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Henrique III de Inglaterra

Henrique III, também conhecido como Henrique de Winchester, foi o Rei da Inglaterra, Lorde da Irlanda e Duque da Aquitânia de 1216 até à sua morte. Filho do rei João da Inglaterra e de Isabel de Angolema, Henrique assumiu o trono com apenas nove anos de idade no meio da Primeira Guerra dos Barões. O cardeal Guala Bacchieri declarou que a guerra contra os barões rebeldes era uma cruzada religiosa, e as forças reais lideradas por Guilherme Marechal derrotaram os rebeldes em 1217 nas batalhas de Lincoln e Sandwich. Henrique prometeu respeitar a Magna Carta de 1215, que limitava o poder real e protegia os direitos dos grandes barões. O início do seu reinado foi dominado primeiramente por Humberto de Burgh e depois por Pedro des Roches, que restabeleceram a autoridade real depois da guerra. Uma revolta liderada por Ricardo Marechal, filho de Guilherme, começou em 1232 e terminou com um acordo de paz negociado pela Igreja.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 13/07/2026
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Infância

Henrique nasceu no Castelo de Winchester em 1 de outubro de 1207. Era o filho mais velho do rei João da Inglaterra e Isabel de Angolema. Pouco se sabe sobre seu início de vida. Foi inicialmente criado no Sul da Inglaterra por uma ama de leite chamada Ellen, longe da corte itinerante de João, provavelmente tendo relações próximas com a mãe. Henrique tinha quatro irmãos legítimos – Ricardo, Joana, Isabel e Leonor – e vários ilegítimos. Sua educação ficou com Pedro des Roches, Bispo de Winchester, em 1212; sob sua direção, Henrique recebeu treinamento militar com Filipe D'Aubigny e aprendeu a cavalgar, provavelmente com Rogério de St Samson. Tampouco se sabe sobre sua aparência: ele provavelmente tinha por volta de 1,68 m de altura, com relatos registrados após sua morte sugerindo que tinha uma constituição forte e uma queda da pálpebra.[nota 1] Henrique ocasionalmente mostrava relances de um temperamento feroz, porém o historiador David Carpenter o descreve em sua maior parte do tempo como possuindo uma personalidade "amável, fácil e simpática". Era inalterado e honesto, mostrando suas emoções facilmente e caindo às lágrimas por sermões religiosos.

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Minoridade

Coroação

Quando João morreu, Henrique estava em segurança no Castelo de Corfe em Dorset junto com a mãe. João, em seu leito de morte, nomeou treze executores para ajudar Henrique a reconquistar seu reino, pedindo para que o filho fosse colocado sob a tutela de Guilherme Marechal, um dos cavaleiros mais famosos da Inglaterra. Os líderes realistas decidiram coroar Henrique imediatamente para reforçar sua reivindicação ao trono e legitimidade.[nota 3] Guilherme o fez cavaleiro e o cardeal Guala Bicchieri, legado papal, supervisionou a cerimônia de coroação que ocorreu no dia 28 de outubro na Catedral de Gloucester. Na ausência dos arcebispos da Cantuária e Iorque, ele foi ungido pelos bispos de Worcester e Exeter e coroado por Pedro des Roches. A coroa real havia sido vendida ou perdida durante a guerra civil, então a cerimônia usou uma simples coroa de ouro pertencente à rainha Isabel.

Fim da Guerra dos Barões

A guerra não estava indo bem para os realistas e o novo governo regencial considerou uma retirada da Irlanda. Entretanto, Luís e os rebeldes também estavam enfrentando dificuldades para avançar. Apesar de controlar a Abadia de Westminster, Luís não podia ser coroado porque a Igreja da Inglaterra e o papado apoiavam Henrique. A morte de João havia atrapalhado algumas das preocupações rebeldes, com castelos reais se mantendo em partes ocupadas do país. Tentando tirar vantagem disso, Henrique encorajou os barões a voltarem para sua causa em troca do retorno de suas terras, relançando uma versão da Magna Carta, embora tendo removido algumas cláusulas incluindo aquelas desfavoráveis ao papado. A ação não foi bem sucedida e a oposição ao novo governo do rei endureceu.

