Guerra do Pacífico
A Guerra do Pacífico, as vezes chamada de Guerra Pacífico-Asiática, foi um dos teatros de operações da Segunda Guerra Mundial, travado no Pacífico e na Ásia Oriental. A luta aconteceu em diversas áreas, como no sudoeste do Pacífico, sudeste da Ásia e na China.
Nomes atribuídos ao conflito
No curso do conflito, em países Aliados, "a Guerra do Pacífico" não era normalmente distinguida da Segunda Guerra Mundial em geral, ou era simplesmente chamada de Guerra contra o Japão. Nos Estados Unidos, o termo Teatro do Pacífico era amplamente usado, embora este tenha sido um tanto inapropriado em relação a campanha britânica na Birmânia, a guerra na China e outras atividades no Teatro de Operações do sudeste do Pacífico. O Japão usava o termo Grande Guerra da Ásia Oriental (大東亜戦争, Dai Tō-A Sensō), conforme escolhido por uma decisão de gabinete em 10 de dezembro de 1941, para se referir tanto ao conflito com os Aliados Ocidentais quanto a guerra com a China. Este nome foi usado pela primeira vez para o público em 12 de dezembro, com a explicação de que envolvia nações asiáticas buscando suas respectivas independências das potências Ocidentais através das forças armadas da Esfera de Coprosperidade da Grande Ásia Oriental. Oficiais japoneses integraram o que eles chamavam de Incidente Japão–China (日支事変, Nisshi Jihen) na "Grande Guerra da Ásia Oriental".
Participantes
As Potências do Eixo que apoiaram diretamente o Japão incluiu o governo autoritário da Tailândia, que se aliou aos japoneses em 1941, quando as tropas imperiais já estava invadindo a península do sul. O "exército Phayap" tailandês enviou combatentes para a invasão e ocupação do norte da Birmânia, que antigamente era território da Tailândia, anexada pelos britânicos anos antes. Estados fantoches dos japoneses também os apoiaram, como Manchukuo e Mengjiang (que consistia dos territórios da Manchúria e partes da Mongólia Interior respectivamente), e os colaboracionistas do Governo de Nanquim, liderado por Wang Jingwei (que controlava boa parte da região costeira da China).
Teatros de Operação
Entre 1942 e 1945, havia quatro áreas de conflito na Guerra do Pacífico: na China, o Pacífico Central, o Sudeste da Ásia e o Sudoeste do Pacífico. Fontes dos Estados Unidos se referem a duas frentes de batalha na guerra na Ásia: o Teatro do Pacífico e o Teatro da China-Birmânia-Índia (CBI). No Pacífico, os Aliados dividiram o controle operacional entre suas forças em dois comandos supremos, conhecidos como Área do Oceano Pacífico e Área do Sudoeste do Pacífico. Em 1945, por um período breve antes da rendição do Japão, a União Soviética e a Mongólia lançaram uma invasão contra a Manchúria e o nordeste da China, que na época estavam ocupadas por militares japoneses.
Conflito entre a China e o Japão
Em 1937, o Japão controlava a Manchúria e estava pronto para fazer ainda mais avanços na China. O incidente da Ponte Marco Polo, em 7 de julho de 1937, provocou uma nova guerra total entre chineses e japoneses. Os Nacionalistas e os Comunistas chineses suspenderam sua guerra civil para formar uma aliança nominal contra o Japão; a União Soviética rapidamente deu seu apoio ao fornecer enormes quantidades de material para as forças chinesas. Em agosto de 1937, o generalíssimo Chiang Kai-shek mandou suas melhores tropas para enfrentar cerca de 300 000 soldados japoneses na Batalha de Xangai, mas, após três meses de intensos combates, a cidade caiu. O Japão continuou a forçar o recuo das tropas chinesas, capturando a capital Nanquim em dezembro de 1937, cometendo um grande massacre logo em seguida. Em março de 1938, as forças nacionalistas chinesas conquistaram sua primeira grande vitória na batalha de Tai'erzhuang. Contudo, em maio, os japoneses tomaram Xuzhou. Em junho de 1938, os japoneses organizaram 350 000 homens e invadiram Wuhan, capturando-a em outubro. Outras grandes vitórias japonesas se seguiram, mas a comunidade internacional (em especial os Estados Unidos) começaram a condenar com mais veemência o Japão, particularmente após o incidente de Panay, onde uma canhoneira americana foi afundada e três tripulantes foram mortos.
Tensões entre o Japão e o Ocidente
No começo de 1935, estrategistas militares japoneses concluíram que as Índias Orientais Holandesas eram, por causa das suas reservas de petróleo, de considerável importância para o Japão. Em 1940, a região da Indochina, Malásia e as Filipinas foram incluídas no conceito da Esfera de Coprosperidade da Grande Ásia Oriental. Os japoneses começaram a reunir tropas e equipamentos em Hainan, Taiwan e Haiphong, com oficiais do exército falando abertamente da inevitabilidade da guerra contra o Ocidente e o almirante Sankichi Takahashi afirmando que um confronto com os Estados Unidos seria necessário. Em um esforço para desencorajar o militarismo japonês, as Potências Ocidentais, incluindo os Estados Unidos, a Austrália, o Reino Unido e o governo holandês no exílio (que ainda controlava as Índias Orientais), impuseram um grande embargo comercial aos japoneses, parando de vender petróleo, minério de ferro e aço para eles, negando-os acesso a materiais essenciais para a continuação da guerra na China e na Indochina Francesa. No Japão, o governo imperial e os militares viram estas sanções e embargo como um ato de agressão; mais de 80% do petróleo consumido pelos japoneses era importado (principalmente dos Estados Unidos) e sem ele a economia do Japão, e suas forças armadas por consequência, iria quebrar. A mídia japonesa, influenciada por propaganda dos militares, começou a referir a estes embargos como "Cerco ABCH" ("Americanos-Britânicos-Chineses-Holandeses") ou "Linha ABCD".
