Pesquisa · Mapa mental

História da Índia

A história da Índia tem início, com o registro arqueológico, da presença do Homo sapiens há cerca de 34 000 anos. Uma civilização da Idade do Bronze emergiu em época aproximadamente contemporânea às civilizações do Oriente Médio. Como regra, a história da Índia abrange todo o subcontinente indiano, correspondente às atuais República da Índia, Paquistão, Bangladesh, Sri Lanka, Nepal e Butão.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 22/07/2026
01

Idade da Pedra

A cultura da Idade da Pedra no subcontinente indiano coincidiu com o início da colonização pelo homem e progrediu para a agricultura e o desenvolvimento de ferramentas derivadas de objetos naturais ou criados a partir de matérias-primas. A comunidade Mergar constitui-se no estágio preliminar da agricultura no subcontinente e levou ao surgimento da civilização do Vale do Indo, pertencente à Idade do Bronze.

Paleolítico

Estima-se que a expansão de hominídeos da África tenha chegado ao subcontinente indiano aproximadamente há dois milhões de anos, e possivelmente já em 2,2 milhões de anos antes do presente. Esta datação é baseada na presença conhecida do Homo erectus na Indonésia por 1,8 milhões de anos antes do presente, e no leste asiático em 1,36 milhões de anos antes do presente, bem como a descoberta de ferramentas de pedra feitas por proto-humanos no vale do rio Soan, em Riwat e nas colinas de Pabbi, todos no atual Paquistão. Embora algumas descobertas mais antigas tenham sido reivindicadas, as datas sugeridas, baseadas na datação de sedimentos fluviais, não foram verificadas independentemente.

Neolítico

A colonização mais extensa do subcontinente indiano ocorreu no período neolítico, após o final da última Idade do Gelo, aproximadamente há 12 000 anos. Os primeiros assentamentos semipermanentes confirmados surgiram há 9.000 anos nos abrigos rochosos de Bhimbetka, no moderno Madia Pradexe, na Índia. As Cavernas Edakkal possui escritos pictóricos do homem neolítico que se acredita datar de pelo menos 6.000 aC, indicando a presença de uma civilização pré-histórica ou assentamento em Kerala. As culturas agrícolas neolíticas surgiram na região do Vale do Indo por volta de 5000 a.C, no vale Gangético inferior por volta de 3000 a.C., representado pelas descobertas de Bhirrana (7570–6200 a.C.) em Haryana, Índia, descobertas de Lahuradewa (7000 a.C.) em Utar Pradexe, Índia e as descobertas de Mehrgarh (7000–5000 a.C.) no Baluchistão, Paquistão; e mais tarde no sul da Índia, espalhando-se para o sul e também para o norte até Malwa por volta de 1800 a.C.. A primeira civilização urbana da região começou com a Civilização do Vale do Indo.

02

Idade do Bronze

As civilizações da Idade do Bronze no sub-continente indiano lançaram as bases da moderna cultura indiana, inclusive o surgimento de assentamentos urbanos e o desenvolvimento das crenças védicas que formam o núcleo do hinduísmo.

Civilização do Vale do Indo

A irrigação do Vale do Indo, que fornecia recursos suficientes para sustentar grandes centros urbanos como Harapa e Moenjodaro em cerca de 2 500 a.C., marcou o início da civilização de Harapa. Aquele período testemunhou o nascimento da primeira sociedade urbana na Índia, conhecida como a civilização do Vale do Indo (ou civilização de Harapa), que floresceu entre 2500 a.C. e 1900 a.C., e que se concentrava em volta do rio Indo e seus tributários, estendendo-se ao doab rio Ganges-rio Jamuna, ao Guzarate e ao norte do atual Afeganistão. Esta civilização caracterizava-se por suas cidades construídas com tijolos, por sistemas de águas pluviais e por casas com vários andares. Quando comparada a civilizações contemporâneas como o Egito e a Suméria, a cultura do Indo dispunha de técnicas de planejamento urbano singulares, cobria uma área geográfica mais extensa e pode ter formado um Estado unificado, como sugere a extraordinária uniformidade de seus sistemas de medida. As referências históricas mais antigas à Índia talvez sejam as relativas a "Meluhha", em registros sumérios, que poderia ser a civilização do Vale do Indo.

