Ferdinand de Saussure
Ferdinand de Saussure foi um linguista e filósofo suíço, cujas elaborações teóricas propiciaram o desenvolvimento da linguística enquanto ciência autônoma. Seu pensamento exerceu grande influência sobre o campo da teoria da literatura e dos estudos culturais.
Imagem: 'F. Jullien Genève', maybe Frank-Henri Jullien (1882–1938) · BY-SA · Openverse
Ferdinand de Saussure (pronúncia em francês: [fɛʁdi'nã də so'syʁ]) nasceu em Genebra, em 26 de novembro de 1857. Filho de um eminente naturalista, foi introduzido pelo filólogo e amigo da família Adolphe Pictet aos estudos linguísticos. Saussure estudou Física e Química, mas continuou sendo introduzido aos cursos de gramática grega e latina. Em 1874, começou a estudar sozinho o sânscrito, usando a gramática de Franz Bopp. Por fim, convenceu-se de que sua carreira estava nos estudos da linguagem e ingressou em 1876 na Sociedade Linguística de Paris, fundada em 1866. Estudou línguas europeias na Universidade de Lípsia, em que ingressou em outubro de 1876. Após pouco menos de dois anos, transferiu-se por curto período à Universidade de Berlim. Aos vinte e um anos publicou uma dissertação sobre o sistema primitivo das vogais nas línguas indo-europeias (em francês: Mémoire sur le système primitif des voyelles dans les langues indo-européennes, de 1879), a qual foi muito bem aceita. Defendeu sua tese sobre o uso do caso genitivo em sânscrito, em Berlim, e retornou a Paris, onde passou a ensinar sânscrito, gótico, alto-alemão e depois Filologia Indo-Europeia. Retornou a Genebra, onde lecionou sânscrito e linguística histórica em geral.
Imagem: Deniev Dagun · BY · Openverse
Saussure efetua, em sua teorização, uma separação entre Língua (Langue) e Fala (Parole). Para ele, a Língua é um sistema de valores que se opõem uns aos outros. Ela está depositada como produto social na mente de cada falante de uma comunidade e possui homogeneidade. Por isso é o objeto da linguística propriamente dita. A Fala, no entanto, é um ato individual e está sujeito a fatores externos, muitos desses não linguísticos e, portanto, não passíveis de análise. Ferdinand de Saussure enfatizou uma visão sincrônica, um estudo descritivo da linguística em contraste à visão diacrônica da linguística histórica, a qual estudava a mudança dos signos no eixo das sucessões históricas, estudo este que era a maneira pela qual o estudo de línguas era tradicionalmente realizado no século XIX. Ao propor uma visão sincrônica, Saussure procurou entender a estrutura da linguagem como um sistema em funcionamento em um dado ponto do tempo (recorte sincrônico).
Imagem: 'F. Jullien Genève', maybe Frank-Henri Jullien (1882–1938) · BY-SA · Openverse
A teoria do valor é um dos conceitos cardeais do pensamento de Saussure. Sumariamente, esta teoria postula que os signos linguísticos estão numa relação diferencial e negativa entre si dentro do sistema de língua, pois um signo só adquire valor na medida em que não é um outro signo qualquer: um signo é aquilo que os outros signos não são. Como exemplo disso, podemos ter a diferenciação entre cão e homem. A característica positiva "mamífero" não os distingue, mas a característica "quadrúpede", positiva no cão e negativa no homem, os distingue. Existindo outros animais com a característica "quadrúpede", outras características devem ser consideradas para definir o que o animal é. Todavia, é definitivo que não são homem por não possuírem a característica "bípede". Quando se fala do valor de uma palavra, pensa-se geralmente, e antes de tudo, na propriedade que tem de representar uma ideia, e nisso está, com efeito, um dos aspectos do valor linguístico. O valor, tomado em seu aspecto conceitual, constitui, sem dúvida, um elemento da significação, e é dificílimo saber como esta se distingue dele, apesar de estar sob sua dependência.


