Francisco I de França
Francisco I, conhecido por diversos apelidos como "Rei-Cavaleiro", "Pai e Restaurador das Cartas" e "o de Nariz Comprido", reinou na França de 1515 até sua morte. Filho de Carlos d'Orléans, Conde de Angolema, e Luísa de Saboia, ele ascendeu ao trono após a morte de seu primo e sogro, Luís XII, que não deixou herdeiros.
Pontos-chave
- Francisco I foi um rei influente que promoveu o Renascimento na França.
- Ele expandiu a coleção de arte real francesa e patrocinou grandes artistas.
- Seu reinado foi marcado por conflitos externos e pela consolidação do poder real.
- Apesar de sua abertura inicial, o final de seu reinado viu um aumento na intolerância religiosa.
- Francisco I morreu em 1547, sucedendo-o seu filho Henrique II.
Nascido em 1494 no Castelo de Cognac, Francisco era o único filho de Carlos de Orleães-Angolema e Luísa de Saboia. Sua família não era a primeira na linha de sucessão, mas a morte sem herdeiros de Carlos VIII e, posteriormente, de Luís XII, fez de Francisco, aos quatro anos, o herdeiro presuntivo do trono francês. Ele foi então investido com o título de duque de Valois.
Durante sua formação, Francisco foi exposto às ideias do Renascimento italiano, influenciado por tutores como François Desmoulins de Rochefort e Christophe de Longueil. Sua educação abrangia diversas áreas do conhecimento e línguas, e ele desenvolveu paixão por artes, literatura, filosofia e ciência. Sua mãe, admiradora da arte renascentista, transmitiu esse interesse ao filho, moldando seu reinado.
Patrono das Artes
Ao assumir o trono em 1515, Francisco I abraçou o Renascimento, tornando-se um fervoroso patrono das artes. Ele iniciou a grandiosa coleção de arte real francesa, hoje no Louvre, e atraiu para a França renomados artistas como Leonardo da Vinci, Andrea del Sarto, Benvenuto Cellini, Rosso Fiorentino, Giulio Romano e Primaticcio. Da Vinci trouxe para a França obras icônicas como a Monalisa. O arquiteto Sebastiano Serlio também foi convidado, e agentes foram enviados à Itália para adquirir mais obras de arte.
Política Externa e Conflitos
A vitória na Batalha de Marignano em 1515 garantiu a Francisco o Ducado de Milão e consolidou sua fama na Itália. Ele firmou a Concordata de Bolonha com o Papa Leão X, organizando a igreja francesa. Em 1519, disputou a coroa imperial com Carlos de Áustria (Carlos V), mas foi derrotado. Cercado pelos domínios de Carlos V, Francisco iniciou uma longa luta contra a Casa de Áustria, marcada por tréguas ocasionais.
Fortalecimento do Poder Real
O reinado de Francisco I buscou centralizar o poder real na França, com a introdução da fórmula "car tel est notre bon plaisir" (por ser esta minha vontade) nos editos reais. Apesar de sua abertura inicial e alianças com protestantes e o sultão, a "affaire des placards" em 1534 levou a uma caça aos hereges. Em 1545, ele consentiu no massacre de três mil Vaudois no sul da França, um ato que ensombrou seus últimos anos e pelo qual, segundo relatos, ele se arrependeu.
Francisco I faleceu em 31 de março de 1547, no Castelo de Rambouillet. Diz-se que ele lamentou o peso da coroa, vista como um presente divino. Foi sepultado na Basílica de Saint-Denis ao lado de sua primeira esposa, Cláudia. Seu filho, Henrique II, o sucedeu. Durante a Revolução Francesa, em 1793, seus túmulos, assim como os de outros membros da realeza, foram profanados.
Francisco I casou-se duas vezes. Sua primeira esposa, Cláudia, com quem teve sete filhos, era filha do rei Luís XII. Sua segunda esposa, Leonor da Áustria, irmã do imperador Carlos V, não gerou filhos. Francisco I teve amantes oficiais, como Françoise de Foix e Anne de Pisseleu, Duquesa de Étampes, que exerceu considerável influência política. Ele também teve um filho ilegítimo, Nicolas d'Estouteville.