Restaurando a autoridade real

O governo de Henrique enfrentou a tarefa de restabelecer a autoridade real em grandes parte do país após o fim da guerra civil. Ao final de 1217, muitos antigos barões rebeldes estavam constantemente ignorando instruções do governo central e mesmo os apoiadores de Henrique mantiveram o controle independente dos castelos reais. Espalharam-se fortificações construídas ilegalmente, chamadas castelos adulterinos. A rede dos xerifes dos condados havia desmoronado junto com a habilidade de arrecadar impostos e receber receitas reais. O poderoso príncipe galês Llywelyn ap Iorwerth era uma grande ameaça em Gales e nas fronteiras. Guilherme, apesar do sucessor em vencer a guerra, teve menos sucesso em restaurar o poder real após a paz. Isso ocorreu em parte porque ele não conseguiu oferecer patronages significantes, apesar dos barões realistas esperarem serem recompensados.[nota 8] Guilherme tentou reforçar os direitos tradicionais da coroa para aprovar casamentos e tutelas, porém teve pouco sucesso. Mesmo assim, ele não conseguiu reconstituir o corpo de juízes e abrir o tesouro real. O governo publicou a Carta da Floresta, que tentava reformar o governo real das florestas. A regência e Llywelyn chegaram a um acordo no Tratado de Worcester de 1218, porém seus termos generosos – Llywelyn efetivamente se tornou o justiceiro de Henrique em Gales – salientaram a fraqueza da coroa inglesa.

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Início de reinado

Invasão da França

Henrique assumiu formalmente o controle de seu governo em janeiro de 1227, apesar de alguns contemporâneos afirmarem que ele ainda era legalmente um menor até seu vigésimo primeiro aniversário no ano seguinte. O rei recompensou Humberto de Burgh por seus serviços durante sua minoridade, transformando-o no Conde de Kent e lhe dando vastas terras na Inglaterra e Gales. Henrique, mesmo chegando na idade adulta, ainda foi muito influenciado por seus conselheiros durante os primeiros anos de seu reinado, mantendo Humberto como justiceiro para cuidar do governo e garantindo-lhe o posto para toda a vida. O destino de suas terras familiares na França ainda permanecia incerto. Reivindicar essas terras era extremamente importante para Henrique, que usava termos como "reivindicar minha herança", "restaurar meus direitos" e "defender meus direitos legais" nos territórios em suas correspondências diplomáticas. Entretanto, os reis franceses tinham uma vantagem financeira e militar cada vez maior sobre Henrique. Mesmo durante o reinado de João, a coroa francesa tinha uma vantagem de recursos, mesmo que pequena, e desde então a diferença aumentou, com a receita anual dos reis franceses praticamente dobrando entre 1204 e 1221.

Revolta de Ricardo Marechal

Humberto de Burgh perdeu o poder em 1232. Pedro des Roches, seu antigo rival, voltou das cruzadas em agosto de 1231, rapidamente aliando-se com os cada vez maiores oponentes políticos de Humberto. Ele foi até Henrique dizendo que o justiceiro havia desperdiçado dinheiro e terras reais, sendo responsável por uma série de revoltas contra clérigos estrangeiros. Humberto refugiou-se na Capela de Merton College, porém o rei o prendeu e o colocou na Torre de Londres. Pedro tomou o governo, apoiado por uma facção baronial poitevina na Inglaterra que viu a situação como uma oportunidade de recuperar terras perdidas para os seguidores de Humberto nas últimas décadas.

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Henrique como rei

Governo e leis

O governo real da Inglaterra era tradicionalmente centralizado em vários grandes cargos de estado, ocupados por membros poderosos e independentes da baronagem. Henrique abandonou essa política, deixando o posto de justiceiro vacante e diminuindo a importância da posição de chanceler. Um pequeno conselho real foi formado, porém seu papel não era bem definido; nomeações, patronages e políticas eram decididas pessoalmente pelo rei e seus conselheiros imediatos ao invés de grandes conselhos como havia acontecido em seus primeiros anos. As mudanças dificultaram para aqueles fora do círculo influenciarem a política ou irem atrás de queixas legítimas, particularmente contra os amigos de Henrique.

Corte

A corte real era formada pelos amigos de confiança de Henrique, como Ricardo de Clare, os irmãos Hugo e Rogério Bigot, Humberto de Bohun e Ricardo da Cornualha, irmão do rei. Ele queria usar sua corte para unir seus súditos ingleses e continentais, incluindo também Simão de Montfort, originalmente um cavaleiro francês que casou com Leonor, irmã de Henrique, e se tornou Conde de Leicester, além dos influxos posteriores dos parentes Lusinhão e saboianos. A corte seguia as tradições e estilos europeus, sendo influenciada pelas tradições angevinas de Henrique: francês era a língua falada e era bem próxima das cortes da França, Castela, Sacro Império Romano-Germânico e Sicília, com o rei patrocinando os mesmos escritores como outros governantes europeus.

