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Fridtjof Nansen

Fridtjof Nansen foi um cientista, explorador polar, aventureiro e político norueguês. Enquanto delegado norueguês na Liga das Nações criou o passaporte Nansen para os refugiados, tendo sido galardoado com o Nobel da Paz em 1922.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 10/07/2026
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Família e infância

A família Nansen é originária da Dinamarca. O comerciante Hans Nansen (1598-1667) foi um dos primeiros exploradores da região do Mar Branco, no Oceano Ártico. Nos últimos anos de sua vida, ele se estabeleceu em Copenhaga, tornando-se prefeito da localidade em 1654. As gerações seguintes da família viveram naquela cidade até meados do século XVIII, quando Ancher Antoni Nansen mudou-se para a Noruega, que na época estava sob domínio dinamarquês. Seu filho, Hans Leierdahl Nansen (1764-1821), foi um magistrado no distrito de Trondheim, e depois em Jæren. Após a separação da Noruega da Dinamarca em 1814, ele entrou na vida política nacional como representante da cidade de Stavanger no primeiro Storting, o parlamento norueguês, e tornou-se um forte defensor da união de seu país com a Suécia. Depois de sofrer um derrame cerebral em 1821, Hans Leierdahl morreu, deixando um filho de quatro anos de idade, Baldur Fridtjof Nansen, o pai do explorador.

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De estudante a aventureiro

Em 1880, Nansen foi aprovado em seu exame de admissão para a universidade, o examen artium. Decidiu estudar zoologia, afirmando mais tarde que escolheu essa área porque pensou que oferecesse a oportunidade de uma vida ao ar livre. Ele começou seus estudos na Universidade de Christiania no começo de 1881. No início de 1882, Nansen deu o primeiro "passo crucial" que o levou a "se desviar da vida tranquila da ciência". O professor Robert Collett, do departamento de zoologia da universidade, propôs que Nansen fizesse uma viagem marítima para estudar a fauna do Ártico, tema até então pouco pesquisado. Nansen se entusiasmou com a ideia e pediu auxílio ao capitão Axel Krefting, comandante do navio Viking, utilizado para caçar focas. A viagem começou em 11 de março de 1882 e se estendeu ao longo dos cinco meses seguintes. Nas semanas anteriores ao início da caça de focas, Nansen foi capaz de concentrar-se em estudos científicos. A análise de amostras de água mostrou que, ao contrário do que se imaginava, o gelo do mar se forma na superfície da água ao invés da parte profunda. Suas leituras também demonstraram que a corrente do Golfo flui numa camada de água fria sob a superfície. Durante a primavera e o início do verão, o Viking vagou entre a Groelândia e a ilha de Spitsbergen, em busca de rebanhos de focas. Nansen se tornou um exímio atirador, e registrou orgulhosamente que em um único dia sua equipe abateu 200 focas. Em julho, o Viking ficou preso no gelo próximo a uma área inexplorada da costa da Groelândia; Nansen desejava desembarcar, mas isso era impossível. No entanto, ele começou a desenvolver a ideia de que a calota de gelo da Groelândia poderia ser explorada, ou mesmo atravessada em toda a sua extensão. Em 17 de julho, o navio soltou-se do gelo e no início de agosto estava de volta às águas norueguesas.

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Travessia da Groelândia

Planejamento

A ideia de uma expedição que atravessasse toda a calota glacial da Groelândia amadureceu na mente de Nansen ao longo dos anos que passou em Bergen. Em 1887, após terminar de escrever sua tese de doutorado, ele finalmente começou a organizar este projeto. Até aquela época, as duas penetrações mais significativas no interior da Groelândia haviam sido as de Adolf Erik Nordenskiöld em 1883, e de Robert Peary em 1886. Ambos saíram da baía de Disko, na costa ocidental da ilha, e viajaram cerca de 160 km a leste antes de regressar. Em contraste, a proposta de Nansen era viajar de leste para oeste, terminando sua jornada na baía de Disko, ao invés de começar por ela. Uma equipe que saísse da área habitada do oeste, pensava ele, teria que fazer uma viagem de volta, já que o navio de resgate não teria certeza em qual parte da perigosa costa leste o grupo chegaria. Uma vez começando a viagem a partir do leste - supondo que o desembarque pudesse ser realizado - Nansen poderia fazer uma viagem só de ida, e com destino a uma área povoada. A equipe de exploradores não teria nenhuma linha de retirada para uma base segura; a única maneira seria seguir em frente, uma situação que se encaixava perfeitamente em sua filosofia.

