Existência de Deus
Argumentos contra e a favor da existência de Deus têm sido propostos por filósofos, teólogos, cientistas e outros pensadores ao longo da história. Em termos filosóficos, tais argumentos envolvem principalmente a epistemologia e a ontologia. Os argumentos para a existência de Deus normalmente incluem questões metafísicas, empíricas, antropológicas, epistemológicas ou subjetivas. Os que acreditam na existência de uma ou mais divindades são chamados de teístas, os que rejeitam a existência de deuses são chamados ateus.
Existem diferentes definições para Deus, no teísmo clássico, Deus é caracterizado como o ser metafisicamente final (primeiro, atemporal, absolutamente simples e que é desprovido de quaisquer qualidades antropomórficas). Apesar da extensa escrita sobre a natureza de Deus, esses teístas clássicos não acreditavam que Deus poderia ser definido. Por outro lado, muito do pensamento religioso oriental (principalmente panteísta) postula Deus como uma força contida em cada fenômeno que se possa imaginar. Por exemplo, Baruch Spinoza e seus seguidores usam o termo Deus em um sentido filosófico particular onde o Deus é definido como as substâncias e princípios essenciais da natureza. A discussão da existência de Deus foca-se principalmente em argumentar contra ou a favor da realidade de um Deus teísta. O principal Deus contemporâneo nessa categoria é Javé(Yahweh, ou Yehovah que é uma convenção acadêmica para o hebraico יהוה, transcrito em letras romanas como YHWH) adorado pelos cristãos e judeus, também chamado de Alá pelos islâmicos.
Ignosticismo
Ignosticismo ou igteísmo é uma posição teológica, a partir da qual todas as outras posições teológicas, incluindo o agnosticismo, presumem demais sobre o conceito de Deus, sua existência e outros conceitos teológicos. A palavra "ignosticismo" foi cunhada por Sherwin Wine, rabino e uma figura base para o Judaísmo humanístico.
O problema do sobrenatural
Um problema levantado pela questão da existência de Deus é que as crenças tradicionais geralmente atribuem a Deus várias poderes sobrenaturais. Um ser sobrenatural pode ser capaz de se esconder e revelar-se para seus próprios fins, como por exemplo, no conto de Baucis e Filemon. Além disso, de acordo com conceitos de Deus, ele não faz parte da ordem natural, ele é o criador final da natureza e das leis científicas. Assim, em aristotelismo, Deus é visto como parte da estrutura explicativa necessária para suportar as conclusões científicas, e quaisquer poderes que Deus possui são, estritamente falando, a ordem natural, isto é, derivado do lugar de Deus como originador da natureza.
As cinco provas de Tomás de Aquino
Tomás de Aquino, em sua obra "Suma Teológica" defende que Deus é o princípio e o fim de todas as coisas e que, fazendo apenas o uso da luz natural da razão a partir das coisas criadas. Pelas cinco provas de Tomás de Aquino (também chamadas de cinco vias de Tomás de Aquino), a defesa pela existência de Deus acontece por meio da razão e sem recorrência a argumentos de natureza dogmática, para isto propõe cinco vias de demonstração de natureza exclusivamente filosófico-metafísica. As cinco vias são provas a posteriori, que têm como ponto de partida as criaturas enquanto entes causados para se atingir como termo de chegada a necessidade da existência de Deus; são demonstrações metafísicas (causalidade do ser) e não científico-positivas (causalidade dos fenômenos), mesmo partindo da experiência sensível e, aplicando o princípio da causalidade, mostram ser impossível se proceder ao infinito na cadeia de causas.
O Mal no Mundo
A existência do "mal" tem sido usada como argumento para a inexistência, ou pelo menos, da incongruência da existência de Deus. Epicuro adianta: "Quererá [Deus] impedir o mal, mas não é capaz? então é impotente. Será que é capaz, mas não o deseja? então é malévolo. Terá tanto o desejo como a capacidade? então porque é que existe o mal?". Em relação a estes argumentos, Santo Tomás explica que "Deve-se dizer como Santo Agostinho: 'Deus soberanamente bom, não permitiria de modo algum a existência de qualquer mal em suas obras, se não fosse poderoso e bom a tal ponto de poder fazer o bem a partir do próprio mal'. Assim, à infinita bondade de Deus pertence permitir males para deles tirar o bem".
