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Franz Liszt

Franz Liszt foi um compositor, pianista, maestro, professor e terciário franciscano húngaro do século XIX. Seu nome em húngaro é Liszt Ferenc.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 16/07/2026
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Biografia

Origem

Liszt nasceu em 21 de outubro de 1811 no vilarejo de Doborján (atual Raiding, Burgenland), então parte do Reino da Hungria, sob domínio Habsburgo, no comitato de Oedenburg. Foi batizado em latim com o nome "Franciscus", mas seus amigos mais próximos sempre o chamaram de "Franz", a versão alemã de seu nome. Era chamado de "François" em francês, "Ferenc", "Ferencz" ou "Ferentz" em húngaro; no seu passaporte de 1874, o nome registrado era "Dr. Liszt Ferencz". A língua tradicional daquela região era o alemão, e apenas uma minoria sabia falar húngaro. Oficialmente, o latim era utilizado. Seu pai, Adam Liszt, tivera aulas em húngaro no ginásio de Pozsony, hoje Bratislava, mas ele não aprendeu quase nada. Apenas a partir de 1835 as crianças de Raiding passaram a ter aulas de húngaro na escola. O próprio Liszt era fluente em alemão, italiano e francês; também tinha um pequeno domínio de inglês, mas seu húngaro era muito precário. Nos anos de 1870, quando todos os habitantes da Hungria foram forçados a aprender húngaro, Liszt tentou aprendê-lo, mas desistiu depois de algumas aulas.

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Início da vida

Era sonho do próprio Adam Liszt se tornar músico. Estudara piano, violino, violão e violoncelo. Enquanto estudava filosofia na Universidade de Pressburg, estudou instrumentação com Paul Wigler; infelizmente, devido à sua falta de recursos financeiros, teve de desistir dos estudos. Logo no dia 1° de janeiro de 1798, ele passou a trabalhar para o Príncipe Nikolaus II Esterházy. Entre 1805 e 1808, ele trabalhou em Einsenstadt, onde o Príncipe Esterházy tinha uma casa de férias com uma orquestra. Até 1804 essa orquestra foi regida por Franz Joseph Haydn, e a partir desta data até 1811, por Johann Nepomuk Hummel. Em várias ocasiões, Adam Liszt tocou nela como segundo violoncelista. Em 13 de setembro de 1807, a orquestra executou a Missa em Dó maior de Ludwig van Beethoven, regida pelo próprio. Adam Liszt conhecia Haydn, Hummel e Beethoven. Para ele, os vienenses clássicos haviam atingido o mais alto nível de musicalidade.

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Liszt na sua juventude

Em Viena, o jovem Liszt frequentou aulas de piano com o grande Carl Czerny, que fora aluno de Beethoven em sua juventude. Czerny comentou, em seu livro de memórias, que ficou impressionado com o talento de Liszt ao piano, mas que o garoto não tinha qualquer conhecimento de dedilhados apropriados, e seu jeito de tocar era caótico. Czerny mostrou a Liszt algumas das sonatas mais fáceis de Muzio Clementi e mandou tocá-las. Liszt tocou-as sem qualquer dificuldade, mas não entendia que tinha de trabalhar nos detalhes da execução e da expressividade. O professor e seu aluno também tinham opiniões diferentes quanto a dedilhados usados para as obras tocadas. Há boatos de que ele, numa tentativa de escapar das aulas de piano, escreveu dedilhados complexos e difíceis para as obras e os mostrou ao seu pai, alegando que eles haviam sido escritos por Czerny. Havia se tornado óbvio que Czerny não tinha noção do que mandava seus alunos fazer, e por isso Liszt deveria parar de ter aulas com ele. Mas logo depois, Adam Liszt conversou com Czerny e seu filho, e as aulas prosseguiram.

