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Henrique VIII de Inglaterra

Henrique VIII foi rei da Inglaterra e da Irlanda de 1509 até sua morte, em 1547. É amplamente conhecido por seus seis casamentos e por seus esforços para obter a anulação de seu primeiro matrimônio, com Catarina de Aragão.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 16/07/2026
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Biografia

Um dia depois da execução de Ana, Henrique ficou noivo de Joana Seymour, que tinha sido uma das damas de companhia da antiga rainha. Eles se casaram dez dias depois. Joana deu à luz em 12 de outubro de 1537 um filho, o príncipe Eduardo. O parto foi difícil e ela morreu em 24 de outubro de uma infecção, sendo enterrada na Capela de São Jorge, Castelo de Windsor. A euforia que acompanhou o nascimento de Eduardo se transformou em luto, porém foi apenas com o tempo que Henrique passou a lamentar pela esposa. Na época ele se recuperou rapidamente do choque. Medidas foram tomadas para encontrar uma nova esposa para o rei, que, pela insistência de Cromwell e da corte, foram focadas no continente europeu. Com Carlos V distraído por políticas internas em seus muitos reinos e ameaças externas, e Henrique e Francisco em relações relativamente boas, questões internas passaram a ser a prioridade do rei na primeira metade da década de 1530. Por exemplo, em 1536 ele deu seu consentimento para os Atos das Leis em Gales de 1535, que legalmente anexavam o País de Gales a Inglaterra e criavam uma única nação. Seguiu-se o Segundo Decreto de Sucessão, que declarava os filhos de Henrique com Joana os próximos na linha de sucessão e declarava Maria e Isabel como ilegítimas, excluindo-as do trono. O rei também recebeu o poder de determinar a linha de sucessão à sua própria vontade, caso não tivesse mais nenhum descendente. Entretanto, Henrique ficou cada vez mais apreensivo quando Carlos e Francisco fizeram a paz em 1539. Cromwell passava ao rei uma lista constante de ameaças ao reino (reais ou imaginárias, pequenas ou grandes) e assim Henrique ficou paranoico. Enriquecido pela Dissolução dos Mosteiros, ele usou algumas de suas reservas financeiras para construir uma série de defesas costais em caso de uma invasão franco-germânica.

Início de vida

Henrique nasceu no Palácio de Placentia, terceiro filho de Henrique VII e Isabel de Iorque. Dos seus seis irmãos, apenas três – Artur, Margarida e Maria – sobreviveram à infância. Foi batizado por Ricardo Foxe, Bispo de Exeter, numa igreja franciscana próxima do palácio. Em 1493, aos dois anos de idade, Henrique foi nomeado Condestável do Castelo de Dover e Lorde Guardião dos Cinco Portos. Ele depois foi nomeado Conde Marechal da Inglaterra e Lorde-Tenente da Irlanda com três anos, entrando para a Ordem do Banho em seguida. No dia da cerimônia ele foi criado Duque de Iorque e um mês depois Lorde Guardião das Marchas Escocesas. Em maio de 1495, Henrique foi nomeado para a Ordem da Jarreteira. Ele recebeu uma educação de primeira qualidade de grandes tutores, tornando-se fluente em latim e francês, além de saber um pouco de italiano. Com exceção de alguns fatos isolados, o começo de sua vida está mal documentado já que não era esperado que se tornasse rei. Em novembro de 1501, participou nas cerimônias do casamento de seu irmão Artur com Catarina de Aragão, filha mais nova de Fernando II de Aragão e Isabel I de Castela.

Início de reinado

Henrique VII morreu em 21 de abril de 1509 e o jovem príncipe ascendeu ao trono como Henrique VIII. Logo após o enterro do pai em 10 de maio, o novo rei repentinamente declarou que se casaria com Catarina, deixando questões não resolvidas sobre a dispensa papal e uma parte faltante na porção do casamento. Henrique afirmou que era o último desejo de seu pai seu casamento com Catarina. Sendo isso verdade ou não, era certamente conveniente. Maximiliano I do Sacro Império Romano-Germânico estava tentando casar sua neta Leonor da Áustria (sobrinha de Catarina) com Henrique. Seu casamento com Catarina foi discreto e foi realizado em Placentia. Em 23 de junho de 1509, Henrique levou a esposa da Torre de Londres até a Abadia de Westminster para sua coroação, que aconteceu no dia seguinte. O evento foi grandioso: a passagem do rei foi forrada com tapeçarias de fino tecido. Depois da cerimônia, houve um grande banquete no Palácio de Westminster. Como Catarina escreveu ao pai, "nosso tempo é gasto em contínuas festas".