Expedição

No dia 3 de junho de 1888, a equipe de Nansen partiu do porto de Ísafjörður, no noroeste islandês, a bordo do navio Jason. Uma semana mais tarde avistaram a costa da Groelândia, mas o progresso da viagem foi prejudicado pela espessa camada de gelo. Em 17 de julho, com a costa ainda a 20 quilômetros de distância, decidiu lançar os pequenos botes; a esta altura já avistavam o fiorde Sermilik, que Nansen acreditou servir como ponto de partida para uma rota sobre a calota da Groelândia. A expedição deixou o Jason "de bom humor e com as maiores esperanças de um resultado favorável", segundo relato do capitão do navio. Mas o que se viu a partir daí foram dias de extrema frustração para o grupo de Nansen, que estava impedido de chegar à costa devido às más condições climáticas e marítimas. Eles ficaram a deriva, junto com o gelo, e foram levados em direção sul. Na maior parte deste tempo, a equipe acampava sobre o próprio gelo, já que era muito perigoso se lançar ao mar com os botes. Em 29 de julho, o grupo já estava a 380 km ao sul do local onde haviam deixado o navio. Naquele dia, finalmente chegaram em terra firme, mas estavam muito ao sul para começar a travessia. Depois de um breve descanso, Nansen ordenou que seu pessoal voltasse para os pequenos barcos e que remassem rumo ao norte.

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Casamento

O navio Hvidbjørnen chegou a Copenhaga em 21 de maio de 1889. As notícias da expedição já circulavam antes da chegada do grupo, e Nansen e seus companheiros foram recepcionados como heróis. Estas boas-vindas, no entanto, foram discretas se comparadas com a receção calorosa em Christiania, uma semana depois, quando uma multidão de trinta a quarenta mil pessoas, um terço da população da cidade, se aglomerou nas ruas para ver de perto os exploradores; a primeira de uma série de homenagens que receberam na capital do país. O interesse e o entusiasmo gerado pela realização da expedição influenciou diretamente na fundação, ainda naquele ano, da Sociedade Geográfica Norueguesa. Nansen aceitou o cargo de curador da coleção de zoologia da Universidade de Christiania, função que tinha um salário, mas não envolvia deveres; a universidade estava satisfeita por associar o nome da instituição com o prestígio do explorador. A principal tarefa de Nansen nas semanas seguintes era escrever seu relato da expedição, mas conseguiu encontrar tempo para, no final de junho, visitar Londres, onde conheceu o então príncipe de Gales e futuro rei Eduardo VII do Reino Unido. Participou ainda de uma reunião da Royal Geographical Society. O presidente da sociedade, Sir Mountstuart Elphinstone Grant Duff, disse que Nansen reivindicou "o lugar mais importante entre os viajantes do norte", e mais tarde lhe concedeu a prestigiosa Medalha do Fundador oferecida pela Sociedade. Esta foi uma das muitas honrarias que Nansen recebeu de instituições por toda a Europa. Ele foi convidado por um grupo de australianos para liderar uma expedição à Antártida, mas recusou, acreditando que os interesses da Noruega seriam melhor servidos com a conquista do Polo Norte.

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Expedição Fram

Planejamento

Nansen começou a considerar a possibilidade de alcançar o Polo Norte após ler a teoria do meteorologista Henrik Mohn sobre a deriva transpolar em 1884. Artefatos encontrados na costa da Groenlândia foram identificados como pertencentes à expedição Jeannette. Em junho de 1881, o USS Jeannette foi esmagado e afundado na costa siberiana — o lado oposto do Oceano Ártico. Mohn supôs que a localização dos artefatos indicava a existência de uma corrente oceânica de leste a oeste, através do mar polar e possivelmente sobre o próprio polo. A ideia permaneceu fixa na mente de Nansen nos anos seguintes. Ele desenvolveu um plano detalhado para uma expedição polar após seu retorno triunfal da Groenlândia. Tornou sua ideia pública em fevereiro de 1890, em uma reunião da recém-formada Sociedade Geográfica Norueguesa. Expedições anteriores, argumentou, abordaram o Polo Norte a partir do oeste e falharam porque trabalhavam contra a corrente predominante de leste a oeste; o segredo era trabalhar com a corrente.