Preparações japonesas
O objetivo principal do Japão durante as ofensivas iniciais do conflito era tomar os recursos econômicos nas Índias Orientais Holandesas e na Malásia, que proporcionariam aos japoneses a capacidade de escapar dos efeitos do embargo Aliado. Isso ficou conhecido como "Plano do Sul". Também foi decidido — devido ao relacionamento próximo entre o Reino Unido e os Estados Unidos, e a crença de que os americanos eventualmente se envolveriam no conflito que assolava o mundo — que o exército japonês também atacaria as ilhas Filipinas, Wake e Guam. O plano dos japoneses era lutar um conflito limitado onde o país tomaria uma série de objetivos chave e então estabeleceria um perímetro defensivo para derrotar os contra-ataques Aliados, levando a um eventual acordo de paz. O ataque a Frota do Pacífico dos Estados Unidos em Pearl Harbor, no Havaí, lançado pela Frota Combinada, encabeçada por vários porta-aviões da Marinha Imperial Japonesa, deveria inutilizar a marinha americana na Ásia e daria tempo aos japoneses para prepararem seu perímetro. O período inicial da guerra foi dividido em duas fases. A primeira fase operacional foi dividida em três partes, vislumbrando a ocupação das Filipinas, da Malásia, de Bornéu, da Birmânia, de Rabaul e das Índias Orientais. A segunda fase de operações incluía mais expansões ao sul do Pacífico, tomando Nova Guiné, Nova Bretanha, Fiji, Samoa e setores chave na região australiana. No Pacífico Central, Midway também foi visada pelos japoneses, assim como as Ilhas Aleutas no norte. A tomada dessas áreas estratégicas daria mais profundidade defensiva e negaria aos Aliados áreas para usarem como setores de preparação para futuras contra-ofensivas.
Após muita tensão entre o Japão e as potências ocidentais, unidades do exército e da marinha imperial japonesa lançaram uma série de ataques surpresas contra forças australianas, britânicas, holandesas e americanas, a partir de 7 de dezembro de 1941 (8 de dezembro, de acordo com algumas zonas de tempo) na região Ásia-Pacífico. Entre os vários locais atacados pelos japoneses inclui: Havaí, Malásia, Guam, Ilha Wake, Hong Kong e Filipinas. A Tailândia também foi invadida pelo sul e pelo leste e a resistência foi superada em questão de horas até que o governo tailandês formalmente se rendeu.
Os japoneses atacam Pearl Harbor
Desde o começo de 1941, os Estados Unidos e o Reino Unido estavam colocando o Japão sob pesado embargo de matérias primas (principalmente petróleo), causando uma crise de suprimentos no Japão. O país se via num impasse, a beira do colapso econômico quando suas reservas de petróleo acabassem, e assim se sentiram impelidos a partir para mais conquistas. Apesar de negociações estarem acontecendo em Washington, D.C., havia pouco entendimento entre todas as partes envolvidas e a tensão na Ásia não se desenfreou, com os japoneses preparando suas forças armadas, em segredo, para o confronto com o Ocidente. Então, nas primeiras horas de 7 de dezembro (horário havaiano), o Japão lançou um enorme ataque surpresa à base americana de Pearl Harbor, utilizando centenas de aviões decolando de uma frota de seis porta-aviões. O ataque, que veio sem aviso prévio ou declaração formal de guerra, pegou os americanos completamente desprevenidos. A Frota do Pacífico dos Estados Unidos foi severamente danificada, perdendo pelo menos oito navios, 188 aeronaves e 2 403 militares. Naquele momento, os americanos estavam oficialmente neutros dentro do contexto da Segunda Guerra Mundial. Os japoneses haviam apostado que os Estados Unidos, após sofrer um duro golpe em Pearl Harbor, iriam finalmente concordar em negociar termos e aceitar a posição de poder do Japão na Ásia, porém isso se mostrou um enorme erro de calculo. Apesar das enormes perdas sofridas, elas não foram debilitantes já que a principal força da marinha dos Estados Unidos, seus porta-aviões, que se mostrariam muito mais importantes taticamente que os couraçados perdidos no Havaí, estavam todos em mar aberto e longe de perigo. Além disso, depósitos de combustível, estaleiros e estações de força e os prédios das unidades de inteligência estavam mais ou menos intactos (o ataque japonês em Pearl Harbor mirou primordialmente em navios e aviões, bens materiais que podiam ser repostos facilmente pelo grande centro industrial americano). A estratégia japonesa de então arrastar os Estados Unidos para uma guerra de atrito também se provaria um erro, pois a marinha japonesa não tinha a capacidade de lutar tal conflito por tanto tempo. A capacidade industrial americana e seu acesso a recursos naturais era vastamente superior ao dos japoneses, além do fato de sua população também ser muito maior.
