George Washington
George Washington foi um líder político, militar, agricultor, empresário do tabaco e estadista norte-americano. Um dos Pais Fundadores dos Estados Unidos, foi o primeiro presidente daquele país de 1789 a 1797. Anteriormente, liderou as forças patriotas à vitória na Guerra de Independência. Presidiu a Convenção Constitucional de 1787, que elaborou a Constituição e estabeleceu o governo federal. Washington foi denominado o "Pai da Pátria" por conta de sua liderança na formação dos Estados Unidos.
A família Washington era uma rica família da Virgínia que fizera fortuna com a especulação imobiliária. O bisavô de Washington, John Washington, imigrou em 1656 de Sulgrave, na Inglaterra, para a colônia inglesa da Virgínia, onde acumulou 5 000 acres (2 000 hectares) de terra, incluindo Little Hunting Creek no Rio Potomac. George Washington nasceu em 22 de fevereiro de 1732, em Popes Creek, no Condado de Westmoreland, Virgínia, sendo o primeiro de seis filhos de Augustine e Mary Ball Washington. Seu pai era um juiz de paz e uma figura pública proeminente que também teve outros três filhos fruto de seu primeiro casamento com Jane Butler. A família se mudou para Little Hunting Creek em 1735, e então para a Ferry Farm, próximo a Fredericksburg, Virgínia, em 1738. Quando Augustine morreu em 1743, Washington herdou Ferry Farm e dez escravos; seu meio-irmão mais velho, Lawrence, herdou Little Hunting Creek e rebatizou-o de Mount Vernon.
O serviço de Lawrence Washington como ajudante-geral da milícia da Virgínia inspirou George a buscar uma comissão. O vice-governador da Virgínia, Robert Dinwiddie, nomeou-o major e comandante de um dos quatro distritos da milícia. Os britânicos e franceses estavam competindo pelo controle do vale do Ohio na época; os britânicos construíam fortes ao longo do rio Ohio e os franceses estavam fazendo o mesmo entre o rio e o lago Erie. Em outubro de 1753, Dinwiddie nomeou Washington como enviado especial para exigir que os franceses desocupassem o território reivindicado pelos britânicos.[d] Dinwiddie também o indicou para fazer as pazes com a Confederação Iroquois e reunir informações sobre as forças francesas. Washington encontrou-se com o líder tribal Tanacharison e outros chefes iroqueses em Logstown para garantir sua promessa de apoio contra os franceses, e seu grupo chegou ao rio Ohio em novembro. Eles foram interceptados por uma patrulha francesa e escoltados até o Forte Le Boeuf, onde Washington foi recebido de forma amigável. Transmitiu a demanda britânica de desocupação ao comandante francês Saint-Pierre, mas os franceses se recusaram a sair. Saint-Pierre deu a Washington sua resposta oficial em um envelope lacrado após alguns dias de atraso e deu ao grupo de Washington comida e roupas de inverno extras para a viagem de volta à Virgínia. Washington completou a precária missão em 77 dias em condições difíceis de inverno, recebendo distinção quando seu relatório foi publicado na Virgínia e em Londres.
Guerra Franco-Indígena
Em fevereiro de 1754, Dinwiddie promoveu Washington a tenente-coronel e o segundo no comando do Regimento da Virgínia, com 300 soldados, com ordens de enfrentar as forças francesas em Forks of the Ohio. Washington partiu para Forks com metade do regimento em abril, mas logo soube que uma força francesa de mil homens havia começado a construção do Forte Duquesne lá. Em maio, tendo estabelecido uma posição defensiva em Great Meadows, soube que os franceses haviam montado um acampamento a onze quilômetros de distância; Washington decidiu tomar a ofensiva. O destacamento francês revelou ter apenas cerca de cinquenta homens, e então Washington avançou em 28 de maio com uma pequena força de virginianos e aliados indígenas para emboscá-los.[e] O que aconteceu, conhecido como a Batalha de Jumonville Glen ou "caso Jumonville", foi contestado, mas as forças francesas foram mortas com mosquetes e machados. O comandante francês Joseph Coulon de Jumonville, que carregava uma mensagem diplomática para os britânicos evacuarem, foi morto. As forças francesas encontraram Jumonville e alguns de seus homens mortos e escalpelados e presumiram que Washington era o responsável. Washington culpou seu tradutor por não comunicar as intenções francesas. Dinwiddie parabenizou Washington por sua vitória sobre os franceses. Este incidente desencadeou a Guerra Franco-Indígena, que mais tarde se tornou parte da Guerra dos Sete Anos.
