Pesquisa · Mapa mental

Filipe II da Macedónia

Filipe II da Macedônia (português brasileiro) ou Macedónia (português europeu) foi rei da Macedônia de 359 a 336 a.C.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 19/07/2026
01

Família

Seu pai foi Amintas III, rei da Macedônia. Sua mãe foi Eurídice, ela era neta de Arrabeu, rei de Lincéstida e da família dos baquíadas.

02

Antes do reinado

Em 367 a.C., Tebas impusera a paz na Tessália, e o general tebano Pelópidas tomou como refém o príncipe Filipe, futuro rei, irmão caçula do rei Pérdicas. Filipe estudou as táticas de Ifícrates e Epaminondas, assim como as inovações e estratégias militares tebanas (a falange). Regressou à Macedônia em 360 a.C., tendo estudado os métodos militares gregos. Decidiu que a resposta à tática hoplita seria uma nova formação: a falange de dez fileiras de infantaria armadas com lanças, duas vezes mais longas do que as lanças comuns. Os homens que as carregavam ficavam mais distantes do que os hoplitas, de modo que as lanças da retaguarda se projetavam entre as das primeiras fileiras. O resultado era uma disposição de pontas em forma de ouriço, uma arma formidável. Para apoiar a retaguarda havia uma cavalaria com armaduras, cercada por uma fileira de armas pesadas, como catapultas.

03

Filipe assume o poder

Filipe assumiu o controle em 359 a.C., não como rei, mas como guardião de seu sobrinho, Amintas IV, um jovem menino.[Nota 1] Seu país estava à beira do colapso, tendo perdido quatro mil homens em batalha, enquanto as forças vitoriosas de Bardílis ocupavam cidades na Pelagônia e Linco e ameaçavam invadir a própria Macedônia em 358 a.C.. Filipe empenhou-se em seu exército, reunindo assembleia após assembleia, rearmando e treinando sua infantaria e inspirando-os com seu próprio espírito indômito. Na primavera de 358 a.C., ele convenceu a assembleia dos homens do rei de que deveriam tomar a ofensiva. Em uma batalha decisiva, com números quase iguais, ele infligiu uma derrota danosa sobre Bardílis, estabeleceu a margem leste do lago Líctinis (Ócrida) como sua fronteira e confirmou o tratado de paz com Bardílis casando com sua filha, Audata. Sua vitória libertou a Pelagônia, Linco e os outros estados tribais da Macedônia ocidental, chamada então "Macedônia superior", da invasão e ocupação dos dardânios. Convidou então os povos desses estados a abolir suas monarquias e entrar para o reino macedônico com direitos iguais aos dos macedônicos. O convite foi aceito e Filipe mostrou seu respeito por seus novos súditos casando-se com Fila, membro da família real Elimeota.

04

A expansão do reino

Com uma combinação de habilidade diplomática e oportunismo militar, Filipe derrotou as tribos ilírias além de sua fronteira ocidental, forçou os peônios a se tornarem seus súditos, ganhou a posse das colônias gregas em sua costa, defendeu Anfípolis contra os atenienses e Crenides — que recebeu o nome de Filipos —, contra os trácios, avançando sua fronteira oriental até o rio Nesto (Mesta), tudo isso até 354 a.C.. Teve sorte por Atenas estar distraída com a guerra contra seus estados súditos (357 a.C.-355 a.C.) e Tebas pela guerra contra a Fócida, que se tornaria a Guerra Sagrada (355 a.C.-346 a.C.); e conseguiu fazer um tratado de aliança com sua poderosa vizinha, a Liga Calcídica de cidades-Estados, com a condição de que nenhuma das partes iniciaria negociações separadas com Atenas. Durante esses anos acidentados, ele confirmou uma aliança com a casa governante de Lárissa na Tessália, casando-se com uma dama dessa casa,Filina, e uma aliança com a casa real molossiana casando-se com Olímpia em 357 a.C. Nesse ano de 357 a.C., foi eleito rei no lugar de Amintas IV.

05

A guerra contra Atenas

O objetivo de Filipe era promover a concórdia das cidades-Estado e estabelecer um tratado da paz comum, do qual a Macedônia e elas seriam membros. Isso estava de acordo com o espírito das propostas feitas por Xenofonte e Isócrates em 356 a.C. - 355 a.C. e coincidia com o teor de um panfleto político, intitulado Filipe, publicado por Isócrates em 346, logo antes da capitulação de Fócida. Ele aconselhou Filipe, como regente do mais forte estado da Europa, a promover a concórdia nas cidades-Estado, liderá-las contra a Pérsia, libertar os gregos na Ásia e encontrar ali novas cidades para absorver a população excessiva da Grécia. O preço da concórdia era a aceitação do status quo e a renúncia a qualquer política intervencionista. Apesar das ofertas de Filipe para estabelecer uma paz comum, Atenas, Esparta e Tebas traçaram os próprios rumos em nome da "Liberdade"; Filipe percebeu, em 341 a.C., que teria de usar a força, mais do que seu poder de persuasão, se quisesse exercer o controle.

