Festival de Brasília do Cinema Brasileiro
O Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, também conhecido como Festival de Brasília e Festbrasília, é um festival de cinema brasileiro sediado em Brasília, no histórico Cine Brasília, sendo o mais antigo do gênero no país. Desde 2007, o festival é considerado patrimônio cultural imaterial do Distrito Federal.
O Festival de Brasília do Cinema Brasileiro (FBCB), sediado no histórico Cine Brasília, é o mais antigo e prestigiado festival de cinema no país, fundado em 1965 pelo professor de cinema Paulo Emílio Sales Gomes sob o nome original de "Semana do Cinema Brasileiro". Desde suas primeiras edições, o evento não se limitou à exibição de filmes; ele se estabeleceu como uma arena de debates políticos, crítica social e resistência cultural, especialmente durante os anos do Regime Militar.
O Recrudescimento da Censura e a Suspensão
O auge do confronto ideológico ocorreu durante a Ditadura Militar. Muitos filmes com conteúdo político ou crítico eram proibidos, forçando os organizadores e cineastas a um jogo de resistência. Devido ao recrudescimento da censura, que tentava impor filmes de "apologia ao futebol" e fazer cortes nos filmes selecionados, os idealizadores suspenderam o festival por três anos, entre 1972 e 1974, em sinal de protesto. O evento só retornou à cena cultural brasiliense com a oitava edição, em 1975.
O Troféu Candango e o Público
O prêmio máximo do festival é o Troféu Candango, nomeado em homenagem aos trabalhadores que construíram Brasília. A premiação é dividida em várias categorias para longa-metragem e curta-metragem, sendo concedida tanto por um júri oficial de especialistas quanto pelo voto popular do público, que utiliza cédulas após cada sessão. Essa dupla premiação (júri oficial e júri popular) é uma tradição que reforça o caráter democrático do FBCB. O FBCB também se destaca por ser uma vitrine para a produção local por meio da Mostra Brasília, cujos filmes concorrem ao Troféu Câmara Legislativa do Distrito Federal, com premiação em dinheiro para estimular a indústria audiovisual da capital.
Descentralização e Inovação Atual
Nas edições mais recentes, o festival reafirmou seu compromisso com a descentralização cultural do DF. Embora o Cine Brasília continue sendo o coração do evento, a programação tem sido ampliada para alcançar as Regiões Administrativas (RAs) fora do Plano Piloto, como Planaltina, Gama e Ceilândia. O evento também abraça a inovação tecnológica e social, oferecendo sessões com audiodescrição, legendagem descritiva e Libras, tornando-se um modelo de acessibilidade no setor audiovisual brasileiro. O principal prêmio do festival é o Troféu Candango, cujo nome faz homenagem aos brasilienses. Adicionalmente há o Troféu Câmara Legislativa do Distrito Federal, Prêmio Canal Brasil de Incentivo ao Curta-Metragem, Prêmio Exibição TV Brasil, Prêmio Abraccine, Prêmio ABCV e Prêmio Saruê, além de premiação em dinheiro.
Criado no tempo do regime militar, o festival era tido, nos primeiros anos, como uma ilha onde cineastas, artistas e produtores podiam se expressar livremente. No entanto, com a promulgação do Ato Institucional nº 5 (AI-5), em 1968, a censura dos militares atingiu a cena cinematográfica, o que causou incômodo entre os produtores culturais. O cineasta Vladimir Carvalho é um dos que tiveram obras censuradas e cortadas pelo regime. O longa País de São Saruê foi tirado da programação em 1971, mesmo depois de ter sido aprovado pela comissão de seleção, e a censura só o liberou em 1979, quando ganhou o Prêmio Especial do Júri pelo Festival de Brasília. Com depoimentos reais, o filme retrata a vida de lavradores, garimpeiros do sertão nordestino, e denuncia a exploração dos trabalhadores pelos donos de terra — motivo que levou à proibição de ser projetado durante boa parte da década de 1970. Depois de alguns infelizes episódios, em sinal de protesto, os idealizadores do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro o suspenderam de 1972 a 1974. O evento retornou à cena cultural brasiliense com a oitava edição, em 1975.


