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Guerra da Sucessão Espanhola

A Guerra da Sucessão Espanhola ocorreu entre 1701 e 1714, envolvendo diversas monarquias europeias em torno dos direitos de sucessão da Coroa espanhola. Após a morte do rei Carlos II, que não deixara herdeiros, terminava a "Dinastia dos Áustria", ramo espanhol da Casa de Habsburgo. Com o falecimento precoce de seu sobrinho, José Fernando, Príncipe da Baviera, subiu ao trono espanhol Filipe de Anjou, neto de Luís XIV de França dando início à Dinastia Bourbon na Espanha.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 09/07/2026
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Antecedentes

A crise sucessória na Espanha

Antes mesmo da Guerra de Sucessão, a monarquia espanhola já estava em crise. O rei Carlos II sofria de doenças crônicas desde a infância e não deixou herdeiros. Fato preocupante, e que se agravou com a morte da rainha Maria Luísa d’Orleans em 1689. Seis meses depois, casou-se com Maria Ana de Neuburgo, união que também não resultou em prover herdeiros para o trono. Em 1690, a questão sobre a sucessão era amplamente debatida em toda a Europa. Luís XIV, da França, acreditava poder reivindicar o trono devido seu casamento com Maria Teresa, filha do rei Filipe IV e irmã de Carlos II. Entretanto, o tratado que levou ao casamento e o testamento de Filipe IV deixaram claro que a linhagem de Maria Teresa não tinha direito à linha sucessória da Espanha. Ao mesmo tempo, o Imperador Leopoldo I da Áustria também reivindicava o trono da Espanha, tanto pelo seu casamento com outra irmã de Carlos II, Margarida Teresa — que também perdeu seus direitos à linha sucessória com o casamento — quanto por ser neto do rei Filipe III da Espanha.

Cenário Internacional

Ainda no final do século XVII, a Guerra dos Nove Anos mostrava que a Espanha não foi capaz de proteger as fronteiras dos seus territórios nos Países Baixos, que sofreram diversos ataques por parte da França. Nesse contexto, a crise sucessória espanhola refletia diretamente nos Países Baixos. Precisavam de uma monarquia forte, capaz de defender a região de futuras investidas francesas. Ao mesmo tempo, havia a questão econômica e comercial, que afetava não só os Países Baixos como também a Inglaterra; ambos comercializavam com as colônias espanholas, exportando produtos em troca de prata. Essa troca comercial, apesar de essencial para a economia dos dois países, era ilegal e poderia ser interrompida caso o imperialismo espanhol se fortalecesse com a nova dinastia. A França também realizava trocas comerciais ilegais com as colônias espanholas, especialmente com as colônias da América do Sul.

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Filipe V ocupa o trono

A escolha de um herdeiro direto dividiu a Europa entre os Bourbons e Habsburgos, e o que deveria ser uma crise sucessória comum do Antigo Regime veio a transformar-se numa guerra de âmbito continental. Na Espanha, estalou uma guerra civil entre aqueles que apoiavam Filipe de Anjou e os que apoiavam o arquiduque Carlos d’Austria. Um mês depois da morte do rei Carlos II de Espanha, Filipe de Bourbon (duque de Anjou e neto de Luís XIV de França) foi para Madrid no início de dezembro com 17 anos. Filipe foi recebido com grande clamor pelos espanhóis. Entretanto, as reformas realizadas pelo cardeal Portocarrero — e ditadas por Luís XIV — causaram tensões internas em Espanha. Entre essas reformas, destacou-se a substituição dos ministros pró-austríacos por ministros escolhidos pelo rei francês. Alguns meses depois da chegada de Filipe a Madrid, a diplomacia francesa determinou o seu casamento com Maria Luísa de Saboia. Os casamentos dinásticos serviam à época como um mecanismo para estabelecer alianças entre países, e neste caso refletia o alinhamento político entre França e Espanha. Também houve um claro interesse na aliança com a Sabóia, cujo território se situava na periferia francesa e controlava o acesso à península italiana — onde tanto a Espanha como a França tinham interesses dinásticos.

