Guatemala
A Guatemala ), oficialmente República da Guatemala, é um país da América Central, limitado a oeste e a norte pelo México, a leste pelo Belize, pelo Golfo das Honduras e pelas Honduras e a sul por El Salvador e pelo Oceano Pacífico. Com uma população estimada em cerca de 18 917 714 é o país mais populoso da América Central e o 10º da América, e também a sua economia é a 9ª maior da América Latina. A Guatemala é uma democracia representativa; sua capital e maior cidade é Nueva Guatemala de la Asunción, também conhecida como Cidade da Guatemala.
Acredita-se que o topônimo "Guatemala" derive da palavra indígena Quhatezmalha, que significa "montanha que verte água", em alusão ao vulcão Agua, que destruiu a Cidade Velha (Santiago de los Caballeros), primeira capital espanhola da capitania geral, ou do náhuatl Quauhtlemallan, que significa "lugar com muitas árvores". Na pré-história, a atual Guatemala esteve culturalmente ligada à península de Yucatán, e testemunhou a ascensão das civilizações pré-maia e maia. Em suas planícies do norte e centrais ergueram-se as grandes e clássicas cidades maias de Tikal, Uaxactún, Altar de Sacrifícios, Piedras Negras, Yaxhá e Seibal; nos planaltos do sul estavam as cidades de Zacualpa, Kaminaljuyú, Cotzumalhuapa e outras. Elas mantinham conexões políticas e econômicas entre si e com as cidades pré-históricas no sul e centro do México, como as de Teotihuacán e Monte Albán (em Oaxaca). A Guatemala é o berço da civilização maia, cujo centro era a região de Petén, o que justifica as características únicas da cultura guatemalteca no quadro da cultura centro-americana. Entre os séculos VII e XII, quando os astecas estenderam seu domínio até a Guatemala, os maias migraram para Yucatán. Posteriormente, nova migração os conduziu ao Petén. De 2500 a.C. até ao século X d.C., os Maias viveram uma era florescente, entrando depois em declínio até serem subjugados pelo conquistador espanhol Pedro de Alvarado, lugar-tenente de Cortés, em 1523.
Período colonial
O território da Guatemala foi descoberto em 1523, por uma frota de fragatas do Império Espanhol. Quando chegaram ao território, os espanhóis o encontraram povoado pelos maias-quichés, cachiqueles e tzutoiles. Nada mais restava do antigo esplendor da civilização maia: a tecnologia era atrasada e a atividade econômica revelava estagnação cultural. Como outros grupos ameríndios, não tinham descoberto o uso da roda; além disso, por desconhecerem a metalurgia, seus instrumentos e armas eram de pedra e madeira. A primeira grande expedição, de Pedro de Alvarado, em 1523, entrou pelo território maia, onde encontrou forte resistência, razão pela qual a conquista não pôde completar-se até 1544. A versão maia da invasão espanhola foi recolhida nas crônicas da Casa Izquim Nehaib, redigidas em língua quiché durante a primeira metade do século XVI.
Independência
Carrera restabeleceu os privilégios da Igreja e opôs-se às tentativas de reconstruir a federação centro-americana. Em 1859, firmou com o Reino Unido um tratado que definiu os limites com as Honduras Britânicas (atual Belize). Seus sucessores na presidência tornaram-se cada vez mais despóticos. Em 1871, teve início uma revolução que derrubou o governo e iniciou um período liberal que se manteve, com breves interrupções, até 1944. O governo de Justo Rufino Barrios, a partir de 1873, foi marcado pela política anticlerical e de desenvolvimento econômico, baseada no investimento em grandes propriedades produtoras de café. Sua política social, entretanto, foi prejudicial aos índios, que ficaram subordinados a um regime de trabalho quase servil. Ardoroso defensor da união centro-americana, Rufino tentou obtê-la a força e invadiu El Salvador. Morreu na batalha de Chalchuapa, em 1885. Seguiram-se governos autoritários e instabilidade política até 1931. Por intermédio da United Fruit Company, instalada no país em 1901, os EUA exerceram aí forte influência, que se manifestou principalmente nas presidências de Cabrera (1898–1920) e Ubico (1931–1945).
O século XX
Após Barrios, os dirigentes de maior destaque foram Manuel Estrada Cabrera (1898–1920), ditador durante 22 anos, e o general José Maria Orellana, que ocupou a presidência até 1927, quando foi nomeado presidente o antigo oficial do Exército Lázaro Chacón. Em 1930, os efeitos da depressão econômica e as acusações de corrupção contra a ditadura de Chacón provocaram a sua queda. O general Jorge Ubico Castañeda foi nomeado presidente em 1931. Político populista, alcançou alguns êxitos notáveis em relação à economia guatemalteca, como a recuperação da depressão de 1930 e o primeiro superávit nas contas do país. No entanto, quem mais se beneficiou foi a empresa norte-americana United Fruit Company e a oligarquia nacional. A rigidez de seu regime fez com que Jorge Ubico fosse obrigado a renunciar em consequência de uma greve geral, em 1944, pondo, assim, um ponto final às ditaduras militares. Os trabalhadores organizaram-se em sindicatos e formaram-se partidos políticos.