Em 6 de janeiro de 1759, Washington, aos 26 anos, casou-se com Martha Dandridge Custis, a viúva de 27 anos do rico proprietário de plantações Daniel Parke Custis. O casamento aconteceu na propriedade de Martha; ela era inteligente, graciosa e experiente em administrar a propriedade de um fazendeiro, e o casal estabeleceu um casamento feliz. Eles criaram John Parke Custis (Jacky) e Martha Parke (Patsy) Custis, frutos do casamento anterior de Martha, e mais tarde seus netos Eleanor Parke Custis (Nelly) e George Washington Parke Custis (Washy). Acredita-se que a crise de varíola de Washington em 1751 o tenha tornado estéril, embora seja igualmente provável que "Martha possa ter sofrido ferimentos durante o nascimento de Patsy, seu último filho, tornando impossíveis nascimentos adicionais". O casal lamentou o fato de não terem tido filhos juntos. Eles se mudaram para Mount Vernon, perto de Alexandria, onde Washington começou a trabalhar como plantador de tabaco e trigo e emergiu como uma figura política.
Oposição ao Parlamento Britânico
Washington desempenhou um papel central antes e durante a Revolução Americana. Seu desprezo pelos militares britânicos começou quando foi preterido para uma promoção ao Exército Regular. Oposto aos impostos exigidos pelo Parlamento Britânico às Colônias sem a devida representação, Washington e outros colonos também ficaram irritados com a Proclamação Real de 1763, que proibia o assentamento americano a oeste dos Montes Allegheny e protegia o comércio de peles britânico. Washington acreditava que a Lei do Selo de 1765 era uma "Lei de Opressão" e celebrou sua revogação no ano seguinte.[g] Em março de 1766, o Parlamento aprovou o Ato Declaratório afirmando que a lei parlamentar substituiu a lei colonial. Washington ajudou a liderar protestos generalizados contra os Atos Townshend aprovados pelo Parlamento em 1767, e apresentou uma proposta em maio de 1769 esboçada por George Mason que convocou os virginianos a boicotar produtos britânicos; os Atos foram essencialmente revogados em 1770.
O Congresso criou o Exército Continental em 14 de junho de 1775, e Samuel e John Adams indicaram Washington para se tornar seu comandante em chefe. Washington foi escolhido em vez de John Hancock por causa de sua experiência militar e a crença de que um virginiano se sairia melhor unindo as colônias. Era considerado um líder incisivo que mantinha sua "ambição sob controle". Foi eleito por unanimidade comandante em chefe pelo Congresso no dia seguinte. Washington compareceu ao Congresso uniformizado e fez um discurso de aceitação em 16 de junho, recusando um salário — embora mais tarde teve as despesas reembolsadas. Foi comissionado em 19 de junho e amplamente elogiado pelos delegados do Congresso, incluindo John Adams, que proclamou que era o homem mais adequado para liderar e unir as colônias. O Congresso nomeou Washington "general e comandante em chefe do exército das Colônias Unidas e de todas as forças levantadas ou a serem levantadas por elas" e o instruiu a assumir o cerco de Boston em 22 de junho de 1775.
