Nintendo GameCube
O Nintendo GameCube é um console de videogame doméstico lançado pela Nintendo no Japão e na América do Norte em 2001 e Europa e Austrália em 2002. Como parte da sexta geração de consoles, é o sucessor do Nintendo 64. Ele competiu com o PlayStation 2 da Sony, o Xbox da Microsoft e com o Dreamcast da Sega como parte da sexta geração de consoles.
Contexto
Em 1997, foi fundada uma empresa de design de hardware gráfico chamada ArtX, composta por vinte engenheiros que haviam trabalhado anteriormente na empresa Silicon Graphics no design do hardware gráfico do Nintendo 64. A equipe foi liderada pelo Dr. Wei Yen, que havia sido o chefe de operações da Nintendo na SGI, o departamento responsável pelo projeto arquitetônico fundamental do Nintendo 64.
Desenvolvimento
Em parceria com a Nintendo em 1998, a ArtX começou à projetar o sistema lógico e o processador gráfico (de codinome "Flipper") do console de videogame de sexta geração da Nintendo, supostamente com o antigo nome de código interno "N2000". Na coletiva de imprensa da Nintendo em maio de 1999, o console foi anunciado publicamente pela primeira vez como "Project Dolphin", o sucessor do Nintendo 64. Posteriormente, a Nintendo começou à fornecer kits de desenvolvimento para desenvolvedores de jogos como Rare e Retro Studios. A Nintendo também formou uma parceria estratégica com a IBM, que criou a CPU do novo console, chamada "Gekko". A ArtX foi adquirida pela ATI em abril de 2000, quando o design do processador gráfico Flipper já havia sido concluído em maior parte pela ArtX e não foi abertamente influenciado pela ATI. No total, Greg Buchner, co-fundador da equipe da ArtX, lembrou que sua parte da linha do tempo do design de hardware do console havia surgido desde o início de 1998 até a conclusão em 2000. Sobre a aquisição da ArtX pela ATI, um porta-voz da ATI disse: "A ATI agora se torna um dos principais fornecedores do mercado de consoles de videogames via Nintendo. A plataforma Dolphin tem a reputação de ser o rei da colina em termos de desempenho gráfico e de vídeo com arquitetura de 128 bits."
Lançamento
O GameCube foi lançado no Japão em 14 de setembro de 2001. Aproximadamente 500 mil unidades foram enviadas à tempo aos varejistas. O console estava programado para ser lançado dois meses depois na América do Norte em 5 de novembro de 2001, mas a data foi adiada, em um esforço para aumentar o número de unidades disponíveis. O console acabou sendo lançado na América do Norte em 18 de novembro de 2001, com mais de 700 mil unidades enviadas para a região. Outras regiões seguiram o exemplo no ano seguinte, começando com a Europa no segundo trimestre de 2002. Em 22 de abril de 2002, a desenvolvedora third-party, Factor 5, anunciou seu kit de desenvolvimento de software de áudio 3D chamado MusyX. Em colaboração com a Dolby Laboratories, o MusyX fornece som surround baseado em movimento codificado como Dolby Pro Logic II.
Descontinuação
Em fevereiro de 2007, a Nintendo anunciou que havia cessado o suporte inicial ao GameCube e que o console havia sido descontinuado.
Howard Cheng, diretor técnico de desenvolvimento de tecnologia da Nintendo, disse que o objetivo da empresa era selecionar uma "arquitetura RISC simples" para ajudar a acelerar o desenvolvimento de jogos, dando facilidade aos desenvolvedores de software. A IGN informou que o sistema foi "projetado desde o início para atrair third-parties, oferecendo mais energia a um preço mais baixo. O documento de design da Nintendo para o console especifica que o custo é de extrema importância, seguido pelo espaço". O vice-presidente da ArtX, Greg Buchner, parceiro de hardware, afirmou que seu pensamento orientador sobre o design de hardware do console era visar os desenvolvedores, e não os jogadores, e "olhar para uma bola de cristal" e discernir "o que permitirá aos Miyamoto-sans do mundo desenvolver os melhores jogos". Iniciando o design do GameCube em 1998, a Nintendo fez uma parceria com a ArtX (posteriormente adquirida pela ATI Technologies) para o sistema lógico e a GPU, e com a IBM para a CPU. A IBM projetou um processador baseado em PowerPC com extensões arquiteturais personalizadas para o console de próxima geração, conhecido como "Gekko", que roda à 485 MHz e possui uma unidade de ponto flutuante (FPU) de 1,9 GFLOPS. Descrito como "uma extensão da arquitetura Power PC da IBM", o processador foi projetado na tecnologia CMOS de 0,18 μm da IBM, que possui interconexões de cobre. A GPU, de codinome "Flipper" roda à 162 MHz e, além de gráficos, gerencia outras tarefas através de seus processadores de áudio e de entrada/saída (E/S).
