Glutationa
A glutationa, também conhecida como glutationo ou glutatião (γ-glutamilcisteinilglicina), é um tripeptídeo singular. Sua estrutura incomum de 'Y-amida é formada por três aminoácidos: ácido glutâmico, cisteína e glicina. O grupo tiol da cisteína é a chave para suas poderosas propriedades bioquímicas. Este antioxidante hidrossolúvel é encontrado em abundância em tecidos de animais, plantas e microrganismos. Nas células, suas concentrações variam entre 1 e 8 mM, sendo o fígado o principal reservatório. É o tiol mais comum e o peptídeo de baixo peso molecular mais abundante, adaptado evolutivamente para diversas funções metabólicas.
Pontos-chave
- A glutationa é um tripeptídeo formado por ácido glutâmico, cisteína e glicina.
- Possui um papel crucial como antioxidante hidrossolúvel nas células.
- É o tiol mais prevalente e o peptídeo de baixo peso molecular mais abundante.
- Sua síntese ocorre no fígado e sua distribuição é ampla por todo o corpo.
- Níveis reduzidos de glutationa estão associados ao envelhecimento e a doenças.
Descoberta em 1888 por Rey-Pailhade, foi inicialmente chamada de “philothion”, referindo-se à presença de enxofre. Posteriormente, pesquisadores a cristalizaram e confirmaram a importância do enxofre, batizando-a de glutationa (L-gama-glutamil-L-cisteinilglicina).
Imagem: Felipebcm · CC0 · Openverse
A glutationa está presente em praticamente todas as células. Mitocôndrias e núcleos possuem suas próprias reservas de glutationa, essenciais para protegê-los contra os danos causados pelas espécies reativas de oxigênio (ROS).
A síntese da glutationa ocorre no fígado em duas etapas, catalisadas pelas enzimas γ-glutamil-cisteina-sintetase (GCS) e glutationa-sintetase, utilizando glutamato, cisteína e glicina. A adenosina trifosfato (ATP) é necessária em ambas as reações. A atividade da GCS é regulada pelo produto final, inibindo a própria síntese. A glutationa é distribuída pelo corpo via corrente sanguínea. Sua degradação ocorre principalmente nos rins, catalisada pela γ-glutamiltranspeptidase (GGT) e pela cisteinil-glicina-dipeptidase. O processo envolve catabolismo, recaptação celular de produtos e sua posterior utilização ou conversão em ácido mercaptúrico para eliminação.
A glutationa é a principal defesa contra radicais livres e peróxido de hidrogênio, protegendo a homeostase celular. A defesa antioxidante celular inclui mecanismos enzimáticos e não enzimáticos. Enzimas como a glutationa redutase e a glutationa peroxidase (GPx) são cruciais. Outros sistemas, como a superóxido dismutase (SOD) e a catalase, também atuam convertendo radicais perigosos em substâncias inofensivas.
O metabolismo de substâncias estranhas (xenobióticos) ocorre em duas fases. A Fase I modifica quimicamente a molécula (oxidação, redução, hidrólise), e a Fase II a conjuga com outras moléculas para facilitar sua excreção. A glutationa, através das Glutationa-S-transferase (GST), é fundamental na Fase II, conjugando xenobióticos para sua destoxificação. As GSTs estão presentes em vários tecidos, especialmente no fígado, e localizam-se predominantemente no citoplasma.
A glutationa desempenha um papel vital em diversos processos celulares. Alterações em seus níveis podem influenciar o desenvolvimento e a progressão de várias doenças humanas. Estudos mostram que os níveis de glutationa diminuem com o envelhecimento, estando associados a doenças relacionadas à idade. Seus níveis são um indicador sensível da saúde e viabilidade celular.


