Hefesto
Hefesto é um deus da mitologia grega, cujo equivalente na mitologia romana era Vulcano. Filho de Zeus e Hera, rei e rainha dos deuses ou, de acordo com alguns relatos, apenas de Hera, era o deus da tecnologia, dos ferreiros, artesãos, escultores, metais, metalurgia, fogo, dos vulcões e do lume. Como outros ferreiros mitológicos, porém ao contrário dos outros deuses, Hefesto era manco, o que lhe dava uma aparência grotesca aos olhos dos antigos gregos. Servia como ferreiro dos deuses, e era cultuado nos centros manufatureiros e industriais da Grécia, especialmente em Atenas. O centro de seu culto se localizava em Lemnos.
Os romanos também alegavam que sua divindade equivalente, Vulcano, teria os seguintes filhos:
Paternidade
Numa das tradições sobre o mito de Hefesto, atestada na Odisseia de Homero e talvez também na Ilíada, Hefesto nasceu da união de Zeus e Hera.[nt 2] Outra versão do mito, registrada apenas de maneira segura em textos tardios,[nt 3] mas que pode indicar um resquício do mito arcaico da Hera autônoma, ela teria dado a luz a Hefesto através da partenogênese. A motivação, segundo a cosmologia centrada em Zeus de Hesíodo, seria o envolvimento da deusa numa disputa competitiva com Zeus relacionada a este ter "dado à luz" a Atena. Os pintores de vasos áticos, no entanto, ilustravam a tradição mais difundida, de que Hefesto já estaria presente ao nascimento de Atena, empunhando o martelo com o qual ele havia feito uma abertura na cabeça de Zeus para libertá-la.
Queda do Olimpo
A despeito de ser a deusa da família, Hera arremessou Hefesto do alto dos céus, desgostosa por ele ser coxo; em outra versão, ele teria ficado coxo justamente devido à queda. No relato homérico, ele despencou durante nove dias e noites até cair no oceano, onde foi criado pela oceânides Tétis (mãe de Aquiles) e Eurínome. Outra explicação afirma que ele teria sido arremessado por Zeus, por ter resgatado sua mãe quando o rei dos deuses a acorrentou por opôr-se a ele. Já outro relato afirma que ele teria despencado durante um dia e caído na ilha de Lemnos, onde foi criado e treinado para ser um mestre artesão pelos síntios, antiga tribo nativa daquela ilha. De acordo com estas duas versões, ele teria ficado coxo graças à queda.
Deus do vulcão
Hefesto foi identificado pelos colonos gregos do sul da Itália com os deuses do vulcão Adrano (do monte Etna) e Vulcano, das ilhas Lipari. Sua forja foi deslocada até lá pelos poetas. O sábio Apolônio de Tiana, do século I, teria comentado: "existem muitas outras montanhas em diferentes partes da terra além do Etna, mas não somos tão levianos a ponto de afirmar que suas erupções são provocadas por gigantes e deuses." Um mito de fundação ateniense narra que Atena teria recusado uma união carnal com Hefesto devido à sua aparência pouco atraente e seu defeito físico, e que quando ele então se enfureceu e tentou tomá-la à força, a deusa desapareceu de sua cama. A ejaculação de Hefesto caiu sobre a terra, engravidando Gaia, que acabou por dar à luz a Erictônio de Atenas; este então foi dado, ainda criança, a Atena, para que essa o criasse, guardado por uma serpente. Higino derivou deste mito uma criativa etimologia para o nome Erictônio, a partir da "disputa" (Eris) entre Atena e Hefesto e a criança-terra (ctônio). Existe na cidade um Templo de Hefesto, o Hefesteu (Hephaesteum), chamado erroneamente de Teseu"), localizado próximo à ágora ateniense.