Campanhas no sudeste da Ásia: 1941–42
As forças britânicas, australianas e holandesas, já drenadas de pessoal e material devido a dois anos de guerra com a Alemanha na Europa, e também já bem esticadas lutando no Oriente Médio, Norte da África e em outros lugares, não tiveram condições de montar uma boa resistência contra os experientes e bem treinados japoneses. Assim, os Aliados sofreram uma série de derrotas desastrosas nos primeiros seis meses do conflito. Dois poderosos navios de guerra britânicos, o HMS Repulse e o HMS Prince of Wales, foram afundados por aviões japoneses na costa da Malásia, em 10 de dezembro de 1941. A Tailândia, com seu território já sendo usado para a invasão da Malásia, se rendeu em 24 horas após a invasão japonesa. O governo tailandês decidiu então se aliar ao Japão e declarou guerra aos Aliados, por volta de 21 de dezembro.
Ofensivas japonesas contra a Austrália
Ao fim de 1941, após os japoneses atacarem Pearl Harbor, boa parte das tropas australianas estavam ocupadas lutando contra os nazistas e Adolf Hitler na Frente do Mediterrâneo. A Austrália não estava preparada para um ataque, carecendo de armamento, aeronaves modernas, bombardeiros e navios de guerra. Apesar de ainda pedir constante ajuda para Winston Churchill, o primeiro-ministro australiano, John Curtin, fez um pedido histórico de ajuda para os Estados Unidos em 27 de dezembro de 1941. A Austrália estava chocada com o rápido colapso dos britânicos na Malásia e em Singapura, onde 15 000 soldados australianos foram feitos prisioneiros. Curtin previu que a "batalha pela Austrália" iria começar logo. Os japoneses estabeleceram uma grande base militar no Território de Nova Guiné no começo de 1942. A 19 de fevereiro, a cidade de Darwin foi intensamente bombardeada, marcando a primeira vez que a ilha da Austrália foi diretamente atacada. Nos próximos dezoito meses, aviões japoneses atacaram o território australiano diretamente mais de 100 vezes.
No começo de 1942, os governos das pequenas potências começaram a argumentar por um conselho de guerra inter-governamental Ásia-Pacífico, baseado em Washington, D.C. O conselho foi estabelecido em Londres, com um corpo subsidiário em Washington. Contudo, os governos pequenos continuaram a pedir por um corpo baseado nos Estados Unidos. O Conselho de Guerra do Pacífico acabou sendo formado mesmo em Washington, em 1 de abril de 1942, com o presidente Franklin D. Roosevelt, seu principal conselheiro Harry Hopkins, e representantes do Reino Unido, China, Austrália, Holanda, Nova Zelândia e Canadá. Representantes da Índia e das Filipinas também se juntaram a eles mais tarde. O conselho nunca teve um comando operacional real e qualquer decisão tomada era referido aos Chefes de Estado-Maior britânico-americanos, também baseados em Washington. A resistência Aliada aos avanços relâmpagos japoneses foi, ao passar dos meses, ficando mais feroz. Tropas australianas e holandeses lutaram, ao lado de civis, na prolongada campanha de guerrilha no Timor português.
Mar de Coral e Midway: o ponto de virada
Em meados de 1942, os japoneses já haviam conquistado vastas áreas do Oceano Índico e no Pacífico Central, mas ainda faltava recursos para defender ou manter os territórios ocupados. Além disso, a doutrina da Frota Combinada era inadequada para a proposta "barreira" defensiva. Ao invés disso, o Japão decidiu realizar mais ataques nas regiões central e sul do Pacífico. Contudo, o elemento surpresa, presente no ataque a Pearl Harbor, havia sido perdido já que os americanos haviam conseguido decifrar os códigos navais japoneses e descobriram o planejado ataque a Port Moresby. Se este caísse, o Japão controlaria os mares a norte e oeste da Austrália e efetivamente isolaria o país. O porta-aviões americano USS Lexington, comandando pelo almirante Fletcher, se juntou ao USS Yorktown e uma força tarefa australo-americana para deter os japoneses. A resultante Batalha do Mar de Coral, lutada em maio de 1942, foi a primeira batalha naval onde os navios envolvidos nunca viram uns aos outros e apenas aeronaves foram usadas para combater a frota inimiga. Apesar do Lexington ter sido afundado e o Yorktown severamente danificado, os japoneses perderam o porta-aviões Shōhō, enquanto o Shōkaku e o Zuikaku foram seriamente avariados e postos fora de ação pelos próximos meses. Apesar das perdas materiais americanas terem sido maiores que a dos japoneses, o ataque japonês a Port Moresby foi impedido e os japoneses tiveram de recuar, dando vitória aos Aliados. Os japoneses acabaram sendo forçados a abandonar suas tentativas de isolar a Austrália. Mais do que isso, as perdas japonesas tinham um maior significado que a dos americanos: enquanto os Estados Unidos tinham uma população bem maior, um complexo industrial enorme e acesso praticamente ilimitado a recursos naturais, o Japão simplesmente não tinha como repor a perda dos seus navios, aviões e pilotos treinados.
