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Metal gótico

Metal gótico é um gênero de fusão que combina a agressividade do heavy metal com as atmosferas sombrias do rock gótico. A música do gothic metal é diversa, com bandas conhecidas por adotar a abordagem gótica em diferentes estilos de heavy metal.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 23/07/2026
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Etimologia

O termo gothic entrou no heavy metal com o lançamento do álbum Gothic da banda inglesa Paradise Lost em 1991. Desde então, os fãs têm frequentemente entrado em desacordo sobre "quais bandas são, ou quais definitivamente não são autenticamente góticas". Alguns músicos tem disputado o rotulo de gótico associado aos seus grupos, incluindo Rozz Williams do Christian Death e Andrew Eldritch do The Sisters of Mercy. No subgênero do gothic metal, membros de bandas como After Forever, HIM e Nightwish tem minimizado ou rejeitado o rótulo "gótico" em sua música.

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Características

O gothic metal é considerado um estilo musical bastante amplo e controverso, gerando diversas discussões sobre o que é necessário para uma banda ser considerada do estilo ou até mesmo a sua existência propriamente dita. Alguns pontos comuns entre estas bandas podem ser citados abaixo:

Variações do gótico dentro do metal

Desde a década de 1990 o gothic metal se tornou um gênero variado, com bandas de metal gótico seguindo muitas direções diferentes, fundindo a atmosfera sombria e gótica aos mais variados estilos e subgêneros dentro do heavy metal, de "variações lentas e pesadas" a "orquestrais, sinfônicas e melancólicas". A experiência do death/doom metal dos pioneiros como Anathema, Paradise Lost e My Dying Bride foi tomada por grupos como Artrosis, Ava Inferi e Draconian, do black metal de Cradle of Filth, Theatres des Vampires e do início da carreira de Moonspell e em bandas subsequentes como Graveworm, Drastique e Samsas Traum, enquanto também no metal sinfônico de Tristania e Within Temptation pode ser encontrado em outros grupos como Epica, Sirenia e After Forever. Outras observações do gótico dentro do metal incluem o black metal sinfônico de Trail of Tears, o folk metal de Midnattsol, o metal industrial de Deathstars, Gothminister e Neon Synthesis, o metal alternativo e nu metal de Evanescence, Lacuna Coil, We Are the Fallen e Mushroomhead, o doom metal e heavy metal de Type O Negative e o metalcore de Motionless in White.

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Temática

As letras do gothic metal abordam alegoricamente temas de escolas literárias tradicionais do século XIX como o Ultra-romantismo e o Simbolismo incluindo críticas à religião, horror, tragédias e romances, histórias de fantasia e ficção científica, releituras mitológicas e temas medievais. Estas duas últimas características são notadas em diversas bandas de gothic metal, porém, não são essenciais. O metal gótico é permeado pelo lado escatológico do imaginário judaico-cristão. Alguns exemplos:

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Precursores

Imagem: de Paula FJ · BY-NC-SA · Openverse

Os primórdios do gothic metal já podem ser vistos em quatro bandas dos anos 1980.

Christian Death

O gênero death rock, através de bandas como Christian Death, teve grande influência no que seria futuramente o gothic metal, mas esta influência parece vir dos últimos trabalhos da banda com Valor Kand, que considerava o estilo da banda como um tipo de heavy metal diferentemente da formação original da banda com Rozz Williams, época na qual a banda possuía grande influencia do punk rock e glam rock. Apesar de Rozz Williams nunca ter negado suas raízes hard rock – especificamente o Kiss e Alice Cooper – com a saída dele o Christian Death tendeu visivelmente ao heavy metal. Um exemplo disso é Born in a Womb, Died in a Tomb, faixa de abertura do álbum All the Hate (1989); essa música têm alguns elementos bem explícitos do thrash metal.

