Guerra Mexicano-Americana
A Guerra Mexicano-Americana, também conhecida como Guerra Mexicana nos EUA, foi uma invasão militar dos Estados Unidos contra o México, ocorrida entre 1846 e 1848. O conflito foi desencadeado pela anexação do Texas pelos EUA em dezembro de 1845, um território que o México ainda considerava seu, pois não reconhecia os Tratados de Velasco. Esses tratados foram assinados pelo presidente Antonio López de Santa Anna após sua captura durante a Revolução do Texas em 1836. Embora a República do Texas fosse independente de fato, a maioria de seus cidadãos anglo-americanos, que migraram dos EUA para o Texas a partir de 1822, desejava a anexação aos Estados Unidos.
Pontos-chave
- A guerra ocorreu entre 1846 e 1848, após a anexação do Texas pelos EUA, que o México não reconhecia.
- O desejo de expansão territorial dos EUA, impulsionado pelo 'Destino Manifesto', foi a principal causa do conflito.
- Houve forte oposição interna nos EUA à guerra, principalmente do Partido Whig, que criticava a expansão violenta.
- As forças dos EUA implementaram uma estratégia tripla, culminando na captura da Cidade do México.
- Como consequência, o México cedeu vastos territórios aos EUA, moldando as fronteiras atuais e gerando tensões duradouras.
A guerra entre Estados Unidos e México teve duas causas fundamentais. Primeiramente, o ímpeto expansionista dos EUA pela América do Norte gerou conflitos com seus vizinhos, incluindo britânicos, mexicanos e povos ameríndios. Desde a Compra da Louisiana em 1803, a migração americana para o oeste aumentou, muitas vezes para terras não pertencentes aos EUA. Em 1845, com a presidência de James K. Polk, a ideologia do 'Destino Manifesto' estava enraizada na cultura americana. Essa crença afirmava que os EUA tinham um direito divino de ocupar e 'civilizar' todo o continente, impulsionando a expansão. Embora grande parte dessas terras já tivesse proprietários, os descendentes dos colonizadores britânicos, com sua ética protestante, acreditavam que fariam um trabalho superior aos povos nativos ou aos mexicanos católicos. Contudo, o 'Destino Manifesto' nem sempre significou expansão violenta; entre 1835 e 1845, os EUA ofereceram comprar a Califórnia do México por 5 milhões e 25 milhões de dólares, respectivamente, propostas que o México recusou, pois representariam a venda de quase metade de seu território.
A expedição militar americana contou com o apoio entusiástico do Partido Democrata, mas enfrentou a veemente oposição dos Whigs. As duas facções tinham grandes diferenças ideológicas: os Democratas, alinhados ao Destino Manifesto e à Doutrina Monroe, acreditavam ser dever dos EUA disseminar os benefícios de seu sistema de governo por todo o continente, mesmo que pela força. Já os Whigs defendiam que o mesmo objetivo deveria ser alcançado pelo aperfeiçoamento da democracia interna e pelo exemplo, não pela coerção. Os debates no Congresso foram intensos, com o abolicionista e congressista Whig Joshua Reed Giddings fazendo declarações contundentes. Posteriormente, um dos críticos proeminentes do papel dos EUA na guerra foi Ulysses Grant, que, apesar de ter combatido com distinção como jovem oficial, qualificou a guerra em suas Memórias como 'uma das mais injustas já travadas'.
Descrição do Conflito e Estratégia Americana
Inicialmente, o conflito foi convencional, com exércitos tradicionais de cavalaria, infantaria e artilharia empregando táticas de estilo europeu. À medida que as forças norte-americanas avançavam para o coração do México, algumas defesas recorreram a táticas de guerrilha, mas essas forças irregulares não alteraram significativamente o resultado da guerra. Após o início das hostilidades, os militares dos EUA adotaram uma estratégia tripla para controlar o norte do México e estabelecer uma força de paz. Dois exércitos americanos moveram-se para o sul do Texas, enquanto uma terceira força, sob o Coronel Stephen Kearny, seguiu para o oeste, em direção a Santa Fé (Novo México) e depois para a Califórnia. Em batalhas como Palo Alto e Resaca de la Palma (próximo à atual Brownsville, Texas), o exército do General Zachary Taylor derrotou as forças mexicanas, causando mais de mil baixas, e começou a avançar para o sul. Em julho e agosto de 1846, a Marinha dos EUA capturou Monterey e Los Angeles, na Califórnia. Em setembro de 1846, o exército de Taylor enfrentou as forças do General Ampudia pelo controle da cidade mexicana de Monterey em uma sangrenta batalha de três dias. Após a captura da cidade pelos americanos, seguiu-se uma trégua temporária para a recuperação dos exércitos. Nesse período, o ex-presidente Antonio López de Santa Anna retornou do exílio e organizou um novo exército de mais de 20 mil homens para resistir aos invasores. Apesar das grandes perdas territoriais e das derrotas em várias batalhas, o governo mexicano recusava-se a fazer a paz. Tornou-se evidente para o Presidente Polk que apenas uma vitória completa no campo de batalha selaria o fim da guerra. A luta continuou nos desertos do norte do México, e os EUA concluíram que uma expedição terrestre para capturar a Cidade do México seria perigosa. Para isso, o General Winfield Scott propôs o que se tornaria o maior desembarque anfíbio da história (até então), com o objetivo de tomar a capital mexicana.
Ao final da guerra, o México foi forçado a ceder vastas regiões do norte do país aos Estados Unidos. As áreas conquistadas compreendem integralmente os atuais estados de Califórnia, Nevada, Texas e Utah, a totalidade do Novo México (antes da Compra de Gadsden), e partes dos estados de Arizona, Colorado e Wyoming. O presidente Antonio López de Santa Anna perdeu o poder no México após a derrota. Nos EUA, o General Zachary 'Old Rough and Ready' Taylor utilizou sua fama como herói de guerra para conquistar a Presidência em 1848. Ironicamente, o presidente Polk, um Democrata, impulsionou a guerra que levou Taylor, um Whig, à Casa Branca. As relações entre Estados Unidos e México permaneceram tensas por muitas décadas, com vários encontros militares ao longo da fronteira. Para os Estados Unidos, essa guerra proporcionou um treinamento em campo para os homens que liderariam os exércitos do Norte e do Sul na iminente Guerra de Secessão.