Cerco de Boston
No início de 1775, em resposta ao crescente movimento rebelde, Londres enviou tropas britânicas, comandadas pelo general Thomas Gage, para ocupar Boston. Os britânicos construíram fortificações ao redor da cidade, tornando-a imune a ataques. Várias milícias locais cercaram Boston e efetivamente prenderam os britânicos, resultando em um impasse. Enquanto Washington se dirigia para Boston, a notícia de sua marcha o precedeu, e ele foi saudado em todos os lugares; gradualmente se tornou um símbolo da causa patriótica.[h] Ao chegar em 2 de julho de 1775, duas semanas após a derrota dos patriotas na Batalha de Bunker Hill, montou seu quartel-general em Cambridge, Massachusetts, e ali inspecionou o novo exército, encontrando uma milícia indisciplinada e mal equipada. Após discussão, iniciou as reformas sugeridas por Benjamin Franklin — treinar os soldados e impor disciplina estrita, incluindo açoites e encarceramento. Washington ordenou que seus oficiais identificassem as habilidades dos recrutas para garantir a eficácia militar, ao mesmo tempo que removia oficiais incompetentes. Fez uma petição a Gage, seu ex-superior, para libertar da prisão os oficiais patriotas capturados e tratá-los com humanidade. Em outubro de 1775, o rei Jorge III declarou que as colônias estavam em uma clara rebelião e dispensou o general Gage do comando por incompetência, substituindo-o pelo general William Howe.
Batalha de Long Island
Washington então seguiu para a cidade de Nova Iorque, onde chegou em 13 de abril de 1776 e começou a construir fortificações para impedir o esperado ataque britânico. Ordenou que suas forças de ocupação tratassem os civis e suas propriedades com respeito, para evitar os abusos sofridos por cidadãos de Boston nas mãos das tropas britânicas durante sua ocupação. Uma conspiração para assassiná-lo ou capturá-lo foi descoberta, mas acabou sendo frustrada, embora seu guarda-costas Thomas Hickey tenha sido enforcado por motim e sedição. O general Howe transportou seu exército reabastecido, com a frota britânica, de Halifax para Nova Iorque, sabendo que a cidade era a chave para garantir o controle do continente. George Germain, que comandou o esforço de guerra britânico na Inglaterra, acreditava que a vitória na cidade poderia constituir um "golpe decisivo". As forças britânicas, incluindo mais de cem navios e milhares de soldados, começaram a chegar a Staten Island em 2 de julho para sitiar a cidade. Depois que a Declaração de Independência foi adotada em 4 de julho, Washington informou suas tropas em suas ordens gerais de 9 de julho que o Congresso havia declarado as colônias unidas como "Estados livres e independentes".
Cruzando o Delaware e batalhas de Trenton e Princeton
Washington cruzou o Rio Delaware na Pensilvânia, onde o substituto de Lee, John Sullivan, juntou-se a ele com mais dois mil soldados. O futuro do Exército Continental estava em dúvida pela falta de suprimentos, um inverno rigoroso, términos de alistamentos e deserções. Washington ficou desapontado com o fato de muitos residentes de Nova Jersey serem legalistas ou céticos quanto à perspectiva de independência. Howe dividiu seu exército britânico e fixou uma guarnição hessiana em Trenton para proteger o oeste de Nova Jersey e a costa leste do Delaware, mas o exército parecia complacente, e Washington e seus generais planejaram um ataque surpresa aos hessianos em Trenton, algo que chamou de "Vitória ou Morte". O exército deveria cruzar o Rio Delaware até Trenton em três divisões: uma liderada por Washington (2 400 soldados), outra pelo general James Ewing (setecentos) e a terceira pelo coronel John Cadwalader (1 500). A força foi então dividida, com Washington pegando o caminho para Pennington e o general Sullivan viajando para o sul na margem do rio.
Batalhas de Brandywine, Germantown e Saratoga
Em julho de 1777, o general britânico John Burgoyne liderou a campanha de Saratoga ao sul de Quebec através do Lago Champlain e recapturou o Forte Ticonderoga com o objetivo de dividir a Nova Inglaterra, incluindo o controle do Rio Hudson. Mas o general Howe, na Nova Iorque ocupada pelos britânicos, errou, levando seu exército ao sul, para a Filadélfia, em vez de subir o Rio Hudson para se juntar a Burgoyne, perto de Albany. Enquanto isso, Washington e Gilbert du Motier, o Marquês de La Fayette correram para a Filadélfia para enfrentar Howe e ficaram chocados ao saber do progresso de Burgoyne no interior do estado de Nova Iorque, onde os patriotas eram liderados pelo general Philip Schuyler e seu sucessor Horatio Gates. O exército de Washington, com homens menos experientes, foi derrotado nas batalhas campais na Filadélfia.