Preparativos

Nansen escolheu o engenheiro naval norueguês Colin Archer para projetar e construir o navio. Archer projetou um navio extraordinariamente robusto, com um intrincado sistema de vigas transversais e braçadeiras feitas dos mais resistentes carvalhos. Seu casco arredondado foi projetado para empurrar o navio para cima quando pressionado pelo gelo. Velocidade e manobrabilidade eram secundárias em relação à sua capacidade de servir como um abrigo seguro e aquecido durante o confinamento previsto. A proporção entre comprimento e largura — 39 metros de comprimento (128 pés) e 11 metros de largura (36 pés) — lhe deu uma aparência atarracada, justificada por Archer: "Um navio construído exclusivamente para [o objetivo de Nansen] deve diferir essencialmente de qualquer embarcação conhecida". Foi batizado de Fram e lançado em 6 de outubro de 1892.

Rumo ao gelo

O Fram partiu de Christiania em 24 de junho de 1893, aclamado por milhares de simpatizantes. Após uma viagem lenta ao longo da costa, o último porto de escala foi Vardø, no extremo nordeste da Noruega. O Fram deixou Vardø em 21 de julho, seguindo a rota do Passagem do Nordeste pioneira por Nordenskiöld em 1878–1879, ao longo da costa norte da Sibéria. O progresso foi dificultado pelo nevoeiro e condições do gelo em mares principalmente inexplorados. A tripulação também experimentou o fenômeno da água morta, onde o progresso do navio é impedido pelo atrito causado por uma camada de água doce sobreposta à água salgada mais densa. No entanto, o Cabo Cheliuskin, o ponto mais ao norte da massa continental eurasiática, foi ultrapassado em 10 de setembro.

Corrida para o polo

Com o navio na latitude 84°4′N e após duas falsas partidas, Nansen e Johansen começaram sua jornada em 14 de março de 1895. Nansen estimou 50 dias para cobrir as 356 milha náuticas (660 km; 410 mi) até o polo, uma média diária de (13 km; 8 milhas). Após uma semana de viagem, uma observação com sextante indicou que estavam avançando 17 km por dia, colocando-os à frente do cronograma. No entanto, superfícies irregulares dificultaram o esqui, e sua velocidade diminuiu. Eles também perceberam que estavam marchando contra uma deriva para o sul e que as distâncias percorridas não necessariamente equivaliam ao progresso real. Em 3 de abril, Nansen começou a duvidar se o polo era alcançável. A menos que sua velocidade melhorasse, sua comida não duraria até o polo e de volta para Terra de Francisco José. Ele confessou em seu diário: "Estou cada vez mais convencido de que devemos voltar antes do tempo". Quatro dias depois, após montar acampamento, ele observou que o caminho à frente era "... um verdadeiro caos de blocos de gelo que se estendia até o horizonte." Nansen registrou sua latitude como 86°13′6″N — quase três graus além do recorde anterior — e decidiu voltar para o sul.

Retirada

No início, Nansen e Johansen progrediram bem para o sul, mas sofreram um revés sério em 13 de abril, quando, em sua pressa para desmontar o acampamento, esqueceram de dar corda em seus cronômetros, o que tornou impossível calcular sua longitude e navegar com precisão até a Terra de Francisco José. Eles reiniciaram os relógios com base no palpite de Nansen de que estavam a 86°E. A partir de então, sua posição real era incerta. No final de abril, foram observadas pegadas de uma raposa-do-ártico. Foi o primeiro vestígio de uma criatura viva além de seus cães desde que deixaram o Fram. Logo viram pegadas de ursos e, no final de maio, sinais de focas, gaivotas e baleias próximas.

