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Joan Crawford

Joan Crawford foi uma atriz estadunidense. Começando como dançarina em companhias teatrais itinerantes antes de estrear na Broadway, Crawford assinou um contrato com a Metro-Goldwyn-Mayer (MGM) em 1925. Inicialmente frustrada com o tamanho e a qualidade de seus papéis, Crawford começou uma campanha de auto-publicidade e tornou-se nacionalmente conhecida como melindrosa no final da década de 1920. Na década de 1930, a fama de Crawford rivalizava com suas colegas da MGM, Greta Garbo e Norma Shearer, com quem estrelou nos filmes "Grande Hotel" e "Mulheres", respectivamente. Crawford costumava interpretar jovens trabalhadoras que encontram romance e sucesso financeiro. Essas histórias "da pobreza à riqueza" foram bem recebidas pelo público na era da Grande Depressão, populares principalmente entre as mulheres. Crawford tornou-se uma das estrelas de cinema mais proeminentes de Hollywood e uma das mulheres mais bem pagas dos Estados Unidos, mas seus filmes começaram a perder dinheiro e, no final da década de 1930, foi rotulada como "veneno da bilheteria".

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 12/07/2026
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Biografia

Crawford nasceu como Lucille Fay LeSueur em San Antonio, Texas, em 23 de março; o ano de seu nascimento é alvo de divergências. 1905 e 1906 são as estimativas mais prováveis. Era a terceira filha de Thomas E. LeSueur (1867–1938), um lavador de roupas, e Anna Bell Johnson (1884–1958). Johnson possuía ascendência inglesa, francesa–huguenote, sueca e irlandesa. Seus irmãos mais velhos eram Daisy LeSueur, nascida em 1902 e morta antes do nascimento de Lucille, e o também ator Hal LeSueur (falecido em 3 de maio de 1963). O pai de Crawford abandonou a família alguns meses antes do nascimento dela, ressurgindo mais tarde em Abilene em 1930, época em que trabalhava na construção de prédios. Após LeSueur abandonar a família, a mãe de Crawford casou-se com Henry J. Cassin (morto em 25 de outubro de 1922). Este casamento está listado nos registros censitários como o primeiro da mãe de Crawford, o que coloca em dúvida se Thomas LeSueur e Anna Bell Johnson eram legalmente casados. Crawford morou com seu padrasto, sua mãe e irmãos em Lawton, Oklahoma. Cassin era um pequeno empresário da indústria de entretenimento e gerenciava a Casa de Ópera Ramsey, que conseguiu trazer para a cidade artistas diversos e notáveis como a bailarina Anna Pavlova e a cantora de vaudeville Eva Tanguay. A jovem Lucille não sabia que Cassin, a quem ela chamava de "papai", não era seu pai biológico até que seu irmão Hal contou a verdade a ela. Lucille preferia o apelido de "Billie" como criança e adorava assistir às apresentações de vaudeville e se apresentar no palco do teatro de seu padrasto. A instabilidade de sua vida familiar afetou sua educação e sua escolaridade, sendo que ela nunca progrediu formalmente para além do ensino fundamental.

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Carreira

Em 10 de maio de 1955, Crawford se casou com seu quarto e último marido, o executivo da Pepsi Alfred Steele, no Hotel Flamingo em Las Vegas. Crawford e Steele se conheceram numa festa em 1950. Eles se reencontraram numa festa de ano novo em 1954. Àquela altura, Steele havia se tornado presidente da Pepsi-Cola. Posteriormente, Alfred Steele seria nomeado Presidente do Conselho de Diretores e CEO da companhia. Crawford viajou extensivamente em nome da Pepsi após o casamento. Ela estima ter viajado mais de 100 000 milhas (161 000 quilômetros) em nome da empresa. Steele morreu de ataque cardíaco em abril de 1959. Crawford foi inicialmente informada pela empresa de que seus serviços já não eram mais necessários. Após ela revelar isso em primeira mão à colunista de fofocas Louella Parsons, a Pepsi reverteu sua decisão e Crawford foi escolhida para preencher a vaga de seu marido no Conselho de Diretores da empresa.

Início da carreira

Sob o nome de Lucille LeSueur, Crawford começou a dançar nos coros de vários espetáculos viajantes e foi descoberta em Detroit, Michigan, pelo famoso produtor Jacob J. Shubert. Shubert colocou-a no coro de seu espetáculo "Innocent Eyes", de 1924, apresentado no Teatro Winter Garden na Broadway, em Nova Iorque. Numa de suas apresentações na peça, Crawford conheceu um saxofonista chamado James Welton. Os dois supostamente se casaram em 1924 e viveram juntos por vários meses, embora essa suposta união nunca tenha sido mencionada por Crawford após a fama. Crawford queria trabalho adicional e se aproximou do publicitário do Teatro Loews, Nils Granlund. Granlund assegurou-lhe um papel nas apresentações do cantor Harry Richmond e arranjou um teste de cinema para ela com o produtor Harry Rapf em Hollywood. Ainda hoje persistem os rumores de que Crawford teria complementado sua renda durante esse período aparecendo em um ou mais filmes pornô, embora a veracidade disso seja fortemente contestada.

