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Filipe I de Hesse

Filipe I de Hesse, que recebeu o cognome de "o magnânimo", foi um defensor líder da Reforma Protestante e um dos mais importantes líderes dos primeiros tempos do protestantismo na Alemanha.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 17/07/2026
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Primeiros anos e conversão ao protestantismo

Filipe era filho do landegrave Guilherme II de Hesse e da sua segunda esposa, a duquesa Ana de Mecklemburgo-Schwerin. O seu pai morreu quando Filipe tinha cinco anos de idade e a sua mãe, depois de uma série de lutas com os proprietários de Hesse, conseguiu tornar-se regente em seu nome. Contudo, a luta pela autoridade continuou. Para colocar um ponto final nesta situação, Filipe foi declarado maior de idade em 1518, assumindo o poder no ano seguinte. O poder das propriedades tinha sido quebrado pela sua mãe, mas, além disso, Filipe devia-lhe pouca coisa. A sua educação tinha sido imperfeita e o seu treino moral e religioso tinha sido descuidado. Apesar de tudo, o conde tornou-se um estadista de sucesso rapidamente e não demorou a tomar medidas para aumentar a sua autoridade pessoal como governante. O primeiro encontro de Filipe de Hesse com Martinho Lutero aconteceu em 1521 na Dieta de Worms, durante o qual a personalidade de Lutero atraiu o conde, apesar de, anteriormente, este ter mostrado pouco interesse nos aspectos religiosos da reunião. Filipe converteu-se ao protestantismo em 1524 depois de se encontrar pessoalmente com o teólogo Philipp Melanchthon. Pouco depois ajudou a terminar a Guerra dos Camponeses ao derrotar Thomas Müntzer na Batalha de Frankenhausen.

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Início da Reforma em Hesse

Imagem: Rijksmuseum · CC0 · Openverse

Apesar de não existir um grande movimento público a favor do protestantismo em Hesse, Filipe estava determinado em criar uma igreja que seguisse os princípios protestantes no seu território. Este desejo foi apoiado não só pelo seu chanceler, o humanista Johann Feige, e pelo seu capelão, Adam Krafft, mas também por François Lamberto de Avinhão, um antigo franciscano e inimigo seguro da fé que tinha abandonado. Enquanto a política radical de Lamberto, que se tinha configurado na ordem eclesiástica de Homberga, foi abandonada, pelo menos um parte dela, os mosteiros e fundações religiosas foram dissolvidas e as suas propriedades foram usadas para fins de caridade e educativos. A Universidade de Marburgo foi criada no verão de 1527 para se tornar, como a Universidade de Wittenberg, uma escola para teólogos protestantes. O sogro de Filipe, o duque Jorge da Saxónia, o bispo de Würzburg, Conrado II de Thungen e o arcebispo de Mogúncia, Alberto III de Brandemburgo, esforçavam-se por criar agitação contra o crescimento da reforma. As suas actividades, assim como outras circunstâncias, incluindo rumores sobre uma guerra, convenceram Filipe da existência de uma liga secreta entre os príncipes católicos. As suas suspeitas foram confirmadas, para sua satisfação, por uma falsificação que lhe foi entregue por um aventureiro chamado Otto von Pack que tinha sido empregue em missões importantes organizadas pelo duque Jorge da Saxónia. Depois de se encontrar com o príncipe-eleitor João em Weimar a 9 de março de 1528, ficou concordado que os príncipes protestantes deviam ficar na ofensiva para proteger os seus territórios da invasão e captura.

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Suspeito de zwinglianismo

Filipe estava particularmente preocupado em prevenir discórdia no assunto da Eucaristia. Foi através dele que Ulrico Zuínglio foi convidado a visitar a Alemanha e Filipe preparou assim o caminho para o célebre Colóquio de Marburgo. Apesar de a atitude dos teólogos de Wittenberg terem frustrado as suas tentativas de criar uma relação harmoniosa e, apesar de a situação ficar ainda mais complicada devido à posição do marquês Jorge de Brandemburgo-Ansbach, que exigiu uma confissão e uma ordem eclesiástica uniformes, Filipe defendeu que as diferenças entre os seguidores de Martin Bucer e os de Lutero em teorias sacramentais podiam discordar de forma honesta e que as Sagradas Escrituras não as poderiam resolver completamente. Por causa destas declarações, Filipe passou a ser suspeito de ter uma tendência para o zwinglianismo. O apoio que demonstrava para com os reformadores associados a Zwingli na Suíça e a Brucer em Estrasburgo foi intensificado pela fúria do imperador quando recebeu de Filipe uma declaração de arrendatários protestantes escrita pelo antigo franciscano Lamberto, e pelo fracasso do conde em assegurar uma posição comum entre todas as potências protestantes no que dizia respeito à guerra contra a Turquia.