06

Declaração de guerra à Pérsia

O futuro das cidades-Estado estava nas mãos de Filipe. Ele decidiu criar a "Comunidade Grega" (to koinon ton Hellenon), na qual os estados jurariam manter a paz entre si, manter as constituições existentes, permitir mudanças apenas por métodos constitucionais e unir-se na ação contra qualquer violador da "paz comum", fosse interno ou externo. Sua proposta, feita no outono de 338 a.C., foi aceita pelos estados na primavera de 337 a.C. e um "Conselho Comum" foi estabelecido, cujos membros representavam um ou mais estados na proporção de sua força militar e naval. O conselho era um corpo soberano: suas decisões eram enviadas aos Estados para a implementação, não para discussão. As forças militares e as forças navais à disposição do Conselho Comum eram definidas: as primeiras elevavam-se a 15 mil cavaleiros e 200 mil soldados de infantaria, e o número de navios de guerra, que não está indicado em nossas fontes, seria mais tarde de 160 trirremes, tripulados por cerca de 30 mil homens. Assim, a Comunidade Grega sobrepujou em muito o Estado Macedônico no tamanho das forças que podia empregar. O Conselho tinha poderes disciplinares, judiciais e financeiros e era soberano sobre os estados membros.

O casamento de Filipe

A campanha planejada na Ásia arriscaria tanto sua vida quanto à de Alexandre, e o único outro filho sobrevivente, Arrideu, não era capaz de governar. Filipe não era o único a desejar que um de seus filhos o sucedesse, uma vez que os macedônicos acreditavam que o favor divino passava de pai para filho na casa real. Em 341 a.C., ele se casou com Meda, a filha de um rei dos getas. Nessa época, as quatro esposas dos primeiros anos, 358 a.C.-356 a.C., estavam passando ou já haviam passado da idade de ter filhos, e ele esperava, sem dúvida, que Meda lhe desse um filho varão. Em 339 a.C., ele pode ter se casado com uma princesa cita, cuja mão lhe fora oferecida pelo rei em Dobruja, Atéas. Foi provavelmente antes, em 337 a.C., que Filipe tomou em casamento não um membro de sua própria casa real nem uma princesa de outra casa real, mas uma jovem macedônica do povo, Cleópatra. Ela era tutelada de Átalo, um Guarda-Costas do rei; este fora escolhido para comandar a infantaria macedônica que estava prestes a invadir a Ásia. Esse casamento não estava na tradição macedônica, pois uma família do povo estava sendo introduzida no círculo real. Um escritor posterior, Sátiro, declarou que Filipe, já com mais de 40 anos, havia se apaixonado perdidamente pela jovem e fez aquele que provaria ser um casamento desastroso.

07

A campanha na Ásia

Quaisquer que fossem as ideias que Filipe tivesse sobre o eventual sucessor, necessitava de Alexandre no futuro imediato, seja como comandante da Cavalaria Acompanhante na campanha asiática ou como representante dele na Macedônia durante sua própria ausência para essa campanha. Em 337 a.C., Alexandre passou algum tempo "entre os ilírios", ou seja, nas cortes dos reis clientes ilírios. Isso só seria possível com a aprovação de Filipe e uma escolta militar. Alexandre pode ter ido negociar com eles como forma preliminar à campanha no outono de 337 a.C. empreendida por Filipe contra Plêurias, um rei ilírio (provavelmente dos autariatas, na Bósnia). Em qualquer caso, podemos considerar que alguma forma de reconciliação entre Filipe e Alexandre, que de algum modo incluía Olímpia, ocorreu em algum ponto do ano de 337 a.C., porque nessa época Filipe encomendou estátuas criselefantinas (ouro e marfim) de seus pais, dele próprio, de Olímpia e de Alexandre para exibição pública no chamado Filipeum em Olímpia.

08

O assassinato de Filipe

Após o término da procissão, alguns dos amigos de Filipe, encabeçados por Alexandre como sucessor escolhido e pelo outro Alexandre, rei de Molóssia, entraram pelo parados e tomaram seus assentos designados na fileira da frente. Vieram em seguida os guardas da infantaria, que se colocaram no canto da orquestra. Filipe entrou sozinho, usando um manto branco, e ficou no centro da orquestra, recebendo as aclamações dos espectadores. Os sete guarda-costas, que haviam entrado atrás dele, ficaram a alguma distância. Repentinamente, um deles, Pausânias de Oréstide, correu para a frente, apunhalou o rei e fugiu. Três guarda-costas correram para o lado do rei, três outros — chamados Leonato, Pérdicas e Atalo — correram atrás de Pausânias, que tropeçou e caiu. Eles o mataram com suas lanças. O motivo pessoal de Pausânias logo foi estabelecido. Começara com um caso homossexual entre ele e um pajem real. Essas relações eram tão aceitáveis quanto as heterossexuais (de fato, frequentemente concorriam com elas), e faziam parte de uma tradição militar que naquela época, por exemplo, louvava os tebanos do batalhão sagrado como "casais de amantes". Quando o relacionamento terminou, Pausânias insultou o menino, que confidenciou a Átalo sua intenção de cometer suicídio, coisa que fez na batalha contra Plêurias, no verão de 337 a.C.. Átalo vingou o menino convidando Pausânias para jantar, embebedando-o e fazendo com que um grupo de homens abusasse sexualmente dele. Pausânias queixou-se a Filipe, que lhe deu presentes e uma promoção, mas não tomou qualquer medida contra Átalo. Para vingar-se, Pausânias assassinou Filipe. Embora os detalhes possam ser questionáveis, a substância está correta, pois Aristóteles, que naquela época estava na corte, escreveu que "Pausânias atacou Filipe porque este não fez nada ao saber que Pausânias havia sido violentado pelos homens de Átalo". Mas o motivo pessoal de Pausânias não excluía uma conspiração, da qual ele seria apenas uma peça.

09

Representações na cultura

Filipe II, apesar de seu importante papel na história da Macedônia, é mais conhecido do grande público como o pai de Alexandre o Grande. Assim, ele foi retratado em dois filmes de grande sucesso:

Vídeos recomendados

Fontes consultadas

Saiba mais — fontes confiáveis na web

Continue pesquisando