O país tem uma área de 108 889 km², sendo o terceiro maior do subcontinente, superado apenas por Nicarágua e Honduras, respectivamente. A nação possui uma grande variedade de climas, devido ao seu terreno montanhoso que vai desde o nível do mar até 4 220 m de altitude no Monte Tajumulco, o ponto mais elevado do país. A variação topográfica no território guatemalteco dá margem para que diversos ecossistemas se desenvolvam no país, variando dos manguezais da costa do Pacífico às florestas de altitude nas regiões montanhosas. Tal abundância de áreas biologicamente significativas e exclusivas à Guatemala contribui para sua classificação como um centro de biodiversidade. Limita-se ao Norte com o México, ao Sul com Honduras e El Salvador, ao leste faz fronteira com Belize e o mar do Caribe e ao Oeste é banhado pelo oceano Pacífico. Assim como outros países centro-americanos, a Guatemala possui diversos lagos, cadeias de montanhas, que são prolongamento da Serra Madre mexicana, e grandes vulcões – alguns chegam a atingir mais de 4 000 m de altitude e ainda estão ativos, como o próprio Tajumulco (4 220 m) e o Tacaná (4 093 m). Ao sul e a leste as altitudes são menores. O Vale Motagua, na planície de El Petén, é um dos principais campos de fósseis de dinossauros. É também a região mais fértil do país e onde se concentram as principais atividades econômicas, com destaque para o cultivo do milho e a banana. Na região próxima ao Pacífico, as plantações de cana-de-açúcar e café são as mais importantes.
Meio Ambiente
Em 2019, as florestas cobrem menos de 30% do território, contra mais de 40% no início dos anos 2000. Segundo as Nações Unidas, "instituições fracas combinadas com a sede de lucro" aumentam "a vulnerabilidade socioambiental da Guatemala aos impactos da mudança climática e dos desastres naturais". O país também enfrenta a contaminação do solo, da água e do ar e a degradação da biodiversidade.
Com 17,2 milhões de habitantes, a Guatemala é o país centro-americano mais populoso, e o segundo mais densamente povoado. A população é formada majoritariamente por indígenas e descendentes. De acordo com o censo de 2010, os mestiços compõem cerca de 41% da população da Guatemala. Os brancos de ascendência europeia, sobretudo espanhola, alemã e italiana representam 10%. Os ameríndios, descendentes dos maias, constituem 48,9% da população. A maior parte da população da Guatemala é rural, contudo a urbanização está em aceleração.[carece de fontes?] Embora a língua oficial seja o espanhol, ela não é universalmente compreendida entre a população indígena; ainda são faladas várias línguas maias, em especial em áreas rurais. Ao todo existem mais de vinte línguas maias, xinca e garífuna presentes. Os acordos de paz assinados em dezembro de 1996 determinam a tradução de alguns documentos oficiais e de materiais de voto para várias línguas indígenas.
Religião
O catolicismo era a única religião reconhecida durante o período colonial. Sempre havia questões de intolerância religiosa no país na época colonial devido às religiões politeístas dos nativos indígenas. O protestantismo tem aumentado significativamente nos últimos anos, devido à chegada de várias denominações dos Estados Unidos na década de 1970. Com a chegada dos espanhóis no Novo Mundo, o povo foi convertido ao catolicismo, mas suas crenças primitivas não foram esquecidas. As crenças religiosas maia são praticadas por uma grande porcentagem da população. A prática das crenças religiosas maia tem aumentado bastante entre os descendentes desta civilização devido à proteção garantida a estes pelo Acordo de Paz, principalmente na parte ocidental do país. Um dos exemplos mais típicos desse sincretismo religioso são os ritos da Igreja de Santo Tomás, em Chichicastenango.
Idiomas
A língua oficial da Guatemala é o espanhol, falado por 93% da população como a primeira ou segunda língua nativa. Vinte e uma línguas maias são faladas, especialmente nas zonas rurais, bem como duas línguas não maias ameríndias: xinca, que é de origem indígena, e garífunas, uma língua aruaque falada na costa do Caribe. De acordo com a Lei de Línguas de 2003, estas línguas não são reconhecidas como línguas nacionais.
A Guatemala é uma república democrática constitucional segundo a qual o Presidente é tanto chefe de Estado quanto chefe de governo. O país possui um sistema multipartidário. O Poder Executivo é exercido pelo Governo. O Poder Legislativo é investido no governo e no Congresso da República Guatemalteca. O Poder Judiciário é independente do executivo e do legislativo. O parlamento da Guatemala, o Congresso da República, com 113 assentos, é eleito cada quatro anos, simultaneamente com as eleições presidenciais. O presidente atua como chefe de Estado e do governo. Em suas tarefas executivas é auxiliado por um gabinete de ministros que são designados pelo próprio presidente.
