Filologia
Filologia é o estudo da linguagem em fontes orais e escritas históricas. É a interseção da crítica textual, crítica literária, história e linguística, com fortes laços com a etimologia. A filologia também é definida como o estudo de textos literários e registros orais e escritos, o estabelecimento de sua autenticidade e sua forma original, e a determinação de seu significado. Uma pessoa que persegue esse tipo de estudo é conhecida como filólogo. No uso mais antigo, especialmente britânico, filologia é mais geral, abrangendo a linguística comparada e linguística histórica.
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O termo filologia deriva do grego φιλολογία (philología), dos termos φίλος (phílos) 'amor, afeição, amado, querido, caro, amigo' e λόγος (lógos) 'palavra, articulação, razão', descrevendo um amor pelo aprendizado, pela literatura, bem como pelo argumento e raciocínio, refletindo a gama de atividades incluídas sob a noção de λόγος. O termo mudou pouco com o latim philologia, e posteriormente entrou na língua inglesa no século XVI, do francês médio philologie, no sentido de 'amor à literatura'. O adjetivo φιλόλογος (philólogos) significava 'amante da discussão ou argumento, falante', no grego helenístico, implicando também uma preferência excessiva ("sofística") do argumento sobre o amor pela verdadeira sabedoria, φιλόσοφος (philósophos). Como uma alegoria da erudição literária, philologia aparece na literatura pós-clássica do século V (Marciano Capela, De nuptiis Philologiae et Mercurii), uma ideia revivida na literatura medieval tardia (Chaucer, Lydgate).
Comparativa
O ramo da linguística comparativa da filologia estuda a relação entre línguas. Semelhanças entre o sânscrito e línguas europeias foram primeiramente notadas no início do século XVI e levaram à especulação de uma língua ancestral comum da qual todas essas descenderam. Agora é denominada proto-indo-europeu. O interesse da filologia por línguas antigas levou ao estudo do que era, no século XVIII, línguas "exóticas", pela luz que elas poderiam lançar sobre problemas na compreensão e deciframento das origens de textos mais antigos.
Textual
A filologia também inclui o estudo de textos e sua história. Inclui elementos de crítica textual, tentando reconstruir o texto original de um autor baseado em cópias variantes de manuscritos. Este ramo de pesquisa surgiu entre estudiosos antigos no mundo de língua grega do século IV a.C., que desejavam estabelecer um texto padrão de autores populares tanto para interpretação sólida quanto transmissão segura. Desde então, os princípios originais da crítica textual foram melhorados e aplicados a outros textos amplamente distribuídos como a Bíblia. Estudiosos tentaram reconstruir as leituras originais da Bíblia a partir das variantes de manuscritos. Este método foi aplicado aos estudos clássicos e textos medievais como forma de reconstruir a obra original do autor. O método produziu as chamadas "edições críticas", que forneceram um texto reconstruído acompanhado de um "aparato crítico", ou seja, notas de rodapé que listavam as várias variantes de manuscritos disponíveis, permitindo aos estudiosos obter percepção de toda a tradição manuscrita e argumentar sobre as variantes.
Cognitiva
Outro ramo da filologia, a filologia cognitiva, estuda textos escritos e orais. A filologia cognitiva considera esses textos orais como resultados de processos mentais humanos. Esta ciência compara os resultados da ciência textual com os resultados da pesquisa experimental tanto da psicologia quanto dos sistemas de produção de inteligência artificial.
Deciframento
No caso da literatura da Idade do Bronze, a filologia inclui o deciframento prévio da língua em estudo. Esse foi notavelmente o caso com as línguas egípcia, suméria, assíria, hitita, ugarítico e luvita. Começando com o famoso deciframento e tradução da Pedra de Roseta por Jean-François Champollion em 1822, alguns indivíduos tentaram decifrar os sistemas de escrita do Oriente Próximo antigo e egeu. No caso do persa antigo e grego micênico, o deciframento produziu registros mais antigos de línguas já conhecidas de tradições ligeiramente mais recentes (persa médio e grego alfabético). O trabalho com as línguas antigas do Oriente Próximo progrediu rapidamente. Em meados do século XIX, Henry Rawlinson e outros decifraram a Inscrição de Behistun, que registra o mesmo texto em persa antigo, elamita e acadiano, usando uma variação da escrita cuneiforme para cada língua. A elucidação do cuneiforme levou ao deciframento do sumério. O hitita foi decifrado em 1915 por Bedřich Hrozný.
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Em A Trilogia Espacial de C. S. Lewis, o personagem principal, Elwin Ransom, é um filólogo – assim como era o amigo próximo de Lewis, J. R. R. Tolkien. Dr. Edward Morbius, um dos personagens principais do filme de ficção científica Planeta Proibido, é um filólogo. Philip, o personagem principal da 'comédia burguesa' The Philanthropist de Christopher Hampton, é um professor de filologia em uma cidade universitária inglesa. Moritz-Maria von Igelfeld, o personagem principal no romance cômico de 1997 de Alexander McCall Smith Portuguese Irregular Verbs, é um filólogo, educado em Cambridge. O personagem principal no Indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2012, Footnote, é um filólogo hebraico, e uma parte significativa do filme trata de seu trabalho. O personagem principal do programa de TV de ficção científica Stargate SG-1, Dr. Daniel Jackson, é mencionado como tendo um PhD em filologia.


