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Fernando I de Portugal

Fernando I, apelidado de o Formoso e o Inconstante, foi Rei de Portugal e Algarve de 1367 até sua morte, o último monarca português da Casa de Borgonha e o nono rei de Portugal. Foi o último filho de Pedro I e de sua esposa Constança Manuel.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 23/07/2026
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Vida

Foi o terceiro filho de seus pais. O irmão mais velho, Luís, nascido um ano antes, morreu com uma semana. Teve uma irmã, Maria, nascida três anos antes. Com apenas três semanas de vida ficou órfão de mãe. Seu pai passou a estar livre para ficar com Inês de Castro, com quem teve vários filhos, mas com a desaprovação do então rei Afonso IV, avô paterno de Fernando. Tornou-se rei em 1367, com 21 anos, após a morte de seu pai, Pedro I. Herdou um reino em paz e com o erário público cheio. Fernando, como bisneto de D. Sancho IV de Castela, através da avó paterna, Beatriz, envolveu-se em três guerras contra o país vizinho, disputando o trono de Castela. Em 1378, deu-se o grande cisma do Ocidente. Portugal alternava entre o papa de Roma e o papa de Avinhão. Estas alianças que eram desfeitas contribuíram para o cognome o Inconstante. No seu reinado de 16 anos, a nobreza adquire grande influência, em particular o conde de Barcelos, João Afonso Telo de Meneses, tio de Leonor Teles.

Casamento

O rei apaixona-se por D. Leonor Teles de Menezes, já casada com João Lourenço da Cunha. O primeiro casamento de D. Leonor foi anulado. Os rumores do casamento do rei, valeu-lhe forte contestação interna, levando a população de Lisboa à revolta. O rei finge que irá ouvir os revoltosos, mas D. Fernando foge de Lisboa e casa com ela, a 15 de maio de 1372 no Mosteiro de Leça do Balio. A propriedade pertencia na altura à ordem do Hospital, sendo o prior, Álvaro Gonçalves Pereira, conselheiro do rei e pai de Nuno Álvares. Quando volta à capital, a revolta é reprimida e os cabecilhas executados. A rainha acabou por ser bastante impopular por culpa da repressão. O casamento não foi bem recebido pelo povo e sendo duma família nobre muito influente, a política do rei ia no sentido de agradar à nobreza, contribuindo ainda mais para a impopularidade da rainha.

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Reinado

Quando começou a reinar, a Europa tinha passado pela peste negra 20 anos antes, matando boa parte da população; isso causou quebra na mão-de-obra, aumentou o custo de vida e os salários desceram. A população migrava do campo para a cidade, procurando melhores condições. O início do reinado de D. Fernando foi marcado pela política externa. Dois anos após ser rei, em 1369, D. Pedro I de Castela, primo direito de Fernando, morreu sem deixar herdeiros masculinos. Esse rei foi morto por D. Henrique de Trastâmara, irmão bastardo de Pedro que se havia declarado rei. Esse facto motivou o começo da guerra com Castela. Foram feitas alianças com a Inglaterra, como consequência das guerras contra Castela. Alianças foram feitas em 1372, com o Tratado de Tagilde e em 1380, com o tratado de Estremoz. Nessas alianças, o rei apoiava a pretensão de João de Gante, casado com a filha mais velha de Pedro I de Castela, Constança. Essas alianças colocam o país no cenário da guerra dos cem anos.

Política externa

Tal como Henrique, Fernando também é bisneto de Sancho IV, mas por via legítima. Ocorre assim a primeira guerra (1369-70), sem resultados. Portugal tinha como aliado o reino de Aragão e o reino de Granada. O rei prometeu casar com Leonor, filha do rei aragonês. Acabou por desfazer o noivado. O tratado de paz de 1371, foi feito com intervenção do papa, na altura Gregório XI. Entre os pontos assentes em 1371, no tratado de Alcoutim, D. Fernando é prometido a D. Leonor de Castela, que ainda não tinha 10 anos. Este noivado foi quebrado pelo rei que preferiu uma terceira Leonor, nobre portuguesa. Em 1372, é redigido o tratado de Tagilde. O rei alia-se ao duque de Lencastre, apoiando a pretensão deste ao trono de Castela. Portugal é assim envolvido na guerra dos cem anos. Inicia-se, então uma segunda guerra que dura um ano. Em 1373 é confirmado aquele tratado com o rei de Inglaterra, Eduardo III.

Política interna

Após a paz com Castela, terminada a segunda guerra, dedicou-se D. Fernando à administração do reino, mandou reparar muitos castelos e construir outros, e ordenou a construção de novas muralhas em redor de Lisboa e do Porto e outras localidades entre 1373-75. Foi também feita uma reforma na administração pública e legislação contra abusos senhoriais, em 1374. Com vista ao desenvolvimento da agricultura promulgou a Lei das Sesmarias, em 1375. Por esta lei impedia-se o pousio nas terras susceptíveis de aproveitamento e procurava-se aumentar o número de braços dedicados à agricultura. Quem beneficiou com esta medida foram os proprietários ricos. Os salários foram tabelados e o trabalho obrigatório, levando a um mal-estar entre os trabalhadores.

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Títulos, estilos, e honrarias

Títulos e estilos

O estilo oficial de Fernando enquanto Rei era: "Pela Graça de Deus, Fernando I, Rei de Portugal e do Algarve". Em 1369, como afirmação da pretensão de Fernando à Coroa de Castela, a titulatura evolui para: "Pela Graça de Deus, Fernando I, Rei de Castela, de Leão, de Portugal, de Toledo, da Galiza, de Sevilha, de Córdova, de Múrcia, de Jáen, do Algarve, de Algeciras e Senhor de Molina". A titulatura regressou à utilizada no início do seu reinado com a sua renúncia aos títulos castelhanos após a Paz de Alcoutim, em 1371.

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Genealogia

Descendência

D. Fernando teve uma filha natural antes do seu casamento: Do casamento com D. Leonor Teles de Menezes nasceram:

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Túmulo

Os restos mortais de D. Fernando foram depositados no Convento de São Francisco, em Santarém, conforme o deixado em testamento pelo monarca. No século XIX, o túmulo foi alvo de sérios actos de vandalismo e degradação como resultado das Invasões Francesas, quando se partiu uma porção significativa das paredes do sarcófago ao se ter tornado difícil remover a tampa, e da extinção das ordens religiosas em 1834, quando o convento foi deixado ao abandono. Certo é que os restos mortais do rei se perderam para sempre, não tendo chegado nenhum registo dessa profanação aos dias de hoje. Joaquim Possidónio da Silva, Presidente e fundador da Associação dos Architectos Civis e Archeologos Portugueses, toma a iniciativa de transportar o monumento funerário de D. Fernando para o Museu Arqueológico do Carmo (onde ainda hoje se encontra), em 1875, de modo a salvaguardar a sua integridade e dignidade de mais vandalismo.

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