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Países envolvidos

Com a morte de Carlos II, o trono da Espanha foi passado para Filipe, duque de Anjou e neto de Luís XIV, o que culminou na ascensão dos Bourbons, da França, ao trono espanhol. O declínio da Espanha como principal potência europeia desde o século XVII faz com que as demais monarquias disputassem pela sua própria ascensão. Além disso, a chegada de uma nova dinastia ao trono espanhol — especialmente uma que mantinha fortes relações com a França — poderia alterar as relações políticas e comerciais a nível mundial, o que preocupava principalmente a Inglaterra e Países Baixos. Durante a Guerra dos Nove Anos, o ducado de Saboia se uniu à Grande Aliança. Antes do fim da guerra, porém, o duque de Saboia fez um acordo de paz separado com a França, estabelecendo uma aliança diplomática entre os dois países. Com a ascensão de Filipe V ao trono da Espanha, Saboia se viu cercada entre forças bourbônicas, pois seu território fazia fronteira com a França e com o ducado de Milão — que fazia parte dos domínios espanhóis na Itália. Assim, em um primeiro momento, o duque de Saboia se alia aos bourbons, mas em 1703, visando ter domínio sobre Milão — que a essa altura era controlado pela marinha inglesa —, o duque quebra com a sua aliança e se volta para o lado austríaco.

Áustria e Sacro Império Romano-Germânico

Reivindicava o trono espanhol para Carlos, arquiduque de Habsburgo, filho do imperador Leopoldo I e neto da irmã do rei Filipe IV da Espanha. Para tal, o império austríaco aliou-se com a Inglaterra e a Holanda para contestar o poderio francês, adquirido através da ascensão dos Bourbons na Espanha. Havia, também, um interesse do Império nas terras espanholas na Itália, que lhes dariam acesso ao Mediterrâneo, por onde as forças austríacas poderiam atacar seu grande rival no oriente, o Império Turco-Otomano. Em 1701, foi formalizada a Grande Aliança, composta pela Inglaterra, Holanda, Império Austríaco e Portugal, que se uniram em oposição à aliança franco-espanhola.

Inglaterra

Mesmo antes da Guerra de Sucessão Espanhola, a Inglaterra rivalizava com a França pela hegemonia mundial.​ ​Já em 1698, o rei britânico Guilherme III afirmou que a Inglaterra e os Países Baixos não aceitariam um Bourbon como sucessor do trono espanhol.​ Desde então, o país tomou uma série de medidas diplomáticas caso a sucessão assim ocorresse, através dos Tratados de Partição. Houve um período de oito meses entre a coroação de Filipe V e a declaração definitiva de guerra por parte da Inglaterra. A população inglesa estava dividida, grande parte era oposta à declaração de guerra por medo do prejuízo econômico que se sucederia, enquanto outros afirmavam que a guerra era a única maneira de impedir que a França dominasse a Espanha e tivesse acesso às riquezas das Índias — o que seria prejudicial para a economia britânica. Foi apenas com a movimentação das tropas francesas nos Países Baixos Espanhóis que a Inglaterra definitivamente se mobilizou para a guerra, negociando com outras monarquias europeias e assinando o tratado da Grande Aliança proposta pela Áustria.

Países baixos

Desde 1556, uma porção dos estados dos Países Baixos pertenciam à Espanha. Assim, a Holanda temia que, com a ascensão dos Bourbon, esse território seria usado pela França para atacá-los, como ocorreu na Batalha Franco-Holandesa. Além disso, a França ganharia controle sobre os entrepostos comerciais do rio Scheldt, prejudicando as relações econômicas entre os Países Baixos e a Inglaterra.

França

Considerada então a maior potência europeia, motivo pelo qual sua união com a Espanha era temida por outros países europeus — especialmente os membros da chamada Grande Aliança. Com a nomeação de Filipe de Anjou, da dinastia Bourbon, como rei Espanhol, a França de Luís XIV teve forte influência na corte e nas reformas políticas da Espanha. Além disso, com a reafirmação de Luís XIV sobre o direito de Filipe de Anjou ao trono francês, a Grande Aliança temia que os dois países se unissem em uma única e gigantesca potência. Também deve-se ressaltar a ocupação dos Países Baixos Espanhóis e a concessão da Espanha para que a companhia francesa de tráfico negreiro tivesse o monopólio da venda de escravos nas colônias da Espanha na América, o que foi tomado pela Inglaterra como uma declaração de guerra.

Espanha

Antes uma potência europeia, a Espanha agora se encontrava enfraquecida, e prontamente apoiou a nomeação de Filipe de Anjou ao trono, na tentativa de manter unido o território espanhol, tal como ordenava o Carlos II em seu testamento. Logo no início de seu reinado, Filipe V encontrou a oposição das elites de Aragão e Castela, o que conseguiu conter após extensas negociações. Entretanto, ele não foi capaz de conter os grupos pró-austríacos de dentro e fora da Espanha.