Civilização védica

A civilização védica é a cultura indo-ariana associada com o povo que compôs os Vedas no subcontinente indiano. Incluía o atual Panjabe, na Índia e Paquistão, e a maior parte da Índia setentrional. A relação exata entre a gênese desta civilização e a cultura do Vale do Indo, por um lado, e uma possível imigração indo-ariana, por outro, é motivo de controvérsia. A maioria dos estudiosos entende que esta civilização floresceu entre os II e I milênio a.C. O uso do sânscrito védico continuou até o século VI a.C., quando a cultura começou a transformar-se nas formas clássicas do hinduísmo. Esta fase da história da Índia é conhecida como o período védico ou era védica. Sua fase primitiva testemunhou a formação de diversos reinos da Índia antiga; em sua fase tardia (a partir de cerca de 700 a.C.), surgiram os Mahajanapadas, dezesseis grandes reinos no norte e no noroeste da Índia. Seguiram-se-lhe a idade de ouro do hinduísmo e da literatura em sânscrito clássico, o Império Máuria (a partir de cerca de 320 a.C.) e os reinos médios da Índia (a partir do século II a.C.).

03

Os 16 Mahajanapadas da Idade do Ferro

Durante a Idade do Ferro, que começou na Índia em torno de 1 000 a.C., diversos pequenos reinos e cidades-Estado cobriram o subcontinente, muitos mencionados na literatura védica a partir de 1 000 a.C. Em torno de 500 a.C., dezesseis monarquias e "repúblicas", conhecidas como Mahajanapadas, estendiam-se através das planícies indo-gangéticas, desde o que é hoje o Afeganistão até Bangladexe: Kasi, Côssala, Anga, Mágada, Vajji (ou Vriji), Malla, Chedi, Vatsa (ou Vamsa), Kuru, Panchala, Machcha (ou Matsya), Surasena, Assaka, Avanti, Gandara e Kamboja. Os maiores dentre aqueles países eram Mágada, Côssala, Kuru e Gandara. A língua culta daquele período era o sânscrito, enquanto que os dialetos da população em geral do norte da Índia eram conhecidos como prácritos. Os rituais hindus da época eram complicados e conduzidos pela classe sacerdotal. Os Upanixades, textos védicos tardios que lidavam principalmente com filosofia, teriam sido compostos no início daquele período e seriam portanto contemporâneos ao desenvolvimento do budismo e do jainismo, o que indicaria uma idade do ouro filosófica naquele momento, semelhante ao que ocorreu na Grécia antiga. Em 537 a.C., Gautama Buda atingiu a iluminação e fundou o budismo, inicialmente visto como um complemento ao darma védico. No mesmo período, em meados do século VI a.C., Mahavira fundou o jainismo. Ambas as religiões tinham uma doutrina simples e eram pregadas em prácrito, o que ajudava a disseminá-las entre as massas. Embora o impacto geográfico do jainismo tenha sido limitado, freiras e monges budistas levaram os ensinamentos de Buda à Ásia Central e Oriental, Tibete, Sri Lanca e Sudeste asiático.

04

Índia Antiga (pré-Império Máuria)

Império de Mágada

Originalmente, Mágada era um dos dezesseis Mahajanapadas indo-arianos da Índia Antiga. O reino emergiu como uma grande potência após subjugar dois Estados vizinhos, e era dono de um exército incomparável na região. O antigo reino de Mágada é mencionado no Ramayana, Mahabharata, nos Puranas, e muito mencionado nos textos budistas e jainistas. A primeira referência aos Mágada ocorre no Atharva-Veda onde eles são encontrados ao lado dos angas, gandaris e dos mujavats como um povo desprezado. Duas das maiores religiões da Índia tiveram origem em Mágada; Gautama Buda no século VI a.C. ou no V foi o fundador do Budismo, que mais tarde se espalhou para a Ásia Oriental e Sudeste Asiático, enquanto Mahavira fundou o Jainismo. Dois dos maiores impérios da Índia, Império Máuria e o Império Gupta, entre outros, tiveram origem em Mágada. O reino Mágada incluía comunidades republicanas tais como Rajakumara. Os aldeões tinham as suas próprias assembleias dirigidas pelos seus chefes locais, chamados Gramakas. A sua administração era dividida em funções executivas, judiciais e militares.