Nova Guiné e as Ilhas Salomão
Em 1942, os japoneses prosseguiram avançando nas Ilhas Salomão e em Nova Guiné. Desde julho de 1942, a reserva do Exército Australiano, composta por homens jovens e pouco treinados, lutavam com afinco em Guiné, contra um poderoso ataque japonês que ainda marchava lentamente em direção a Port Moresby, atravessando a cordilheira de Owen Stanley. Os australianos foram eventualmente reforçados por unidades da 2ª Força Imperial Britânica, que retornava do Teatro do Mediterrâneo. No começo de setembro de 1942, fuzileiros japoneses atacaram uma base da Força Aérea Real Australiana na Baía Milne, no extremo leste de Nova Guiné. A luta em Milne se arrastou por duas semanas até que os japoneses recuaram, após sofrerem grandes perdas.
Os Aliados avançam em Guiné e Salomão
Ao fim de 1942, os japoneses haviam feito de manter Guadalcanal uma de suas prioridades. As tropas que avançavam contra Port Moresby, receberam ordens para se retirar e reforçar a luta do outro lado de Nova Guiné. Os australianos e americanos então atacaram suas posições fortificadas e, após dois meses de luta, a região de Buna–Gona foi tomada. Em meados de 1943, o fracasso em Guadalcanal marcou um dos maiores reveses dos japoneses na guerra até então. A luta na ilha drenou recursos vitais do Japão e ceifou a vida de milhares dos seus melhores soldados, pilotos e marinheiros. Em junho, os Aliados então lançaram a Operação Cartwheel, que definiu sua estratégia de ofensiva no sul do Pacífico. O plano era isolar as forças japonesas em Rabaul e cortar suas linhas de suprimento e comunicação. Isso preparou o caminho para a campanha de Nimitz de levar a guerra até o Japão através da sua estratégia de "island hopping", que significava tomar ilhas de importância estratégica uma a uma até o norte do Pacífico, enquanto isolava e ignorava outras que não tinham tanto significado tático. Ao mesmo tempo, uma guerra de atrito na Indonésia, na Nova Guiné e na Birmânia prosseguia, levada a cabo pelos britânicos e outros Aliados (como australianos, neozelandeses e indianos). Enquanto isso, a luta na China seguia num impasse desfavorável aos japoneses.
China: 1942–1943
Na China continental, a 3ª, a 6ª e a 40ª divisões do exército japonês, totalizando cerca de 120 000 homens, se reuniram em Yueyang e avançaram em três colunas e cruzaram o rio Xinqiang, e tentaram cruzar o rio Miluo para chegar em Changsha. Em janeiro de 1942, as tropas chinesas foram vitoriosas na Batalha de Changsha, marcando o primeiro grande sucesso dos Aliados contra o Japão. Após o Ataque de Doolittle (abril de 1942), tropas japonesas varreram as regiões de Zhejiang e Jiangxi, na China, com o objetivo de encontrar os pilotos americanos sobreviventes do ataque, ao mesmo tempo que se vingavam dos chineses que os apoiavam, destruindo suas bases. A operação começou em 15 de maio de 1942 com 40 batalhões de infantaria e vários de artilharia, mas os chineses frustraram seus planos em setembro. Durante essas operações, o exército imperial japonês deixou uma trilha de destruição e também espalhou pela região central da China diversas doenças que também afligiam seus soldados, como cólera, febre tifoide, peste e disenteria. Os chineses estimam que 250 000 civis foram mortos. Os japoneses perderam mais de 36 mil soldados, a maioria devido a doenças também. Em 2 de novembro de 1943, Isamu Yokoyama, comandante do 11º Corpo do exército imperial, deslocou a 39ª, 58ª, 13ª, 3ª, 116ª e 68ª divisões, totalizando mais de 100 000 soldados, para atacar a cidade de Changde, no sul da China. Durante a batalha de sete semanas que se seguiu, os chineses forçaram os japoneses a lutar uma desgastante batalha de atrito. As tropas japonesas conseguiram tomar a cidade ao fim de dezembro, mas em janeiro eles foram obrigados a recuar, perdendo 11 mil homens em todo o processo. Os chineses então atacaram e cortaram as linhas de suprimentos do inimigo, forçando-os a recuar ainda mais. Durante estes combates, o Japão utilizou diversas armas químicas e biológicas.
Birmânia: 1942–1943
Após os japoneses conquistarem praticamente toda a Birmânia, havia desordem e agitações por todo o leste da Índia, acompanhado por uma onda de fome em Bengala, que resultaria em 2 milhões de mortes. Apesar disso, e das linhas de comunicação inadequadas, as forças britânicas e indianas tentaram limitados contra-ataques na Birmânia logo no começo de 1943. A ofensiva de Arakan terminou em fracasso, enquanto os Chindits sob comando do brigadeiro Orde Wingate sofrem pesadas baixas. Contudo, os ataques aumentaram a moral dos Aliados na região. Isso também obrigou os japoneses a enviar mais tropas e montar suas próprias ofensivas. Em agosto de 1943, os Aliados formaram o Comando do Sudeste da Ásia (CSA) para assumir as responsabilidades de comandar a frente da Birmânia e na Índia. Em outubro, Winston Churchill apontou o almirante Louis Mountbatten como comandante-supremo. Britânicos e indianos do 14º Corpo do Exército foram então enviados para lidar com os japoneses na Birmânia. Sob comando do tenente-general William Slim, o treinamento, a moral e a saúde das tropas melhorou muito. O general americano Joseph Stilwell, que comandava as tropas dos Estados Unidos no teatro de operações China-Birmânia, coordenou uma ajuda mais direta aos chineses e preparou a construção da "Estrada Ledo", que ligaria a Índia e a China por terra.