Vale Forge e Batalha de Monmouth
O exército de Washington, com onze mil soldados, foi para os quartéis de inverno no Vale Forge, ao norte da Filadélfia, em dezembro de 1777. Eles sofreram entre duas mil e três mil mortes no frio extremo durante seis meses, principalmente por doenças e falta de comida, roupas e abrigo. Enquanto isso, os britânicos estavam acomodados confortavelmente na Filadélfia, pagando os suprimentos em libras esterlinas, enquanto Washington lutava com o desvalorizado papel-moeda americano. As florestas logo se exauriram pela caça, e em fevereiro a moral das tropas baixou e as deserções aumentaram. Washington fez repetidas petições ao Congresso Continental solicitando provisões. Ele recebeu uma delegação parlamentar para verificar as condições do Exército e manifestou a urgência da situação, proclamando: "Algo deve ser feito. Alterações importantes devem ser feitas". Recomendou que o Congresso agilizasse os suprimentos, e o órgão concordou em fortalecer e financiar as linhas de suprimentos do exército reorganizando o departamento de comissaria. No final de fevereiro, os suprimentos começaram a chegar.
Espionagem de West Point
Washington se tornou o "primeiro espião mestre da América" ao projetar um sistema de espionagem contra os britânicos. Em 1778, o major Benjamin Tallmadge formou o Anel Culper sob as ordens de Washington para coletar secretamente informações sobre os britânicos em Nova Iorque. Washington desconsiderou os incidentes de deslealdade cometidos por Benedict Arnold, que se destacou em muitas batalhas. Em meados de 1780, Arnold começou a fornecer ao espião britânico John André informações confidenciais destinadas a comprometer Washington e capturar West Point, uma importante posição defensiva americana no Rio Hudson. Os historiadores notaram várias possíveis razões para a traição de Arnold: sua raiva por perder promoções para oficiais subalternos e o repetido menosprezo do Congresso. Também estava profundamente endividado, estava lucrando com a guerra e ficou desapontado com a falta de apoio de Washington durante seu consequente julgamento por uma corte marcial.
Retorno para Mount Vernon
Não estou apenas me aposentando de todos os empregos públicos, mas estou me aposentando dentro de mim mesmo, e serei capaz de ver a caminhada solitária e trilhar os caminhos da vida privada com sincera satisfação ... Vou me mover suavemente pela corrente da vida, até dormir com meus pais. George WashingtonCarta para Lafayette1.º de fevereiro de 1784 Washington ansiava por voltar para casa depois de passar em Mount Vernon apenas dez dias nos mais de oito anos de guerra. Chegou na véspera de Natal, encantado por estar "livre da agitação de um acampamento e das cenas agitadas da vida pública". Washington era uma celebridade e foi festejado durante uma visita a sua mãe em Fredericksburg em fevereiro de 1784, e recebeu um fluxo constante de visitantes desejando prestar seus respeitos a ele em Mount Vernon.
Convenção Constitucional de 1787
Antes de retornar à vida privada em junho de 1783, Washington pediu por uma união forte. Embora estivesse preocupado com a possibilidade de ser criticado por intrometer-se em questões civis, enviou uma carta circular a todos os estados sustentando que os Artigos da Confederação não eram mais do que "uma corda de areia" ligando os estados. Acreditava que a nação estava à beira da "anarquia e confusão", era vulnerável à intervenção estrangeira e que uma constituição nacional unificaria os estados sob um forte governo central. Quando a Rebelião de Shays eclodiu em Massachusetts em 29 de agosto de 1786 devido à tributação, Washington ficou ainda mais convencido de que uma constituição nacional era necessária. Alguns nacionalistas temiam que a nova república tivesse caído na ilegalidade e eles se reuniram em 11 de setembro de 1786, em Annapolis, para pedir ao Congresso que revisse os Artigos da Confederação. Um de seus maiores esforços, entretanto, foi conseguir que Washington comparecesse. O Congresso concordou com uma Convenção Constitucional, a ser realizada na Filadélfia na primavera de 1787, e cada estado deveria enviar seus delegados.