Religião

Henrique era conhecido por demonstrações públicas de piedade, aparentemente sendo genuinamente devoto. Ele promoveu ricos e luxuosos serviços religiosos e, pouco comum para o período, costumava celebrar a missa pelo menos uma vez ao dia.[nota 15] Ele contribuía generosamente a causas religiosas, pagando pela alimentação de quinhentos indigentes todos os dias e ajudando órfãos. Ele jejuava antes de comemorar banquetes a Eduardo, o Confessor, e pode ter lavado os pés de leprosos. Henrique partia regularmente em peregrinações, particularmente para as abadias de Bromholm, St Albans e Walsingham, apesar de aparentemente ter usado as peregrinações em certas ocasiões como desculpa para evitar ter de lidar com urgentes problemas políticos.

Judeus

Os judeus da Inglaterra eram considerados propriedade da Coroa e tradicionalmente eram usados como fonte de empréstimos baratos e fácil taxação, em troca tinham proteção real contra o antissemitismo. Os judeus sofreram considerável opressão durante a Primeira Guerra dos Barões, porém nos primeiros anos de Henrique a comunidade floresceu e se tornou uma das mais prósperas da Europa. Isso foi uma postura do governo regencial, que tomou medidas para proteger os judeus e encorajar empréstimos. Isso ocorreu por interesses financeiros próprios, já que conseguiriam lucrar consideravelmente com uma comunidade judaica forte. A política ia de encontro com instruções do papa, que criara medidas rígidas antijudaicas no Quarto Concílio de Latrão em 1215; Guilherme Marechal continuou com sua política apesar das reclamações da igreja.

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Reinado pessoal

Casamento

Henrique investigou uma grande variedade de parceiras em potencial para um casamento em sua juventude, porém todas mostraram-se inadequadas por motivos de políticas internas e europeias.[nota 20] Ele finalmente se casou em 1236 com Leonor da Provença, filha de Raimundo Berengário IV, Conde da Provença. Leonor era bem educada, culta e articulada, porém a principal razão do casamento foi política, já que Henrique queria criar uma conjunto valioso de alianças com governantes do sul e sudoeste da França. Leonor emergiu nos anos seguintes como uma política firme e cabeça-dura. Os historiadores Margaret Howell e David Carpenter a descrevem como sendo "mais combativa" e "bem mais dura e determinada" que seu marido.

Poitou e Lusinhão

Em 1241, os barões de Poitou, incluindo Hugo de Lusinhão, o padrasto de Henrique, rebelaram-se contra o rei Luís. Os rebeldes contavam com a ajuda de Henrique, porém ele não tinha apoio interno e estava lento para mobilizar um exército, chegando na França apenas no verão seguinte. Sua campanha hesitou e foi minada por Hugo mudando de lado e voltando a apoiar Luís. Em 20 de maio, o exército de Henrique foi cercado pelos franceses em Taillebourg; Ricardo, irmão do rei inglês, persuadiu os franceses a adiar o ataque e Henrique aproveitou para fugir até Bordéus. Simão de Monforte, que lutou uma ação de retaguarda bem sucedida durante a retirada, ficou furioso com a incompetência do rei e disse que ele deveria ser preso como o rei carolíngio Carlos, o Simples. A rebelião em Poitou ruiu e Henrique entrou em nova trégua de cinco anos; sua campanha foi um desastre e custou mais de £ 80 000.

Gales, Irlanda e Escócia

A posição de Henrique em Gales se fortaleceu nas duas primeiras décadas de seu reinado pessoal. Após a morte de Llywelyn em 1240, o poder do rei cresceu. Três campanhas militares foram realizadas na década de 1240, novos castelos foram construídos e as terras reais em Cheshire foram expandidas, aumentando o domínio de Henrique sobre os príncipes galeses. Dafydd, filho de Llywelyn, resistiu as incursões mas morreu em 1246, com Henrique confirmando no ano seguinte o Tratado de Woodstock com Owain Goch ap Gruffydd e Llywelyn ap Gruffudd, netos de Llywelyn, em que eles cediam terras ao rei enquanto mantinham o coração do Reino de Venedócia. No Sul de Gales, Henrique gradualmente estendeu sua autoridade pela região, entretanto as campanhas não foram perseguidas com vigor e ele fez pouco para impedir que os territórios ao longo da fronteira se tornassem cada vez mais independentes da coroa. Porém, Llywelyn ap Gruffudd rebelou-se contra Henrique em 1256 com violências generalizadas espalhando-se por Gales; o rei prometeu uma resposta militar mas não cumpriu as ameaças.