Portugal

Inicialmente, Portugal não se opôs à ascensão dos Bourbons. Em 18 de junho de 1701 os portugueses assinam um tratado com a França no qual se comprometem a ajudar Felipe V em troca de ajuda francesa contra uma possível invasão de Portugal. Todavia, um ano após o início da guerra, sua posição começa a mudar. Na primavera de 1702 a França se recusa a enviar a Portugal o prometido auxílio naval (razão suficiente para a quebra do acordo) e o rei D. Pedro II de Portugal, aproveitando-se da presença de uma esquadra inglesa no litoral de Portugal, abandona a aliança luso-francesa. Pois Portugal, possuidor de extensos litorais, não poderia manter-se inimigo das principais potências marítimas, Inglaterra e Holanda. Em 1703, Portugal assina dois tratados de aliança com as potências aliadas e recebe a promessa de que, uma vez colocado o Arquiduque Carlos no trono da Espanha, Portugal receberia vários territórios na fronteira espanhola. A elite portuguesa, porém, continuava a se dividir entre apoiadores da França e da Inglaterra.

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Início da guerra

Os primeiros anos

Em 15 de maio de 1702, a Grande Aliança declara formalmente guerra à França, entretanto, a guerra já havia iniciado um ano antes no norte da Itália. Outra importante zona de conflito se deu nos Países Baixos, onde a Grande Aliança enviaram suas tropas para recuperar os territórios mantidos pela França, mas só conseguiram recuperar alguns pequenos fortes. As regiões da Renânia e Colônia, na Germânia, também foram palco de batalhas entre as forças bourbônicas e a Grande Aliança. Até então, a guerra era marcada por sucessivas vitórias da França. A entrada de Saboia e Portugal na Grande Aliança em 1703 favoreceram as investidas da Áustria sobre os domínios espanhóis. Em 1704, o arquiduque Carlos da Áustria desembarca em Portugal e reivindica para si o trono espanhol, proclamando-se Carlos III da Espanha. Em setembro o exercito aliado cruza a fronteira entre Portugal e Espanha. O rei de Portugal defende o inicio de uma ofensiva imediata contra os espanhóis, mas Carlos, aconselhado pelos seus generais, decide não atacar, devido ao inverno que se aproximava. Carlos, então, retorna para Lisboa e em junho de 1705 embarca em um navio inglês rumo a Catalunha, pois os catalães haviam iniciado uma revolta contra o domínio de Filipe V.

A conquista de Gibraltar

Na Guerra de Sucessão Espanhola aconteceram muitas batalhas, pois o objetivo era conquistar lugares estratégicos. No dia 21 de julho de 1704 entraram na baía de Gibraltar uma esquadra de vinte navios, sendo dez comandados pelo vice-almirante George Byng e dez dirigidos por Van de Dussen. Desembarcaram cerca de 2 300 a 2 400 soldados e o príncipe George de Hesse, que ordenou o bloqueio da entrada de Peñón por parte da terra e colocou seus homens na estreita franja que forma o istmo e que une com o resto de Andaluzia. Com esta tática se impediu todo auxílio à guarnição e habitantes da Praça pelos exércitos Bourbon que se encontravam em Cádiz. A situação militar da Espanha já era decadente no período de Carlos II. Com um exército que não conseguiria proteger-se sozinho, Peñón, uma das principais entradas para Gibraltar, é atacada pelos anglo-holandeses que possuíam um exército maior. Os espanhóis lutaram até o limite, mas sem êxito. Assim, Gibraltar se rendia ao exército anglo-holandês.

Os dois lados se equilibram

A pressão dos exércitos franco-bavieros na Áustria para que o Imperador deixasse a Grande Aliança fizeram as tropas aliadas se concentrarem no sul da Germânia. O resultado foi a derrota catastrófica da França, que perdeu seus aliados na Germânia com a saída da Baviera — Maximiliano, duque da Baviera, foi forçado a se exilar, enquanto sua família foi mantida prisioneira pelos austríacos. Com a Baviera fora da guerra, as tropas francesas foram perdendo cada vez mais o controle de diversas regiões germânicas. Em 1705, a Aliança volta seus ataques à Espanha e conquista Barcelona, na Catalunha. Porém, no mesmo ano, os aliados sofrem perdas significativas nos Países Baixos. No ano seguinte, as tentativas espanholas de recuperar Barcelona fracassaram.