Resgate e retorno

Em 17 de junho, durante uma parada para reparos após os caiaques serem atacados por uma morsa, Nansen achou ouvir um cachorro latindo e vozes humanas. Ele foi investigar e, alguns minutos depois, viu a figura de um homem se aproximando. Era o explorador britânico Frederick Jackson, que liderava uma expedição à Terra de Francisco José e estava acampado no Cabo Flora, na ilha vizinha. Os dois ficaram igualmente surpresos com o encontro; após uma hesitação constrangedora, Jackson perguntou: "Você é Nansen, não é?", e recebeu a resposta: "Sim, sou Nansen". Johansen foi resgatado, e o par foi levado para o Cabo Flora, onde, nas semanas seguintes, se recuperaram de seu sofrimento. Nansen escreveu mais tarde que ainda mal conseguia compreender sua repentina mudança de sorte; se não fosse pelo ataque da morsa que causou o atraso, os dois grupos poderiam ter permanecido sem saber da existência um do outro.

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Figura nacional

Cientista e oráculo polar

A primeira tarefa de Nansen ao retornar foi escrever seu relato da viagem. Ele fez isso com notável rapidez, produzindo 300 000 palavras de texto em norueguês até novembro de 1896; a tradução para o inglês, intitulada Farthest North, ficou pronta em janeiro de 1897. O livro foi um sucesso instantâneo e garantiu o futuro financeiro de Nansen a longo prazo. Nansen incluiu sem comentários a única crítica adversa significativa à sua conduta, a de Greely, que havia escrito na Harper's Weekly sobre a decisão de Nansen de deixar o Fram e partir para o polo: "É incompreensível como Nansen poderia ter se desviado do dever mais sagrado que recai sobre o comandante de uma expedição naval". Durante os 20 anos seguintes ao seu retorno do Ártico, Nansen dedicou a maior parte de suas energias ao trabalho científico. Em 1897, aceitou uma cátedra de zoologia na Universidade Real Frederick, que lhe deu uma base a partir da qual pôde enfrentar a grande tarefa de editar os relatórios dos resultados científicos da expedição Fram. Esta era uma tarefa muito mais árdua do que escrever a narrativa da expedição. Os resultados foram eventualmente publicados em seis volumes e, de acordo com um cientista polar posterior, Robert Rudmose-Brown, "foram para a oceanografia ártica o que os resultados da expedição Challenger haviam sido para a oceanografia de outros oceanos". Em 1900, Nansen tornou-se diretor do Laboratório Internacional para Pesquisa do Mar do Norte, com sede em Christiania, e ajudou a fundar o Conselho Internacional para a Exploração do Mar. Através de sua conexão com este último órgão, no verão de 1900, Nansen embarcou em sua primeira visita às águas árticas desde a expedição Fram, em um cruzeiro para a Islândia e a Terra de Jan Mayen no navio de pesquisa oceanográfica Michael Sars, nomeado em homenagem ao pai de Eva. Pouco depois de seu retorno, ele soube que seu recorde de Mais ao Norte havia sido ultrapassado por membros da expedição italiana do Duque dos Abruzos. Eles haviam chegado a 86°34′N em 24 de abril de 1900, em uma tentativa de alcançar o Polo Norte a partir da Terra de Franz Josef. Nansen recebeu a notícia filosoficamente: "Qual é o valor de ter objetivos por si mesmos? Todos eles desaparecem... é meramente uma questão de tempo".