França e os Habsburgos

Em 1510, com uma frágil aliança com o Sacro Império Romano-Germânico na Liga de Cambrai, a França estava vencendo uma guerra contra Veneza. Henrique renovou a aliança de seu pai com Luís XII da França, uma questão que dividiu seu conselho. Certamente uma guerra contra o poder combinado das duas potências seria extremamente difícil. Pouco tempo depois, ele assinou um pacto contraditório com Fernando contra a França. O problema foi resolvido em outubro de 1511 com a criação da antifrancesa Liga Santa pelo Papa Júlio II, levando Luís a entrar em conflito com Fernando. Henrique colocou a Inglaterra na Liga Santa pouco depois, com um ataque inicial conjunto anglo-espanhol a Aquitânia planejado para a primavera. Parecia que os sonhos de Henrique começariam a se tornar realidade e ele governaria a França. A declaração formal de guerra ocorreu em abril, porém o rei não liderou pessoalmente o ataque. A ação foi um grande fracasso; Fernando a usou para alcançar seus próprios objetivos, prejudicando a aliança anglo-espanhola. Mesmo assim, os franceses rapidamente foram expulsos da Itália e a aliança ressurgiu, com os dois lados querendo outras vitórias. Henrique então realizou um golpe diplomático ao convencer o imperador a entrar na Liga Santa. Extraordinariamente, Henrique também garantiu a promessa do título de "Rei Cristianíssimo" e uma possível coroação pelo papa em Paris se Luís fosse derrotado.

Divórcio de Catarina de Aragão

Nessa época, Henrique teve um caso com Maria Bolena, dama de companhia de Catarina. Há especulações que Maria teve dois filhos de Henrique, Catarina e Henrique Carey, porém isso nunca foi provado e o rei nunca os reconheceu como havia feito com Henrique FitzRoy. Em 1525, enquanto ficava cada vez mais impaciente com a incapacidade de Catarina de gerar o herdeiro homem que tanto desejava, ele ficou enamorado com a irmã de Maria, Ana Bolena, então uma jovem carismática na comitiva da rainha. Porém, Ana resistiu as tentativas de sedução e se recusou a se tornar uma amante como a irmã. Foi nesse contexto que Henrique considerou suas três opções para conseguir seu sucessor e assim resolver aquilo que a corte passou a descrever como sua "grande questão". As opções eram legitimizar Henrique FitzRoy, que necessitaria da intervenção do papa e estaria aberto a contestações; casar Maria o mais rápido possível e esperar que um neto herdasse a coroa diretamente, porém ela era uma criança e era improvável que ficasse grávida antes da morte do rei; ou divorciar-se de Catarina de alguma forma e se casar com alguém na idade de ter filhos. Provavelmente vendo a possibilidade de se casar com Ana, a terceira alternativa foi a mais atrativa. Assim o anulamento do casamento com Catarina se tornou o maior desejo do rei.

Casamento com Ana Bolena

No inverno de 1532, Henrique se encontrou com Francisco I em Calais e pediu seu apoio para o novo casamento. Imediatamente depois de voltar para Dover, Henrique e Ana se casaram secretamente. Ela logo engravidou e houve um segundo casamento em Londres no dia 25 de janeiro de 1533. Em 23 de maio, Cranmer, julgando em uma corte especial reunida no Priorado de Dunstable para decidir sobre a validade do casamento do rei com Catarina de Aragão, declarou a união nula e sem efeito. Cinco dias depois ele declarou que o casamento de Henrique e Ana era válido. Catarina foi despojada de seus títulos de rainha, tornando-se "princesa viúva" como esposa de Artur. Ana foi coroada rainha consorte em 1 de junho de 1533. Ela deu à luz uma filha um pouco prematura em 7 de setembro do mesmo ano. A criança foi batizada de Isabel, em homenagem à mãe de Henrique, Isabel de Iorque.

