Futebol do Brasil
Os registros mais antigos sobre o Futebol praticado no Brasil datam em 1875, em Curitiba. Porém, ele se popularizou após ser introduzido à burguesia paulistana por Charles Miller, um jovem brasileiro que, em 1894, após viagem pela Inglaterra, trouxe consigo duas bolas de futebol e passou a tentar converter a comunidade de expatriados britânicos da cidade de São Paulo de jogadores de críquete para futebolistas, criando um clube de futebol no Brasil. O futebol se tornou rapidamente uma grande paixão para os brasileiros, quase uma religião, que frequentemente referem-se ao país como "a pátria de chuteiras" ou o "país do futebol", muito por conta das conquistas internacionais da Seleção Brasileira, que é a seleção mais vitoriosa do futebol mundial.
Início
A primeira bola de futebol do Brasil teria sido trazida em 1885 pelo paulista Charles Miller. Há relatos, porém, que dão conta que o futebol no Brasil já se praticava antes disso: os registros mais antigos de peladas jogadas por aqui datam de 1875, em Curitiba. Três anos depois, houve também um rachão entre marinheiros ingleses que desembarcaram no Rio, com a princesa Isabel na plateia. Se em São Paulo foi Charles Miller, fundador do São Paulo Athletic Club, o responsável por alavancar a popularidade do futebol, já no Rio, quem trouxe as primeiras bolas e organizou o esporte foi Oscar Cox, fundador do Fluminense Football Club. A aristocracia dominava ligas de futebol, enquanto o esporte começava a ganhar as várzeas. Segundo a versão popular, em jogo contra o seu ex-clube, o America, o mulato Carlos Alberto no Campeonato Carioca de 1914, tinha por costume cobrir-se com pó de arroz após fazer a barba, o que era comum na época, mas o suor que cobria a maquiagem de pó-de-arroz foi desfeito. A torcida do America sentida, já que o conhecia, pois ele tinha sido um dos jogadores que saíram do clube na cisão interna de 1914, tendo sido campeão carioca em 1913, começou a persegui-lo e a gritar "pó de arroz", apelido que foi absorvido pela torcida do Fluminense, que passou a jogar pó de arroz e talco à entrada de seu time em campo.
A chamada "escola brasileira de futebol" é conhecida pela criatividade, fluidez e estilo ofensivo de jogo. Por exemplo, driblar é uma parte essencial do seu estilo. A grande habilidade com os pés pode ser devido à miscigenação e ao ritmo associados à capoeira e ao samba, caracterizados pelos movimentos dos pés para dançar ou para brincar com o ritmo dos tambores africanos. Acredita-se que este estilo tenha sido desenvolvido em bairros pobres habitados por pessoas de ascendência africana. Depois do tricampeonato na Copa de 1970, o futebol brasileiro viveu um jejum de títulos em Copas do Mundo, que só acabaria em 1994. Neste meio tempo, mesmo jogando um futebol vistoso que encantou o mundo (a exemplo da Seleção da Copa de 1982), a Seleção passou a priorizar o futebol de resultado. Assim, desde meados da década de 1990, o futebol brasileiro começou a perder suas características. Para Tostão o futebol brasileiro ficou desatualizado: "O exemplo mais clássico disso é que nos últimos 20 anos o Brasil não teve um único grande jogador de meio-campo. E isso aconteceu porque houve uma divisão no meio-campo entre os volantes, que jogam marcando mais atrás, e dois meias, que jogam lá na frente, perto da área adversária. O jogo perdeu troca de passes nesse meio. Os espanhóis e os alemães fazem isso muito bem. Isso era o que o Brasil tinha de melhor na minha época e desapareceu. Tivemos Gérson, Rivellino, Clodoaldo, depois Falcão, Cerezo. É o que fazem Iniesta, Rakitic, Modric e Kroos, por exemplo, e fizeram Xavi e Schweinsteiger. Essa característica que os europeus mais incentivaram, os brasileiros desvalorizaram. Criamos muitos dribladores de área. Esse é apenas um exemplo de como o futebol brasileiro foi por um caminho errado".