Armazenamento
O GameCube possui dois slots de Memory Cards para salvar os dados dos jogos. A Nintendo lançou três opções oficiais de cartão de memória: uma versão de cor cinza com 59 blocos (512 KB), uma com 251 blocos de cor preta (2 MB) e uma versão de cor branca com 1 019 blocos (8 MB). Geralmente, eles são anunciados em megabits: 4 Mb, 16 Mb e 64 Mb, respectivamente. Alguns jogos têm problemas de compatibilidade com o cartão de memória de 1 019 blocos e pelo menos dois jogos têm problemas de economia com qualquer tamanho. Cartões de memória com maiores capacidades de armazenamento foram lançados por fabricantes terceirizados.
Controle
A Nintendo aprendeu com suas experiências - positivas e negativas - com o design do controle do Nintendo 64 e acompanhou o design de "guidão" de dois analógicos para o GameCube. O design ja havia sido foi popularizada pelo controle do PlayStation da Sony, lançado em 1994 e sua série de controles DualShock lançada em 1997. Além dos motores vibratórios, a série DualShock era conhecida por ter duas alavancas analógicas para melhorar a experiência 3D nos jogos. A Nintendo e a Microsoft projetaram recursos semelhantes nos controles de seus consoles de sexta geração, mas em vez de manter as alavancas analógicas paralelas entre si, elas escolheram escaloná-los trocando as posições do direcional (d-pad) e do analógico esquerdo. O controle do GameCube possui um total de oito botões, duas alavancas analógicas, um d-pad e um motor de vibração interno. A alavanca analógica principal está à esquerda, com o d-pad localizado abaixo e mais perto do centro. À direita, há quatro botões: um grande botão verde "A" no centro, um botão menor e de cor vermelha "B" à esquerda, um botão "X" à direita e um botão "Y" na parte superior. Abaixo e por dentro, há uma alavanca analógica amarela "C", que geralmente serve uma variedade de funções no jogo, como controlar o ângulo da câmera. O botão Start/Pause está localizado no meio e o motor de vibração está dentro do centro do controle.
Compatibilidade
O GameCube não suporta jogos de outros consoles domésticos da Nintendo, mas com o acessório Game Boy Player, ele pode rodar jogos de Game Boy, Game Boy Color e Game Boy Advance. O sucessor do GameCube, o Wii, tem retrocompatibilidade com os controles, cartões de memória e jogos do GameCube. No entanto, revisões posteriores do Wii - incluindo a "Family Edition" lançada em 2011 e o Wii Mini lançado em 2012 - deixaram de ser compatíveis com todo o hardware do GameCube.
Panasonic Q
Uma versão híbrida do GameCube com um DVD player comercial, chamada Q, foi desenvolvida pela Panasonic como parte do acordo firmado com a Nintendo para desenvolver a unidade óptica do hardware original do GameCube. Apresentando um design completamente revisado, o Q supera a limitação de tamanho do leitor de MiniDVD do GameCube original, adicionando uma bandeja de DVD, entre outras revisões de hardware. Lançado exclusivamente no Japão em dezembro de 2001, as baixas vendas resultaram na descontinuação do Q em dezembro de 2003.
Em sua vida útil de 2001 à 2007, o GameCube teve mais de 600 jogos lançados. A Nintendo é tradicionalmente reconhecida por lançar jogos inovadores, principalmente das franquias Super Mario e The Legend of Zelda. Essas séries continuaram no GameCube e aumentaram a popularidade do console. Como editora, a Nintendo também se concentrou em criar novas franquias, como Pikmin e Animal Crossing, e em renovar algumas que passaram em branco no Nintendo 64, principalmente a série Metroid, com o lançamento de Metroid Prime. O console também teve sucesso com o aclamado pela crítica The Legend of Zelda: The Wind Waker e Super Mario Sunshine, e seu jogo mais vendido, Super Smash Bros. Melee, que vendeu 7 milhões de cópias em todo o mundo. Embora comprometida com sua biblioteca de softwares, no entanto, a Nintendo ainda foi criticada por não apresentar jogos suficientes durante a janela de lançamento do console - um sentimento agravado pelo lançamento de Luigi's Mansion em vez de um jogo em 3D da série Mario.