Conferência do Cairo
Em 22 de novembro de 1943, o presidente dos Estados Unidos Franklin D. Roosevelt, o primeiro-ministro britânico Winston Churchill e o generalíssimo nacionalista chinês Chiang Kai-shek, se encontraram na cidade de Cairo, no Egito, para discutir uma estratégia para derrotar o Japão. A reunião terminou com uma declaração conjunta, onde os Aliados se comprometiam a lutar contra o Japão até o final.
Midway se provou uma das últimas grandes batalhas navais no Pacífico até 1944. Os Estados Unidos aproveitaram este tempo para usar seu enorme potencial industrial para repor suas perdas materiais, construindo milhares de novos veículos, navios, aviões e armas menores, além de treinar ostensivamente novos soldados, pilotos e marinheiros. Tudo isso foi feito apesar da política de "Europa Primeiro", mostrando a grande superioridade dos americanos em termos de potencial econômico (o país também tinha acesso a quase infinitos e intactos recursos naturais). Em um pouco mais de um ano, boa parte da Frota do Pacífico e unidades de infantaria (principalmente os fuzileiros) já estavam completamente reconstruídas e reorganizadas. Ao mesmo tempo, o Japão, carecendo de recursos e com uma base industrial e uma estratégia tecnológica bem inadequadas, em 1944, via sua situação se deteriorar rapidamente, com o país podendo fazer nada além de se defender e adiar o inevitável. Suas perdas em Midway e nas campanhas da Nova Guiné e nas Ilhas Salomão eram praticamente irreparáveis, com incontáveis poderosos navios de guerra sendo afundados, e suas melhores e mais bem treinadas tropas e pilotos sendo mortos. Os novos recrutas não tinham a mesma qualidade ou perícia. Em termos estratégicos, ao fim de 1943, os Aliados seguiam avançando em quase todas as frentes no Pacífico, tomando uma ilha após a outra. Nem todas as fortificações japonesas, contudo, tinham de ser conquistadas; algumas, como Truk, Rabaul e Formosa, foram apenas neutralizadas pelo ar com intensos bombardeios e então isoladas e ignoradas. O objetivo era apenas tomar ilhas e regiões que tinham importância tática, em locais para servir como pontes até o Japão. As cidades japonesas começam, lentamente, a serem bombardeadas. Surge então a necessidade de mover as bases dos aviões bombardeiros (como o B-29 Superfortress) para mais perto do arquipélago japonês, para também atacar outras áreas do Pacífico ainda ocupadas. Isso levaria a tomada de algumas ilhas de importância duvidosa, como a ilhota de Peleliu, onde dois mil americanos e dez mil japoneses seriam mortos em uma das batalhas mais violentas da guerra.
Guerra submarina
Submarinos dos Estados Unidos, além de algumas embarcações britânicas e holandesas, operavam a partir de bases em Cavite, nas Filipinas (1941–42); Fremantle e Brisbane, na Austrália; Pearl Harbor no Havaí; Trincomalee, Ceylon; Midway; e mais tarde de Guam. A campanha agressiva com os submarinos foi muito importante para os Aliados derrotarem o Japão, embora os submarinos de fato não serem tão numerosos assim no Pacífico. Navios mercantes japoneses eram constantemente afundados, barcos transportadores de tropas eram torpedeados e as importações de petróleo e outros recursos eram interrompidas, atrapalhando a produção de armas e as operações militares. No começo de 1945, o Japão estava sofrendo tanto com a falta de gasolina e derivados, com muitos navios de sua frota naval presos nos portos sem conseguir se mover.
Em meados de 1944, os japoneses mobilizaram cerca de 500 000 homens e lançam uma pesada ofensiva de norte a sul da China, chamada Operação Ichi-Go. Esta seria a última grande ofensiva japonesa da Segunda Guerra Mundial, e tinha objetivo de conectar a região norte da China, ocupada pelo exército japonês, e a Indochina (também ocupada) e também capturar as bases aéreas chinesas na região sudeste, onde os aviões americanos estavam estacionados. Neste período, cerca de 250 000 combatentes chineses treinados por militares estadunidenses, sob comando do general Joseph Stilwell e a força expedicionária chinesa, operavam apenas na Birmânia, pelos termos do Acordo Lend-Lease. Os japoneses sofreram pesadas baixas na Operação Ichi-Go, perdendo mais de 100 mil soldados, porém eles conseguiram capturar vários quilômetros de território antes de serem detidos pelos chineses em Guangxi. Apesar do sucesso tático, a operação como um todo terminou em fracasso, pois o objetivo estratégico dos japoneses, tomar as bases Aliadas no sul, não foi cumprido. A maioria do exército chinês conseguiu se retirar em boa ordem e depois voltaram a atacar os japoneses, como na bem sucedida batalha pelo oeste de Hunan. O Japão, apesar do comprometimento em equipamentos e soldados, não chegou perto de derrotar a China com sua ofensiva e outras derrotas sofridas pelo império em várias áreas do Pacífico em 1944 impediu que o país sequer estivesse numa posição onde poderia derrotar militarmente a China. A Operação Ichi-go criou um grande senso de confusão social pela China nas áreas afetas. As guerrilhas comunistas chinesas foram capazes de explorar esta confusão para ganhar mais influência e controle nas zonas rurais do país após Ichi-go.