Político e diplomata

A união entre Noruega e Suécia, imposta pelas Grandes Potências em 1814, esteve sob considerável tensão durante a década de 1890, sendo a principal questão os direitos da Noruega a seu próprio serviço consular. Nansen, embora não fosse por inclinação um político, havia se manifestado sobre a questão em várias ocasiões em defesa dos interesses da Noruega. A partir de 1898, Nansen estava entre os colaboradores do Ringeren, uma revista anti-União estabelecida por Sigurd Ibsen. Parecia, no início do século XX, que um acordo entre os dois países poderia ser possível, mas as esperanças foram frustradas quando as negociações fracassaram em fevereiro de 1905. O governo norueguês caiu e foi substituído por um liderado por Christian Michelsen, cujo programa era de separação da Suécia. Em fevereiro e março, Nansen publicou uma série de artigos de jornal que o colocaram firmemente no campo separatista. O novo primeiro-ministro queria Nansen no gabinete, mas Nansen não tinha ambições políticas. No entanto, a pedido de Michelsen, ele foi a Berlim e depois a Londres, onde, em uma carta ao The Times, apresentou o caso legal da Noruega para um serviço consular separado ao mundo anglófono. Em 17 de maio de 1905, Dia da Constituição da Noruega, Nansen dirigiu-se a uma grande multidão em Christiania, dizendo: "Agora todos os caminhos de retirada foram fechados. Agora resta apenas um caminho, o caminho à frente, talvez através de dificuldades e adversidades, mas adiante para o nosso país, para uma Noruega livre". Ele também escreveu um livro, Norway and the Union with Sweden, para promover a causa da Noruega no exterior. Em 23 de maio, o Storting aprovou a Lei Consular, estabelecendo um serviço consular separado. O rei Oscar recusou seu consentimento; em 27 de maio, o gabinete norueguês renunciou, mas o rei não reconheceu este passo. Em 7 de junho, o Storting anunciou unilateralmente que a união com a Suécia estava dissolvida. Em uma situação tensa, o governo sueco concordou com o pedido da Noruega de que a dissolução fosse submetida a um referendo do povo norueguês. Este foi realizado em 13 de agosto de 1905 e resultou em um voto esmagador pela independência, momento em que o rei Oscar renunciou à coroa da Noruega, mantendo o trono sueco. Um segundo referendo, realizado em novembro, determinou que o novo estado independente deveria ser uma monarquia em vez de uma república. Em antecipação a isso, o governo de Michelsen havia considerado a adequação de vários príncipes como candidatos ao trono norueguês. Diante da recusa do rei Oscar em permitir que alguém de sua própria Casa de Bernadotte aceitasse a coroa, a escolha favorecida foi o Príncipe Carlos da Dinamarca. Em julho de 1905, Michelsen enviou Nansen a Copenhague em uma missão secreta para persuadir Carlos a aceitar o trono norueguês. Nansen foi bem-sucedido; logo após o segundo referendo, Carlos foi proclamado rei, adotando o nome de Haakon VII. Ele e sua esposa, a princesa britânica Maud, foram coroados na Catedral de Nidaros em Trondheim em 22 de junho de 1906. Em abril de 1906, Nansen foi nomeado o primeiro Ministro da Noruega em Londres. Sua principal tarefa era trabalhar com representantes das principais potências europeias em um Tratado de Integridade que garantiria a posição da Noruega. Nansen era popular na Inglaterra e se dava bem com o rei Eduardo, embora achasse funções da corte e deveres diplomáticos desagradáveis; "frívolos e chatos" era sua descrição. No entanto, ele foi capaz de buscar seus interesses geográficos e científicos através de contatos com a Royal Geographical Society e outros organismos acadêmicos. O Tratado foi assinado em 2 de novembro de 1907, e Nansen considerou sua tarefa completa. Resistindo aos apelos, entre outros, do rei Eduardo para que permanecesse em Londres, em 15 de novembro Nansen renunciou ao cargo. Algumas semanas depois, ainda na Inglaterra como convidado do rei em Sandringham, Nansen recebeu a notícia de que Eva estava gravemente doente com pneumonia. Em 8 de dezembro ele partiu para casa, mas antes de chegar a Polhøgda ele soube, por um telegrama, que Eva havia morrido.