A Guatemala está dividida em 22 departamentos, que são os seguintes, com suas respectivas capitais:
A economia da Guatemala baseia-se predominantemente na agricultura. Um quarto do PIB, dois terços das exportações e metade da força de trabalho do país provém do campo. O país é o 2º maior produtor do mundo de cardamomo, um dos 10 maiores produtores mundiais de café, cana-de-açúcar, melão e borracha natural, e um dos 15 maiores produtores de banana e óleo de palma. Os principais produtos de exportação do país são, na seguinte ordem de valor: banana, açúcar, café e cardamomo. Cerca de metade das exportações da Guatemala vão para os Estados Unidos. Em 2020, o país foi o 86º maior exportador do mundo (US$ 11,1 bilhões, 0,1% do total mundial). Na soma de bens e serviços exportados, chega a US$ 13,5 bilhões, ficando em 88º lugar mundial. Já nas importações, em 2019, foi o 73º maior importador do mundo: US$ 19,8 bilhões. Em 2018, a Guatemala tinha a 68ª indústria mais valiosa do mundo (US$ 10,5 bilhões), segundo o Banco Mundial. A Guatemala tem um nível econômico levemente superior ao do Uruguai e do Paraguai.
Educação
O Ministério da Educação é o órgão do governo guatemalteco responsável pela educação na Guatemala, ao qual disciplina a aplicação do regime jurídico relativo aos serviços escolares e extraescolares, para a educação formal dos guatemaltecos. Na Guatemala, em 2015, a taxa de alfabetização para pessoas com 15 anos ou mais foi estimada em 81,4%, sendo maior entre os homens (87,4%) do que entre mulheres (76,3%), sendo a taxa de alfabetização mais baixa da América Central. A expectativa de vida escolar, do ensino primário ao superior, era de 11 anos de estudos em 2015. O país destina cerca de 3,20% de seu orçamento anual para gastos e investimentos em educação, o que se revela modesto em comparação com as nações vizinhas e outros países do mundo. A educação é obrigatória por lei até o ensino secundário.
Gastronomia
A Guatemala, berço dos maias, tem uma cultura gastronômica tão rica e variada como antiga. Na culinária cotidiana da Guatemala o milho é rei e senhor: Tortilhas, Tamalitos, Pishtones, Tacos, Enchiladas, Chuchitos, etc., têm o milho como ingrediente principal
Serviços públicos
O estado proporciona assistência médica e gratuita, mas também há hospitais particulares nas grandes cidades. Mesmo assim, os serviços médicos e sanitários são insuficientes, especialmente nas zonas rurais e nos subúrbios mais pobres. O ensino primário (seis anos) é gratuito e obrigatório, mas o sistema educacional não preenche as necessidades do país e apenas uma minoria chega ao segundo grau. A principal universidade pública é a de San Carlos de Guatemala, fundada em 1676.
História e tradições
No território guatemalteco se encontram alguns dos mais remotos vestígios da civilização maia, cujas fases são conhecidas graças às estelas de pedra, usadas para medir o tempo. A primeira foi encontrada em Uaxactún e data do ano 328 da era cristã. Outros centros com ruínas maias são Quirigua e Yaxchilán. Textos como o Popol Vuh, o Rabinal Achi e o Memorial de Tecpán-Atitlán foram escritos depois da conquista, em línguas indígenas com caracteres latinos. Na arquitetura colonial, predominou o barroco espanhol com elementos indígenas. As ruínas da catedral de Antigua Guatemala são a melhor mostra desse estilo. A estatuária popular adquiriu grande perfeição a partir do século XVI.
Literatura Espanhola
A figura de maior destaque nas letras guatemaltecas é Miguel Ángel Asturias, que recebeu em 1967 o Nobel de Literatura. Seu interesse pelas raízes do povo se expressa em todas as suas obras, com frequentes alusões a mitos indígenas.
Esportes
O futebol é o esporte mais popular na Guatemala e sua equipe nacional apareceu em 18 edições do Campeonato da CONCACAF, vencendo-o uma vez em 1967. No entanto, o time ainda nunca se classificou para a Copa do Mundo da FIFA. O futsal é provavelmente o esporte coletivo de maior sucesso na Guatemala. A equipe nacional venceu o Campeonato CONCACAF de Futsal de 2008 como anfitriões. Foi também o vice-campeão em 2012 como anfitrião e conquistou a medalha de bronze em 2016. Erick Barrondo ganhou a única medalha olímpica para a Guatemala até agora, na marcha atlética nos Jogos Olímpicos de Verão de 2012.


