Henrique II de França
Henrique II foi o Rei da França de março de 1547 até sua morte. Segundo filho de Francisco I, tornou-se Delfim de França após a morte de seu irmão mais velho Francisco III, Duque da Bretanha, em 1536. Foi casado com Catarina de Médici, da Casa de Médici, com quem teve dez filhos.
Imagem: Pedro Ribeiro Simões from Lisboa, Portugal · BY · Openverse
Membro da Dinastia de Valois. Rei de França de 31 de março de 1547 até à sua morte, coroado em Reims a 25 de julho de 1547. Filho de Francisco I de França e de Cláudia de França, Duquesa da Bretanha. Antes de subir ao trono, foi Duque de Orléans e duque de Angoulême até 1536 e em 1536 Delfim du Viennois ou Delfim de França até subir ao trono, em 1539 duque da Bretanha. Não há como desvincular o nome de Henrique II ao de Diane de Poitiers (a caçadora), devido ao profundo e duradouro laço que os uniu por toda a vida.
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A rainha Cláudia, mãe de Henrique, faleceu em meio a um período de muitas guerras. Os exércitos de Carlos de Bourbon derrotaram totalmente os franceses em Pavia, na Itália, no dia 10 de março de 1525. Francisco I de França, que comandava o próprio exército, foi feito prisioneiro e encarcerado numa cela na amedrontadora fortaleza de Alcazar, na periferia de Madri. Em janeiro de 1526 foi concluído o tratado de Paz de Madri, entre a França derrotada e o imperador Carlos V, mas os termos eram tão severos que todo o país se uniu atrás de seu rei derrotado, e numerosos cidadãos se ofereceram como voluntários para partilhar da prisão do rei. A França foi obrigada a ceder a Borgonha e Milão ao imperador, e a Provença para a Carlos de Bourbon. Como garantia de que Francisco manteria a paz quando voltasse à França, os dois filhos mais velhos, deveriam ser enviados como reféns a Madri por um período indeterminado. Assim, Francisco I foi liberado em 1526 pela assinatura do Tratado de Madri e seus dois filhos, Francisco e Henrique, ficaram presos em seu lugar desde março de 1526.
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Seu reinado está marcado pela perseguição aos protestantes franceses (huguenotes) e por guerras com Áustria. Henrique II foi ávido caçador e frequentador de torneios e por essa paixão morreria. Ficou famosa sua ligação a Diana de Poitiers, pela qual sentia fascínio. Tinha 14 anos quando, em 1533, se apaixonou por ela, vinte anos mais velha, esposa do condestável Louis de Brézé. Diana se encarregou de sua educação sentimental e exerceu forte influência, mesmo quando foi rei. A florentina Catarina de Médicis, com quem se casou meses mais tarde, acomodou-se à situação, recebendo, mesmo, conselhos de Diana, que a tratava com consideração. Catarina, ao nascer, perdera sua mãe, Madalena de La Tour de Auvérnia, morta de sobreparto. O pai morreu tuberculoso, semanas depois. Era sobrinha neta do papa Leão X e de seu sucessor o papa Clemente VII, também Médicis, com o qual Francisco I desejava se aliar, restaurando a paz entre a França e o papado. Clemente VII realizou uma missa suntuosa, deu-lhe um banquete seguido de baile de máscaras. Morreu em 1534 - e seu sucessor no papado abandonou a França em favor dos Habsburgos.
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A 28 de Outubro de 1533 Henrique casou em Marselha com Catarina de Médici, nascida em Florença em 13 de abril de 1519 e falecida em 5 de janeiro de 1589 em Blois, Loir-et-Cher; está sepultada na abadia de St. Denis. Era condessa de Boulogne e e Auvergne, Duquesa ou princesa de Urbino, e seria regente da França. Única filha de Lourenço II de Médici, Duque de Urbino, com Madalena de La Tour de Auvérnia - a qual, pela mãe (Joana de Bourbon-Vendôme, casada com João III de Auvérnia) pertencia à Casa Real da França. Órfã desde bebê, com apenas semanas de idade, Catarina foi casada ao completar 13 anos já que Francisco I, para prejudicar projetos do Imperador Carlos V e conseguir a amizade do Papa Clemente VII (tio de Catarina, como dissemos) negociou seu casamento com seu segundo filho Henrique. Clemente VII veio a Marselha para a cerimônia do casamento. A morte do papa, em 1534, roubou de Francisco I as vantagens políticas da união. Mas, como era inteligente e culta, Catarina se aproximou do sogro.
