Pesquisa · Mapa mental

Genealogia de Jesus

A genealogia de Jesus está relatada em dois dos quatro Evangelhos, Mateus e Lucas. Estes relatos são substancialmente diferentes. Várias explicações têm sido sugeridas e tornou-se tradicional desde, pelo menos, 1490 pressupor que a genealogia dada por Lucas é traçada através de Maria e que a Mateus o fez através de José.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 17/07/2026
01

Segundo Mateus

Narrativa

Os Evangelhos foram escritos com uma finalidade teológica, no entanto, podem ser considerados livros históricos. É notório que existe uma perspectiva histórica por parte de Mateus que é evidenciada na própria citação da genealogia. Como um judeu comum, Mateus deveria ter informações sociais da vida histórica dos antepassados judeus através do meio mais comum entre eles: a informação repassada de pai para filhos. Um outro objetivo seria o de alentar as comunidades cristãs nascentes e de consolidar a nova mensagem que distinguia dos judeus, mas sem romper com a tradição judaica, e distinguia-os dos outros povos, chamados "pagãos". A genealogia de Jesus, conforme descritas nos evangelhos, tem o intento de dar legitimidade à sua pessoa e aos seus ensinamentos, proclamando que Jesus era aquele esperado e anunciado no AT e fruto da intervenção celestial. Portanto, trata-se de uma mensagem teológica, e também histórica, que os evangelhos querem passar.

Interpretação

No primeiro versículo, é usada a expressão Filho de Davi, que é um título messiânico. Mais de 400 anos tinham se passado desde as ultimas profecias do AT, Judeus fiéis espalhados pelo mundo esperavam o Messias. Tanto Maria quanto José pertenciam à casa de Davi. As profecias do Antigo Testamento afirmavam que o Messias nasceria de uma mulher (Gn 3:15), da descendência de Abraão (Gn 22:18), pela Tribo de Judá (Gn 49:10) e da família de Davi (2 Sm 7: 12, 13). Em Mateus, quatro mulheres são mencionadas: Tamar, Raabe, Rute e Bate-Seba(Citada como cuja mãe tinha sido mulher de Urias). Destas pelo menos 3 eram gentias (Tamar, Raabe e Rute). Isso era fora do costume, talvez tenha feito indicando que Deus não se limita aos israelitas, mas estende seu plano de salvação a todos os povos.

02

Segundo Lucas

Interpretação

A genealogia contada a partir da semente de uma mulher não era comum na época. Além de trazer diferentes nomes em comparação a Mateus, pode-se olhar esta diferença de maneira profética se olharmos para a promessa de Deus quando diz que a semente da mulher esmagaria a cabeça da serpente (Gn 3:15). No versículo 23, Lucas nos informa a idade que Jesus começou o seu ministério: trinta anos, mesma idade na qual o Levita assumia seu ministério (Nm. 4.47), pois acreditavam que com essa idade o homem se tornava maduro. Também é feito referência ao fato José não ser o pai físico de Jesus.

03

Diferenças genealógicas

A questão da genealogia de Jesus, dada por Mateus e Lucas, tem deixado perplexos muitos eruditos, desde o principio da igreja primitiva. A hipotese mais aceita é a que Lucas teria dado a genealogia de Maria, enquanto Mateus a de José. Essa explicação foi dada pela primeira vez por Ânio de Viterbo, no ano de 1490, um erudito católico-romano. Essa explicação foi aceita por Lutero, e também por muitos protestantes desde então. Porém não é muito aceita pelos eruditos atualmente. As principais diferenças nas genealogias entre os dois livros são: Outra teoria é de que ambos omitiram alguns nomes, sem qualquer tentativa de apresentar listas absolutamente completas, mas apenas um sumário. Há aqueles que defendem duas linhagens diferentes, uma real (Mateus) e outra simples e humana (ou sacerdotal segundo alguns eruditos). As diferenças nos nomes também podem acontecer quando por exemplo levarmos em consideração que Neri e Jeconias eram a mesma pessoa, porém chamadas nos livros por nomes diferentes. Ou ainda que Salatiel, dito filho de Neri, e Salatiel Filho de Jeconias eram pessoas diferentes com o nome em comum. Ou outra maneira que, segundo o costume da época, um morreu sem deixar herdeiros e o outro teve filho para manter a linhagem do falecido.

04

Críticas

No século V ou VI, judeus não-messiânicos "ante-Evangelho" classificaram o Toledot Yeshu, (veja Mt 1: 18N; aparentemente escritas para a informação dos judeus em geral após vários séculos de perseguição da Igreja, representando Yeshua como produto de uma união ilegítima entre Maria e um soldado romano chamado Yosef ben-Pandera. Uma versão mais atenuada dessa história aparece no Talmude (Shabat 104b, Sanhedrin 67a) e na Tosefta (Chullin 2:22-23), veja Herford, Christianity in Talmud and Midrash [Cristianismo no Talmud e no Midrash].

Vídeos recomendados

Fontes consultadas

Continue pesquisando