Fields of the Nephilim

Fields of the Nephilim lançou apenas três álbuns de estúdio antes de sua dissolução inicial em 1991. Eles reformaram, lançaram mais álbuns e foram reconhecidos por sua influência no "excesso de bandas de metal" no início do século 21 "que incorporaram elementos óbvios do gótico em seu som, especialmente detectado em sua apreciação de sons sinfônicos e de teclado (bem como seu senso de moda e o vocal gutural do vocalista Carl McCoy)".

Samhain

Temos também o caso Glenn Danzig, então ex-vocalista do The Misfits. Danzig continuou sua empreitada musical montando o Samhain, que aproximava o horror punk de sua ex-banda com o heavy metal. O gothic metal também pode ser visto aqui em suas formas embriônicas, apesar do Samhain exibir um humor macabro discrepante com a "seriedade" dos seus equivalentes europeus. Assim como o Christian Death, a música do Samhain teve pouca repercussão sobre o gothic metal contemporâneo. Apesar disso, algumas bandas de Black Metal gravarem covers da banda (como o Marduk e o Cradle of Filth).

Celtic Frost

Os suíços do Celtic Frost foram de fundamental importância para o desenvolvimento do gothic metal europeu. O grupo é uma influência assumida do My Dying Bride, Katatonia, Paradise Lost, Moonspell, Tiamat, The Gathering e muitos outros que ajudaram a moldar o estilo para o que ele é hoje. O Celtic Frost foi um grande pioneiro dentro do metal extremo, porque:

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História

O álbum de estreia homônimo de Black Sabbath de 1970 é tido como "o primeiro registro de goth metal". O autor Gavin Baddeley observa os elementos góticos apontando que a faixa-título do álbum "descreve um rito satânico, sombrio e completo com chuva forte e efeitos sonoros de sinos de igreja, enquanto a capa se concentra em uma garota de aparência fantasmagórica e capa preta em um cemitério, atingida por um doente filtro ocre pálido". Outros comentaristas descreveram o Black Sabbath como o "protótipo gótico pesado absoluto". A banda surgiu em 1968 no final da chuva de paz e amor da onda hippie. Seus integrantes vestiam jaqueta preta, usavam crucifixos e ankhs em fotos promocionais. Black Sabbath explorou o lado mais oculto, pertubador e pesado do rock, dando origem a um gênero inteiro que se tornaria popular pelas gerações seguintes. Seu vocalista na época, Ozzy Osbourne, ficou conhecido pelo apelido "Príncipe das Trevas", o que reforçou ainda mais a imagem sombria da banda. Muitas das primeiras bandas de metal gótico tiveram grande influência do Black Sabbath. Os críticos também observaram que separando a música da banda "de suas conotações metálicas pesadas", um "poderia separar um álbum gótico matador de seus primeiros cinco LPs, com todos os pontos de referência e requisitos futuros intactos".

Europa

Na Inglaterra o trio do Northern Doom aperfeiçoou em suas músicas as características apresentadas pelo celtic frost . O passo inicial foi dado pelo Paradise Lost, no seu paradigmático Gothic (1991). Ainda com a sonoridade doom / death metal do primeiro disco (Lost Paradise, 1990), a banda no entanto se aventura bem além dos limites estreitos do metal extremo da época. Assim como o Celtic Frost o Paradise Lost incorpora vocais "líricos", tímpanos e arranjos orquestrais (emitidos através de um sintetizador). Ele também cria dois elementos que compoem a formula básica do gothic metal: Depois de gothic explodiram bandas de doom / death metal pela Europa inteira, entre 1992-1994. Muitas delas iriam mais tarde fazer parte da 2º geração do goth metal: Amorphis,Crematory, Cemetery e Theatre of Tragedy, entre outros. Algumas chegaram nesse mesmo caminho independente do Paradise Lost, como foi o caso do Tiamat e o My Dying Bride.