Primeira eleição presidencial
Os delegados da Convenção Constitucional anteciparam uma presidência de Washington e deixaram que ele definisse o cargo assim que fosse eleito.[m] Os eleitores estaduais, de acordo com a Constituição, votaram para presidente em 4 de fevereiro de 1789, e Washington suspeitou que a maioria dos republicanos não havia votado nele. A data prevista de 4 de março foi superada sem que fosse alcançado um quórum no Congresso para que os votos fossem contados; o quórum só foi alcançado em 5 de abril. Os votos foram apurados no dia seguinte, e o secretário do Congresso, Charles Thomson, foi enviado a Mount Vernon para dizer a Washington que ele havia sido eleito presidente. Washington obteve a maioria dos votos eleitorais de todos os estados; John Adams recebeu o segundo maior número de votos e, portanto, tornou-se vice-presidente. Washington teve "sensações de ansiedade e dor" de deixar a "felicidade doméstica" de Mount Vernon, mas partiu para a cidade de Nova Iorque em 16 de abril para ser empossado.
Washington foi empossado presidente em 30 de abril de 1789, prestando seu juramento de posse no Federal Hall, na cidade de Nova Iorque.[n] Sua carruagem foi liderada por uma milícia e uma banda marchando, sendo seguida por estadistas e dignitários estrangeiros em um desfile, que contou com uma multidão de dez mil pessoas. O chanceler Robert R. Livingston administrou o juramento, usando uma Bíblia fornecida pelos maçons, após o qual a milícia disparou uma salva de treze tiros. Washington leu um discurso na câmara do Senado, pedindo que "aquele Ser Todo-Poderoso que governa o universo, que preside os conselhos das nações—e cujas ajudas providenciais podem suprir todos os defeitos humanos, consagre as liberdades e a felicidade do povo dos Estados Unidos". Embora desejasse servir sem receber salário, o Congresso insistiu veementemente que o aceitasse, mais tarde fornecendo a Washington 25 mil dólares por ano para custear os gastos da presidência.
Gabinete e departamentos executivos
O Congresso criou departamentos executivos em 1789, incluindo o Departamento de Estado em julho, o Departamento de Guerra em agosto e o Departamento do Tesouro em setembro. Washington nomeou Edmund Randolph como procurador-geral, Samuel Osgood como diretor-geral dos Correios, Thomas Jefferson como secretário de Estado, e Henry Knox como secretário da Guerra. Por fim, designou Alexander Hamilton como secretário do Tesouro. O gabinete de Washington tornou-se um órgão consultivo e de assessoramento, o que não era determinado pela Constituição. O vice-presidente Adams compareceu a poucas reuniões de gabinete, e Washington buscava seu conselho apenas raramente. Ainda assim, os dois homens, de acordo com John E. Ferling, biógrafo de Adams, "executaram em conjunto muitos mais devereis cerimoniais do poder executivo do que seria esperado para um presidente e um vice-presidente contemporâneo". No Senado, Adams atuou a favor do governo Washington ao usar seu poder de desempate, como presidente da casa, em 29 votações.
Assuntos internos
Washington era apolítico e se opunha à formação de partidos, suspeitando que um embate minaria o republicanismo. Seus conselheiros mais próximos formaram duas facções, pressagiando o Sistema do Primeiro Partido. O secretário do Tesouro, Alexander Hamilton, formou o Partido Federalista para promover o crédito nacional e uma nação financeiramente poderosa. O secretário de Estado, Thomas Jefferson, se opôs à agenda de Hamilton e fundou os republicanos jeffersonianos. Washington, entretanto, favoreceu a agenda de Hamilton que, ao entrar em vigor, resultou em uma amarga controvérsia. Washington proclamou 26 de novembro como um dia de ação de graças para encorajar a unidade nacional. "É dever de todas as nações reconhecer a providência do Deus Todo-Poderoso, obedecer a sua vontade, ser gratos por seus benefícios e humildemente implorar sua proteção e graça". Washington passava aquela data em jejum, visitando os devedores na prisão para fornecer-lhes comida e cerveja.