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Líder da Liga de Esmalcalda

Imagem: · BY-SA · Openverse

Em 1530, Filipe conseguiu cumprir o objectivo para o qual tinha trabalhado tanto ao garantir a adesão das potências protestantes à Liga de Esmalcalda, que tinha como objectivo proteger os seus interesses religiosos e seculares contra a interferência do imperador. O conde e o seu principal aliada, o príncipe-eleitor João da Saxónia, tornaram-se os líderes reconhecidos desta união príncipes e cidades alemãs. Filipe estava completamente convencido de que a causa protestante dependia do enfraquecimento do poder dos imperadores Habsburgo tanto no seu país como no estrangeiro. Antes de iniciar um conflito, Filipe tentou atingir os objectivos da política protestante por meios pacíficos. Propôs estabelecer um compromisso quanto à propriedade confiscada da igreja, mas ao mesmo tempo estava a preparar-se para uma possível guerra e tentava cultivar relações diplomáticas com qualquer potência que tivesse interesses contra os Habsburgo. A 25 de julho de 1532, chegou-se a uma via pacifica com o imperador em Nuremberga, mas tal não impediu que Filipe se continuasse a preparar para uma futura luta.

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Casamento bígamo

A atitude inesperada do líder dos protestantes em procurar um casamento bígamo foi, em grande parte, condicionada por dois factores: Filipe estava enfraquecido pelo seu estilo de vida ilícito e as suas relações matrimoniais estavam prestes a causar um escândalo no mundo protestante. Poucas semanas depois do seu casamento de 1523 com a pouco atraente duquesa Cristina da Saxónia, que sofria de fraca saúde, e que também teria tendência a beber demasiado, Filipe cometeu adultério e, logo no início de 1526, começou a considerar a bigamia. Segundo Martinho Lutero, o marquês vivia "constantemente num estado de adultério e fornicação." Filipe escreveu a Lutero pedindo-lhe a sua opinião sobre o assunto, recorrendo à poligamia dos patriarcas para se justificar, mas Lutero respondeu que não chegava um cristão considerar as acções dos patriarcas, mas, tal como eles, devia receber um castigo divino. Uma vez que tal castigo não podia ser aplicado no caso dele, Lutero aconselhou-o a não contrair um casamento bígamo a não ser que houvesse uma necessidade extrema para tal, por exemplo, se a sua esposa fosse leprosa ou anormal de outras formas. Apesar deste desencorajamento, Filipe não desistiu do seu projecto para contrair um casamento bígamo nem da sua vida de sensualidades, algo que o impediu de comungar durante vários anos.

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Propostas ao Sacro-Imperador

Esta acção prejudicou toda a situação política na Alemanha. Mesmo enquanto a questão do casamento lhe ocupava a atenção, Filipe também se dedicava à construção de planos de grande alcance para a reforma da Igreja e para juntar todos os opositores dos Habsburgo, apesar de continuar a não desistir de um compromisso religiosa através da via diplomática. Estava profundamente indignado com as criticas que lhe eram apontadas e temia que a lei que ele mesmo tinha criado contra o adultério pudesse ser aplicada no seu casa. Neste estado de espírito, estava determinado a fazer as pazes com o sacro-imperador com termos que não incluíssem o fim da causa protestante. Propôs manter-se neutro quanto à conquista do ducado de Cleves por parte do sacro-império e prometeu impedir uma aliança com a França na condição de que o imperador o perdoasse pela sua oposição e violação das leis imperais, sem se referir directamente ao seu casamento bígamo.

