Gás lacrimogêneo
Gás lacrimogêneo(pt-BR) ou gás lacrimogéneo(pt-PT?) é o nome genérico dado a vários tipos de substâncias irritantes da pele, dos olhos e das vias respiratórias, tais como o brometo de benzila, ou o gás CS. Ao estimular os nervos da córnea, esses gases causam, de imediato, lacrimação, dor e até mesmo cegueira temporária. Além disso, podem causar quadros graves de alergia respiratória, tanto aos atacantes como às vítimas, podendo levar à morte. Nesse sentido, seu uso tem sido contestado por especialistas e grupos defensores de direitos humanos, que também apontam a relação próxima entre algumas indústrias coligadas com as forças armadas e de segurança dos governos, que permitem a generalização do uso do gás como arma preferencial na repressão aos movimentos de rua desde os anos 1960.
Qualquer composto químico que produza lacrimejamento pode ser chamado lacrimogênio, mas a denominação "agente de controle antidistúrbio" ou "gás lacrimogêneo" refere-se um produto químico lacrimogênio escolhido por sua baixa toxicidade e por, alegadamente, não ser letal. Suas fórmulas variam. Podem ser, por exemplo, cloro-acetona (CH3–CO–CH2–Cl), bromo-acetona (CH3–CO–CH2–Br) ou acroleína (CH2=CH–COH). O CS é mais forte que o CN porém se dissipa mais rapidamente.
Gases lacrimogênios podem ser dispersos por meio de sprays (aerossol) de mão, por meio de recipientes que emitem gás a um ritmo fixo ou de forma explosiva - como bombas na forma de granadas de mão ou projéteis lançados de armas portáteis ou por morteiros. Os recipientes também podem ser fixados em veículos. As bombas de gás podem, ainda, ser acopladas a bombas de efeito moral, liberando o gás conjuntamente com uma explosão de ruído extremamente intenso. Nos anos 1960, o gás lacrimogênio foi utilizado largamente pelos Estados Unidos, durante a Guerra do Vietnam. O gás CS foi usado em 12 de agosto de 1969, em Derry, na Irlanda do Norte, pela polícia local, para combater a revolta dos separatistas irlandeses que se espalhara por toda a província. Diz-se que, na ocasião, mais de 1.000 recipientes do CS foram usados.
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Os efeitos da exposição ao gás lacrimogênio são reações de lacrimação, com sensação de queimação na boca e no trato respiratório. Coceiras, inflamações, dor de cabeça e insuficiência respiratória também são efeitos comuns.
Riscos
Embora catalogada como arma não letal, ou menos letal, a exposição ao gás lacrimogênio pode causar danos sérios e permanentes ou mesmo a morte, sobretudo em espaços confinados. Os riscos incluem ser atingido pelos cartuchos de gás lacrimogênio, que podem provocar escoriações severas, perda de olhos, fratura craniana e até mesmo morte. Conquanto as consequências imediatas dos gases em si sejam tipicamente limitadas à forte irritação dos olhos e mucosas, podem ocorrer complicações posteriores. Pessoas com doenças respiratórias preexistentes, como asma, são particularmente vulneráveis e podem precisar de hospitalização ou mesmo de suporte respiratório imediato. Além disso, a exposição da pele ao gás lacrimogênio pode causar queimaduras químicas ou induzir dermatite de contato alérgica . Quando pessoas são atingidas a curta distância ou são severamente expostas, ferimentos no olho envolvendo cicatrizes na córnea podem levar à perda permanente da acuidade visual.
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Embora o gás lacrimogênio tenha sido banido pela Convenção de Armas Químicas de 1993, da qual quase todos os países do mundo são signatários, tal proibição só vale para guerras, sendo normal o uso do gás pelas polícias desses mesmos países, para conter manifestações populares de massa. Desde o início da crise econômica de 2008 e, especialmente, desde a crise da zona euro (desde 2009-2010), várias medidas de austeridade foram adotadas pelos governos de diferentes países, especialmente no Ocidente, suscitando grandes manifestações de protesto, durante as quais foi frequentemente usado o gás lacrimogêneo. Na Espanha, por exemplo, o orçamento do governo para 2012 sofreu cortes em praticamente todas as áreas, mas, no que se refere a equipamentos antidistúrbios, o gasto passou de cerca de 173 mil euros para mais de 3 milhões em 2013. A mesma tendência foi observada no Oriente Médio. Desde a Primavera Árabe (iniciada no final de 2010), o mercado de segurança interna na região teve um aumento de 18% em seu valor, chegando próximo aos 6 bilhões de euros em 2012.
No Brasil
No Brasil, em 2013, o gás lacrimogênio foi largamente utilizado na repressão às manifestações populares de protesto. Durante um desses eventos, em Belém (Pará), no dia 20 de junho, a gari Cleonice Vieira de Moraes, de 54 anos, inalou o gás, lançado pela Polícia Militar do Estado, e morreu na manhã seguinte. A vítima trabalhava na limpeza noturna do centro de Belém. Durante a radicalização dos protestos em frente à prefeitura da cidade, Cleonice e outros trabalhadores se protegeram dentro de um bonde restaurado, destinado a visitação turística da cidade. Após a explosão das bombas, Cleonice passou mal e teve parada cardíaca. Foi socorrida mas não resistiu.