Relações externas
Em abril de 1792, as Guerras Revolucionárias Francesas começaram entre a Grã-Bretanha e a França, e Washington declarou a neutralidade dos EUA. O governo revolucionário francês enviou o diplomata Edmond-Charles Genêt para a América, e ele foi recebido com grande entusiasmo. Genêt criou uma rede de novas sociedades democrático-republicanas para promover os interesses da França, mas Washington as denunciou e exigiu que os franceses retirassem Genêt. A Assembleia Nacional da França concedeu a Washington a cidadania francesa honorária em 26 de agosto de 1792, durante os primeiros estágios da Revolução Francesa. Hamilton formulou o Tratado de Jay para normalizar as relações comerciais com a Grã-Bretanha e também para resolver dívidas financeiras remanescentes da Revolução. O chefe de Justiça, John Jay, atuou como negociador de Washington e assinou o tratado em 19 de novembro de 1794; os críticos jeffersonianos, no entanto, apoiaram a França. Washington discutiu os termos e apoiou o tratado pois evitou a guerra com a Grã-Bretanha, mas ficou desapontado porque suas disposições favoreciam a Grã-Bretanha. O presidente mobilizou a opinião pública e garantiu a ratificação no Senado, mas enfrentou críticas públicas frequentes.
Assuntos indígenas
Ron Chernow descreveu Washington como sempre tentando ser imparcial ao lidar com os nativos americanos. Chernow afirmou que Washington esperava que aquele povo abandonasse sua vida de caça nómade e se adaptasse a comunidades agrícolas organizadas de acordo com as práticas dos colonos brancos. Também afirmou que o presidente nunca defendeu o confisco total de terras tribais ou a remoção forçada de tribos, e que repreendeu os colonos americanos que abusaram dos nativos, admitindo que não tinha esperança de relações pacíficas com os nativos enquanto "os colonos da fronteira nutrissem a opinião de que não há o mesmo crime (ou mesmo nenhum crime) ao matar um nativo como ao matar um homem branco".
Segundo mandato
Originalmente, Washington planejava se aposentar após seu primeiro mandato, enquanto muitos norte-americanos não conseguiam imaginar ninguém tomando seu lugar. Depois de quase quatro anos como presidente e lidando com as lutas internas em seu próprio gabinete e com críticos partidários, mostrou pouco entusiasmo em concorrer a um segundo mandato, enquanto Martha também queria que o marido não concorresse. James Madison instou-o a não se aposentar, arguindo que sua ausência apenas permitiria que a perigosa divisão política em seu gabinete e na Câmara piorasse. Jefferson também implorou ao presidente que não se aposentasse e concordou em abandonar seus ataques a Hamilton, ou ele também se aposentaria se Washington o fizesse. Hamilton afirmou que a ausência de Washington seria "lamentada como o maior mal" para o país naquele momento. O sobrinho próximo de Washington, George Augustine Washington, o gestor de Mount Vernon, estava gravemente doente e teve que ser substituído, aumentando ainda mais o desejo do presidente de se aposentar e voltar para Mount Vernon.
Discurso de despedida
Em 1796, Washington se recusou a concorrer a um terceiro mandato, acreditando que sua morte no cargo criaria a imagem de que se tratava de uma nomeação vitalícia. O precedente de um limite de dois mandatos foi criado com sua aposentadoria do cargo. Em maio de 1792, antecipando sua aposentadoria, Washington instruiu James Madison a preparar um "discurso de despedida". Em maio de 1796, Washington enviou o manuscrito a seu secretário do Tesouro, Alexander Hamilton, que fez uma extensa reescrita, enquanto o presidente fornecia as edições finais. Em 19 de setembro de 1796, David Claypoole, do jornal Pennsylvania Packet, publicou a versão final do discurso.