Execução de Ana Bolena

As notícias de que Catarina de Aragão havia morrido chegaram ao rei e à rainha em 8 de janeiro de 1536. Henrique convocou demonstrações públicas de alegria. Ana estava grávida novamente e sabia das consequências se não conseguisse dar à luz um menino. Mais tarde no mesmo mês, janeiro, o rei caiu de um cavalo em um torneio de justas e foi seriamente ferido, parecendo por um tempo que sua vida estava em perigo. Quando as notícias do acidente chegaram até Ana, ela entrou em choque e abortou um menino de quinze semanas, exatamente no dia do funeral de Catarina, em 29 de janeiro. Para a maioria dos observadores, essa perda pessoal foi o começo do fim do casamento. Dado o desejo desesperado do rei por um herdeiro homem, a sequência de gravidezes de Ana atraiu muito interesse. O escritor Mike Ashley especulou que Ana teve dois natimortos após o nascimento de Isabel e antes do aborto do menino em 1536. A maioria das fontes falam apenas do nascimento de Isabel em setembro de 1533, um possível aborto no verão de 1534 e o aborto do menino, após quase quatro meses de gestação, em janeiro de 1536.

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Imagem pública

Henrique cultivava a imagem de um homem renascentista, com sua corte sendo o centro de escolaridade, inovação artística e glamurosos excessos, epitomizados pelo Campo do Pano de Ouro. Ele vasculhava o interior por meninos cantores, pegando alguns diretamente do coral de Wolsey, introduzindo a música renascentista na corte. Os músicos incluíam Benedict de Opitiis, Richard Sampson, Ambrose Lupo e Dionisio Memo. O próprio Henrique manteve uma considerável coleção de instrumentos; era habilidoso com o alaúde, conseguia tocar o órgão e era talentoso com o virginal. Ele podia ler partituras à primeira vista e também cantar. Era um músico completo, autor e poeta; sua composição musical mais conhecida é "Pastime with Good Company". A autoria de "Greensleeves" lhe é frequentemente atribuída, porém provavelmente é incorreta. Henrique era um ávido jogador de azar, principalmente dos dados, destacando-se nos esportes, especialmente justas, caça e jogo de palma. Era conhecido por sua forte defesa da piedade cristã.

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Governo

O poder dos monarcas da Casa de Tudor, incluindo Henrique, era "completo" e "total", como afirmavam, apenas pela graça de Deus. A coroa também podia se apoiar no uso exclusivo das outras funções que constituíam a prerrogativa real. Isso incluíam atos de diplomacia (incluindo casamentos reais), declarações de guerra, administração da moeda, publicação de perdões reais e o poder de convocar e dissolver parlamentos quando quisessem. Mesmo assim, como ficou evidente durante sua separação de Roma, o rei agia dentro de limites pré-estabelecidos, financeiros ou legais, que o forçavam a trabalhar próximo da nobreza e do parlamento. Na prática, os Tudor usavam o mecenato para manter uma corte real que incluía instituições formais como o Conselho Privado além de conselheiros informais e confidentes. Tanto a ascensão quanto a queda de nobres podia ser rápida: apesar do número frequentemente citado de 72 mil execuções durante seu reinado ser exagerado, Henrique sem dúvida executava por sua própria vontade, queimando ou decapitando duas esposas, vinte pariatos, quatro principais serventes públicos, seis criados ou amigos próximos, um cardeal e vários abades. Dentre aqueles favorecidos em qualquer momento do reinado de Henrique, alguém poderia ser geralmente indicado como principal ministro, apesar de um dos maiores debates na historiografia do período foi quais desses ministros controlavam Henrique e vice-versa. Particularmente, o historiador Geoffrey Elton discute que um dos ministros, Tomás Cromwell, liderou uma "revolução Tudor em governo" bem independente do rei, quem Elton apresenta como um participante oportunista e essencialmente preguiçoso no âmago das questões políticas e quem precisava de outros por ideias e para realizar a maior parte do trabalho. O historiador também afirma que onde Henrique interferia pessoalmente no governo do país, na maioria das vezes foi para seu detrimento. A proeminência e influência de facções na corte do rei é similarmente discutida no contexto de pelo menos cinco episódios do reinado de Henrique, incluindo a queda de Ana Bolena.