Imagem e semelhança de Deus
A existência de deficiências físicas nos humanos, ou a presença de órgão vestigiais têm sido usados como argumentos contra a existência de Deus, no entanto, segundo São Tomás de Aquino e Santo Agostinho de Hipona, deve-se dizer que o homem é a imagem de Deus, não segundo seu corpo, mas segundo aquilo pelo que o homem supera os outros animais. O homem é superior aos outros animais pela razão, pelo intelecto, mas principalmente pelo Espírito de Deus, que habita no homem e se encontra nele perfeito no momento de sua concepção. Portanto, é segundo o intelecto e a razão, que são dons do Espírito Santo de Deus, que é incorpóreo, que o homem é a imagem de Deus.
Argumento da existência do universo
O mundo exige uma causa de si, que se chama Deus. Não há efeito sem causa. Todo o ser que começa a existir tem uma causa. O universo tem um grau de complexidade superior a qualquer obra humana conhecida. Logo não se pode admitir que tenha aparecido sem que um Ser lhe tenha dado a existência. Assim como a existência de um edifício pressupõe a existência de um arquiteto, ou a de um quadro a do pintor. Esse Ser chama-se Deus.
Cada um dos seguintes argumentos visa a demonstração de que um subconjunto específico de deuses não existem (mostrando-lhes como inerentemente sem sentido, contraditório, ou em desacordo com os fatos científicos e históricos conhecidos) ou que não há razão suficiente para acreditar neles. Existem aqueles que creem que se não conseguimos ver, medir ou testar Deus de nenhuma forma rigorosa com métodos físicos e experimentais, possivelmente ele não existiria. Qualquer coisa para existir necessitaria ter existência no espaço-tempo. Até o momento Deus não foi medido através de qualquer equipamento científico desenvolvido pelo homem, assim como a consciência não pôde ser localizada em uma parte do cérebro. Esse argumento, porém pressupõe o naturalismo metodológico o que como um argumento o torna claramente uma petição de princípio, muito embora, possa ainda ser usado num contexto onde ambas partes concordem com uma metafísica mecanicista, caso não, aquele que o utiliza também deve justificar o porquê crer que assim seja (realidade una e material).
Ônus da prova
No meio científico, é notório que através do método científico nota-se a impossibilidade de provar a existência de deus(es). Mesmo tendo-se a possibilidade de sua existência diante de tais circunstâncias, é improvável que o homem conheça sobre algo a respeito diante da impossibilidade de conhecimento sobre deus(es). Então, com ênfase na lógica racional, seria obviamente plausível ausentar, com todas as chances de certeza, a impossibilidade da existência de deus(es), diante da impossibilidade de conhecimento a respeito da existência do(s) mesmo(s). Tampouco deve-se então evidenciar a existência de deus(es) diante da ausência de evidência(s), pois essa é uma premissa inválida a rigores do método científico. Então seria inválida nitidamente uma teoria que ao menos possibilita a existência de deus(es); logo pode-se concluir que é improvável que deus(es) exista(m).
Argumento da incoerência ou das propriedades incompatíveis
Uma versão popular do argumento das propriedades incompatíveis questiona a possibilidade de um Deus ser ao mesmo tempo onisciente e onipotente. Um Deus onisciente, que tem todo o conhecimento acerca dos acontecimentos futuros, é impotente para mudá-los, visto que este futuro (que já é conhecido de antemão) já está determinado. Embora o cristianismo aponte que o ser humano possui livre arbítrio, o futuro não pode ser alterado.