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Recomeço das hostilidades contra Carlos V

Imagem: · PDM · Openverse

Contudo, a situação mudou rapidamente e Filipe foi forçado a ficar contra o imperador pouco depois, devido ao Tratado de Crépy de 1544 que lhe abriu os olhos para o perigo do protestantismo. Filipe preveniu o duque católico Henrique V de Brunswick-Lüneburg para não conquistar os seus domínios e planeou uma nova aliança com os príncipes alemães contra a Áustria, pedindo aos seus membros para que não aceitassem decretos no planeado Concílio de Trento. A aliança não se concretizou. Quando este plano falhou, tentou assegurar a neutralidade da Baviera numa possível guerra contra os protestantes e propôs uma nova aliança protestante para substituir a Liga de Esmalcalda. Mas tudo isto, tal como a sua planeada coligação com os suíços, não se concretizou devido à rivalidade entre o duque Maurício da Saxónia e o príncipe-eleitor João Frederico I da Saxónia. Temendo o sucesso destes planos, o imperador convidou Filipe para uma audiência em Speyer. Filipe criticou abertamente as políticas do imperador e pouco depois tornou-se evidente que a paz não seria preservada. Quatro meses depois, a 20 de Julho de 1546, foi declarado o banimento de João Frederico e de Filipe do Sacro Império por estes serem rebeldes e traidores. O resultado foi a Guerra da Esmalcalda que foi pouco favorável para os interesses dos protestantes. A derrota na Batalha de Mühlberg em 1547 e a prisão do príncipe-eleitor João Frederico marcaram a queda da Liga da Esmalcalda.

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Prisão de Filipe e ínterim em Hesse

Imagem: · PDM · Openverse

A prisão de Filipe trouxe grandes desafios e dificuldades à Igreja em Hesse. Antes de tal acontecer, a Igreja tinha sido organizada cuidadosamente por Filipe e Brucer que estabeleceram um sistema de sínodos, presbiterianos e disciplina. O território tinha sido profundamente reformado na direcção do protestantismo, apesar do culto público ainda não ser uniforme, a disciplina não ser rigorosamente aplicada e ainda existirem muitos dissidentes. O próprio Filipe escreveu da prisão, pedindo para que o Ínterim de Augsburg fosse aceite, principalmente porque a sua liberdade dependia disso. Desde que a pregação do Evangelho continuasse sem restrições e o dogma protestante da justificação pela fé estivessem garantidos, outros assuntos pareciam de menor importância para o conde. Filipe leu literatura controversa sobre o catolicismo, ia à missa e ficou muito impressionado com o seu estudo sobre os Pais da Igreja. Contudo, o clero de Hesse opôs-se corajosamente à introdução do Ínterim e o governo de Cassel recusou-se a obedecer às ordens do conde. Entretanto, a sua pena de prisão foi aumentada depois de ter tentado fugir sem sucesso. Foi só em 1552, depois de assinada a Paz de Passau que lhe garantida a sua tão desejada liberdade e que o conde pôde finalmente voltar à sua capital em Cassel a 12 de setembro de 1552.

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Últimos anos

Imagem: Rijksmuseum · CC0 · Openverse

Apesar de Filipe se mostrar agora activo no regresso à ordem dentro dos seus territórios, novos líderes, tais como o duque Maurício da Saxónia e o duque Cristóvão de Württemberg, tinham conquistado a liderança. Filipe já não desejava assumir esse papel. Agora, todas as suas energias estavam concentradas no seu esforço para conseguir um entendimento entre os protestantes e os católicos. Por indicação sua, todos os teólogos que estavam a seu serviço participavam nas várias conferências onde representantes dos católicos e dos protestantes se juntavam para tentar criar uma base para a sua união. Filipe também estava mais ocupado com conflitos internos que surgiram após a morte de Martinho Lutero entre os seguidores das disciplinas de Melanchthon. Nunca se cansou de salientar a importância de uma tolerância mutua entre calvinistas e luteranos e manteve sempre a esperança de criar uma federação protestante para que, com este fim à vista, pudesse criar relações de amizade com os protestantes franceses e a rainha Isabel I de Inglaterra.

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Casamentos e descendência

Imagem: Rijksmuseum · CC0 · Openverse

Filipe casou-se com a duquesa Cristina da Saxónia, filha do duque Jorge da Saxônia, no dia 11 de dezembro de 1523 em Dresden. Tiveram dez filhos: A 4 de março de 1540, Filipe casou-se morganaticamente com Margarete de Saale quando ainda estava casado com Cristina. Com ela teve os seguintes filhos:

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Fontes consultadas