Invasões persa e grega

Na altura do século V a.C., o norte do subcontinente indiano foi invadido pelo Império Aquemênida e, no final do século IV a.C., pelos gregos do exército de Alexandre, o Grande. Ambos os eventos repercutiram fortemente na civilização indiana, pois os sistemas políticos dos persas viriam a influenciar a filosofia política indiana, inclusive a administração do Império Máuria, e formou-se um cadinho das culturas indiana, persa, centro-asiática e grega no que é hoje o Afeganistão, de modo a produzir uma singular cultura híbrida. Grande parte do noroeste do subcontinente indiano (atualmente o leste do Afeganistão e quase todo o Paquistão) foi governada pelo Império Aquemênida a partir de cerca de 520 a.C. (durante o reinado de Dario, o Grande) até a sua conquista por Alexandre, o Grande. Os aquemênidas, cujo controle sobre a região durou 186 anos, usavam a escrita aramaica para a língua persa. Com o fim da dinastia, a escrita grega passou a ser mais comum.

05

Era Clássica

Império Máuria

O Império Máuria (322–185 a.C) unificou a maior parte do subcontinente indiano em um único estado e foi o maior império existente no subcontinente indiano. Na sua maior extensão, o Império Máuria estendia-se para o norte até as fronteiras naturais do Himalaia e para o leste até o que hoje é Assam. Para o oeste, alcançou além do Paquistão moderno, as montanhas Indocuche, no que hoje é o Afeganistão. O império foi estabelecido por Chandragupta Máuria, quando ele derrubou a dinastia Nanda. Chandragupta expandiu rapidamente seu poder para o oeste através do centro e oeste da Índia e, por volta de 317 aC, o império ocupara totalmente o noroeste da índia. O Império Máuria derrotou Seleuco I Nicátor, o fundador do Império Selêucida, durante a guerra Seleucida-Máuria, ganhando território adicional a oeste do rio Indo. O filho de Chandragupta, Bindusara, sucedeu ao trono por volta de 297 aC. No momento em que ele morreu em c. 272 aC, uma grande parte do subcontinente indiano estava sob suserania dos Máuria. No entanto, a região de Kalinga (em torno dos dias modernos, Odisha) permaneceu fora do controle de Máuria, talvez interferindo em seu comércio com o sul.

Império Sunga

O Império Sunga era uma antiga dinastia indiana de Mágada que controlava áreas do subcontinente indiano central e oriental de aproximadamente 187 a 78 aC. A dinastia foi estabelecida por Pusiamitra Sunga, após a queda do Império Máuria. Sua capital era Pataliputra, mas depois imperadores como Bhagabhadra também realizaram uma corte em Besnagar (moderna Vidisha) no leste de Malwa. Pusiamitra Sunga governou por 36 anos e foi sucedido por seu filho Agnimitra. Havia dez governantes Sunga. No entanto, após a morte de Agnimitra, o segundo rei da dinastia, o império rapidamente se desintegrou: [inscrições e moedas indicam que grande parte do norte e do centro da Índia consistia de pequenos reinos e cidades-estados independentes de qualquer hegemonia Sunga. A dinastia é conhecida por suas numerosas guerras com potências estrangeiras e indianas. Eles lutaram contra os Kalinga, a dinastia Satavana, o Reino Indo-Grego e possivelmente os Panchalas e Mitras de Mathura.

Império Kanva

A dinastia Kanva ou Kanvayana foi uma dinastia de brâmanes que substituiu a dinastia Sunga em Magadha e governou na parte oriental da antiga Índia a partir de 75 a.C. e até 30 a.C. O último governante da dinastia Sunga, Devabhuti, foi destronado por Vasudeva da dinastia Kanva em 75 a.C.. O novo governante Kanva permitiu que os reis do Sunga continuassem reinando na escuridão de um canto de seus antigos domínios, enquanto Magadha era governado por quatro governantes da dinastia Kanva. Sua dinastia foi expulsa do poder pela dinastia Satavana.

