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O Diabo Veste Prada (filme)

The Devil Wears Prada é um filme de comédia dramática de 2006, dirigido por David Frankel e produzido por Wendy Finerman. O roteiro, escrito por Aline Brosh McKenna, é baseado no livro de mesmo nome de 2003 de Lauren Weisberger. A adaptação cinematográfica é estrelada por Meryl Streep como Miranda Priestly, uma poderosa editora de revista de moda, e Anne Hathaway como Andrea "Andy" Sachs, formada que vai para Nova Iorque e consegue um emprego como co-assistente de Priestly. Emily Blunt e Stanley Tucci co-estrelam como a co-assistente Emily Charlton e o diretor de arte Nigel, respectivamente.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 19/07/2026
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Enredo

Imagem: Jubaoli · BY-NC-ND · Openverse

A comédia mostra Andrea Sachs, uma jovem que conquistou um emprego na revista Runaway Magazine, a mais importante do gênero de moda em Nova Iorque. Ela passa a trabalhar como a assistente da principal executiva Miranda Priestly. Apesar da chance, Andrea logo percebe que trabalhar com Miranda não é tão fácil.

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Produção

Imagem: Claudia_midori · BY · Openverse

Quando fizemos isso, eu era ingênua. Agora sei como é raro encontrar situações em que as estrelas se alinham. O diretor David Frankel e a produtora Wendy Finerman leram originalmente The Devil Wears Prada em forma de proposta de livro. Seria a segunda peça teatral de Frankel e a primeira em mais de uma década. Ele, o diretor de fotografia Florian Ballhaus e a figurinista Patricia Field se valeram de sua experiência em fazer Sex and the City. Frankel relembra toda a experiência como tendo altos riscos para os envolvidos, já que para si e para os outros por trás da câmera era o maior projeto que eles haviam tentado, com recursos pouco adequados. "Sabíamos que estávamos em um gelo muito fino", disse ele à Variety em um artigo de 2016 sobre o décimo aniversário do filme. "Era possível que este pudesse ser o fim da estrada para nós."

Pré-produção

A Fox comprou os direitos do livro de Weisberger antes de ser publicado em 2003, mas chegou a ser finalizado. Carla Hecken, então vice-presidente executiva do estúdio, só tinha visto as primeiras cem páginas de manuscritos e um esboço de como o resto da trama deveria ir. Mas para ela isso era suficiente. "Eu pensei que Miranda Priestly foi uma das maiores vilões de todos os tempos", ela lembrou em 2016. "Eu me lembro que nós agressivamente entramos e pegamos." O trabalho para o roteiro começou imediatamente, antes que Weisberger terminasse seu trabalho. Quando se tornou um best-seller após a publicação, elementos da trama foram incorporados ao roteiro em andamento. A maioria se inspirou no filme Zoolander, de Ben Stiller, de 2001, e satirizou principalmente a indústria da moda. Mas ainda não estava pronto para filmar. Elizabeth Gabler, mais tarde chefe de produção da Fox, observou que o livro finalizado não tinha uma narrativa forte. "Como não havia um terceiro ato forte no livro", disse ela mais tarde, "precisávamos inventar isso".

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Recepção da crítica

Imagem: ninah_oh · BY-NC-ND · Openverse

O filme tem recepção favorável pela crítica profissional. Com a pontuação de 76% em base de 186 avaliações, o Rotten Tomatoes chegou ao consenso: "Um filme raro que supera a qualidade de sua nova fonte, este Diabo é um espirituoso expor de cenário de moda em Nova Iorque, com Meryl Streep em sua melhor forma e Anne Hathaway mais do que segura".

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A Sociologia da Moda no Filme

O filme O Diabo Veste Prada (2006) trata-se de uma representação dramatizada, apesar de simbólica e expressiva, do processo e ambiente da moda na sociedade capitalista contemporânea. As cenas e os acontecimentos do filme se alinham a alguns conceitos e críticas apresentados pelos sociólogos Patrik Aspers e Frédéric Godart (2013) em Sociology of Fashion: Order and Change, Herbert Blumer (1969) em sua obra Fashion: From class differentiation to collective selection, George Simmel (1911) em Filosofia da moda , além de Pierre Bourdieu e Yvette Delsaut (1975) em O Costureiro e sua grife.