A Seleção Brasileira de Futebol é uma das principais seleções nacionais de futebol do mundo. Maior vencedora da Copa do Mundo FIFA, com cinco títulos, o Brasil é conhecido por sua camisa nas cores amarela e verde, com shorts azuis e meias brancas, as quatro cores da bandeira nacional. Pelo fato da camisa ser predominantemente amarela, a Seleção Brasileira também é tratada como seleção canarinho. Fundada no dia 21 de julho de 1914, data do 12º aniversário do Fluminense Football Club, a Seleção realizou seu primeiro jogo no Estádio de Laranjeiras, contra a equipe inglesa do Exeter City. A Seleção Brasileira é amplamente considerada a mais relevante equipe do futebol mundial. A equipe nacional do Brasil também conquistou a Copa América em oito ocasiões, a Copa das Confederações em quatro, e em 2016 e 2020 conquistou a medalha de ouro, concedida aos campeões do futebol nos Jogos Olímpicos, na edição dos jogos realizados no Rio de Janeiro, tendo conquistado três medalhas de prata por vice-campeonatos e duas de bronze por terceiros lugares.
CBF
A Confederação Brasileira de Futebol é a entidade máxima do esporte no país. Organiza todos os campeonatos em território nacional e representa o Brasil nas competições internacionais entre países com a Seleção Brasileira. Fica sediada na cidade do Rio de Janeiro e tem como atual presidente Marco Polo Del Nero.
Federações estaduais
As Federações estaduais são as responsáveis por regular o futebol em cada Estado que lhe têm circunscrição. São órgãos inferiores e ligados à CBF, tendo autonomia própria para organizar campeonatos, eleger presidente, assinar contratos e reconhecer clubes e associações ligadas ao esporte.
Clube dos 13
O Clube dos 13 foi a associação criada em 1987 com o objetivo de organizar a primeira divisão do Campeonato Brasileiro de Futebol. Seria o órgão responsável por idealizar uma liga de clubes em seu ano de fundação, porém, a entidade só conseguiu organizar a edição de 2000 sem a presença da CBF, devido a problemas com a confederação na organização do campeonato, gerando assim a controversa Copa União e a Copa João Havelange para cada ano respectivamente. Na prática, o Clube dos 13 foi o elo entre clubes e CBF e entre clubes e contratos de transmissão pela TV. O Clube dos 13 porém, se desfez em 2011.
FBA
A FBA, sigla para Futebol Brasil Associados, foi uma entidade responsável pela organização do Campeonato Brasileiro de Futebol - Série B, a segunda principal divisão de clubes no torneio nacional.
Justiça desportiva
O Superior Tribunal de Justiça Desportiva é órgão jurídico no âmbito desportivo no Brasil. Ele é responsável por julgar os casos envolvendo clubes e atletas. É comum sua participação no cotidiano do futebol brasileiro a partir de julgamentos de casos de suspensão por cartões vermelhos e amarelos, casos de agressão ou mesmo de doping. Seu órgão inferior é o Tribunal de Justiça Desportiva (TJD), que atua a nível estadual.
Principais clubes
No Brasil, historicamente 12 clubes são considerados "grandes", embora alguns outros sejam apontados também como grandes clubes ocasionalmente, notadamente em seus estados de origem, entre eles o Bahia, um dos fundadores do Clube dos Treze, presente em várias listas e rankings de grandes clubes. Os apontados nas listas com 12 clubes, são: Atlético-MG, Botafogo, Corinthians, Cruzeiro, Flamengo, Fluminense, Grêmio, Internacional, Palmeiras, Santos, São Paulo e Vasco. Além desses treze citados, são clubes campeões brasileiros o Athletico Paranense, Coritiba, Guarani e Sport, um total de 17 clubes campeões do Campeonato Brasileiro, com o Athletico tendo tido um enorme crescimento patrimonial e de rendimento no Século XXI, passando a ser considerando, portanto, como um dos grandes do futebol brasileiro por boa parte da imprensa nacional.
Motivo de grande controvérsia no Brasil, o calendário de futebol ao longo dos tempos foi alvo de críticas por parte de torcedores, jornalistas especializados e mesmo dirigentes de clubes. Com a aprovação do "Estatuto do Torcedor" pelo Congresso Nacional, as mudanças começaram a transformar o calendário nacional. Segundo a CBF, a intenção é tornar o calendário brasileiro compatível com os dos países da Europa, para compatibilizar os interesses das organizações de futebol nacionais e internacionais. A temporada brasileira, tradicionalmente, é iniciada em janeiro. Hoje, a primeira competição a ser disputada pelos elencos profissionais são os campeonatos estaduais. Anteriormente, entre meados da década de 1990 até 2002, as competições regionais, como o Torneio Rio-São Paulo, a Copa Sul-Minas e a Copa Nordeste por exemplo, eram realizadas no começo do ano. Envolviam equipes de diferentes estados. Contudo, foram extintas, já que sobrecarregavam os grandes times no primeiro semestre. A Copa do Brasil, disputada na primeira metade do ano, cresceu e ganhou importância. Esta é a única competição nacional que envolve clubes de todos os estados do Brasil, classificados a partir de torneios estaduais do ano anterior. Por decisão da CBF, a Copa do Brasil passou a contar também com a participação das equipes classificadas para a Libertadores da América, também disputada no primeiro semestre de cada ano.