O ofício de Hefesto
Hefesto foi responsável por fazer boa parte dos magníficos equipamentos dos deuses, e quase todo tipo de trabalho em metal dotado de poderes mágicos que aparece na mitologia grega é tido como tendo sido feito pelo deus; o elmo alado e as sandálias de Hermes, o peito de armas conhecido como égide, a célebre cinta de Afrodite, o cetro de Agamenon a armadura de Aquiles, os crótalos de bronze de Héracles, a carruagem de Hélio (bem como a sua própria), o ombro de Pélops, o arco e flecha de Eros. Hefesto trabalhava com o auxílio dos ciclopes ctônicos, seus assistentes na forja. Também construiu autômatos de metal que trabalhavam para ele; entre estes estavam tripés que tinham a capacidade de ir e voltar ao monte Olimpo. Hefesto deu ao cego Órion seu aprendiz, Cedálion, para ser seu guia. Em uma das versões do mito do deus, Prometeu teria roubado o fogo que ele deu aos homens da forja de Hefesto. Este também teria criado o presente que os deuses deram ao homem, a mulher Pandora e seu pito. Como um hábil ferreiro, Hefesto fez todos os tronos do Palácio do Olimpo.
O retorno de Hefesto
Hefesto foi o único deus que retornou ao Olimpo depois de ter sido exilado. Numa narrativa arcaica, [nt 4] Hefesto teria se vingado de Hera pela sua rejeição a ele construindo para ela um trono dourado mágico que, quando ela se sentou sobre ele, não a deixava mais se levantar. [nt 5] Os outros deuses imploraram a Hefesto que retornasse ao Olimpo para libertá-la, porém ele teria recusado, dizendo "eu não tenho mãe." Finalmente Dioniso, enviado para trazê-lo de volta, compartilhou com ele seu vinho, embebedando assim o ferreiro e trazendo-o de volta ao Olimpo sobre as costas de uma mula, acompanhado por foliões - cena que por vezes aparece ilustrada nos vasos pintados da Ática e de Corinto. [nt 6]
Hefesto e Afrodite
Hefesto, sendo o mais decidido dos deuses, recebeu de Zeus a mão de Afrodite para evitar que os outros deuses travassem disputas por ela. Afrodite, no entanto, não aceitou a ideia do casamento arranjado com o feio Hefesto, iniciou um relacionamento amoroso com Ares, deus da guerra, narrado no canto VIII da Odisseia. Hefesto ficou sabendo da traição de Afrodite por meio de Hélio, o Sol onividente, e planejou uma armadilha para eles durante uma de suas escapadas. Enquanto Afrodite e Ares estavam juntos na cama, Hefesto envolveu-os com uma rede de cota de malha inquebrável, tão fina que era praticamente invisível, e levou-os ao monte Olimpo para humilhá-los diante dos outros deuses. Estes, no entanto, apenas riram diante da visão dos amantes nus, e Posídon conseguiu persuadir Hefesto a libertá-lo como troca de uma garantia de que Ares pagaria uma multa pelo adultério. Na Odisseia Hefesto afirma que devolveria Afrodite a seu pai e exigiria dele seu dote.
Hefesto recebeu alguns epítetos, entre os quais estão:
Hefesto era descrito nos mitos como cholōs, "manco", "coxo", e retratado com defeitos nos pés, movimentando-se de maneira claudicante (ēpedanos), disforme, tanto de nascença ou como resultado de sua queda; nas pinturas de vasos, Hefesto é muitas vezes mostrado curvo sobre sua bigorna, trabalhando em alguma obra de metal, por vezes com os pés invertidos: Hephaistos amphigyēeis. Caminhava com o auxílio de uma bengala ou bastão. O argonauta Palemônio, "filho de Hefesto" - o que poderia significar apenas que ele era um bronzista - também era coxo. Outros "filhos de Hefesto" foram os Cabiros, da ilha de Samotrácia, identificados com o caranguejo (karkinos) pelo lexicógrafo Hesíquio, e o adjetivo karkinopous, "pé de caranguejo", que significava "coxo"; Detienne and Vernant observaram que os Cabiros também eram descritos como coxos.[nt 9] Em algumas versões do mito, Hefesto construiu para si uma "cadeira com rodas" ou carro com o qual se deslocava, o que lhe ajudava a superar sua deficiência física e ainda assim mostrar aos deuses suas habilidades. Na Ilíada de Homero o deus constroi máquinas humanóides de bronze para auxiliá-lo a se movimentar.