Oceanógrafo e viajante

Após um período de luto, Nansen retornou a Londres. Ele havia sido persuadido por seu governo a rescindir sua renúncia até depois da visita de Estado do rei Eduardo à Noruega em abril de 1908. Sua aposentadoria formal do serviço diplomático foi datada de 1º de maio de 1908, o mesmo dia em que sua cátedra universitária foi alterada de zoologia para oceanografia. Esta nova designação refletia o caráter geral dos interesses científicos mais recentes de Nansen. Em 1905, ele havia fornecido ao físico sueco Walfrid Ekman os dados que estabeleceram o princípio na oceanografia conhecido como espiral de Ekman. Com base nas observações de Nansen sobre correntes oceânicas registradas durante a expedição Fram, Ekman concluiu que o efeito do vento na superfície do mar produzia correntes que "formavam algo como uma escada em espiral, descendo em direção às profundezas". Em 1909, Nansen colaborou com Bjørn Helland-Hansen para publicar um artigo acadêmico, The Norwegian Sea: its Physical Oceanography, baseado na viagem do Michael Sars de 1900. Nansen havia agora se aposentado da exploração polar, sendo o passo decisivo sua liberação do Fram para seu compatriota norueguês Roald Amundsen, que estava planejando uma expedição ao Polo Norte. Quando Amundsen fez sua controversa mudança de plano e partiu para o Polo Sul, Nansen o apoiou. Entre 1910 e 1914, Nansen participou de várias viagens oceanográficas. Em 1910, a bordo do navio naval norueguês Fridtjof, realizou pesquisas no Atlântico Norte, e em 1912 levou seu próprio iate, Veslemøy, para a Ilha do Urso e Spitsbergen. O principal objetivo do cruzeiro do Veslemøy era a investigação da salinidade na Bacia Polar Norte. Uma das contribuições duradouras de Nansen para a oceanografia foi seu trabalho projetando instrumentos e equipamentos; a "garrafa de Nansen" para coleta de amostras de águas profundas permaneceu em uso até o século XXI, em uma versão atualizada por Shale Niskin. A pedido da Royal Geographical Society, Nansen começou a trabalhar em um estudo das descobertas árticas, que se desenvolveu em uma história de dois volumes da exploração das regiões setentrionais até o início do século XVI. Isso foi publicado em 1911 como Nord i Tåkeheimen ("Em Névoas do Norte"). Naquele ano, ele renovou um relacionamento com Kathleen Scott, esposa de Robert Falcon Scott, cuja Expedição Terra Nova havia partido para a Antártida em 1910. O biógrafo Roland Huntford afirmou que Nansen e Kathleen Scott tiveram um breve caso. Louisa Young, em sua biografia de Lady Scott, rejeita a afirmação. Muitas mulheres eram atraídas por Nansen, e ele tinha a reputação de ser um mulherengo. Sua vida pessoal estava conturbada nessa época; em janeiro de 1913, ele recebeu a notícia do suicídio de Hjalmar Johansen, que havia retornado em desgraça da bem-sucedida expedição de Amundsen ao Polo Sul. Em março de 1913, o filho mais novo de Nansen, Asmund, morreu após uma longa doença. No verão de 1913, Nansen viajou para o Mar de Kara, a convite de Jonas Lied, como parte de uma delegação que investigava uma possível rota comercial entre a Europa Ocidental e o interior da Sibéria. O grupo então pegou um vapor pelo rio Yenisei até Krasnoyarsk, e viajou pela Ferrovia Transiberiana até Vladivostok antes de voltar para casa. Nansen publicou um relatório da viagem em Through Siberia. A vida e a cultura dos povos russos despertaram em Nansen um interesse e simpatia que ele carregaria até o final de sua vida. Imediatamente antes da Primeira Guerra Mundial, Nansen juntou-se a Helland-Hansen em um cruzeiro oceanográfico nas águas do Atlântico leste.

Estadista e humanitário

Com o início da guerra em 1914, a Noruega declarou sua neutralidade, juntamente com a Suécia e a Dinamarca. Nansen foi nomeado como o presidente da União Norueguesa de Defesa, mas tinha poucos deveres oficiais e continuou com seu trabalho profissional na medida em que as circunstâncias permitiam. À medida que a guerra avançava, a perda do comércio exterior da Noruega levou a graves escassezes de alimentos no país, que se tornaram críticas em abril de 1917, quando os Estados Unidos entraram na guerra e impuseram restrições adicionais ao comércio internacional. Nansen foi enviado a Washington pelo governo norueguês; após meses de discussão, ele garantiu alimentos e outros suprimentos em troca da introdução de um sistema de racionamento. Quando seu governo hesitou sobre o acordo, ele o assinou por iniciativa própria. Poucos meses após o fim da guerra em novembro de 1918, um acordo preliminar havia sido aceito pela Conferência de Paz de Paris para criar uma Liga das Nações, como um meio de resolver disputas entre nações por meios pacíficos. A fundação da Liga nesta época foi providencial para Nansen, dando-lhe uma nova saída para sua energia incansável. Ele tornou-se presidente da Sociedade Norueguesa da Liga das Nações, e embora as nações escandinavas com suas tradições de neutralidade inicialmente se mantivessem distantes, sua defesa ajudou a garantir que a Noruega se tornasse um membro pleno da Liga em 1920, e ele se tornou um de seus três delegados na Assembleia Geral da Liga. Em abril de 1920, a pedido da Liga, Nansen começou a organizar a repatriação de cerca de meio milhão de prisioneiros de guerra, espalhados por várias partes do mundo. Destes, 300 000 estavam na Rússia que, tomada pela revolução e guerra civil, tinha pouco interesse em seu destino. Nansen foi capaz de relatar à Assembleia em novembro de 1920 que cerca de 200 000 homens haviam retornado às suas casas. "Nunca em minha vida", disse ele, "fui colocado em contato com uma quantidade tão formidável de sofrimento". Nansen continuou este trabalho por mais dois anos até que, em seu relatório final à Assembleia em 1922, ele foi capaz de declarar que 427 886 prisioneiros haviam sido repatriados para cerca de 30 países diferentes. Ao prestar homenagem ao seu trabalho, o comitê responsável registrou que a história de seus esforços "conteria contos de empenho heroico dignos daqueles nos relatos da travessia da Groenlândia e da grande viagem ártica".