Estratégia europeia

Henrique não teve outras oportunidades para reconquistar suas possessões na França após a derrota em Taillebourg. Seus recursos eram bem inadequados comparados àqueles da coroa francesa, e no final da década de 1240 ficou claro que Luís havia se tornado a potência predominante na França. Henrique acabou adotando aquilo que o historiador Michael Clanchy descreveu como "estratégia europeia", tentando reconquistar suas terras francesas através da diplomacia do que pela força, construindo alianças com outros estados e preparando para colocar pressão em Luís. Particularmente, ele cultivou Frederico II, esperando que o imperador fosse virar-se contra o rei francês ou permitir que sua nobreza entrasse nas campanhas de Henrique. Sua atenção no processo ficou cada vez mais focada nas políticas e eventos europeus do que em questões internas inglesas.

Negócios na Sicília

Henrique não abandonou suas esperanças para uma cruzada, porém tornou-se cada vez mais absorvido em uma tentativa de adquirir o rico Reino da Sicília para seu filho Edmundo. A Sicília havia sido controlada por Frederico II do Sacro Império Romano-Germânico, rival de muitos anos do papa Inocêncio IV. Quando Frederico morreu em 1250, o papa começou a procurar um novo governante, um que fosse especialmente mais favorável ao papado. Henrique via o reino tanto como um valioso prêmio para seu filho quanto uma excelente base para iniciar cruzadas rumo ao oriente. Ele, praticamente sem consultar sua corte, chegou a um acordo com o papa em 1254 que Edmundo seria o próximo rei. Inocêncio pediu para Henrique enviar Edmundo com um exército para retomar a Sicília de Manfredo, filho de Frederico, oferecendo-se para contribuir com as despesas da campanha.

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Reinado posterior

Revolução

Em 1258, os barões ingleses se revoltaram contra Henrique. A raiva cresceu sobre o modo como os oficiais do rei estavam arrecadando fundos, a influência dos poitevinos na corte e sua impopular polícia na Sicília; até a Igreja da Inglaterra tinha reclamações sobre o tratamento que recebia de Henrique. Os galeses ainda estavam em revolta e agora aliavam-se com os escoceses. Ele também estava com pouco dinheiro; apesar de ainda ter algumas reservas de ouro e prata, elas não eram suficientes para cobrir suas potenciais despesas, incluindo a campanha na Sicília e a dívida ao papado. Críticos sugeriam que Henrique nunca teve a intenção de se juntar às cruzadas e que estava na verdade querendo lucrar da coleta dos dízimos cruzados. Para agravar a situação, as colheitas da Inglaterra foram ruins. Existia um forte sentimento na corte que o rei seria incapaz de liderar o reino durante esses problemas.

Crise

Nem Henrique ou os barões conseguiram restaurar a estabilidade na Inglaterra nos quatro anos seguintes, com o poder alternando entre diferentes facções. Entretanto, uma das prioridades do novo regime era acertar a duradoura disputa com a França e, em 1259, Henrique e Leonor foram para Paris negociar os detalhes finais de um acordo de paz com Luís, escoltados por Simão e grande parte do governo baronial. Sob os termos do tratado, Henrique abriu mão das reivindicações de suas terras no norte da França, porém foi confirmado como o legítimo governante da Gasconha e vários outros territórios no sul, prestando homenagem e reconhecendo Luís como seu senhor feudal dessas possessões.

Segunda Guerra dos Barões

Simão voltou para a Inglaterra em abril de 1263 e reuniu um conselho dos barões rebeldes em Oxford para perseguir objetivos anti-poitevinos. A revolta estourou pouco depois nas Bordas Galesas e o reino entrou em uma nova guerra civil em outubro entre Henrique, apoiado por Eduardo, Hugo Bígodo e outros barões conservadores, contra Simão, Gilberto e os radicais. O casal real ficou preso na Torre de Londres pelos rebeldes; Leonor tentou fugir pelo Tâmisa para juntar-se às forças de Eduardo em Windsor, porém foi forçada a recuar pelas multidões. Simão fez os dois prisioneiros e os rebeldes substituíram completamente o governo real e criadagem com seus próprios homens, apesar de afirmarem que estava governando em nome de Henrique.