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Relação com Marie Duplessis

Liszt era famoso não apenas por suas composições, mas também pelos vários amores que teve por toda a vida. Sendo um dos mais ardentes, apesar de breve, o relacionamento com Marie Duplessis. A paixão do casal teve início no saguão de um teatro parisiense, em meados de 1845, logo após o término com Alexandre Dumas Filho. Jules Janin fez o seguinte relato a respeito do primeiro encontro de Liszt com Duplessis: De cabeça erguida, ela abriu caminho por entre a multidão atônita, e ficamos surpresos, Liszt e eu, quando ela se aproximou e sentou-se familiarmente no banco ao nosso lado, pois nenhum de nós jamais havia falado com ela. Era uma mulher de inteligência, bom gosto e bom senso. Começou se dirigindo ao grande músico; disse-lhe que o ouvira recentemente e que ele a havia realizado um sonho... e assim conversaram durante todo o terceiro ato do melodrama... Há rumores de que Franz Liszt tenha sido o grande amor da vida de Marie Duplessis.

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Relação com a Princesa Carolyne zu Sayn-Wittgenstein

A Princesa Carolyne zu Sayn-Wittgenstein nasceu em 1819 e morreu em 8 de março de 1887 em Roma, e ficou conhecida por sua dedicação a Franz Liszt, com quem se reuniu em Kiev em 1847, durante uma de suas turnés. O encontro correspondeu ao desejo de Liszt de parar qualquer composição orquestral. O grão-duque de Weimar tinha oferecido a Liszt um cargo de prestígio de Kapellmeister, e a princesa juntou-se a ele em fevereiro de 1848, vivendo juntos durante muitos anos. Carolyne era então, independente do seu marido já há algum tempo. A Igreja Católica Romana eventualmente quis que a princesa casasse com Liszt e regularizasse sua situação, mas por ela estar ainda casada e o marido estar ainda vivo, a princesa teve que convencer as autoridades católicas de que seu casamento tinha sido inválido. Em setembro de 1860, depois de um intrincado processo, foi temporariamente bem sucedida. Estava previsto seu casamento em Roma, em 22 de outubro de 1861, no dia do 50º aniversário de Liszt. Este, tendo chegado a Roma em 21 de outubro de 1861, descobriu que a princesa, no entanto, era incapaz de se casar com ele, pois aparentemente, tanto o marido dela quanto o Czar da Rússia conseguiram revogar a permissão para o matrimónio no Vaticano.

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Principais obras

Liszt foi o criador do poema sinfônico, muito popular no século XIX. No campo da música sacra, salientam-se as 4 oratórias: S. Isabel, S. Stanislaus (incompleta), Christus, e a vanguardista Via Crucis. Escreveu duas sinfonias, a Sinfonia Dante, inspirada na Divina Comédia de Dante Alighieri, e a Sinfonia Fausto, composta por diferentes quadros que caracterizam as personagens de Fausto, do escritor romântico alemão Goethe. Liszt também escreveu inúmeros lieder e peças para música de câmara, das quais se devem destacar as peças para violino e piano. A sua Sonata em Si menor, apesar de não ter agradado a Johannes Brahms, que disse ter adormecido durante a sua execução, é provavelmente sua obra de maior vulto. Também muito populares são suas rapsódias húngaras para piano. A Rapsódia n.º 2, a mais conhecida delas, tornou-se muito popular até como trilha sonora de desenhos animados. No compêndio de peças para piano como Liebesträume ("Sonhos de Amor"), produzida a partir de poemas de Ludwig Uhland e Ferdinand Freiligrath, destaca-se a peça No. 3, conhecida como "Liebestraum".

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Instrumentos

Sabe-se que Franz Liszt utilizou pianos Boisselot na sua digressão por Portugal e, mais tarde, em 1847, numa digressão por Kiev e Odessa. Liszt mantinha o seu piano Boisselot na Vila Altenburg, a sua residência em Weimar. Liszt expressou a sua devoção a este instrumento na sua carta dirigida a Xavier Boisselot, em 1862: “Embora as teclas estejam quase esgotadas pelas batalhas travadas nelas pela música do passado, do presente e do futuro, eu jamais concordarei em mudá-las, e decidi mantê-las até o fim dos meus dias, como um querido colega de trabalho”. Este instrumento não está em condições de ser utilizado. Em 2011, a pedido de Klassik Stiftung Weimar, o construtor de pianos Paul McNulty construiu uma réplica deste piano Boisselot que está agora em exposição com o instrumento de Liszt. Entre os pianos do compositor existem também o piano Érard, o “Alexandre” que combina um piano e uma fila de tubos de órgão e que se encontra no Museu Histórico de Gothenberg, um piano Bechstein e o piano de cauda Broadwood de Beethoven.

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