Campeonatos estaduais
Organizados pelas federações estaduais, é uma disputa entre os clubes de cada unidade da federação, muito tradicional em determinados estados. A fórmula de disputa é diferente para cada Estado, variando conforme a tradição, cultura, mercado e vontade dos dirigentes locais. Alguns Estados criam fórmulas complexas, com diversas finais, turnos e repescagens ao longo do torneio, enquanto outros, como o Rio de Janeiro, mantém a mesma fórmula há várias décadas. Desde a instituição da Copa do Brasil, os campeões estaduais de federações menores têm a oportunidade de obter algum tipo de projeção nacional. Sua existência é um aspecto único ao futebol brasileiro. Por causa do desenvolvimento do esporte em tempos remotos, o tamanho do país e a falta de um transporte rápido, tornou-se inviável a criação de uma competição de nível nacional, fazendo com que os primeiros torneios fossem estaduais ou interestaduais, como o Torneio Rio-São Paulo. Mesmo hoje, apesar da existência de um campeonato nacional, os campeonatos estaduais continuam a ser disputados intensamente e as rivalidades dentro de cada estado mantém-se muito forte. Em alguns Estados, a competição ganha o apelido por seu aumentativo, casos do Paulistão e Gauchão por exemplo.
Copas estaduais
Durante o Campeonato Brasileiro os times que não se encontram em nenhuma das 4 divisões disputam as Copa Estaduais. Os clubes se mantém em atividade e ainda se preparam para os campeonatos estaduais do ano seguinte. Alguns clubes da elite ou das séries abaixo uma vez ou outra, também utilizam a competição para dar ritmo a seus jogadores que ainda não tiveram chance ou jovens promessas. Esses campeonatos mantém os times em disputa boa parte do ano e é atrativa pelas reais chances de título aqueles que não estão no campeonato nacional. Os campeões e vice recebem vaga na Copa do Brasil ou na Série D, dependendo do critério de cada federação.
Campeonato Brasileiro
O Campeonato Brasileiro de Futebol foi criado em 1959 pela então CBD (atual CBF) para ser o principal torneio de futebol no âmbito nacional, inicialmente com o nome de Taça Brasil (cujo primeiro campeão foi o Bahia). Em 1967, é criado o Torneio Roberto Gomes Pedrosa (conhecido como "Robertão") enquanto que a antiga Taça Brasil tem sua última edição realizada em 1968. O Robertão ainda seria organizado por mais dois anos até a modernização do Campeonato Nacional de Clubes em 1971. Hoje, com o nome de Brasileirão, algumas dificuldades no passado foram notórias para a sua realização. A fórmula foi alterada inúmeras vezes e as divisões inferiores sempre sofreram com o descaso e a falta de planejamento. Nos últimos anos, porém, o campeonato ganhou consistência com a adoção, desde a edição de 2003, do sistema de pontos corridos, onde a competição é disputada em dois turnos, sendo o time que somar o maior número de pontos o campeão. O torneio cede vagas para as competições internacionais Libertadores e Sul-Americana, além de rebaixar clubes para a Série B (Segunda Divisão).
Copa do Brasil
Torneio criado em 1989, a Copa do Brasil é o segundo torneio de futebol mais importante do Brasil na atualidade. Ganhou importância devido a um número maior de participantes e, principalmente, por causa da vaga para a Copa Libertadores da América do ano seguinte reservada ao campeão. É a única chance dos times pequenos (como o Santo André em 2004, e o Paulista de Jundiaí em 2005) conseguirem acesso à competições internacionais, sem precisar ganhar o competitivo Campeonato Brasileiro de Futebol, em todas as suas divisões. Participam da Copa do Brasil 91 representantes das 27 unidades da federação, escolhidos através dos campeonatos estaduais e copas estaduais conforme distribuição de vagas para cada unidade da federação (sendo 5 vagas para os dois estados melhores colocados no Ranking Nacional das Federações, do terceiro ao quinto no ranking tem direito a 4 vagas, do sexto ao décimo quarto do ranking tem direito a 3 vagas, do décimo quinto ao vigésimo segundo do Ranking possuem direito a 2 vagas e do vigésimo terceiro ao vigésimo sétimo no ranking o direito é de apenas uma vaga).