Finanças

O reinado de Henrique foi um quase desastre em termos financeiros. Apesar de ter herdado uma economia próspera (aumentando ainda mais seu tesouro confiscando as terras da igreja), seus grandes gastos e longos períodos de má administração danificaram a economia. Tinha mais de duas mil tapeçarias em seus palácios – por comparação, Jaime V da Escócia tinha apenas duzentas. Orgulhava-se de exibir sua coleções de armas, que incluíam exóticos equipamentos de tiro com arco, 2 250 peças de artilharia e 6 500 armas curtas. Ao contrário de Henrique VII que havia sido frugal e cuidadoso com o dinheiro, Henrique VIII investiu enormes fortunas. Esse dinheiro foi estimado em £ 1 250 000 (£ 375 milhões em padrões atuais). Muito dessa riqueza foi gasta para manter a corte e criadagem, incluindo muitos dos trabalhos de construção que ele realizou nos palácios reais. Os monarcas Tudor tinham que financiar os gastos do governo com suas próprias rendas. Essa renda vinha das terras da coroa que Henrique era dono além de impostos como os impostos aduaneiros, garantidos pelo parlamento por toda a vida do rei. Durante seu reinado as rendas da coroa permaneceram constantes em por volta de cem mil libras, porém foram afetadas pela inflação e o aumento de preços vindos com a guerra. Foi a guerra e suas ambições dinásticas na Europa que o fizeram acabar na década de 1520 com a fortuna reunida por seu pai. Apesar de Henrique VII ter pouco se envolvido em questões do parlamento, Henrique VIII tinha que pedir dinheiro ao parlamento, particularmente para conseguir subsídios para suas guerras. A Dissolução dos Mosteiros forneceu um meio de reabastecer o tesouro e a coroa acabou assumindo posse de terras monásticas de valor de £ 120 mil por ano. A coroa lucrou um pouco em 1526 quando Wolsey colocou a Inglaterra na padrão ouro, tendo desvalorizado o valor da moeda um pouco. Cromwell desvalorizou a moeda mais, começando na Irlanda em 1540. Como resultado, a libra inglesa ficou com metade do valor da libra flamenga entre 1540 e 1551. O lucro nominal foi significante, ajudando a nivelar os gastos com a renda, porém teve um efeito catastrófico na economia geral do país. Parcialmente ajudou a trazer um período de altas inflações a partir de 1544.

Reforma religiosa

Henrique é geralmente creditado por iniciar a Reforma Inglesa – o processo de transformação da Inglaterra de um país católico para um protestante – apesar de ser contestado seu progresso através da elite e das massas, com a exata narrativa não sendo totalmente aceita. Certamente em 1527, Henrique até então um católico obediente e bem informando, apelou ao papa pelo anulamento de seu casamento com Catarina. Nenhum anulamento foi conseguido em parte por causa do controle que Carlos V exercia sobre o papado. A narrativa tradicional diz que essa recusa iniciou a rejeição de Henrique da supremacia papal (que anteriormente ele defendeu), apesar do historiador Albert Pollard discutir que, mesmo que não tivesse precisado do divórcio, o rei poderia ter rejeitado o controle papal por motivos inteiramente políticos.

Exército

Excluindo as guarnições de Berwick-upon-Tweed, Calais e Carlisle, o exército fixo da Inglaterra era formado por apenas algumas centenas de homens. Esse número cresceu pouco no reinado de Henrique. A força de invasão de 1513 possuía cerca de trinta mil homens, compostos por bisarmeiros e arqueiros, em uma época que outras nações europeias estavam mudando para arcabuzeiros e piqueiros. A diferença de capacidade nesse momento não era grande e as forças de Henrique tinham armas e armaduras novas. Eles também eram apoiados por artilharia de campo, uma invenção relativamente nova, com várias máquinas de cerco grandes e caras. A força de invasão de 1544 estava similarmente bem equipada e organizada, apesar do comando das forças ter sido entregue a Carlos Brandon e Tomás Howard, duques de Suffolk e Norfolk respectivamente, que no caso do segundo produziu resultados desastrosos em Montreuil.

