Hiperplasia benigna da próstata
A hiperplasia prostática benigna (HPB) ou também conhecida por hiperplasia benigna da próstata (HBP); é popularmente conhecida como próstata aumentada). Trata-se de uma doença benigna caracterizada pelo aumento de volume da próstata e, consequente, estreitamento e alongamento da uretra. Antigamente, a HPB era tida como a causa exclusiva dos sintomas. porém, nas últimas décadas, o entendimento que a bexiga atuando em conjunto, é responsável por grande parte dos sintomas antes atribuídos ao aumento da próstata. Inclusive, até nos anos 90 o conjunto destes sintomas foi erroneamente classificado como "prostatismo" o que transmitia que estes sintomas e complicações eram exclusivas da próstata. Porém, publicações dos anos 1990 se somaram no entendimento da HPB e desde então o termo de "prostatismo" não deve ser mais utilizado. O conjunto dos sintomas, hoje, se chama Sintomas do Trato Urinário Inferior (STUI ou o termo em inglês: low urinary tract symptoms. Esses sintomas podem ser classificados em leves, moderados ou severos. Os sinais e sintomas mais comuns são acordar a noite para urinar, micção frequente, dificuldade em começar a urinar, pouco fluxo de urina, retenção urinária ou incontinência urinária. Os mais comuns inclusive e que mais trazem impacto negativo nas vidas destes homens e suas/seus parceiras são sintomas de armazenamento da bexiga e não o jato fraco típico de uma obstrução abixo da bexiga causada pela HPB. As complicações mais comuns são infeções urinárias, cálculos na bexiga e insuficiência renal.
Medicamentos Em pessoas com sintomas mais pronunciados podem ser administrados medicamentos bloqueadores alfa, como a terazosina, ou inibidores da 5-alfarredutase como a finasterida. Em pessoas que não melhoram com outras medidas, pode ser considerada a remoção cirúrgica de parte da próstata. As medicinas alternativas, como a Serenoa repens não aparentam ser eficazes. Outra medicação recomendada em diretrizes internacionais é a tadalafila. Agonistas beta-3 e antimuscarínicos também são utilizados para alívio dos sintomas STUI.
Lift de uretra prostática chamado de urolift, jato de vapor d´àgua, chamado rezum são alguns disponíveis no Brasil e recomendados em diretrizes internacionais.
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RTU de próstata, ablação prostática a laser, adenomectomia cirúrgica aberta, video-laparoscópica pura ou robótica, enucleação prostáticas utilizando a via uretral do canal urinário, podendo ser chamada: BipolEP, HolEP, ThulEP, ThuflEP e ablaquation. A hiperplasia benigna da próstata afeta em todo o mundo 105 milhões de homens. A condição geralmente tem início depois dos 40 anos de idade. A doença afeta metade dos homens com mais de 50 anos e cerca de 90% dos homens com mais de 80 anos de idade. Embora os níveis de antígeno específico da próstata possam estar elevados em homens com a condição, a condição em si não aumenta o risco de cancro da próstata.
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Os sintomas da hiperplasia benigna da próstata são classificados como obstrutivos ou irritativos. Os sintomas obstrutivos incluem hesitância, intermitência, esvaziamento incompleto da bexiga, jato fraco de urina. Os sintomas irritativos incluem aumento da frequencia de urinar, mudança no ritmo miccional, prevalecendo no período noturno noctúria quando ocorre à noite, e urgência (necessidade de esvaziar a bexiga que não pode ser protelada). O conjunto dos sintomas obstrutivos e irritativos geralmente é classificado na literatura médica como sintomas do trato urinário inferior (LUTS). A HBP pode ser uma doença progressiva, principalmente se não for tratada. O não-esvaziamento completo da bexiga pode resultar em estase de bactérias na bexiga e dessa forma aumentar o risco de infecções do trato urinário. Pode ocorrer formação de pedras na bexiga devido à cristalização dos sais contidos na urina residual. A retenção urinária é outra forma de progressão. A retenção urinária aguda é a incapacidade de esvaziar a bexiga, enquanto a retenção urinária crônica o volume residual urinário gradualmente cresce, e a bexiga distende. Alguns pacientes que sofrem de retenção urinária crônica podem finalmente progredir para uma insuficiência renal, uma condição conhecida como uropatia obstrutiva.
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Os hormônios androgênios (testosterona e hormônios relacionados) são considerados como ajudantes do processo da hiperplasia prostática benigna pela maioria dos cientistas. Isso significa que os androgênios devem estar presentes para a doença ocorrer, mas não necessariamente a causam. Essa suposição é suportada pelo fato de que meninos castrados não desenvolvem a hiperplasia prostática benigna quando eles envelhecem, ao contrário dos homens que não foram castrados. Além disso, a administração de testosterona exógena não está associada com um aumento significativo no risco de sintomas da doença. Muitos estudos ainda precisam ser feitos para elucidar completamente as causas da hiperplasia prostática benigna.