Império Cuchana

O Império Cuchana, foi um Estado político que teve o seu auge de 105 d.C. à década de 250, localizado entre os territórios atuais do Tajiquistão, mar Cáspio, Afeganistão e vale do rio Ganges. O império foi criado pela tribo dos cuchãs (igualmente mencionada como kushans, cuchans, e kuei-shangs), que, por sua vez, pertencia à etnia dos iuechis, que vive atualmente em Xinjiang, na China e que possivelmente está relacionada com os tocarianos. O império teve relações diplomáticas importantes com o Império Romano, com o Império Sassânida e com a China, em grande parte pela sua posição geográfica, num local de passagem entre o Ocidente e o Oriente.

Império Satavana

Os Satavanas foram baseados a partir de Amaravati em Andra Pradexe, bem como Junar (Pune) e Prathisthan (Paithan) em Maarastra. O território do império cobria grandes partes da Índia a partir do século I a.C. em diante. Os Satavanas começaram como vassalos da dinastia Máuria, mas declararam independência com seu declínio. Foram contemporâneos do Império Máuria tardio e depois dos Impérios Sunga e Kanva. Os Satavanas são conhecidos por seu patrocínio do hinduísmo e do budismo, que resultou em monumentos budistas de Ellora (um Patrimônio Mundial da UNESCO) para Amaravati. Eles foram um dos primeiros estados indianos a emitir moedas com seus governantes em relevo. Eles formaram uma ponte cultural e desempenharam um papel vital no comércio, bem como na transferência de ideias e cultura para e da planície indo-gangética até o extremo sul da Índia.

06

Império Gupta

Os guptas foram uma dinastia nativa da Índia que se opôs aos invasores de noroeste. Nos séculos IV e V, a dinastia Gupta unificou a Índia setentrional. Naquele período, conhecido como a Idade do Ouro indiana, a cultura, a política e a administração hindus atingiram patamares sem precedentes. Com o colapso do império no século VI, a Índia voltou a ser governada por diversos reinos regionais. Suas origens são, em grande medida, desconhecidas. O viajante chinês I-tsing fornece a mais antiga prova da existência de um reino gupta em Mágada. Acredita-se que os puranas védicos foram redigidos naquela época; deve-se ao Império Gupta, também, a invenção dos conceitos de zero e infinito e os símbolos para o que viria a ser conhecido como os algarismos arábicos (1-9). O império chegou ao fim com o ataque dos hunos brancos provenientes da Ásia Central. Uma linhagem menor do clã gupta, que continuou a reinar em Mágada após a desintegração do império, foi finalmente destronada pelo Harshavardhana, que reunificou o norte do subcontinente na primeira metade do século VII.

Invasão dos hunos brancos

Os hunos brancos aparentemente integravam o grupo heftalita que se estabeleceu no território correspondente ao Afeganistão na primeira metade do século V, com capital em Bamiã. Foram os responsáveis pela queda do Império Gupta, encerrando o que os historiadores consideram uma Idade do Ouro da Índia setentrional. Entretanto, grande parte do Decão e a Índia meridional mantiveram-se ao largo dos sobressaltos ocorridos ao norte. O imperador gupta Skandagupta repeliu uma invasão huna em 455, mas os hunos brancos continuaram a pressionar a fronteira noroeste (atual Paquistão) e terminaram por penetrar o norte da Índia no final do século V, de maneira a acelerar a desintegração do Império Gupta. Após o século VI, há poucos registros na Índia acerca dos hunos. Seu destino é incerto: alguns estudiosos pensam que os invasores foram assimilados pela população local; outros sugeriram que os hunos seriam os ancestrais dos rajaputros.

07

Reinos médios tardios

Imagem: Brasil de Fato · BY-NC-SA · Openverse

Esta fase histórica pode ser definida como o período entre a queda do Império Gupta e as conquistas de Harshavardhana, por um lado, e o surgimento dos primeiros sultanatos islâmicos na Índia com o correlato declínio do Império meridional Vijaynagar, no século XIII, por outro. Naquela fase destacaram-se o Reino Chola, no território correspondente ao norte de Tâmil Nadu, e o Reino Chera, no que é hoje Kerala. Os portos da Índia meridional dedicavam-se então ao comércio do Oceano Índico, especialmente de especiarias, com o Império Romano (depois com o Império Bizantino e com os Califados muçulmanos) a oeste e os estados do sudeste da Ásia, como o Império Serivijaia, a leste. No norte, estabeleceu-se o primeiro dos Rajaputros, uma série de reinos que sobreviveria em certa medida por quase um milênio até a independência indiana frente aos britânicos. O período assistiu uma produção artística considerada a epítome do desenvolvimento clássico; os principais sistemas espirituais e filosóficos locais continuaram a ser o hinduísmo, o budismo e o jainismo.

