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Julius Evola

Giulio Cesare Andrea Evola, mais conhecido como Julius Evola foi um filósofo e escritor italiano. Um ideólogo e mentor do neofascismo italiano e da extrema-direita, Evola descrevia os seus valores como tradicionalistas, aristocratas e imperialistas. Evola abordou temas entre os quais a filosofia, esoterismo, política e ascese.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 23/07/2026
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Vida

Giulio Cesare Evola nasceu em Roma no dia 19 de maio de 1898. Os pais de Evola eram Vincenzo Evola, chefe mecânico telegráfico, e Concetta Mangiapane, relatada como proprietária de terras. Embora não fosse, Giulio Cesare Evola muitas vezes se referiu a si mesmo como um barão, em referência a uma suposta relação de descendência distante com uma família aristocrática siciliana de origem normanda antiga do Reino da Sicília. Em 1917 é mobilizado para a Primeira Guerra Mundial como oficial de artilharia, mas não chega a combater. Após a experiência, passou a ser conhecido como pintor do dadaísmo e do futurismo, influenciado por Papini e Marinetti. Durante esta época Evola sofre uma crise existencial, que o leva a anunciar o seu suicídio. Este período está documentado nas cartas de Evola ao poeta Tristan Tzara, onde relata a experimentação da luta interior que a artista viveu entre 1920 e 1921, onde "o sofrimento agudo se alterna com o desespero".

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Obra

Como poeta

O primeiro período artístico foi o chamado idealismo sensorial. A atividade artística começa jovem: as primeiras pinturas datam de 1915, os primeiros poemas de 1916. Através de Giovanni Papini ele entrou em contato com alguns expoentes do Futurismo como Giacomo Balla e Filippo Tommaso Marinetti. Em 1919 participou na "Grande Exposição Futurista Nacional" do Palazzo Cova em Milão. Destacam-se as obras: Forja, estúdio de ruídos (por volta de 1917), Chá das cinco (por volta de 1918) e Mazzo di fiori (1917-18). Em 1920 ele se juntou ao dadaísmo e entrou em correspondência com Tristan Tzara. Como pintor, tornou-se um dos principais expoentes do dadaísmo na Itália. Algumas obras importantes pertencem a esta fase: Paisagem Interior 10.30 (1918-20) e Abstração (1918-20). Neste período, realiza duas exposições individuais: a de janeiro de 1920 na casa de arte Bragaglia, em Roma, e a de janeiro de 1921, na galeria Der Sturm, em Berlim, onde apresenta sessenta de suas pinturas. Em 1920 publicou a brochura Abstract Art for the Dada Collection. No mesmo ano fundou a revista Bleu com Gino Cantarelli e publicou o poema dada La parole obscuro du paysage intérieur em Zurique. Colabora também com as Crônicas da atualidade de Anton Giulio Bragaglia e com Noi de Enrico Prampolini. Em 1923 a atividade pictórica cessou e até 1925 fez uso de drogas com o objetivo de atingir estados alterados de consciência.

Como escritor

Como tradutor, publicou autores como Ernst Jünger, Ortega y Gasset, Oswald Spengler, Weininger, Bachofen, Guénon e Gustav Meyrink. Do ponto de vista acadêmico, talvez sua obra mais reconhecida tenha sido La dottrina del risveglio (1943), um ensaio sobre o ascetismo budista. Ainda assim é possível verificar modificações importantes que Evola faz a fim de aproximar o budismo de sua ideologia aristocrática. Como exemplo dessas modificações, o monge Paññobhāsa Bhikkhu, embora reconheça em parte o valor da obra, ressalta para o fato de que a palavra geralmente usada para "nobre" na língua Pali é Ariya, o equivalente em Pali do sânscrito (e inglês), Arya. Evola então traduz o que é conhecido universalmente como Quatro Nobres Verdades como "quatro verdades do Ariya", e assim segue traduzindo "o caminho óctuplo do Ariya", "a doutrina do Ariya", a fim de aproximá-las dos Indo-arianos. Em 1951 a obra foi então traduzida para o inglês por Harold Edward Musson (Ñāṇavīra Thera), monge budista Theravāda. de acordo com Evola, o livro teria recebido ainda aval da Pali Text Society.

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Controvérsias

O historiador Aaron Gillette descreveu Evola como "um dos mais influentes racistas fascistas da história italiana". Evola continua a influenciar movimentos neofascistas contemporâneos. O primeiro livro de filosofia foi publicado em 1925: Ensaios sobre o idealismo mágico. Coerente com as posições teóricas de sua segunda fase artística (abstracionismo místico), Evola se desvincula do idealismo alemão hegeliano em favor de uma liberdade interior absoluta. O pensamento deve colocar-se a tarefa de superar os limites do humano para ir em direção ao além-homem teorizado por Nietzsche. O atualismo de Giovanni Gentile torna-se assim o ponto de partida: do ego como princípio ativo da realidade em nível lógico-abstrato, ao ego como critério de poder capaz de afirmar o indivíduo absoluto. Gentile, filósofo ligado ao partido fascista, continuará sendo alvos de críticas de Evola, e vice-versa. Ambos estavam em posições excessivamente distantes, e também os pressupostos doutrinários e religiosos são irreconciliáveis. Gentile reconhece em Evola uma certa competência no campo esotérico-alquímico e de fato pede a Evola que cuide de um verbete para a Enciclopédia Italiana. Mesmo alguns dos alunos de Gentile dão a Evola uma certa estima, em particular Guido Calogero mas em geral Gentile sempre permanecerá objeto de duras críticas por Evola, especialmente após a guerra.