Washington se aposentou e foi para Mount Vernon em março de 1797, dedicando tempo a suas plantações e outros interesses comerciais, incluindo sua destilaria. Suas atividades de plantação eram minimamente lucrativas, e suas terras no oeste (Piemonte) estavam sob ataques dos índios e rendiam pouco, com os invasores se recusando a pagar aluguel. Até tentou vendê-los, mas não obteve sucesso. Ao mesmo tempo, se tornou um federalista ainda mais comprometido. Apoiou vocalmente as Leis de Alienação e Sedição e convenceu o federalista John Marshall a concorrer ao Congresso para enfraquecer o controle jeffersoniano na Virgínia. Washington ficou inquieto na aposentadoria, motivado pelas tensões com a França, e escreveu ao secretário da Guerra, James McHenry, oferecendo-se para organizar o exército do presidente Adams. Em uma continuação das Guerras Revolucionárias Francesas, os corsários franceses começaram a apreender navios americanos em 1798, e as relações se deterioraram com a França, levando à "Quase-guerra". Sem consultar Washington, Adams nomeou-o para uma comissão de tenente-general em 4 de julho de 1798 e para o cargo de comandante em chefe dos exércitos. Washington optou por aceitar, substituindo James Wilkinson, e serviu como comandante-geral de 13 de julho de 1798 até sua morte, dezessete meses depois. O ex-presidente participou do planejamento de um exército provisório, mas evitou envolver-se nos detalhes. Ao aconselhar McHenry sobre possíveis oficiais do exército, pareceu romper completamente com os Democratas-Republicanos de Jefferson. Washington delegou a liderança ativa do exército a Hamilton, um major-general. Nenhum exército invadiu os Estados Unidos durante esse período, e Washington não assumiu o comando do campo.
Últimos dias e morte
Em 12 de dezembro de 1799, Washington inspecionou suas fazendas a cavalo na neve e granizo. Voltou tarde para o jantar, mas se recusou a tirar a roupa molhada, não querendo deixar seus convidados esperando. No dia seguinte, teve uma dor de garganta, mas novamente saiu em um tempo gelado e nevado para marcar as árvores para a poda. Naquela noite, reclamou de congestão no peito, mas ainda estava animado. No sábado, tropeçou e caiu no banheiro, chocando sua traqueia com a borda da privada, ficando assim com dificuldade para respirar, ordenando ao supervisor da propriedade, George Rawlins, que removesse quase meio litro de seu sangue (sangria), sendo que o derramamento de sangue era uma prática comum na época. Sua família convocou os médicos James Craik, Gustavus Richard Brown e Elisha C. Dick. (Dr. William Thornton chegou algumas horas depois da morte de Washington).
Washington foi enterrado no antigo jazigo da família Washington em Mount Vernon, situado em uma encosta gramada coberta de salgueiros, zimbro, cipreste e castanheiros. Continha os restos mortais de seu irmão Lawrence e outros membros da família, mas o decrépito jazigo de tijolos precisava de reparos, o que levou Washington a deixar instruções em seu testamento para a construção de um novo jazigo. O espólio de Washington no momento de sua morte valia cerca de 780 mil dólares em 1799, o equivalente a aproximadamente 14,3 milhões de dólares em 2010. O patrimônio líquido máximo de Washington foi de 587,0 milhões de dólares, incluindo seus trezentos escravos. Em 1830, um ex-funcionário descontente da propriedade tentou roubar o que pensava ser o crânio de Washington, o que levou à construção de um jazigo mais seguro. No ano seguinte, o novo jazigo foi construído em Mount Vernon para receber os restos mortais de George, Martha e outros parentes. Em 1832, uma comissão conjunta do Congresso debateu a mudança de seus restos mortais de Mount Vernon para uma cripta no Capitólio. A cripta foi construída pelo arquiteto Charles Bulfinch na década de 1820 durante a reconstrução da capital incendiada, após o incêndio de Washington pelos britânicos durante a Guerra de 1812. A oposição do sul era intensa, antagonizada por uma divisão cada vez maior entre o norte e o sul; muitos estavam preocupados que os restos mortais de Washington pudessem acabar em "uma costa estrangeira ao seu solo natal" se o país se dividisse e os restos mortais de Washington ficassem em Mount Vernon.