Império Chola

Os cholas emergiram como o império mais poderoso do subcontinente no século IX e mantiveram seu domínio até o século XII. Como uma dinastia de origem tâmil, seu centro de poder localizava-se no sul da península indiana. Seu zênite ocorreu durante os séculos X, XI e XII, quando governavam um território que incluía o sul do subcontinente, as ilhas Maldivas e parte do Ceilão, chegando em certo momento até o Ganges, ao norte, e ao Arquipélago Malaio, ademais de certos pontos ao longo do Golfo de Bengala. Enquanto os cholas dominavam o sul, ao norte três reinos disputavam a supremacia: os Pratiaras, no atual Rajastão, o Império Pala, nos atuais Biar e Bengala, e os Rastracutas, no Decão.

Rajaputros

A história registra os primeiros reinos rajaputros no Rajastão a partir do século VII, mas foi nos séculos IX a XI que passaram a participar ativamente os acontecimentos no subcontinente. As diversas dinastias rajaputras posteriormente governaram boa parte da Índia setentrional. Como regra geral, os rajaputros, devido a sua localização no norte do subcontinente indiano, foram os que mais enfrentaram as invasões islâmicas e a subsequente expansão dos sultanatos muçulmanos. Em período histórico posterior, cooperaram com o Império Mogol.

08

Invasão islâmica

Imagem: Portuguese_eyes · BY-SA · Openverse

A invasão do subcontinente indiano por tribos e impérios estrangeiros foi frequente ao longo da história, e costumava terminar com o invasor absorvido pelo cadinho sociocultural indiano. A diferença, na fase histórica em apreço, é que os Estados muçulmanos invasores - em geral, de origem turcomana - mantiveram, uma vez instalados no subcontinente, seu caráter islâmico, com repercussões até os dias de hoje. A primeira incursão muçulmana (árabe omíada) de monta ocorreu no século VIII, contra o Baluchistão, Sinde e o Panjabe, resultando em Estados islâmicos sobre os quais o controle do Califado era muito tênue. No início do século XI, a dinastia gasnévida (de Gásni, cidade do atual Afeganistão), de origem turcomana, avançou sobre o oeste e o norte da Índia, conquistando o Panjabe; a Caxemira, o Rajastão e Guzerate permaneceram sob controle dos rajaputros. No século XII, os góridas, uma dinastia também turcomana e originalmente do Afeganistão, venceram o Império Gasnévida e alguns rajás do norte da Índia e lograram conquistar Déli, ali fundando (já no século XIII) o Sultanato de Déli.

Sultanato de Déli

O Sultanato de Déli (1206-1526) expandiu-se rapidamente até incluir a maior parte da Índia setentrional, do passo Khyber até Bengala. Posteriormente, conquistou o Guzerate e Malwa e voltou-se para o sul, chegando até o atual Tâmil Nadu. A expansão para o sul continuou pelas mãos do Sultanato de Bamani, que se separara de Déli, e dos cinco sultanatos independentes do Decão, sucessores de Bamani após 1518. O Reino de Bisnaga dos hindus uniu o sul da Índia e bloqueou o avanço muçulmano até cair frente aos sultanatos decanis, em 1565. Durante o período do Sultanato de Delhi, houve uma síntese da civilização indiana com a civilização islâmica, e a maior integração do subcontinente indiano com um sistema mundial crescente de redes internacionais mais amplas, abrangendo grandes partes da Afro-Eurásia, que tiveram um impacto significativo sobre a cultura e a sociedade indianas, assim como o mundo em geral. O tempo de seu governo incluiu as primeiras formas de arquitetura indo-islâmica, maior uso de tecnologia mecânica, aumento das taxas de crescimento da população e economia da Índia, deixou monumentos duradouros sincréticos na música, literatura, religião e vestuário, como também levou ao surgimento do idioma hindustani. Supõe-se que este idioma tenha nascido durante o período do Sultanato de Délhi como resultado da mistura dos falantes locais dos prácritos sânscritos com os imigrantes que falavam persa, turco e árabe sob os governantes muçulmanos. O Sultanato de Délhi é o único império indo-islâmico a entronizar uma das poucas governantes do sexo feminino na Índia, Razia Sultana (1236-1240). O Sultanato, no entanto, também foi responsável pela destruição em larga escala e profanação de templos no subcontinente indiano, embora isso não fosse incomum na guerra medieval indiana, onde reinos hindus e budistas também profanaram templos de reinos inimigos.