Missão Nansen

A Missão Nansen é o termo coloquial usado pelos habitantes das antigas Repúblicas Socialistas Soviéticas para descrever a série de iniciativas humanitárias realizadas pelo Comitê Internacional da Cruz Vermelha e lideradas por Fridtjof Nansen. Este esforço internacional incluiu o envolvimento dos ramos suíço, sueco, holandês, dinamarquês, norueguês e alemão da Cruz Vermelha, as Ajudas Infantis suíças e italianas, a Sociedade Adventista do Sétimo Dia, bem como muitas outras organizações. O esforço de mobilização começou em agosto de 1921 e os primeiros programas na Rússia começaram logo depois, com a assinatura de um acordo de assistência entre Nansen e Georgy Chicherin, que forneceu ajuda para mitigar a fome na Rússia e na Ucrânia.

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Últimos anos

Em 17 de janeiro de 1919, Nansen casou-se com Sigrun Munthe, uma amiga de longa data com quem teve um caso amoroso em 1905, enquanto Eva ainda estava viva. O casamento foi ressentido pelos filhos de Nansen e mostrou-se infeliz; um conhecido escrevendo sobre eles na década de 1920 disse que Nansen parecia insuportavelmente miserável e Sigrun mergulhada em ódio. Os compromissos de Nansen com a Liga das Nações durante a década de 1920 significaram que ele esteve principalmente ausente da Noruega e pôde dedicar pouco tempo ao trabalho científico. No entanto, continuou a publicar artigos ocasionais. Ele alimentava a esperança de viajar ao Polo Norte de dirigível, mas não conseguiu levantar fundos suficientes. De qualquer forma, foi antecipado nessa ambição por Amundsen, que sobrevoou o polo no dirigível Norge de Umberto Nobile em maio de 1926. Dois anos depois, Nansen transmitiu um discurso memorial a Amundsen, que desapareceu no Ártico enquanto organizava um grupo de resgate para Nobile, cujo dirigível havia caído durante uma segunda viagem polar. Nansen disse sobre Amundsen: "Ele encontrou um túmulo desconhecido sob o céu claro do mundo gelado, com o zumbido das asas da eternidade através do espaço".

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Morte e legado

Nansen morreu de um ataque cardíaco em 13 de maio de 1930. Ele recebeu um funeral de estado não religioso antes da cremação, após a qual suas cinzas foram depositadas sob uma árvore em Polhøgda. A filha de Nansen, Liv, registrou que não houve discursos, apenas música: A Morte e a Donzela de Schubert, que Eva costumava cantar. Em sua vida e depois, Nansen recebeu honras e reconhecimento de muitos países. Entre as muitas homenagens a ele posteriormente estava a de Robert Cecil, 1.º Visconde Cecil de Chelwood, um colega delegado da Liga das Nações, que falou sobre a amplitude do trabalho de Nansen, feito sem consideração por seus próprios interesses ou saúde: "Toda boa causa tinha seu apoio. Ele era um pacificador destemido, um amigo da justiça, um defensor sempre dos fracos e sofredores". Nansen foi um pioneiro e inovador em muitos campos. Quando jovem, ele abraçou a revolução nos métodos de esqui que o transformaram de um meio de viagem no inverno em um esporte universal e rapidamente se tornou um dos principais esquiadores da Noruega. Mais tarde, ele foi capaz de aplicar essa expertise aos problemas das viagens polares, tanto em sua expedição à Groenlândia quanto na expedição do Fram.

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Fontes consultadas

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