Racismo

De acordo com Furlong, Evola desenvolveu "a lei da regressão das castas" em "Revolta contra o Mundo Moderno". Evola escreveu vários artigos sobre o racismo a partir da década de 1930 e do período da Segunda Guerra Mundial. Na visão de Evola, "poder e civilização progrediram de uma para outra das quatro castas — líderes sagrados, nobreza guerreira, burguesia (economia, 'mercadores') e escravos". Furlong explica: "Para Evola, o núcleo da superioridade racial estava nas qualidades espirituais das castas superiores, que se expressavam tanto em características físicas como culturais, mas não eram determinadas por elas. A lei da regressão das castas coloca o racismo no centro da filosofia de Evola, uma vez que ele vê uma crescente predominância de "raças inferiores" expressas diretamente através das modernas democracias de massa." Ainda que admitisse que não havia determinação das castas e que uma casta poderia ascender graças à acção individual, Evola permaneceu tendo opiniões muito duras em relação àqueles que ainda não haviam manifestado o desejo de ascender espiritualmente.

Antissemitismo

A concepção de Evola não enfatizava a concepção racial nazista dos judeus como "representantes de uma raça biológica": na opinião de Evola, os judeus eram "os portadores de uma visão de mundo… um espírito [que] correspondia às " piores "e" mais " decadentes características da modernidade: democracia, igualitarismo e materialismo ".

Anticristianismo

Ainda que seu anticristianismo tenha sido fortemente influenciado por Nietzsche, Evola se baseava em interpretações próprias para tentar fundamentar sua crítica. Ele lamentava a ascensão do cristianismo e a extinção das culturas pagãs que o precederam, ele reconheceu o período medieval como um último suporte para a civilização ariana e a última manifestação significativa dela. De acordo com Evola, o Império Romano contrabalanceava os efeitos perniciosos do cristianismo e "da degeneração geral": o Sacro Império Romano, liderado por um Kaiser, ou César. Nesta histórica luta pelo poder entre o Papa e o Kaiser, Evola se aliou vigorosamente ao Kaiser e teria sido um gibelino firme durante os dias em que a luta ainda estava viva. Por conta dessas posições, o então futuro Papa Paulo VI classificou Evola como "um anticlerical febril cujas obras obstrucionistas e anticatólicas eram quase totalmente desprovidas de significado — mas que, no entanto, criavam tensões entre a Igreja e o Estado."

Visões sobre gênero e seus papéis

Evola sustenta, retomando algumas teses de Sex and Character, de Otto Weininger, que homem e mulher são elementos polares opostos inseridos no binômio em que se baseia o mundo (o homem representa elementos como o sol, o fogo, o céu enquanto a mulher lua, água, terra, etc.) e essas duas partes inevitavelmente se influenciam, embora Evola ainda afirme que o princípio do homem é auto-suficiente enquanto o da mulher deve depender dele para existir. Qualquer equalização de papéis e direitos seria, portanto, um erro para Evola, uma abdicação de seu próprio papel hierárquico espiritual tendendo à virilidade e à feminilidade absoluta. Evola acreditava que as alegadas qualidades superiores esperadas de um homem de uma determinada raça não eram as esperadas de uma mulher da mesma raça. Ele sustentou que "relações justas entre os sexos" envolviam mulheres reconhecendo sua "desigualdade" com os homens. Em 1925, ele escreveu um artigo intitulado "La donna come cosa" ("Mulher como Coisa"). Evola citou mais tarde a afirmação de Joseph de Maistre de que "a mulher não pode ser superior exceto como mulher, mas a partir do momento em que ela deseja imitar o homem, ela não passa de um macaco".

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Influência

A influência de Evola tem sido difícil de se dimensionar, dado a dispersão de seus leitores e a pouca recepção acadêmica de sua obra. À época, sabe-se que o líder fascista italiano Benito Mussolini, o medievalista que aderiu ao nazismo Otto Rahn e o historiador romeno Mircea Eliade demostraram admiração por Evola. Ñāṇavīra Thera disse ter se inspirado para se tornar um bhikkhu ao ler o texto de Evola A Doutrina do Despertar em 1945 enquanto estava hospitalizado em Sorrento. Sabe-se ainda que o grande filósofo alemão Martin Heidegger leu e citou ao menos uma vez a obra de Evola, embora sua influência sobre Heidegger seja desconhecida. Além disso, ele é popular em círculos marginais, em grande parte devido a suas crenças extremamente metafísicas, mágicas e sobrenaturais (incluindo fantasmas, telepatia e alquimia, ainda que entendidos de maneira simbólica). Muitas das teorias e escritos de Evola estavam centrados em seu misticismo idiossincrático, ocultismo e estudos religiosos esotéricos, e este aspecto de seu trabalho influenciou ocultistas e esotéricos.

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