Reconciliação e reconstrução

Henrique rapidamente se vingou de seus inimigos após a Batalha de Evesham. Ele imediatamente ordenou o sequestro de bens de todas as terras dos rebeldes, iniciando uma onda de saques caóticos por todo o país. Henrique foi inicialmente contra qualquer moderação, porém foi persuadido em outubro de 1266 por Otobuono de' Fieschi, legado papal, a ser menos dracônico, publicando o Dícto de Kenilworth, que permitia o retorno das terras rebeldes em troca de pagamentos e severas multas. Seguiu-se o Estatuto de Marlborough em novembro de 1267, que efetivamente republicou grande parte das Provisões de Westminster, colocando limitações nos poderes de oficiais reais locais e dos barões, porém sem restringir a autoridade real central. Henrique havia feito o Tratado de Montgomery em setembro com Llywelyn, reconhecendo-o como Príncipe de Gales e entregando substanciais concessões de terras.

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Morte

Eduardo partiu em 1270 para a Oitava Cruzada, liderada por Luís, porém Henrique ficou cada vez mais doente; cresceram as preocupações de uma nova rebelião e o rei escreveu ao filho no ano seguinte pedindo sua volta, porém Eduardo não retornou. Henrique se recuperou um pouco e anunciou suas renovadas intenções de seu juntar as cruzadas, porém nunca conseguiu ficar com a saúde completa e acabou morrendo na tarde de 16 de novembro de 1272 em Westminster, provavelmente com Leonor ao seu lado. Ele foi sucedido por Eduardo, que lentamente voltou para a Inglaterra através da Gasconha, chegando apenas em agosto de 1274. Henrique foi enterrado na Abadia de Westminster originalmente em frente do altar-mor, seguindo seu pedido, no antigo lugar de descanso de Eduardo, o Confessor.[nota 24] Trabalhos começaram em uma tumba muito maior alguns anos depois e Eduardo moveu o corpo do pai em 1290 para sua atual localização dentro da abadia. Sua efígie funerária foi produzida com latão dourado, tendo sido projetada e forjada nos terrenos da abadia por Guilherme Torell; diferentemente de outras efígies do período, é em um estilo particularmente realista, porém provavelmente não é muito parecida em aparência com o próprio Henrique.

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Legado

Historiografia

As primeiras histórias do reinado de Henrique emergiram durante os séculos XVI e XVII, dependendo principalmente de relatos de crônicos medievais, particularmente dos trabalhos de Rogério de Wendover e Mateus de Paris. Esses primeiros historiadores foram influenciados por preocupações contemporâneas sobre os papéis da igreja e do estado, examinando a mudança de natureza da monarquia sob Henrique, o surgimento do nacionalismo inglês durante o período e aquilo que foi visto como a influência maligna do papado. Historiadores durante a Guerra Civil Inglesa também traçaram paralelos entre as experiências de Henrique e aquelas do deposto e executado Carlos I.

Cultura popular

A vida de Henrique foi representada em uma série de ilustrações desenhadas e coloridas pelo cronista Mateus de Paris, a maioria feitas nas margens de sua Cronica Majora. Mateus encontrou Henrique pela primeira vez em 1236 e teve uma longa relação com o rei, apesar do crônico não gostar de muitas das ações do monarca; consequentemente, suas ilustrações são frequentemente pouco lisonjeiras para com o rei. Henrique foi também representado na poesia de seu contemporâneo italiano Dante Alighieri, que o representou em sua obra Divina Comédia como um exemplo de governante negligente, sentando sozinho no Purgatório do lado oposto a outros reis fracassados. Não se sabe exatamente porque ele é mostrado separado de seus contemporâneos; possíveis explicações incluem que isso foi um código que Alighieri usou para dizer que a Inglaterra não era parte do Sacro Império Romano-Germânico. Diferentemente de outros reis medievais, Henrique não apareceu nas obras de William Shakespeare no século XVI e não foi o sujeito de muitos filmes, peças teatrais ou séries televisivas no período moderno, tendo uma presença e papel mínimos na cultura popular.

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Descendência

Henrique e Leonor tiveram cinco filhos:[nota 25] Henrique não teve nenhum filho ilegítimo.

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Fontes consultadas

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