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Desejando continuar a política do pai, deixou-se aconselhar por Francisco de Guise, duque de Guise, e Carlos de Guise, arcebispo de Reims. Sua política externa foi agressiva, em 1549 quis retomar Boulogne dos ingleses, que a detinham há cinco anos, o que conseguiu em 1550 pois os ingleses preferiram entregá-la a enfrentar uma invasão por Montmorency. Valois e Habsburgos se enfrentaram desde 1519, de modo que para evitar o perigo representado pelo imperador Carlos V, a França intensificou relações com o sultão Solimão da Turquia, com os príncipes alemães protestantes, com a Escócia (de onde virá Mary Stuart, esposa de seu filho, o futuro Francisco II) em luta contra a Inglaterra, com a Suíça. Como os riscos de uma invasão só podiam vir do nordeste, Henrique II preparo um plano: faz-se nomear vigário do Império pelos príncipes alemães no Tratado de Chambord de 15 de Janeiro de 1552, assegurando a proteção dos bispados de Toul, Metz e Verdun. Deixando a regência com Catarina, o rei parte em 2 de Abril de 1552 e chega a Toul, que não oferece resistência. As chaves de Metz são entregues em 10 de Abril, depois de sitiada a cidade. Outras cidades importantes como Nancy ou Verdun ficam sob controle francês.
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Continua a repressão do final do reino do pai Henrique II, encorajado por Diana de Poitiers, cria de uma câmara especial encarregada de combater os reformados, mais tarde apelidada «câmara ardente», por enviar à fogueira os que condena. Diversos editos em 1551 e 1559 regulamentam com firmeza as relações com os protestantes e a punição dos surpreendidos a exercer seu culto, ou toda pessoa que com eles mantenha contacto. Na corte as tendências se equilibram entre os tolerantes e os intransigentes, no que diz respeito aos reformados. Com o final das guerras, melhoraram as finanças e, economicamente, os franceses conhecerão uma expansão duradoura. O rei favorecera igualmente a expansão das artes, construção de monumentos, e os artistas incorporarão, em sua expressão, a herança da Antiguidade.
Para evitar ser acusado de feitiçaria pela Inquisição, Nostradamus, contemporâneo de Henrique II, previu e escreveu, em linguagem metafórica, numa mistura desconcertante de anagramas, símbolos, francês antigo, latim e outras línguas, como se daria a morte do rei. Ele tentou alertar Catarina de Médicis, sua esposa, sobre o acidente que em breve ocorreria com o seu marido, mas esta preferiu se calar. Essa confusão propositada tem originado uma curiosa e variada série de interpretações das suas profecias. Sobre Henrique II de França ele escreveu:.mw-parser-output .flexquote{display:flex;flex-direction:column;background-color:#F1F1F1;border-left:3px solid #C7C7C7;font-size:100%;margin:1em 4em;padding:.4em .8em}.mw-parser-output .flexquote>.flex{display:flex;flex-direction:row}.mw-parser-output .flexquote>.flex>.quote{width:100%}.mw-parser-output .flexquote>.flex>.separator{border-left:1px solid #C7C7C7;border-top:1px solid #C7C7C7;margin:.4em .8em}.mw-parser-output .flexquote>.cite{text-align:right}@media all and (max-width:600px){.mw-parser-output .flexquote>.flex{flex-direction:column}}@media screen{html.skin-theme-clientpref-night .mw-parser-output .flexquote{background-color:transparent}}@media screen and (prefers-color-scheme:dark){html.skin-theme-clientpref-os .mw-parser-output .flexquote{background-color:transparent}}
Henrique II organizou grandes festas em Paris em 30 de Junho de 1559 para comemorar dois casamentos: o de sua irmã Margarida com Emanuel Felisberto, duque de Saboia, e o de Isabel, sua filha, com Filipe II de Espanha. A multidão chegou ao Hôtel des Tournelles para assistir ao torneio, em que o rei venceu os duques de Nemours e o de Guise. Contente, quis um terceiro assalto. O dia estava cheio de maus presságios, Catarina estava perturbada com as previsões de Nostradamus. Nostradamus predisse uma morte atroz. O adversário do rei era Gabriel de Montgomery (1530-1574) capitão de sua Guarda Escocesa, Conde de Lorge. Diana de Poitiers assistia o torneio totalmente apreensiva e preocupada, chegando a pedir a Henrique que desistisse. Henrique insistiu e foi adiante. Os dois se chocaram com violência, o rei quase cai, e, furioso, exige um segundo desafio. Montgomery quer se declarar vencido, a rainha suplica-lhe não continuar. Diana de Poitiers também interfere pedindo-lhe para não seguir. Henrique não muda de posição. A lança do escocês penetra na viseira de seu elmo, perfurou seu olho, uma lasca tocou o cérebro do rei e nem Ambroise Paré conseguirá salvá-lo. O rei morreu após uma agonia de 10 dias de grande dor, sem poder se despedir do grande amor da sua vida: Diana de Poitiers, aos 40 anos, em 10 de Julho de 1559. Suas últimas palavras foram: Que meu povo persista e se mantenha na fé. («Que mon peuple persiste et demeure dans la foi.») Foi sepultado em Basílica de Saint-Denis na França.
Henrique II e Catarina de Médici tiveram dez filhos: Henrique II teve favoritas, sendo que da mais célebre, que foi Diana de Poitiers, duquesa de Valentinois em 1548, não teve filhos.