Após vários reveses que aconteceram no começo de 1943, o Comando do Sudeste da Ásia preparou uma série de ofensivas na Birmânia em várias frentes. Nos primeiros meses de 1944, tropas americanas e chinesas, comandadas pelo general Joseph Stilwell, começaram a expandir a "Estrada de Ledo" da Índia até o norte da Birmânia, enquanto o XV Corpo do exército Aliado avançava pela costa da província de Arakan. Em fevereiro de 1944, os japoneses lançaram um contra-ataque contra Arakan. Após o sucesso inicial japonês, eles foram derrotados por tropas coloniais indianas, que contaram com o apoio aéreo decisivo até a chegada de reforços. Os japoneses reagiram aos ataques Aliados ao lançar sua própria ofensiva na Índia em março de 1944, através das montanhas e das densas florestas da fronteira. Este ataque, codinome Operação U-Go, foi defendido pelo tenente-general Renya Mutaguchi, o recém promovido comandante do 15º Corpo do Exército Japonês; o Quartel-General Imperial deu sua autorização, apesar de ter reservas com tudo isso. Apesar de várias unidades indianas e britânicas lutarem para não serem cercadas, em abril eles conseguiram se concentrar ao redor de Imphal e firmar posições. Uma divisão japonesa, que havia avançado até Kohima, em Nagaland, foi capaz de cortar a estrada principal até Imphal, mas fracassou em tomar todas as defesas de Kohima. Em abril, os japoneses lançaram um ataque frontal contra a cidade de Imphal e falharam, sendo logo em seguida expulsos dos arredores de Kohima.
Saipan e o Mar das Filipinas
A 15 de junho de 1944, cerca de 535 navios Aliados desembarcaram 128 000 soldados e fuzileiros americanos na ilha de Saipan. O objetivo da ofensiva era conquistar o complexo das Ilhas Marianas e neutralizar as bases do Japão no Pacífico Central, dando apoio as forças Aliadas que preparavam o avanço contra as Filipinas ocupadas pelos japoneses, ao mesmo tempo que se estabeleceria nas Marianas (particularmente Saipan) uma nova base avançada para aumentar a eficiência dos bombardeios aéreos contra o Japão, deixando principalmente a cidade de Tóquio mais dentro do alcance dos poderosos bombardeiros B-29 Superfortress. A partir de 1944, os Aliados (particularmente a aviação militar dos Estados Unidos) começaram uma campanha de bombardeios pesados contra várias cidades japonesas, destruindo boa parte do seu complexo industrial e causando enorme devastação. Cada ilha tomada mais próxima do arquipélago japonês significava maior eficiência nos ataques aéreos, que iam destruindo a infraestrutura civil e econômica do país, ao mesmo tempo que causava enormes perdas civis. Enquanto os Estados Unidos apoiavam seus aliados e participavam diretamente na luta na Europa, lançando uma grande invasão na França ocupada pelos alemães, eles ainda tinham a capacidade, uma semana depois, no outro lado do mundo, de organizar um grande ataque anfíbio a ilha de Saipan, mostrando a superioridade técnica e logística dos americanos e dos Aliados sobre os países do Eixo naquele período do conflito.
Golfo de Leyte: 1944
A batalha do Golfo de Leyte é considerada um dos maiores confrontos navais da história (certamente o maior da Segunda Guerra Mundial). Foi uma série de quatro combates travados perto da costa das Filipinas, mais precisamente da região de Leyte, de 23 a 26 de outubro de 1944. O confronto no Golfo de Leyte viu alguns dos maiores couraçados já construídos se combatendo (foi a última vez que dois couraçados dispararam um contra outro numa batalha), e também foi a primeira vez em que kamikazes foram utilizados em larga escala. A vitória no Mar das Filipinas estabeleceu a superioridade aérea e naval dos Aliados no oeste do Pacífico. O almirante Nimitz favorecia um grande bloqueio as Ilhas Filipinas e um desembarque em Formosa. Isso daria controle aos Aliados das rotas marítimas do Japão até o sul da Ásia, isolando as unidades japonesas mais distantes. Já o general Douglas MacArthur favorecia uma invasão das Filipinas, que também cortaria as linhas de suprimentos japonesas. O presidente Roosevelt favoreceu o plano de MacArthur. Enquanto isso, o comandante da Frota Combinada japonesa, o almirante Soemu Toyoda, preparou quatro planos para cobrir todos os cenários de ataque possível pelos Aliados. Em 12 de outubro, o almirante Nimitz lançou uma ofensiva aeronaval contra Formosa, para garantir que os aviões japoneses estacionados lá não interviessem no ataque a Ilha Leyte. Toyoda colocou o plano Sho-2 em ação, lançando uma série de surtidas aéreas contra os porta-aviões americanos. Contudo, os japoneses perderiam mais de 600 aeronaves em três dias, deixando toda aquela região do Pacífico sem suporte aéreo.