A arbitragem no Brasil é regulamentada pela Comissão de Arbitragem (CONAF), órgão vinculado à CBF. Seu atual presidente é Segio Corrêa. A indicação dos membros da comissão fica a cargo do presidente da CBF. A profissão é representada pela Associação Nacional dos Árbitros de Futebol (ANAF), que responde pelos interesses da classe no país. Os árbitros do quadro nacional são indicados pelas comissões de arbitagem de cada federação. Entre as atribuições do CONAF estão a punição a árbitros por erros cometidos durante as partidas, o sorteio dos mesmos nas competições regulamentadas pela CBF - Campeonato Brasileiro e Copa do Brasil, e a execução dos testes físicos e teóricos para seus quadros nacionais e internacionais - os "árbitros FIFA", aptos a apitar jogos internacionais. No quadro FIFA de 2008 houve no total 7 alterações. Entre os árbitros masculinos, entraram Marcelo de Lima Henrique e Evandro Rogério Roman. Entre os assistentes, duas mudanças: Emerson Augusto de Carvalho e Dibert Pedrosa Moises. Já no quadro feminino, no entanto, não há árbitros, apenas assistentes. Foram três mudanças: a inserção de Maria Eliza Correia Barbosa, Katiúscia Mayer Berger Mendonça e a Angela Paula C. Regis Ribeiro.
O Brasil tem 24 estádios com capacidade acima de 40 mil lugares.
Segundo pesquisas, o clube que possui a maior torcida do país é o Flamengo, com cerca de 39,1 milhões de adeptos. Logo atrás, o Corinthians é o dono do segundo maior contingente de torcedores, com 28 milhões aproximadamente. O Palmeiras vem em terceiro, com cerca de 16 milhões, sendo a torcida que mais cresceu no país nas últimas duas décadas. Logo após vem o São Paulo com diferença de apenas 100 mil torcedores. Os outros clubes que ultrapassam a marca de 5 milhões de fãs são o Vasco, o Santos, o Cruzeiro e o Grêmio, com um terceiro grupo representado por Atlético Mineiro, Internacional, Fluminense, Botafogo, Bahia e Sport, com mais de 3 milhões de torcedores e pelo menos 19 clubes no total ultrapassando a marca de 1 milhão de torcedores, segundo pesquisa LANCE-IBOPE realizada em 2010, com margem de erro de apenas 1,2%, sendo que um vigésimo clube, o Náutico, identificado com 964 523 torcedores no Brasil, que pela margem de erro da pesquisa pode também ter mais de 1 milhão de fãs, completaria a lista dos vinte clubes de maior torcida no Brasil.
O futebol feminino do Brasil tem como destaque a Seleção Brasileira de Futebol Feminino. No time nacional, destacam-se jogadoras como Marta, Cristiane, Daniela Alves e, na década de 1990, Kátia Cilene, Pretinha e Sissi. O time ganhou a medalha de ouro nos Jogos Pan-americanos de 2003 e 2007, além de ter sido vice-campeã na Copa do Mundo de Futebol Feminino de 2007 e nas Olimpíadas de 2004 e de 2008. Apesar da força da Seleção, o futebol feminino interno é precário. São poucos os clubes que se interessam por desenvolver a categoria. Além disso, os campeonatos são escassos, sendo grande parte em nível estadual e amador. O primeiro grande torneio criado foi a Copa do Brasil de Futebol Feminino em 2007. De 2009 a 2012, o Santos foi considerado o time mais forte de futebol feminino do Brasil, jogadoras como Marta e Cristiane, passaram pelo Santos e o clube foi a base da Seleção Brasileira de Futebol Feminino, chegando a ter onze atletas convocadas de uma só vez. O Santos foi campeão das duas primeiras edições Copa Libertadores de Futebol Feminino, em 2009 e 2010, e do Torneio Internacional Interclubes de Futebol Feminino em 2011. Apesar de muitos títulos conquistados, o Santos encerrou as atividades do futebol feminino em 2012, o motivo segundo o presidente Luis Álvaro Ribeiro, foi a falta de interesse da televisão, e a dificuldade em conseguir patrocínios.