Os primeiros discos de gothic metal

O primeiro disco de gothic metal - apesar do termo ainda não ter sido cunhado - foi Icon (1993), do Paradise Lost. A banda simplificou suas músicas e se livrou dos riffs de death metal e dos andamentos lúgubres do doom metal. Nick Holmes também substituiu o seu vocal gutural por um timbre de voz bem parecido com o de James Hetfield (Metallica). No mesmo ano é lançado Serenades do Anathema. Apesar de musicalmente situado dentro do death/doom metal, não tendo, assim, nada do que hoje é considerado gothic metal, o álbum tinha uma faixa, "Sleepless", um meio termo entre The Cure e Metallica que viria a ser, diretamente ou indiretamente, um modelo a ser seguido no emergente gothic metal.

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Chegada ao mainstream

Type O Negative

O primeiro "disco de sucesso" do gênero foi o Bloody Kisses (1993), do Type O Negative. O disco em questão tinha uma versatilidade e apelo "mainstream" muito superior ao dos seus contemporâneos europeus. Bloody Kisses deu várias oportunidades à banda: foram incluídos no tributo ao Black Sabbath (Nativity In Black, 1994) e fizeram turnês ao lado do Danzig, Pantera, Nine Inch Nails e Mötley Crüe. O TON também teve uma música sua incluída na trilha do filme Mortal Kombat (1995), um disco de platina nos Estados Unidos. Cabe dizer que até hoje já foram vendidas mais de um milhão de cópias de Bloody Kisses só nos Estados Unidos. A banda também conseguiu um disco de ouro por October Rust (1996).

Paradise Lost

O Bloody Kisses europeu foi Draconian Times (1995), do Paradise Lost. Nesse época a banda já tinha conseguido vender mundialmente 1 milhão discos, um marco na história do metal underground só alcançado depois pelo Cannibal Corpse e Cradle of Filth. Dez anos depois, o Paradise Lost conseguiu dobrar essa marca – mesmo sem nunca ter conseguido um só disco de ouro ou platina. Há também rumores persistentes de que disco Icon (1993) teria ultrapassado as vendas do álbum hômonimo do Metallica na Alemanha, porém não foi confirmado.

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Críticas

Imagem: Rubén G. Herrera · BY-NC-SA · Openverse

Relação com o metal sinfônico

Uma grande controvérsia do gothic metal contemporâneo é o fato de que seus grupos mais bem-sucedidos são vistos como clichês e o estilo geralmente possui alguma desaprovação ou negação por parte da subcultura gótica. O motivo vêm de uma provável visão midiática e estereotipada do gothic metal – um censo de moda de certas bandas de metal com vocalistas femininas e floreios neoclássicos. Essa generalização acaba englobando bandas de metal sinfônico como Nightwish, Epica e After Forever. Numa entrevista cedida ao site espanhol Hall of Metal, Tuomas Holopainen (Tecladista e líder do Nightwish) disse o seguinte a respeito do termo "gótico" ao som da banda:

Negação como estilo musical

Críticos do estilo também argumentam que o termo gothic metal (ou metal gótico) é um rótulo tipicamente midiático, e que o mesmo não deve ser levado a sério, já que segundo os críticos, o suposto estilo tem pouca ou nenhuma relação com o rock gótico. Uma ampla gama de bandas de gêneros tão distintos do metal desde a década de 1990 podem se apropriar de temas góticos e soturnos no geral, o que leva a críticas de que "isso não necessariamente significa a criação de um estilo ou gênero musical único".

Relação com a subcultura gótica

Alguns góticos negam o metal gótico ou não o levam em consideração como componente da subcultura gótica, pelo fato desse estilo estar mais ligado a gêneros dentro do metal e a cultura headbanger. A música do metal é percebida por alguns seguidores da subcultura gótica como uma "antítese machista crassa e crua" – o gênero do metal é comumente associado a virilidade, agressão e "masculinidade" contrapondo a vulnerabilidade melancólica do rock gótico anterior. Ao ponto de vista de alguns adeptos, a cultura que envolve o metal possui valores e comportamentos que são distintos com aqueles apresentados na subcultura gótica. Argumentam também que o fato de algumas bandas serem introduzidas à mídia muito facilmente tende por acabar classificando toda banda que tenha vocais femininos e instrumentos sinfônicos como uma banda gótica.

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Fontes consultadas

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