Irlanda

A Irlanda estava dividida em três zonas no início do reinado de Henrique: o Pale, onde o domínio inglês era incontestável; Leinster e Munster, as chamadas "terras obedientes" da pariatos anglo-irlandeses; e Connacht e Ulster, com o domínio inglês sendo meramente nominal. Henrique continuou até 1513 a política de seu pai de permitir que lordes irlandeses governassem em nome do rei e aceitassem acentuadas divisões entre as comunidades. Entretanto, a política fracionária irlandesa junto com a ambição de Henrique causaram problemas logo após a morte de Geraldo FitzGerald, 8.º Conde de Kildare, o governador da Irlanda. Quando Tomás Butler, 7.º Conde de Ormond também morreu, o rei reconheceu um sucessor para suas terras inglesas, galesas e escocesas, enquanto que as irlandesas ficaram sob controle de outro. O sucessor de FitzGerald, também chamado Geraldo, foi substituído como Lorde Tenente da Irlanda por Tomás Howard, 2.º Duque de Norfolk em 1520. As ambições de Howard eram altas, porém ineficientes; o domínio inglês ficou preso entre conquistar os lordes irlandeses pela diplomacia, como queriam Henrique e Wolsey, ou através de uma grande ocupação militar como proposto por Howard. Ele foi destituído no ano seguinte e Piers Butler – um dos reivindicantes ao Condado de Ormond – foi colocado em seu lugar. Butler não conseguiu controlar a aposição, incluindo a de FitzGerald. O conde foi nomeado governador chefe em 1524, continuando sua disputa com Butler, que anteriormente estava em uma calmaria. Enquanto isso, o pariato anglo-irlandês Jaime FitzGerald, 10.º Conde de Desmond, passou a apoiar Ricardo de la Pole como pretendente ao trono inglês; quando o Conde de Kildare não conseguiu tomar ações apropriadas contra o Conde de Desmond, o primeiro foi retirado de seu cargo.

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Historiografia

As complexidades e enorme escala do legado de Henrique garantiram que, nas palavras dos historiadores Thomas Betteridge e Thomas S. Freeman, "através dos séculos [desde sua morte], Henrique foi elogiado e injuriado, porém ele nunca foi ignorado". Um foco particular da historiografia moderna foi até que ponto certos eventos da vida do rei (incluindo seus casamentos, política externa e mudanças religiosas) foram o resultado de iniciativa própria e, se foram, se elas foram o resultado de oportunismo ou de um compromisso com princípios por Henrique. A interpretação tradicional desses eventos veio em 1902 pelo historiador Albert Pollard, que apresentou sua própria visão positivista do monarca, "[louvando-o] como o rei e estadista que, não importando suas falhas pessoais, levou a Inglaterra pela estrada da democracia parlamentar e do império". A interpretação de Pollard, que era amplamente comparável às publicações de lorde Eduardo Herbert, 1.º Barão Herbert de Cherbury, no século XVII e seus contemporâneos, permaneceram a principal interpretação da vida de Henrique até a publicação das teses de G. R. Elton em 1953. Essa tese manteve a interpretação positiva de Pollard do período Henriqueano como um todo, porém reinterpretou Henrique como um seguidor do que um líder. Para Elton, foi Cromwell quem realizou as mudanças no governo – o rei era astuto, porém não tinha visão para seguir um plano complexo. Em outras palavras, o rei era pouco mais que uma "monstruosidade egocêntrica" cujo reinado "deve seus sucessos e virtudes a homens melhores e maiores que ele; a maioria dos horrores e fracassos vieram mais diretamente de [Henrique]".

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Títulos, estilos e brasões

Muitas mudanças foram feitas ao estilo real durante o reinado de Henrique. Ele originalmente era "Henrique Oitavo, pela Graça de Deus, Rei da Inglaterra e França e Lorde da Irlanda". Em 1521, em conformidade com uma concessão do Papa Leão X recompensado Henrique por seu Defesa dos Sete Sacramentos, o estilo real passou a ser "Henrique Oitavo, pela Graça de Deus, Rei da Inglaterra e França, Defensor da Fé e Lorde Irlanda. Após sua excomungação, o Papa Paulo III retirou o título de "Defensor da Fé", porém um decreto parlamentar declarou que ele ainda permanecia válido e seu uso permanece até hoje. O lema de Henrique era "Couer Loyal" ("coração leal") e ele o bordava em suas roupas na forma do símbolo de um coração e a palavra "loyal". Seu emblema era a Rosa de Tudor e a ponte levadiça dos Beaufort. Como rei, seu brasão era aquele usado por seus predecessores desde Henrique IV: esquartelado; I e IV azure, três flores-de-lis or (pela França); II e III goles, três leões passant guardant or em pala (pela Inglaterra).

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Fontes consultadas

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