Aspers e Godart

Patrik Aspers e Frédéric Godart (2013) em Sociology of Fashion: Order and Change apresentam o seguinte conceito de moda: um processo não planejado de mudança recorrente, que ocorre sobre um pano de fundo de ordem no espaço público. Tal conceituação é construída frente à crítica ao sentido da moda somente como vestimenta, que se configura como uma barreira no estudo da moda enquanto fenômeno sociológico por excelência, na medida em que descredibiliza academicamente o tema como tal ao atrelá-lo ao feminino, futilidade e “manipulação capitalista do público. Eles discutem o vasto domínio e interdisciplinaridade da moda, que remonta inúmeras questões sociológicas e abrange quase todas as áreas da vida social contemporânea, mas que, no entanto, enfrenta dificuldades conceituais e a falta de um estudo teórico mais aprofundado. Discutindo produção, consumo, gênero, classe, etnicidade e nacionalidade, os autores entendem a moda como um processo social-chave que pode ajudar a compreender as relações sociais em geral e questões sociológicas canônicas como ser e ordem ou o dilema entre cultura e estrutura.

Georg Simmel

De acordo com Georg Simmel (1911) em , a moda na sociologia é um fenômeno de imitação de um modelo dado, que satisfaz tanto a necessidade de diferenciação social quanto a universalidade. Nesse sentido, enquanto os indivíduos procuram pertencimento ao aderir à moda, a fim de satisfazer uma necessidade de apoio social, ao mesmo tempo, buscam a distinção, fundindo o singular no universal. A tensão entre essas esferas, conforme o autor, são o motor da indústria da moda. Vale destacar que Simmel (1911) confere um importante papel à questão de classes em sua análise, defendendo que as modas são modas de classe, pois as modas das camadas mais altas se distinguem das mais baixas, que almejam imitação dessas modas, que, por sua vez, são abandonadas assim que essas começam a se apropriar daquelas, movimento que denota a dupla tendência à uniformização social e à distinção individual.

Herbert Blumer

Em sua obra “Fashion: From Class Differentiation to Collective Selection”, o sociólogo Herbert Blumer (1969) argumenta sobre a compreensão de como a moda não pode ser vista apenas como diferenciação e competição de classes, como é descrito por Simmel (2008), mas em conjunto com a dimensão da seleção coletiva. Para ele, na era moderna, o foco não é o prestígio da elite, mas sim a busca incessante por “estar na moda” (“to be in fashion”). Ademais, Blumer apresenta como as escolhas no mundo da moda não são guiadas por utilidade ou praticidade das peças. O autor critica a visão sociológica convencional que considera a moda como um tópico trivial ou periférico, restrito ao vestuário, adorno e estilo, argumentando que a moda opera em uma grande variedade de áreas, como artes, entretenimento, e até mesmo filosofia e doutrina política. Deste modo, longe de ser inconsequente, a moda influencia o conteúdo central de qualquer campo em que opera, assumindo uma posição imperativa.

Pierre Bourdieu

P. Bourdieu e Y. Delsaut (1975) em O Costureiro e sua Grife: contribuição para uma teoria da magia, explicam como o campo da alta costura não é puramente econômico, pois envolve também um caráter simbólico de busca por prestígio e reconhecimento social. A indústria da moda, no sentido de vestimentas, é uma grande busca por legitimação por parte das grifes em transformar objetos materiais (roupas) em bens simbólicos de alto valor que conferem determinados habitus aos seus possuidores, através das redes de legitimação (revistas, críticos, compradores) e em estratégias sociais. Assim como nas artes visuais, o valor simbólico dos bens é construído socialmente e repousa na crença da genialidade do costureiro. Dessa forma, sua autoridade deriva, sobretudo, de seu capital simbólico acumulado, muito mais do que sua criatividade, conferindo-lhe o poder de definir o que deve ser reconhecido como “belo”, “elegante”, “moderno” ou “clássico”. Para Bourdieu e Delsaut (1975), isto representa uma das formas mais eficazes de dominação simbólica.

A Sociologia da Moda e O Diabo Veste Prada

Tendo em mente os autores e obras supracitados, algumas cenas remontam discussões da sociologia da moda: A cena inicial do filme ao som de Suddenly I See retrata a protagonista Andy se arrumando para sua entrevista de emprego na revista Runway em oposição às madames de Nova Iorque. Andy se veste de maneira “prática”, prezando por lingerie e roupas confortáveis, “pega as primeiras que vê”, sem maquiagem, acessórios ou uso fontes de calor no cabelo. Enquanto as demais mulheres, se produzem, escolhem suas roupas dentre várias opções, combinam acessórios, vários passos de maquiagem, camadas, penteados e usam sapatos que são tendências. Além disso, diferem-se também em outros aspectos da vida, como na escolha do meio de mobilidade, nos móveis e mobília de suas casas e até mesmo na alimentação.

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Fontes consultadas

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