Os Aliados conquistam Madrid

A 7 de março de 1706, os portugueses fizeram nova investida contra os espanhóis, queimando a vila de Brocas, e tiveram um confronto com as tropas do Duque de Berwick, do qual resultou a derrota das forças espanholas. Em 9 de abril do mesmo ano o general português, Marques das Minas, sitiou Alcântara conseguindo tomá-la e aprisionar o seu governador com toda a sua guarnição e 47 peças de artilharia. Prosseguiu o Marquês das Minas vitoriosamente a campanha, tomando consecutivamente Ciudad Rodrigo, Salamanca, Coria e Plasencia, e em 28 de junho fez a sua vitoriosa entrada em Madrid, onde fez o Arquiduque Carlos ser proclamado rei da Espanha, como D. Carlos III.

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A guerra e seu desdobramento na América

Uma das questões que fomentou a Guerra foi a busca pelo controle máximo das colônias, assim como o comercio de transoceânico e para além disso, o controle do rico comércio de tráfico de escravos. Nesse período os mapas auxiliavam tanto para o desenvolvimento de guerras, quanto para as negociações de paz, também eram importantes para as negociações de paz. Deste modo, a importância do Congresso de Uthecht foi crucial na demarcação de fronteiras de domínio no período. Os ingleses foram um dos primeiros a usar dessa ferramenta durante o conflito. Em 1712 se puseram a discutir sobre as posses de terras na América do Norte com os franceses. Os franceses, por sua vez, não tinham um alvo específico na América, e estavam em desvantagem em relação aos ingleses, mantinham relações políticas e econômicas com Portugal. Esta possuía territórios vitais para a economia. Durante as negociações os ingleses traçaram em um mapa as regiões que queriam conservar para si, e foram elas “desde as margens das terras do Labrador, a leste até a costa do continente em direção a oeste” e posteriormente a coroa inglesa fez o mesmo. As negociações foram até 1713, até que iniciaram as negociações com a coroa de Portugal. Na concepção dos portugueses, as terras que estavam no Cabo Verde, assim como as localizadas no espaço entre Amazonas e o rio de Vicente Pinzón, eram terras exclusivamente portuguesas. Os portugueses entediam que, aos franceses deveriam ser atribuídos os territórios ao norte do Oiapoque. Porém, nesse período, a cartografia sofreu com algumas dificuldades, pois os mapas variavam de acordo com a autoria, isso em muito dificultava as negociações por territórios na América.

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As negociações de paz e o Tratado de Utrecht

Primeiras tentativas de restabelecer a paz

Ao fim de 1706, a hegemonia francesa havia sido quebrada, e as primeiras tentativas de paz começaram a se manifestar. As monarquias europeias estavam novamente equilibradas. A reivindicação dos Habsburgos aos territórios espanhóis na Itália e nos Países Baixos foram atendidas, os Países Baixos conseguiram desenvencilhar-se do domínio francês e a Inglaterra conseguiu manter sua supremacia no Mediterrâneo. Em 1708 a França estava disposta a assinar um acordo de paz, embora as condições oferecidas pelos aliados fossem severas. A França concordou em reconhecer o Arquiduque Carlos como rei da Espanha, reconhecer a rainha Ana como legitima soberana da Inglaterra e deixar de apoiar o pretendente Jaime Stuart, desistir de reivindicar as colônias espanholas e abrir mão de todas as possessões austríacas capturadas e destruir a base naval francesa de Dunquerque.

Tratado de Utrecht

As ações efetivas para firmar a paz se deram em 1712, com um congresso situado em Utrecht entre as monarquias envolvidas na guerra. Após quinze meses de negociações, o resultado desse congresso se deu através do o Tratado de Utrecht de 1713. Entre os primeiros acordos conquistados nas negociações estava um acordo de cooperação mútua entre França e Inglaterra, que logo foi ampliado para envolver todos os países da Grande Aliança, exceto a Áustria que se recusou a aceitar os termos dessas primeiras negociações. Através desse tratado, foi definido que a França deveria reconhecer a legitimidade dos reis protestantes, desfazer o porto de Dunkerque, reconhecer como posse da Grã-Bretanha a Ilha de São Cristóvão, Terra Nova, Acádia e a baía de Hudson.

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Fontes consultadas

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