Ascensão ao estrelato

Cada vez mais frustrada com o tamanho e a qualidade dos papéis que lhe eram oferecidos, Crawford embarcou numa campanha de auto-promoção. Conforme a roteirista da MGM, Frederica Sagor Maas, lembrou: "Ninguém decidiu transformar Joan Crawford numa estrela. Joan Crawford se tornou uma estrela porque Joan Crawford decidiu se transformar numa estrela". Ela começou a frequentar bailes nas tardes e noites nos hotéis de Hollywood, onde ela muitas vezes venceu concursos de dança com seus passos de charleston e black bottom. Sua estratégia funcionou e a MGM elencou-a no primeiro filme onde chamou a atenção do público: "Sally, Irene and Mary" (1925), escrito e dirigido por Edmund Goulding. Desde o início de sua carreira, Crawford considerava Norma Shearer – a atriz mais popular do estúdio – sua inimiga profissional. Shearer era casada com o chefe de produção da MGM, Irving Thalberg, e, assim sendo, podia escolher roteiros e tinha mais controle sobre os filmes que faria ou não. Crawford teria dito certa vez: "Como posso competir com Norma? Ela dorme com o chefe!".

Transição para o cinema falado e sucesso contínuo

Após o lançamento de "The Jazz Singer" – o primeiro longa-metragem com som sincronizado – em 1927, os filmes falados causaram rebuliço em Hollywood. A transição do cinema mudo para o cinema falado causou pânico em muitos, se não todos, os atores da indústria cinematográfica; muitas estrelas do cinema mudo tornaram-se incapazes de encontrar emprego devido às suas vozes pouco atraentes e seus sotaques de difícil compreensão, ou simplesmente porque se recusaram a fazer a transição para os filmes falados. Alguns estúdios e estrelas evitaram fazer a transição por tanto tempo quanto possível, em especial a MGM, que foi o último estúdio a fazer essa transição. "The Hollywood Revue of 1929" foi um dos primeiros filmes falados do estúdio e sua primeira tentativa de mostrar para o público a capacidade de suas estrelas de fazer a transição. Crawford fez parte da dúzia de estrelas incluídas no filme; ela cantou a música "Got a Feeling for You" durante o primeiro ato do filme. Ela estudou canto com Estelle Liebling, a professora de canto de Beverly Sills, nas décadas de 1920 e 1930.

Declínio na popularidade

Mesmo que Crawford continuasse sendo uma das atrizes mais respeitadas da MGM e que seus filmes continuassem obtendo lucro, sua popularidade declinou no final da década de 1930. Em 1937, Crawford foi nomeada a primeira "Rainha dos Filmes" pela revista Life. No mesmo ano, ela caiu inesperadamente do sétimo para o décimo-sexto lugar na lista das estrelas mais lucrativas nas bilheterias e, consequentemente, sua popularidade com o público também começou a minguar. Ainda em 1937, Richard Boleslawski dirigiu-a na comédia dramática "The Last of Mrs. Cheyney" (1937), que uniu-a com William Powell pela primeira e única vez em sua carreira. Este filme foi o último sucesso de bilheteria de Crawford antes dela ser rotulada como "veneno da bilheteria".

Sucesso na Warner Bros.

Crawford assinou um contrato de US$ 500.000 com a Warner Bros., que continha a previsão dela estrelar em três filmes. Ela foi colocada na folha de pagamento do estúdio em 1.º de julho de 1943. Seu primeiro filme para o estúdio foi "Hollywood Canteen" (1944), uma produção filmada com todas as estrelas do estúdio para impulsionar a moral das tropas americanas que lutavam na guerra. Crawford afirmou que uma das principais razões pelas quais assinou contrato com a Warner foi porque ela queria interpretar Mattie numa versão cinematográfica do romance Ethan Frome, de Edith Wharton, que o estúdio estava planejando filmar em 1944. A atriz também ambicionava conquistar o papel de Mildred Pierce em "Alma em Suplício" (1945), mas o estúdio queria que Bette Davis a interpretasse. No entanto, Davis recusou o papel por julgar-se nova demais para interpretar a mãe de uma adolescente. O diretor Michael Curtiz não queria Crawford no papel, alegando que Davis deveria ser substituída por Barbara Stanwyck, Olivia de Havilland ou Joan Fontaine. A Warner foi contra o diretor e escalou Crawford para a produção. Ao longo de toda a produção do filme, Curtiz criticou Crawford. Ele teria dito a Jack Warner: "Ela aparece aqui com seu ar de altivez, com seu chapéu e suas malditas ombreiras ... Por que eu deveria perder meu tempo dirigindo-a?". Curtiz exigiu que Crawford provasse sua adequação ao papel através de um teste. Após o teste, ele finalmente concordou em colocá-la no filme. "Alma em Suplício" foi um sucesso retumbante de público e de crítica. Ele sintetizou o estilo visual exuberante do gênero filme noir e a sensibilidade que definiria os filmes Warner Bros. do final dos anos 1940. Pelo papel, Crawford recebeu o Oscar de melhor atriz no ano seguinte, além do primeiro prêmio National Board of Review de melhor atriz.

