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Francisco Sousa Tavares

Francisco José de Sousa Tavares foi um advogado, jornalista e político português.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 29/07/2026
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Biografia

Natural do bairro lisboeta da Lapa, estudou no colégio jesuíta de Camposancos, A Guarda (Colegio Apóstol Santiago de los Padres Jesuitas) e licenciou-se em Direito, pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. Dedicou a maior parte da sua carreira profissional à advocacia. Cumpriu o serviço militar no Exército Português, período no qual passaria à história o facto de ter desafiado um militar, seu superior, para um duelo. Durante o período universitário conheceu, aos 23 anos de idade, Sophia de Mello Breyner Andresen, sua futura esposa, com quem seria pai de cinco filhos, entre os quais o jornalista e escritor Miguel Sousa Tavares. Guilherme d'Oliveira Martins recordaria Sousa Tavares como um defensor da liberdade como valor primordial por si mesmo.

Percurso anterior ao 25 de abril de 1974

Francisco Sousa Tavares destacou-se pela sua desassombrada intervenção cívica e politica, desde o período do Estado Novo, de que foi um ativo resistente. Monárquico democrata, assumia-se ao mesmo tempo como social-democrata, anti-colonialista e anti-regionalista —na monografia de sua autoria Combate Desigual (1960) sintetizou em escrito as traves mestras do seu pensamento. Em 1958 participou ativamente na campanha do General Humberto Delgado, o que motivou a sua expulsão da Função Publica — exercia ao tempo funções no Ministério do Trabalho — no mesmo ano. A seguir, tomaria parte na tentativa de golpe de Estado conhecida como Revolta da Sé (11 de Março de 1959).

Percurso posterior ao 25 de abril de 1974

No contexto do novo regime democrático, Sousa Tavares continuou a envolver-se na vida politica, deixando bem patente o seu espírito independente, traduzido em atitudes inconformistas e, por vezes, numa certa imprevisibilidade. Paralelamente, no rescaldo do 25 de abril, destacou-se como advogado nos contenciosos relacionados com a reparação dos chamados excessos da revolução, nomeadamente nos processos de devoluções de propriedades que haviam sido ocupadas no período entre 1974 e 1976. Partilharia, por essa altura, escritório com um jovem advogado à época, anos depois um dos mais destacados advogados de contencioso em Portugal, Daniel Proença de Carvalho.

Atividade na imprensa escrita

Paralelamente à profissão de advogado e ao seu envolvimento na política, Sousa Tavares assumiu em 1976 a função de diretor do jornal A Capital. Os artigos de opinião que escreveu nesse matutino, ate 1984 (quando deixou o cargo) constituíam das mais marcantes intervenções publicas na analise da situação politica. Assim o ilustraria Mario Soares ao afirmar que tais textos «fizeram escola e exerceram uma indiscutível influência política. Posso afirmá-lo com absoluto conhecimento de causa, pois várias vezes lhes senti os efeitos contundentes e devastadores nos meus Governos» (prefácio a Francisco Sousa Tavares, Escritos Políticos, I, 1996). Em 1990 regressou às colunas dos jornais com uma colaboração semanal no novo diario Público (1990), onde, ao denunciar a injustiça feita pelos tribunais militares ao capitão de Abril, Salgueiro Maia, no pedido de atribuicao de uma pensao a sua viuva, provou polemica nos meios militares.

Condecorações

A 24 de setembro de 1983, foi agraciado com o grau de Comendador da Ordem da Liberdade. A 10 de junho de 1990, foi elevado a Grã-Cruz da mesma Ordem.

Polemicas

Em consequência de um escândalo relacionado com ilícitos cambiais, Francisco Sousa Tavares foi acusado pelo Ministério Público no processo que ficou conhecido como Caso DOPA (sigla de Dragagens e Obras Públicas), de um crime então designado como tráfico de divisas, através da empresa com o mesmo nome. Sousa Tavares suspendeu então as funções de Ministro da Qualidade de Vida que exercia, em fevereiro de 1985, pedindo, em março seguinte, a demissão do cargo. Seria exonerado somente no mês de julho, já após o então novo presidente do PSD, Aníbal Cavaco Silva, ter retirado o apoio do seu partido ao governo do Bloco Central, no mês anterior. Na origem do caso estava o facto de Sousa Tavares, enquanto advogado de um ex-rei da Roménia, ter recebido o pagamento de serviços por cheque, depositado na empresa DOPA, numa determinada moeda e de ter recebido a quantia, com juros, noutra moeda.

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Família

Imagem: Assessoria de Comunicação - MPPE · BY · Openverse

Filho de Francisco Jose de Sousa Tavares e de Maria Adelina Bello Carneiro. Foi afilhado de Berta de Castro e Maia, mulher do militar José Carlos da Maia. Casou no Porto, na Igreja de Lordelo do Ouro, em 27 de novembro de 1946, com Sophia de Mello Breyner Andresen. O casal separou-se em 1986 e divorciou-se em 1988, tendo-se Sousa Tavares casado em 1989 com Amélia Clotilde Brugnini Garcia Lagos, uma uruguaia filha de um diplomata 19 anos mais nova.

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Fontes consultadas

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