Filho de França
Filhos da França era um título honorífico que possuíam os filhos legítimos dos reis e Delfins de França. Os membros femininos da Família Real eram conhecidas como Filhas da França (em francês: Filles de France).
Desde o século XV, os principais membros da Casa Real Francesa foram raramente designados com algum título nobiliárquico; assim, a melhor forma para reconhecê-los foi a sua posição dentro da Família Real. A Família Real (em francês: Famille du Roi) era composta pelo Rei, Rainha, Rainha-Mãe, os Infantes ou "Filhos de França" (em francês: enfants de France), os Pequenos Infantes ou "Netos da França" (em em francês: Petits-enfants de France). O delfim era o mais velho dos Filhos da França, e era conhecido como Monsieur ou Monsenhor o Delfim (em francês: Monsieur Le Dauphin ou Monseigneur Le Dauphin). Já o irmão do futuro rei era conhecido, simplesmente, como Monsieur e sua esposa de Madame. As filhas do Rei recebiam após o seu nome o título de Madame; já a filha mais velha recebia o título de Madame Real (em francês: Madame Royale) até se casar. Os filhos, quando recebiam títulos, eram os principais do pariato, sendo normalmente o de Duque, com exceção do delfim.
O rei e a rainha da França não tinham sobrenome. Esse vazio levou os revolucionários a dar-lhes o sobrenome Capet (Capeto), adotando o apelido de seu primeiro ancestral masculino conhecido, Hugo Capeto. Os filhos da França levavam o sobrenome de France ("da França" em português). Este uso é antigo porque remonta ao final do século XIII [obs. 1]. O rei, a rainha e os filhos da França assinavam apenas com o primeiro nome, sem número ou sobrenome. Era um privilégio que lhes estava reservado e que marcava a sua preeminência sobre todas as outras dinastias, que deviam assinar acrescentando o sobrenome após o primeiro nome. Os netos do rei França levavam como sobrenome o nome do apanágio que havia sido conferido ao pai. Se estabelecessem raízes, esse sobrenome passava a ser o sobrenome hereditário, como aconteceu com a família Orléans. Era assim que os Príncipes de Sangue tinham como sobrenome o nome do apanágio do filho da França de quem descendiam. No entanto, quando um ramo de príncipes de sangue acedia ao trono, tornando-se o ramo mais antigo da dinastia, passavam a receber o sobrenome de “de France”.
Todos os enfants de France tinham, a partir do Reinado de Luís XIII, o direito de usar o estilo de Alteza Real. Mas na prática, era mais usual os tratamentos honoríficos tradicionais (Monsieur, Madame ou Mademoiselle).


