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Funk carioca

O funk carioca ou simplesmente funk — também chamado de baile funk ou favela funk no mundo anglófono — é um gênero musical oriundo das favelas do estado do Rio de Janeiro, no Brasil. Apesar do nome, é diferente do funk originário dos Estados Unidos. Isso ocorreu pois, a partir dos anos 1970, começaram a ser realizados bailes da pesada, black, soul, shaft ou funk no Rio de Janeiro. Com o tempo, os DJs foram buscando outros ritmos de música negra, mas o nome original permaneceu. O funk brasileiro tem uma influência direta do miami bass e do freestyle. O termo baile funk é usado para se referir a festas em que se toca o funk. Apesar de ser inicialmente popularizado como funk carioca, o gênero passou a ser tocado e produzido em diferentes regiões do país.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 19/07/2026
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História

Anos 1970: Antecedentes

Os chamados bailes funk têm origem no início da década de 1970, quando surgiram os chamados bailes da pesada, realizados no Canecão pelos DJs Big Boy e Ademir Lemos, nesses bailes os ritmos predominantes eram soul e funk Com o tempo, surgem outros bailes, chamados de black ou shaft, nome inspirado no filme Shaft (1971), um blaxploitation, nome dados aos filmes destinados a comunidade afro-americana, estrelado por Richard Roundtree que teve trilha sonora de soul e funk composta por Isaac Hayes. Em 1973, surge a equipe de som Furacão 2000, outras equipes surgem nesse período como Black Power e Soul Grand Prix, esse último fundado por Dom Filó Em 1976, o artigo Black Rio – O orgulho (importado) de ser negro no Brasil de Lena Frias, publicada no Jornal do Brasil, serviu para batizar o movimento de Black Rio, que inclusive foi usado para nomear a uma banda.

Anos 1980

A partir da década de 1980, o funk passou por uma forte transformação eletrônica. Elementos clássicos como metais, órgãos e baixos foram gradualmente substituídos por sintetizadores digitais, baterias eletrônicas (como a Roland TR-808) e linhas de baixo eletrônicas. Essa mudança marcou o fim da era P-Funk tradicional e o início de uma sonoridade mais sintética e dançante, com letras mais explícitas. Os bailes funk do Rio de Janeiro começaram a ser influenciados pelos novos ritmos, tais como o Miami bass, que trazia músicas mais erotizadas e batidas mais rápidas. Por volta de 1986, o sociólogo Hermano Vianna presenteia o DJ Marlboro com uma bateria eletrônica do modelo Boss Doctor Rhythm DR-110. As primeiras gravações de funk carioca eram versões desse gênero musical. Também nessa década surgem os bailes charme, criados pelo Corello DJ e que tocavam canções românticas de R&B contemporâneo, como o new jack swing. Em 1989, foi lançado o álbum Funk Brasil pela Polygram, considerado um marco inicial do funk carioca em disco , a ocasião, Marlboro precisou explicar aos produtores Mariozinho Rocha e Paulo Debétio que o estilo que propunha não era o mesmo funk dos anos 60 e 70, com arranjos de baixo e metais.

Anos 1990

Com o aumento do número de raps/melôs gravadas em português, apesar de quase sempre se utilizar a batida do miami bass, o funk carioca começou a década de 1990 criando a sua identidade própria. As suas letras refletem o dia a dia das comunidades ou fazem exaltação a elas (muitos desses raps surgiram de concursos de rap promovidos dentro das comunidades). Em consequência, o ritmo ficou cada vez mais popular e os bailes se multiplicaram.[carece de fontes?] Uma outra vertente popular do funk carioca era o funk melody, com músicas mais melódicas e temas mais românticos, seguindo mais fielmente a linha musical do freestyle americano e alcançando sucesso nacional. Destacaram-se, nesta primeira fase, Latino, Copacabana Beat, MC Marcinho, entre outros.[carece de fontes?]

Anos 2000

A década de 2000 começou com um reposicionamento do funk. Houve a diminuição dos eventos violentos, ao mesmo tempo em que surgiram músicas com letras mais sensuais e dançantes. Maior equipe de som do Rio de Janeiro, a Furacão 2000 deixou as páginas policiais e ganhou projeção nacional com os hits lançados. Responsáveis pela equipe, o casal Rômulo e Verônica Costa ganharam as manchetes nacionais e se tornaram celebridades. O até então desconhecido Dennis DJ, funcionário da equipe à época, começou a fazer sucesso nos bailes do Rio de Janeiro – o disc-jockey produziu vários êxitos, como Cerol na Mão, do Bonde do Tigrão, e Tapinha, dos MCs Naldinho e Beth. Por outro lado, o já veterano DJ Marlboro apostava no que chamava de new funk, com letras mais trabalhadas, voltadas para a dança.

Anos 2010

Em 2011, foi realizado a Batalha dos Passinhos, um concurso promovendo o estilo de dança criado nos bailes e inspirado em passos de outros estilos musicais, como o ballet clássico, o jazz, o hip hop e o frevo. No mesmo ano, foi realizada a primeira Rio Parada Funk. Em 2012, esse estilo de dança ganhou as páginas policiais, após o dançarino Gualter Damasceno Rocha, de 22 anos, conhecido com o Rei dos Passinhos, ter sido assassinado. Gualter desapareceu na noite de réveillon: após sete dias, teve o corpo reconhecido por um irmão através de fotos. Ainda 2011, surge a Liga do Funk, uma associação paulista idealizada pelo empresário Marcelo Galático. Foi também lançado o musical Funk Brasil - 40 anos de baile, baseado no livro Batidão - Uma História de Funk, do jornalista Silvio Essinger.

