte-Paquistanesa (Indo-Européia) e dos povos semitas (Árabes e Judeus). Naturalmente que estes povos poderiam ser subdivididos em centenas de etnias e sistemas etnomédicos, contudo a relativa uniformidade lingüística, presença escrita de textos especializados e acontecimentos históricos marcantes, com especial significado para desenvolvimento da medicina cosmopolita, permitem manter tal divisão.
Medicina Ayurveda
Ayurveda, o conhecimento Védico de medicina data de há cerca de 6000 anos. Neste conhecimento, a saúde é entendida como a harmonia entre o corpo, mente e espírito. Os seus dois textos mais famosos pertencem às escolas de Charaka e Sushruta. De acordo com Charaka, a saúde e a doença não são predeterminadas e a vida pode ser prolongada pelo esforço humano. Sushruta define como finalidade da medicina curar as doenças do doente, proteger o saudável e prolongar a vida. Entre os Vedas, o Yajur Veda refere-se especialmente às questões médicas, daí decorrendo o nome até hoje utilizado de medicina Ayurvédica. O Ayurveda descreve oito ramos:(chikits) (medicina interna), shalyachikits (cirurgia incluindo anatomia), kyachikits (doenças do olho, ouvido, nariz, e garganta), kaum; rabhritya (pediatria), bhtavidy; (psiquiatria, ou demonologia), agada tantra (toxicologia); rasyana (ciência do rejuvenescimento), e karana (a ciência da fertilidade).
Medicina chinesa
A China também desenvolveu sólidos conhecimentos em sua medicina tradicional. Muito da filosofia Medicina tradicional chinesa derivado da filosofia do Taoísmo reflete a clássica crença chinesa que as experiências humanas individuais refletem os princípios da causalidade que regem o ambiente em todas as escalas. Estes princípios causais, seja essência material ou espiritual, correspondem à expressão dos destinos decretados pelo céu (Tao). Durante a idade de ouro de seu reino entre 2696 a 2598 a.C, em forma de um diálogo com seu ministro Ch'i Pai, o Imperador Amarelo registrou seu conhecimento médico, segundo a tradição chinesa que o tem como autor Neijing(g.) Suwen(O) ou perguntas básicas da medicina interna. A opinião acadêmica moderna sustenta que o referido texto com esse título foi compilado por um erudito da época entre os dinastias Chou e Han da tradição de mais de dois mil anos antes, embora algumas partes do trabalho existentes possam ter originado por volta de 1000 A.C.
Medicina egípcia
O Papiro de Edwin Smith (1600 a.C.), um antigo livro-texto de cirurgia, descreve em extraordinários detalhes o ' ' exame, diagnóstico, tratamento, e ' 'o prognóstico' ' de numerosas doenças. (Encyclopædia Britannica ). Soma-se a esse o Papiro de Ebers (ca 10° século a.C.|1550 a.C.) , embora cheio dos encantamentos, rezas escatológicas de afastar e manter demônios causadores doença em seu lugar de origem e outras superstições, nele há também as evidências ' ' de uma longa tradição empírica da prática e da observação. Além das diversas técnicas de embalsamamento, que até hoje assombram a humanidade e de possuírem, segundo Heródoto um medicina praticada por diversos especialistas os médicos egípcios dominavam uma vasta farmacopéia que incluía desde as esquisitas medicinas de bolores e excrementos (a farmácia da sujeira precursora das substancias antibióticas (?)) até as plantas medicinais até hoje utilizadas em todo o mundo como mirra, romã, linhaça, erva – doce, alho, sene, rícino, alface, heléboro, papoula entre outras.
Medicina semítica
Ao se estudar a medicina dos povos de língua semítica, o maior dos grupos de línguas da família camito-semítica, presente do N./NE da África até o S.O. da Ásia e especialmente dos povos árabes (semitóides do Sul), nos deparamos com o desafio de identificar sua origem pré - islâmica ou anterior a sua unificação pelo profeta Maomé (570 – 632 d.C.) e revelações do Alcorão que ocorreram por volta do ano 600. As contribuições mais evidentes são relativas aos Semitas: Assírios (Iraque); Fenícios (Líbano) e de alguns do demais povos da região da mesopotâmia associados aos "Persas" (povos indo-europeus e portanto não-semiticos), "Sumérios" (também não-semítico) e Acádios. É incontestável sua inter-relação com as crenças dos hebreus e práticas da medicina do Egito e Babilônia registradas em hieróglifos e signos da escrita cuneiforme (invenção suméria e portanto não-semítica).
Imagem: Laís Ananias · BY-SA · Openverse
Medicina europeia
Assim como as sociedades que se desenvolveram na Europa e em Ásia, os sistemas de crença foram substituídos por um distinto sistema natural. A antiga Grécia, de Hipócrates desenvolveu um sistema médico humoral onde o tratamento deveria restaurar o equilíbrio entre os clássicos elementos e humores dentro do corpo. Similar visão foi adotada na China e Índia. Veja também medicina tradicional chinesa. Das ideias desenvolvidas na Grécia, através de Galeno até o Renascimento o principal direcionador da medicina foi a manutenção da saúde pelo controle da dieta (nutrição) e higiene. O conhecimento anatômico era limitado e havia poucas curas cirúrgicas ou outras, os doutores apostavam em manter uma boa relação com pacientes, tratar das doenças menores e amenizar a condição das crônicas, pouco podendo fazer quanto às doenças epidêmicas, crescentes com a urbanização e domesticação dos animais, se intensificando através do mundo.
Muçulmanos
O mundo muçulmano ascendeu para a primazia da ciência médica com pensadores tais como Avicena, Ibn Nafis, e Rhazes. Ver também Islamismo. A primeira geração de excelência médica do Islamismo foi formada na Academia de Gundexapur, onde, pela primeira vez o ensino em hospital foi realizado. Rasis, por exemplo, foi o primeiro médico que sistematicamente usou álcool em prática clínica. Consta que já no século XI o império árabe contava com 34 hospitais.
A ideia da medicina personalizada foi desafiada na Europa pela ascensão da investigação experimental, principalmente pela dissecação, examinando corpos no estrangeiro da maneira de outras culturas. A circulação pulmonar de Ibn al-Nafis, foi redescoberto pelo Miguel Servet, e depois se espalhou pelos médicos como importante Andrea Cesalpino, Andreas Vesalius e Realdo Colombo. William Harvey, subsequentemente, pela primeira vez uma descrição completa de todo o sistema circulatório. Com relação à anatomia, o trabalho dos indivíduos como Andreas Vesalius e William Harvey desafiaram as tradições aceitas com a evidência científica. Aperfeiçoando a compreensão e diagnóstico mas com pouco benefícios diretos na saúde. Poucas drogas eficazes existiam, além ópio e quinino, curas espirituais ou os quase ou eficientes venenos, os compostos metal – baseados, eram populares,e ineficazes tratamentos.
Distinção entre doenças naturais e benefícios na medicina portuguesa dos séc. XVII e XVIII
Neste sentido, houve inúmeros físicos e médicos portugueses, que discorreram sobre as diferenças entre as doenças reais (então os chamados achaques naturais) e as doenças mágicas (os então chamados venefícios), notando-se desde cedo uma pretensão da classe médica em Portugal de afastar a matéria dos venefícios da esfera de influência da Inquisição e de charlatães e mezinheiros ambulantes, a fim de a arrastar para o seu âmbito de competência. Por exemplo, Bernardo Pereira, médico do século XVII, na sua obra «Anacephaleosis medico-theologica magica, juridica, moral, e politica», dedica uma dissertação só para os venefícios, que é descrita no Indice da seguinte forma :