Conectividade online
Oito jogos do GameCube suportam conectividade online, cinco com suporte à Internet e três com suporte à rede de área local (LAN). Os únicos jogos com capacidade para Internet lançados em territórios ocidentais são três RPGs da série Phantasy Star da Sega: Phantasy Star Online Episode I & II, Phantasy Star Online Episode I & II Plus e Phantasy Star Online Episode III: C.A.R.D. Revolution. Os servidores oficiais foram desativados em 2007, mas os jogadores ainda podem se conectar a servidores privados mantidos por fãs. O Japão recebeu dois jogos adicionais com recursos de Internet, um RPG cooperativo, Homeland e um jogo de beisebol com conteúdo para download, Jikkyō Powerful Pro Yakyū 10. Por fim, três jogos de corrida têm modos multiplayer de LAN: 1080° Avalanche, Kirby Air Ride e Mario Kart: Double Dash. Esses três jogos podem ser forçados pela Internet com software de PC de terceiros capaz de encapsular o tráfego de rede do GameCube.
O GameCube recebeu críticas geralmente positivas após o seu lançamento. A revista PC Magazine elogiou o design geral do hardware e a qualidade dos jogos disponíveis no lançamento. A CNET deu uma classificação média de revisão, observando que, embora o console não tenha alguns recursos oferecidos por seus concorrentes, é relativamente barato, tem um controle com ótimo design e com uma linha decente de jogos. Em análises posteriores, críticas montadas contra o console geralmente se concentram em seu design, descrevendo-o como "brinquedo". No meio de baixos números de vendas e do dano financeiro associado à Nintendo, um artigo da revista Time chamou o GameCube de "desastre não mitigado". Retrospectivamente, a Joystiq comparou a janela de lançamento do GameCube com o seu sucessor, o Wii, observando que a "falta de jogos" do GameCube resultou em um lançamento inferior, e a lista limitada de jogos online do console prejudicou sua participação no mercado à longo prazo. A Time International concluiu que o sistema apresentava baixos números de vendas, porque faltavam "inovações técnicas".
Vendas
No Japão, entre 280 mil e 300 mil consoles GameCube foram vendidos durante os primeiros três dias de venda, de uma remessa inicial de 450 mil unidades. Durante o fim de semana de lançamento, a Nintendo arrecadou US$ 100 milhões em produtos relacionados ao GameCube na América do Norte. O console foi vendido em várias lojas, vendendo mais rapidamente do que os dois concorrentes, o Xbox e o PlayStation 2, haviam inicialmente vendido. O jogo mais popular no lançamento do console foi Luigi's Mansion, que, de acordo com a Nintendo, vendeu mais no lançamento do que Super Mario 64. Outros jogos populares incluem Star Wars Rogue Squadron II: Rogue Leader e Wave Race: Blue Storm. No início de dezembro de 2001, o sistema havia vendido 600 mil unidades nos EUA.
Fatia de mercado
Com o GameCube a Nintendo não conseguiu recuperar a participação de mercado perdida por seu antecessor, o Nintendo 64. Durante toda a vida útil do console, as vendas de hardware do GameCube permaneceram muito atrás do seu concorrente direto, o PlayStation 2, e um pouco atrás do Xbox. O apelo "voltado para a família" do console e a falta de apoio de algumas desenvolvedoras terceirizadas distorceram o GameCube em direção a um mercado mais jovem, que era uma fatia minoritária do mercado de jogos durante a sexta geração. Muitos jogos de terceiros populares entre adolescentes ou adultos, como a série de sucesso Grand Theft Auto e vários jogos de tiro em primeira pessoa, passaram em branco no GameCube em favor do PlayStation 2 e Xbox.
Legado
Muitos jogos que estrearam no GameCube, como Pikmin, Chibi-Robo!, Metroid Prime e Luigi's Mansion, tornaram-se franquias ou sub-séries populares da Nintendo. Os controles de GameCube têm suporte limitado no Wii U e no Nintendo Switch, para jogar Super Smash Bros. for Wii U e Super Smash Bros. Ultimate, respectivamente, através de um adaptador USB.