Libertação das Filipinas: 1944–45
Em 20 de outubro de 1944, o 6º Corpo do Exército dos Estados Unidos, apoiado por forças aéreas e navais dos Aliados, desembarcou na costa de Leyte, ao norte de Mindanao. Os americanos continuaram avançando pelo leste, enquanto japoneses mandaram reforços às pressas para a área da baía de Ormoc no lado oeste da ilha. Enquanto o 6º Exército conseguia se reforçar, os aviões americanos devastavam as tentativas japonesas de se ressuprir. No meio de chuvas torrenciais e terreno difícil, as tropas Aliadas avançavam por Leyte e foram também tomando a ilha de Samar ao norte. A 7 de dezembro, o exército americano desembarcou na baía de Ormoc e, após pesados combates em terra e no mar, eles conseguiram cortar as linhas de abastecimento japonesas em Leyte. A ilha demorou cerca de um mês para ser tomada, terminando com a morte de quase 50 mil japoneses e 3 500 americanos.
Em 6 de agosto de 1945, os Estados Unidos lançaram uma bomba atômica na cidade japonesa de Hiroshima, marcando a primeira vez que um ataque nuclear foi feito na história humana. Num comunicado a imprensa feito após o bombardeamento de Hiroshima, o presidente Truman avisou o Japão que eles "... deveriam esperar chuvas de ruínas sobre eles, como nunca foi visto na Terra". Três dias mais tarde, a 9 de agosto, outra bomba nuclear caiu em Nagasaki, o segundo e último ataque com armas atômicas na história. Os dois bombardeamentos mataram entre 140 000 e 240 000 pessoas, diretamente. A necessidade do lançamento das bombas atômicas contra o Japão é motivo de debates até os dias atuais, com muitas pessoas argumentando que o bloqueio e a campanha de bombardeio aéreo sistemático já tinha feito a invasão e, por consequência, o uso de armas nucleares desnecessários. Os defensores do ataque, por outro lado, afirmam que o governo japonês, apesar de tudo, resistia e recusava a se render, e o bombardeio nuclear foi a única saída para fazer o Japão ceder. Outro argumento é que as duas bombas atômicas ajudaram a evitar a Operação Downfall, a invasão do território japonês, o que custaria milhões de vidas (de ambos os lados). Eles também diziam que o prolongamento do bloqueio aeronaval teria matado a mesma quantidade de civis japoneses que os ataques nucleares. Acadêmicos também apontam questões políticas, como a provável invasão soviética do norte do Japão, o que forçaria os Estados Unidos a negociar com Moscou e dividir o país, como havia sido feito na Coreia. O historiador Richard B. Frank discorda, afirmando que os soviéticos não tinham a capacidade de montar uma invasão em larga escala contra Hokkaidō.
Iwo Jima: Fevereiro de 1945
O ano de 1944 definiu o curso da guerra. Assim, no começo de 1945, a situação do conflito já estava encaminhada: as Ilhas Gilbert e Marshall já haviam sido reconquistadas, as Filipinas foram igualmente retomadas e, após ocupar as Ilhas Marianas e Palau, os Estados Unidos intensificaram sua campanha de bombardeio aéreo sistemático contra as cidades do Japão. Agora os Aliados contemplavam uma invasão direta ao arquipélago japonês, mas para isso era primeiro necessário conquistar as Ilhas Vulcano e Ryūkyū. O primeiro passo na preparação para a invasão do Japão era a tomada de Iwo Jima. Esta pequena ilha de 21 km² estava situada a meio caminho entre Tóquio e as Ilhas Marianas e sua conquista daria aos Aliados mais um local para continuar sua campanha de bombardeio contra o Japão. O general Holland Smith foi escolhido para comandar a invasão de Iwo Jima ("Operação Detachment"), com 110 000 homens na linha de frente (a maioria fuzileiros) e uma frota naval de mais de 500 embarcações (sob comando do almirante Nimitz). Os japoneses, por sua vez, escolheram o tenente-general Tadamichi Kuribayashi para reorganizar as defesas da ilha. Kuribayashi sabia que seria humanamente impossível manter Iwo Jima (naquele ponto os americanos superavam, em muito, os japoneses em terra, no mar e no ar), mas ele esperava resistir o máximo que pudesse e infligir quantas perdas fosse possível nos americanos. Ainda em 1944, antecipando a invasão, o general Kuribayashi transformou a ilha em uma fortaleza, com bunkers, ninhos de metralhadora e 18 km de túneis. Com as principais defesas japonesas escondidas e fortificadas, os bombardeios navais e aéreos pré-desembarque acabariam não tendo muito efeito. As casamatas e bunkers japoneses estavam interconectados de modo que quando um fosse destruído, os soldados podiam recuar para outra posição e continuar lutando. O terreno da pequena ilha favorecia a defesa, com um monte no extremo norte (o Suribachi) e fortificadas posições ao sul, além do terreno vulcânico que fazia com que veículos e homens avançassem de forma lenta, expondo-os ao fogo de armas pequenas e artilharia. Por outro lado, os americanos e seus aliados ainda contavam com uma vasta superioridade em quantidade de tropas, recursos e poder de fogo.