Washington tinha uma personalidade um tanto reservada, mas geralmente tinha uma forte presença entre outras pessoas. Fazia discursos e anúncios quando necessário, mas não era um orador ou debatedor notável. Era mais alto do que a maioria de seus contemporâneos; relatos de sua altura variam de 1,83 m a 1,92 m, pesava entre 95 a 100 kg quando adulto, e era conhecido por sua grande força. Tinha olhos azul-acinzentados e cabelo castanho-avermelhado, que usava empoado conforme a moda da época. Washington sofria com frequência de cárie dentária severa e acabou perdendo todos os seus dentes, exceto um. Mandou fazer vários conjuntos de dentadura postiça, que usou durante sua presidência—nenhuma delas de madeira, contrariando a tradição. Esses problemas dentários o deixavam com dores constantes, para as quais tomava láudano. Como uma figura pública, contava com a estrita confiança de seu dentista.
Religião e Maçonaria
Washington descendia do pastor anglicano Lawrence Washington (seu trisavô), cujos problemas com a Igreja Anglicana podem ter levado seus herdeiros a emigrar para a América. Washington foi batizado quando criança em abril de 1732 e se tornou um membro devoto da Igreja da Inglaterra (a Igreja Anglicana). Serviu por mais de vinte anos como fabriqueiro (vestryman) e chefe da igreja (churchwarden)[r] nas paróquias de Fairfax e Truro, na Virgínia. Orava e lia a Bíblia diariamente em privado e encorajava publicamente as pessoas e a nação a orar. Pode ter recebido a comunhão regularmente antes da Guerra Revolucionária, mas não o fez após a guerra, razão pela qual foi advertido pelo pastor James Abercrombie.
Durante a vida de Washington, a escravidão estava profundamente enraizada no tecido econômico e social da Virgínia. Washington possuiu escravos afro-americanos durante toda a sua vida adulta. Washington os adquiriu por herança, ganhou o controle de 84 escravos em forma de dote por seu casamento com Martha e comprou pelo menos 71 escravos entre 1752 e 1773. Suas primeiras visões sobre a escravidão não eram diferentes de qualquer fazendeiro da Virgínia da época. Não demonstrou escrúpulos morais sobre a instituição e se referiu a seus escravos como "uma espécie de propriedade". A partir da década de 1760 suas posições evoluíram lentamente. As primeiras dúvidas foram levantadas por sua transição da safra de fumo para grãos, o que o deixou com um caro excedente de escravos, levando-o a questionar a eficiência econômica do sistema. Sua crescente desilusão com a escravidão foi estimulada pelos princípios da Revolução Americana e de amigos revolucionários como Lafayette e Hamilton. A maioria dos historiadores concorda que a Revolução foi fundamental para a evolução das atitudes de Washington em relação à escravidão; "Após 1783", escreveu Kenneth Morgan, "...[Washington] começou a expressar tensões internas sobre o problema da escravidão com mais frequência, embora sempre em particular".
Abolição e emancipação
Com base em suas cartas, diários, documentos, relatos de colegas, funcionários, amigos e visitantes, Washington aos poucos desenvolveu uma simpatia cautelosa pelo abolicionismo que acabou terminando com a emancipação de seus próprios escravos. Como presidente, manteve-se publicamente silencioso sobre a escravidão, acreditando que era uma questão nacionalmente polêmica que poderia destruir a união nacional. Em uma carta de 1778 a Lund Washington, Washington deixou claro seu desejo "de se livrar dos negros" ao discutir a troca de escravos por terras que queria comprar. No ano seguinte, manifestou sua intenção de não separar famílias em decorrência de "uma mudança de patrão". Durante a década de 1780, expressou em particular seu apoio à emancipação gradual dos escravos. Entre 1783 e 1786, deu apoio moral a um plano proposto por Lafayette para comprar terras e escravos livres para trabalhar nelas, mas recusou-se a participar do experimento. Em particular, Washington expressou apoio à emancipação aos proeminentes metodistas Thomas Coke e Francis Asbury em 1785, mas recusou-se a assinar a petição deles. Em correspondência pessoal no ano seguinte, deixou claro seu desejo de ver a instituição da escravidão encerrada por um processo legislativo gradual, uma visão que se correlacionava com a literatura antiescravista dominante publicada na década de 1780 que Washington possuía. Após a guerra, reduziu significativamente suas compras de escravos, mas continuou a adquiri-los em pequenos números.