09

Império Mogol

Em 1526, um descendente de Tamerlão chamado Babur, de origem turco-perso-mongol, atravessou o Passo Khyber, invadiu o subcontinente e estabeleceu o que viria a ser o Império Mogol, que perduraria por mais de dois séculos e cobriria um território ainda maior do que o do Império Máuria. Por volta de 1600, a dinastia mogol já controlava a maior parte do subcontinente; entrou em declínio após 1707 e foi finalmente defenestrada pelos britânicos em 1857, após a revolta dos sipais. Este período foi marcado por grandes mudanças sociais, ocorridas numa sociedade de maioria hindu governada por grão-mogóis (imperadores) muçulmanos que, alguns, adotavam uma postura de tolerância religiosa, outros, destruíam templos hindus e cobravam impostos dos não-muçulmanos. Da mesma maneira pela qual os conquistadores mongóis da China e da Pérsia haviam adotado a cultura local, os mogóis professavam uma política de integração com a cultura indiana que contribui para explicar o seu sucesso em comparação com o Sultanato de Déli. Os grão-mogóis casaram-se com a realeza local, aliaram-se com marajás e procuraram fundir a sua cultura turco-persa com as tradições indianas.

10

Era pós-mogol

Imagem: Portuguese_eyes · BY-SA · Openverse

Império Marata

O Império Marata (posteriormente conhecido como Confederação Marata) foi um Estado hindu que existiu entre 1674 e 1818 e que esteve frequentemente em guerra com o Império Mogol muçulmano, contribuindo para o declínio deste último. O Império Marata estava localizado no sudoeste da Índia atual e expandiu-se enormemente sob o domínio dos Peshwas, os primeiros ministros do império Maratha. Foi a força predominante no subcontinente durante a maior parte do século XVIII e logrou conter o avanço dos colonizadores britânicos. Uma grande parte do Império Maratha era litorâneo, o que havia sido assegurado pela poderosa Marinha Maratha sob comando de comandantes como Kanhoji Angre. Ele foi muito bem sucedido em manter os navios de guerra estrangeiros longe do litoral indiano, particularmente aqueles dos portugueses e britânicos. Assegurar as áreas costeiras e construir fortificações terrestres foram aspectos cruciais da estratégia defensiva dos Maratha e da história militar regional. Em 1761, o exército marata perdeu a Terceira Batalha de Panipat, que interrompeu a expansão imperial e o império foi então dividido em uma confederação de estados. Disputas internas e três guerras anglo-maratas (final do século XVIII e início do XIX) puseram fim a confederação, cujo território foi em grande medida anexado ao Império Britânico, embora algumas regiões se tenham mantido nominalmente independentes como Estados principescos vinculados à Índia britânica.

Panjabe

Entre 1716 e 1799, o Panjabe foi governado por um conjunto de Estados siques de médio porte conhecido como Confederação Sique. Embora em termos políticos a confederação fosse descentralizada, os Estados integrantes eram unidos em torno de uma cultura e religião comuns, representados pela religião sique. As duas guerras anglo-siques (1845 a 1849) resultaram na absorção do Panjabe pela Índia britânica.

Economia

A instabilidade política resultante da queda dos Império Mogol e posteriormente do Império Marata criou conflitos armados que afetaram severamente a vida econômica em várias partes do país, embora isto fosse compensado, em parte, pela prosperidade localizada nos novos reinos provinciais.

Vídeos recomendados

Fontes consultadas

Continue pesquisando