Anos 2020

Em 2023, é aprovado o Dia Nacional do Funk, comemorado em 12 de julho, na mesma época em que o gênero passa a ser largamente usado em comerciais de televisão e rádio. Em Minas Gerais surge um novo subgênero, chamado de MTG (sigla de montagem), o gênero remete aos mashups muito populares na década de 1990, os mashups podem ser de qualquer estilo, seja MPB, forró, pop. Em 2024, o passinho foi declarado Patrimônio Cultural Imaterial do Estado do Rio de Janeiro. Artistas coreanos do k-pop começam a se influenciar pelo funk carioca, em 2023, a boy band TXT lança Back For More, um feat com a cantora Anitta, em 2025, HUTA, nome artístico de Lee Minhyuk do grupo BTOB lança BORA, com batidas de funk carioca e parte da letra em português.

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São Paulo

Durante muitos anos, cultivou-se uma grande rivalidade entre os estados de São Paulo e Rio de Janeiro no que tange aos estilos musicais predominantes em cada região. O Rio de Janeiro, por exemplo, criou o que era chamado de funk carioca, que possui em sua essência temas como a vida nas favelas e a exaltação da mulher - esta última, através do funk melody, e ao proibidão, que canta sobre criminalidade e possui conteúdos de apelo sexual; no entanto, tal estilo não era aceito em São Paulo, pois era julgado pela maioria como alienante - apesar de uma crítica social se encontrar presente. Em contrapartida, os paulistas apresentavam um discurso contundente espelhado nos rappers norte-americanos da chamada velha escola do hip hop, preocupando-se em expor os problemas do governo em batidas pesadas e agressivas, as quais não foram bem-recebidas no estado vizinho por serem vistas como chatas e antidiversão. Esta divisão explica a existência de poucos cantores de funk em São Paulo, bem como poucos rappers no Rio de Janeiro. Com o funk ostentação, essa divisão entre os estados acabou ficando bem menor, visto que ambos encontraram um meio-termo em seus ideais.

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Subgêneros

Surgido em 2011 em Curitiba, no Paraná, o gênero mistura música eletrônica com funk, sendo impulsionado pela produtora Eletrofunk Brasil, que revelou diversos artistas paranaenses, produzindo e lançando videoclipes em seu canal no Youtube. O gênero ganhou repercussão nacional em 2012 com a cantora MC Mayara com as faixas Primeira Vez e Teoria da Branca de Neve. Aos poucos outros artistas ganharam fama, como Edy Lemond, DZ MC's e DJ Cléber. Em 2018 surgiu uma outra vertente, o funk de 150 batidas por minuto ou 150 BPM, liderado pelos DJs Polyvox e Rennan da Penha. Em 2019, o funk 150 BPM foi adotado por blocos carnavalescos. O Funk 150 BPM surgiu no contexto do fim das políticas das Unidades de Polícia Pacificadora, instalada no início da década de 2010, que mantinham ocupação militar permanente de favelas e limitavam a realização de bailes funk, gerando uma crise no setor. Um dos bailes fechados foi o baile da Chatuba, na Penha, um dos maiores até então, e a quadra onde ele era realizado foi transformado na base da UPP Chatuba.

Funk rasteiro

De ritmo lento entre 90 e 105 BPM, em vez dos tradiocnais 130 BPM, costuma se misturar com hip-hop e reggaeton.

New funk

Subgênero surgido em 1999, o new funk misturava o funk com dance-pop. Enquanto as letras das músicas de funk carioca naquela época eram focadas nas dificuldades nas favelas, o new funk apresentava ritmos e letras centradas na sensualidade e no divertimento. O termo foi uma criação do DJ Marlboro, que buscava letras mais trabalhadas para o gênero. O cantor mais conhecido dessa vertente é Jah-Mai, intérprete da música New Funk.

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Críticas

O estilo musical, embora apresente expansão mercadológica, continua sendo alvo de muita resistência da sociedade, sendo bastante criticado por intelectuais e por parte da população. O funk brasileiro costuma ser criticado por apresentar uma linguagem obscena; e por fazer referências à violência e ao consumo e ao tráfico de drogas. Regis Tadeu, em sua crítica para o Yahoo!, disse que O jornalista Gilson Santos, disse que o funk é O músico Domenico Lancellotti acredita que apesar das limitações, o gênero possui qualidades: Desde o início de nossa banda (Moreno + 2), a mídia, quando se refere a nós, usa o termo ‘experimental’ para ajudar a definir nosso som. À minha vista, não existe nada mais ‘experimental’ no Brasil (talvez no mundo!) do que o baile funk das favelas do Rio de Janeiro. São textos pornográficos ou escatológicos sobre base rítmica sem harmonia — muitas vezes tudo desafinado. Nós e também toda a produção do rock underground (ou não) do Brasil ficamos no chinelo se nos compararmos com a inventividade e a força do funk. Admiro muito essa cultura popular e DJ Malboro é o pilar dessa estrutura.

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Fontes consultadas

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