Ofensivas Aliadas na Birmânia: 1944–45
No fim de 1944 e começo de 1945, os Aliados do Comando do Sul da Ásia Oriental lançaram uma série de grandes ofensivas na Birmânia com o intuito de reconquistar o país por inteiro, incluindo a capital Rangum, antes da próxima temporada de monção em maio. O XV Corpo do exército indiano avançou pela província de Arakan, finalmente capturando a importante cidade de Sittwe. Os indianos então caíram sobre os japoneses, infligindo pesadas baixas neles e conquistando as ilhas de Ramree e Cheduba na costa, estabelecendo nelas campos aéreos novos para serem usados para apoiar as ofensivas na região central da Birmânia. Enquanto isso, tropas chinesas e americanas avançavam na província de Shan, tomando as cidades de Mong-Yu e Lashio, enquanto outras tropas Aliadas avançavam pelo norte da Birmânia. Ao fim de janeiro de 1945, essas duas tropas superaram os japoneses e se encontraram em Hsipaw, no norte de Shan. A Estrada Ledo foi então completada, unindo de vez a Índia e a China por uma rota terrestre, mas na verdade isso não significou muita coisa no quadro geral da guerra pois os japoneses já estavam bem próximos da derrota neste período.
Libertação de Bornéu
A campanha de Bornéu de 1945 foi a última grande operação militar lançada na Área do Sudoeste do Pacífico. Em uma série de ataques anfíbios feitos entre 1 de maio e 21 de julho, o I Corpo do Exército Australiano, sob comando do general Leslie Morshead, atacou as tropas japonesas ocupando a ilha. Forças aéreas e navais Aliadas, centradas ao redor da 7ª Frota sob comando do almirante Thomas Kinkaid, a Primeira Força Aérea Táctica Australiana e elementos da Décima Terceira Força Aérea americana tiveram papéis importantes nesta campanha. A campanha para tomar Bornéu começou com um desembarque na Ilha Tarakan em 1 de maio de 1945. Foi seguida, em 1 de junho, por ofensivas simultâneas no noroeste, na ilha de Labuan, e na costa de Brunei. Uma semana depois, os australianos lideraram um ataque em Bornéu do Norte. A atenção dos Aliados então se voltou para a costa centro leste, com o último grande desembarque anfíbio da Segunda Guerra, em Balikpapan, a 1 de julho.
China: 1945
Em abril de 1945, a China já estava em guerra contra o Japão nos últimos sete anos. Ambas as nações estavam exaustas devido aos combates contínuos, bombardeios e privações. Após a parcialmente bem-sucedida Operação Ichi-Go, os japoneses começaram a sofrer uma série de reveses na Birmânia e constantes ataques das forças Nacionalistas e de guerrilheiros Comunistas nas zonas rurais. O exército imperial japonês se preparou para a batalha no oeste de Hunan em março de 1945. Eles mobilizaram cinco divisões (a 34ª, 47ª, 64ª, 68ª e a 11ª), assim como a 86ª Brigada, totalizando mais de 80 000 homens com o objetivo de tomar os aeroportos e as ferrovias no oeste de Hunan, atacando no começo do abril. Os chineses responderam rápido, despachando três grandes exércitos sob comando do general He Yingqin. Ao mesmo tempo, forças americanas (a maioria aviadores) e veteranos da expedição da Birmânia, de Kunming a Yichang, foram ajudar. Assim, os chineses tinham mais de 110 000 soldados, dispostos em 20 divisões. Eles foram apoiados por 400 aeronaves chinesas e americanas. As forças da China então lançaram seu grande contra-ataque, derrotando os japoneses e reconquistando as províncias de Hunan e Hubei, no sul. Em agosto de 1945, os chineses desembarcaram em Guangxi e libertaram a região, destruindo a última guarnição japonesa no sul da China.
Okinawa
Após a tomada de Iwo Jima (fevereiro-março de 1945), os Aliados continuaram sua campanha para conquistar as ilhas Ryūkyū, como um caminho para a eventual invasão do Japão. A ilha de Okinawa, com uma área total de apenas 2 271 km² de comprimento, era solo japonês e era considerado o alvo mais importante nas operações preparatórias antes do ataque ao arquipélago principal. Ao fim de março, a Força Tarefa 58, da marinha dos Estados Unidos, foi enviada para o leste de Okinawa. Os japoneses sabiam que a defesa da ilha era crucial, e mobilizaram uma grande tropa (entre 80 000 e 100 000 homens), sob comando do general Mitsuru Ushijima, e uma enorme força de milhares de aeronaves, incluindo 1 500 kamikazes. Entre 26 de março e 30 de abril de 1945, os pilotos suicidas japoneses lançaram-se em ondas contra a frota americana, atingindo mais de 180 navios e afundando pelo menos vinte deles (causando pelo menos 4 900 mortes). Porém, como em outras batalhas no Pacífico, os kamikazes em Okinawa foram muito ineficientes, causando extensos danos, mas não atrasando o avanço americano.
Ataques às ilhas japonesas
A ofensiva dos Aliados contra o arquipélago japonês começou bem, com duas grandes e intensas batalhas sendo travadas em Iwo Jima e em Okinawa, com enormes perdas para ambos os lados, mas ainda assim resultando em sucessos para as Potências Ocidentais. Os japoneses perderam 117 000 homens defendendo Okinawa e 20 000 em Iwo Jima (totalizando 95% de perdas). A marinha japonesa estava virtualmente destruída e seu poderia aéreo estava estraçalhado, com seus melhores pilotos mortos. Assim, o Quartel-General Imperial começou a empregar uso extenso de kamikazes para tentar infligir o máximo de perdas possíveis nas forças Aliadas. Os Estados Unidos, nesse meio tempo, trabalhavam para isolar o Japão, pelo mar e pelo ar.