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A avaliação inicial do homem sintomático inclui alguns exames que são fortemente recomendados pelas sociedades de especialistas. Um exame de urina, o uso de um questionário validado para uso no dia-a-dia do médico, irá classificar os sintomas em: normal, leves, moderados ou severos. Este questionário criado e validade nos anos 90 continua sendo recomendado até hoje. Chama-se Escore internacional de sintomas prostáticos o IPSS. O exame de toque retal pode revelar uma próstata nitidamente aumentada. Demora segundos para o médico examinar e ter informações importantes, tais como: tamanho e consistência da próstata. O Diário miccional é uma ferramenta de avaliação dos LUTS, recomendado pela ICS deve ser aplicado, preferencialmente, por 3 dias consecutivos, tem a finalidade de avaliar sintomas de bexiga hiperativa, poliúria noturna (quando um paciente idoso urina mais do que 1/3 do seu volume de urina de 24 horas no período da noite.
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A próstata aumenta de tamanho na maioria dos homens à medida que eles envelhecem, e de forma geral, 45% dos homens acima dos 46 anos de idade irão sofrer os sintomas da HBP se eles sobreviverem até os 70 anos de idade. As taxas de incidência aumentam de 3 casos por 1000 homens na faixa etária de 45-49 anos, para 38 casos por 1000 por na faixa etária dos 75-79 anos. Ao passo que as taxas de prevalência são de 2,7% para homens na faixa etária dos 45-49 anos, aumentando para 24% na idade dos 80 anos.
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Para além da idade, muitos outros fatores parecem estar relacionados com o aumento da próstata. Vários estudos associam o o consumo de gorduras saturadas e zinco ao aumento de uma HPB sintomática. Já o consumo de frutas aparenta ter um efeito contrário. Outros fatores relacionados ao desenvolvimento da HPB são a presença de doença cardiovascular prévia, obesidade e diabetes. Ou seja, todos os estudos recomendam o cuidado com a alimentação e controlo do peso como de extrema importância para prevenção da HPB. Para além do peso, a boa alimentação previne outras doenças também mortíferas e associadas ao crescimento da próstata como pressão alta e infarto do miocárdio. Para prevenir a HPB é recomendado que após os 40 anos de idade os homens devem procurar um urologista e a partir desta idade, fazer check-ups anuais, mesmo sem sintomas. Muitas vezes, por preconceito ou falta de informação, os homens evitam esse procedimento, mesmo com algum sintoma aparente. Quanto antes procurar um urologista, maiores as chances de resolver problemas de saúde.
O tratamento geralmente é realizado com mudanças no estilo de vida e com medicações. Casos mais sérios podem necessitar de cirurgia.
Estilo de vida
Os pacientes devem diminuir a ingestão de fluidos antes de dormir, moderar o consumo de álcool e produtos que contenham cafeína e urinar em períodos agendados. Alguns pacientes podem colocar os pés para cima no sofá se apresentam inchaço nas pernas ao final do dia, ou usar meias elásticas.
Atividade física
A atividade física pode representar uma intervenção de primeira linha viável para o tratamento da HPB. Uma revisão sistemática com metanálise da Cochrane investigou 652 homens com mais de 40 anos com sintomas moderados ou graves de LUTS. Embora os resultados sejam promissores, os autores concluíram que a evidência é de qualidade muito baixa e novos ensaios clínicos randomizados são necessários.
Medicações
Alfa-bloqueadores (antagonistas do receptor adrenérgico-α1) fornecem alivio dos sintomas da hiperplasia prostática benigna. As drogas disponíveis incluem doxazosina, terazosina, alfuzosina e tansulosina. Os alfa-bloqueadores relaxam a músculatura lisa da próstata e do colo da bexiga urinária, diminuindo o grau de bloqueio do fluxo urinário. Os alfa-bloqueadores podem fazer com que a ejaculação ocorra no interior da bexiga (ejaculação retrógrada). Os inibidores da 5α-redutase (finasterida e dutasterida) são outra opção de tratamento, porém de ação mais lenta (meses) que a dos alfa-bloquadores (semanas). Certos inibidores da fosfodiasterase (pde5) como a Tadalafila (5mg) são utilizados para tratamento da HBP. Permitem um controle sintomático e pode ser indicada para pacientes com incômodo e sintomas.
Cirurgias e Tratamento Minimamente Invasivos
Se houver sinais de descompensação da força e função da bexiga ou se houver achados nos exames com estejam relacionados com uma piorar progressiva da bexiga, pode ser indicados tratamentos cirúrgicos. Com a evolução da doença, mesmo com o tratamento medicamentoso pode haver uma piora do sintomas ou complicações da hiperplasia: cálculos de bexiga, sangramento urinário (hematúria), resíduo pós-miccional ou retenção urinária aguda (incapacidade completa de urinar). Nestes casos está indicado o tratamento cirúrgico. Stents que são implantes prostáticos tipo molas, semelhantes ao formato dos stents utilizados no coração tem a finalidade de melhorar o fluxo urinário. Apesar de uso desde os anos 1980, os stents apresentaram algumas complicações. Uma nova geração de implantes tem sido estudada nos anos 2010-2020. O único com recomendação forte pelas sociedades européia e americana é o lift de uretra prostática chamado urolift. Outras opções, recebem classificação ainda de recomendação fraca ou "em investigação"e alguns são: itind, rezum, tpla, embolização e aquablation robótica. A ICS (International Continence Society) reconhece mais de 30 opções cirúrgicas para tratar os LUTS masculinos.