Rádio e televisão

Crawford trabalhou no The Screen Guild Theatre em 8 de janeiro de 1939; "Good News"; "Baby", transmitido em 2 de março de 1940, no programa "Lights Out", de Arch Oboler; "The Word" no Everyman Theatre (1941); "Chained" no Lux Radio Theatre, e o "Document A/777" de Norman Corwin (1948). Conforme sua carreira no cinema começava a dar sinais de desgaste, a televisão despontava como novo meio de entretenimento e Crawford apareceu em diversas séries antológicas na segunda metade da década de 1950 e, em 1959, chegou a gravar o episódio piloto de sua própria série, "The Joan Crawford Show", que não foi comprada por nenhuma emissora.

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Legado

Os pés e as mãos de Crawford estão imortalizados na calçada do Teatro Chinês, no Hollywood Boulevard. Ela tem uma estrela na Calçada da Fama de Hollywood, localizada à altura do número 1750, na Vine Street. A Playboy listou Crawford como a 84a mulher mais sexy do século XX. Em 1999, o Instituto Americano de Cinema elegeu Joan Crawford como a décima maior estrela do cinema.

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Mamãezinha Querida

Em novembro de 1978, Christina Crawford publicou o livro "Mommie Dearest", no qual trazia alegações de que sua mãe adotiva era física e emocionalmente abusiva com ela e com seu irmão Christopher. Segundo o relato de Christina, Crawford estava mais interessada em sua carreira do que na maternidade. Muitos dos amigos e colegas de trabalho da atriz, dentre os quais Van Johnson, Ann Blyth, Marlene Dietrich, Myrna Loy, Katharine Hepburn, Cesar Romero, Gary Gray, Betty Barker (sua secretária por quase 50 anos), Douglas Fairbanks Jr. (o primeiro marido de Crawford) e suas duas filhas mais novas – Cathy e Cindy – denunciaram o livro como sendo uma mentira, negando categoricamente qualquer abuso. Mas outros, como Betty Hutton, Helen Hayes, James MacArthur (filho de Hayes), June Allyson, Liz Smith, Rex Reed e o diretor Vincent Sherman (que dirigiu três filmes estrelados por Crawford) alegaram ter presenciado algum tipo de comportamento abusivo da atriz para com seus filhos. Uma outra secretária da atriz, Jeri Binder Smith, confirmou os relatos que Christina faz no livro. "Mommie Dearest" tornou-se um best-seller e foi transformado em filme pela Paramount Pictures (o único dos seis grandes estúdios da Era de Ouro de Hollywood para o qual Crawford nunca trabalhou), em 1981. Embora tenha sido bem sucedido na bilheteria, o filme foi um fracasso de crítica e levou o prêmio Framboesa de Ouro de pior filme do ano. No filme, Joan Crawford é interpretada por Faye Dunaway, que mais tarde se disse arrependida de ter aceitado o papel. Mais conhecido por uma cena onde Crawford espanca Christina com um cabide de arame de ferro (que é narrada de maneira diferente no livro), o filme acabou ganhando um grupo de admiradores dedicados e transformou Crawford – ou pelo menos a interpretação que Dunaway fez dela – num ícone da cultura camp.

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Na cultura popular

Fotos de Crawford foram usadas na capa do álbum Exile on Main St., do The Rolling Stones (1972). Crawford foi retratada pela atriz Barrie Youngfellow no filme "The Scarlett O'Hara War" (1980). Quatro anos depois de sua morte, a banda de hard rock Blue Öyster Cult lançou a canção Joan Crawford, no álbum Fire of Unknown Origin (1981); nela, são feitas referências à relação tempestuosa da atriz com sua filha Christina. A suposta briga entre Crawford e Bette Davis é retratada no livro "Bette and Joan: The Divine Feud", de 1989. Foi alimentado pela competição por papéis no cinema, prêmios do Oscar, e Franchot Tone (segundo marido de Joan Crawford), que foi co-estrela de Davis em "Dangerous" (1935). Crawford foi interpretada por Faye Dunaway no filme "Mommie Dearest" (1981), baseado nos relatos de abuso infantil feitos pela filha da atriz no polêmico livro de mesmo nome lançado em 1978. A maneira como o filme retrata a atriz e a interpretação exagerada de Dunaway foram responsáveis por transformar Crawford num ícone da cultura camp e numa das personagens favoritas de serem performadas por drag queens.

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Fontes consultadas

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