A comunidade científica tende a distanciar-se de uma corroboração ou refutação de Deus. Atualmente não existe nenhuma prova científica conclusiva de existência ou inexistência de Deus, o que é perfeitamente coerente com a declaração de que Deus não faz parte do escopo analítico da Ciência. Por outro lado, individualmente, cientistas não deixam de expressar suas convicções em relação ao tema. Richard Dawkins, no seu livro "The God Delusion", discute e defende a improbabilidade de Deus existir, enquanto o diretor do Projeto Genoma Humano, Francis Collins, em seu livro "A Linguagem de Deus", defende evidências da existência divina e afirma não haver incompatibilidades entre Deus e a ciência. Estudos apontam que uma larga maioria dos cientistas de elite (entre a NAS, Academia das Ciências dos EUA, por exemplo) de hoje sejam agnósticos ou ateus (fonte de 1998). No entanto, existem cientistas de elite da própria NAS que acreditam em Deus e são pessoas religiosas como o próprio presidente da NAS, Bruce Alberts observa: "Existem muitos destacados membros de nossa academia que são pessoas religiosas, pessoas que acreditam na evolução, entre elas muitos biólogos". Ao mesmo tempo, a própria NAS publicou um documento manifestando a opinião de que A existência ou não de Deus é uma questão para a qual a ciência é neutra ("Whether God exists or not is a question about which science is neutral"). A maior parte dos cientistas da Pontifícia Academia das Ciências e da qual fazem parte, por exemplo, dois prêmios Nobel: o físico alemão Klaus von Klitzing e o químico taiwanês Yuan Tseh-Lee acreditam na existência de Deus e consideram que fé e ciência podem conviver harmoniosamente.
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Podemos observar duas partes na fase crítica de Kant em relação a existência de Deus e suas provas. A primeira, e mais conhecida, é a crítica ao que Kant vê como os três argumentos clássicos para a existência de Deus. A segunda é aquela onde ele estabelece o argumento moral para a fé em Deus.
A impossibilidade de uma prova teórica de Deus
Kant divide os argumentos tradicionais para a prova de Deus nos três seguintes: 1) O argumento Ontológico, no qual a natureza necessária de Deus segue de seu próprio conceito da seguinte forma: Deus é o ser total e completamente perfeito, ele possui portanto todos os atributos, inclusive existência, dado que se ele não existir, falta-lhe algo; 2) O argumento Cosmológico, no qual a existência contingente do mundo implica a existência de um ser necessário no qual a existência se basearia (Deus); 3) O argumento Físico-Teológico, no qual a natureza ordenada e teleológica do mundo implicaria a existência de um arquiteto intencionado. Como pode ser observado, o argumento Físico-Teológico depende da ideia de que a existência do mundo implica a existência de um ente necessário (o argumento Cosmológico), e o argumento cosmológico depende da ideia de um ente cuja existência é necessária (o argumento Ontológico). Logo, Kant aponta, uma refutação do argumento Ontológico derruba, por um nexo de necessidade, os outros dois.
A queda do argumento Ontológico
A refutação kantiana do argumento Ontológico pode ser sintetizada na ideia de que existência não é um verdadeiro predicado. Basicamente, a frase "x existe" não realmente atribui uma propriedade analítica ao conceito de "x", mas sim simplesmente diz algo que depende da experiência sobre o objeto "x". Por exemplo, a diferença entre a frase "existem cem reais no meu bolso" e "não existem cem reais no meu bolso" não é uma de conceito, mas sim da ordenação observável, e contingente, do mundo.
O resgate da fé
Com sua refutação dos argumentos Ontológico, Cosmológico e Físico-Teológico, Kant estabelece a impossibilidade da construção a priori de uma prova para a existência de Deus, mas isso não significa que ele não considera Deus um conceito presente e necessário na vida do indivíduo.
O argumento Moral
Para a teoria de ética kantiana existe uma finalidade para as ações morais, o summum bonum (o maior Bem), que é composta de dois elementos: O Bem Moral, que é a virtude perfeita, e o Bem Natural, que pode ser visto como a felicidade humana proporcional à virtude. Para Kant, a busca por um fim F só é racional caso este seja alcançável através dos meios à minha disposição. Podemos concluir assim, dado que não posso racionalmente abandonar o summum bonum como objetivo e nem racionalmente persegui-lo sem acreditar no potencial de alcançá-lo, que o indivíduo deve aceitar a crença, ou fé, de que essa finalidade moral é atingível. De tal forma, dado que o homem moral deve viver em constante progresso em direção à virtude perfeita, ele tem um fundamento prático para acreditar em uma forma de imortalidade da alma para que esse progresso possa continuar após a sua morte. E por fim, Kant considera evidente que, para que a felicidade possa ser distribuída de acordo com a virtude, dado que nós homens não conhecemos as inclinações morais dos indivíduos, deve haver uma providência consciente e justa que performe tal papel, levando o homem racional e moral à fé em Deus.


