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Monte Evereste

Monte Everest ou, na sua forma portuguesa, Evereste, também conhecido no Nepal como Sagarmāthā (सगरमाथा), no Tibete como Chomolungma e Zhūmùlǎngmǎ Fēng em chinês (珠穆朗玛峰), é a montanha de maior altitude da Terra. Seu pico está a 8 848,86 metros acima do nível do mar, na subcordilheira Mahalangur Himal dos Himalaias. A fronteira internacional entre o distrito nepalês do Solukhumbu e o distrito de Tingri da Região Autônoma do Tibete da República Popular da China passa no cume. O maciço do Everest inclui diversos outros picos situados acima da zona da morte, incluindo os picos do Lhotse (8 516 m), Nuptse (7 855 m) e Changtse (7 580 m), entre outros.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 05/07/2026
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Origem

O monte Everest está localizado na cordilheira dos Himalaias, a qual surgiu de um processo natural conhecido como dobramentos modernos (também conhecidos como cadeias orogênicas ou cinturões orogênicos). São estruturas geológicas que se originaram em virtude das ações do tectonismo e correspondem à formação de cadeias montanhosas, apresentando as maiores altitudes do planeta por serem relativamente jovens se comparadas a outras formações no planeta, dessa forma o lento processo de erosão ainda atua sobre suas formações, diferente dos dobramentos antigos, onde os processos de erosão foram responsáveis pela formação de planaltos e bacias sedimentares. O início da formação das principais cadeias de montanhas da Terra não ocorreu antes de 250 milhões de anos atrás, durante o período terciário. Estima-se que o Himalaia tenha surgido cerca 50 a 40 milhões de anos atrás, quando as massas de terra do subcontinente indiano e da Eurásia, impulsionadas pelo movimento das placas tectônicas, colidiram.

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Geologia

Os geólogos subdividiram as rochas que formam o Monte Everest em três unidades denominadas formações. Cada formação está separada da outra por falhas de baixo ângulo, denominadas descolamentos (detachments), ao longo das quais foram empurradas para sul, umas sobre as outras. Do cume do Monte Everest até à sua base, estas unidades rochosas são a Formação Qomolangma, a Formação North Col e a Formação Rongbuk (sob o Glaciar de Rongbuk). A Formação Qomolangma, também conhecida como Formação Jolmo Lungama, estende-se desde o cume até ao topo da Faixa Amarela, a cerca de 8 600 m (28 200 ft) acima do nível do mar. É constituída por calcário do Ordoviciano cinzento a cinzento escuro ou branco, com laminação e estratificação paralelas, intercalado com leitos subordinados de dolomita recristalizada, com lâminas argilosas e siltito. Gansser foi o primeiro a reportar a descoberta de fragmentos microscópicos de crinoides neste calcário. A análise petrográfica posterior de amostras do calcário recolhidas perto do cume revelou que eram compostas por pellets de carbonato e restos finamente fragmentados de trilobitas, crinoides e ostracodes. Outras amostras encontravam-se tão fortemente cisalhadas e recristalizadas que os seus constituintes originais não puderam ser determinados. Um leito espesso de trombolitos, de coloração branca por intemperismo e com 60 m (200 ft) de espessura, constitui o sopé do "Terceiro Degrau" e a base da pirâmide do cume do Everest. Este leito, que aflora a partir de cerca de 70 m (230 ft) abaixo do cume do Monte Everest, consiste em sedimentos retidos, ligados e cimentados por biofilmes de micro-organismos, especialmente cianobactérias, em águas marinhas rasas. A Formação Qomolangma encontra-se fragmentada por várias falhas de alto ângulo que terminam na falha normal de baixo ângulo, o Descolamento Qomolangma. Este descolamento separa-a da Faixa Amarela subjacente. Os cinco metros inferiores da Formação Qomolangma, que se sobrepõem a este descolamento, estão muito deformados.

Sítio do património geológico da IUGS

No que respeita ao reconhecimento das "rochas mais altas do planeta" como calcário marinho fossilífero, as Rochas Ordovicianas do Monte Everest foram incluídas pela União Internacional de Ciências Geológicas (IUGS) na sua lista de 100 sítios de património geológico em todo o mundo, publicada em outubro de 2022. A organização define um Sítio de Património Geológico da IUGS como "um local chave com elementos e/ou processos geológicos de relevância científica internacional, utilizado como referência, e/ou com uma contribuição substancial para o desenvolvimento das ciências geológicas ao longo da história."

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Flora e fauna

Existe muito pouca flora ou fauna nativa no Everest. Um tipo de musgo cresce a 6 480 metros (21 260 ft) no Monte Everest e pode ser a espécie vegetal de maior altitude. Uma planta alpina em forma de almofada chamada Arenaria é conhecida por crescer abaixo de 5 500 metros (18 000 ft) na região. De acordo com um estudo baseado em dados de satélite de 1993 a 2018, a vegetação está a expandir-se na região do Everest. Os investigadores encontraram plantas em áreas que anteriormente eram consideradas desprovidas de vegetação. Uma minúscula aranha saltadora preta do gênero Euophrys foi encontrada em altitudes tão elevadas como 6 700 metros (22 000 ft), possivelmente tornando-a o residente permanente não microscópico confirmado de maior altitude na Terra. Outra espécie de Euophrys, E. everestensis, foi encontrada a 5 030 metros (16 500 ft) e pode alimentar-se de insetos que foram levados para lá pelo vento. Existe uma elevada probabilidade de vida microscópica em altitudes ainda mais elevadas.

Conservação

Do lado nepalês, o Everest é protegido como parte do Parque Nacional de Sagarmatha, enquanto do lado chinês a montanha é protegida como parte da Reserva Natural Nacional de Qomolangma.

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Clima

O Monte Everest tem um clima de calota polar (Köppen EF), com todos os meses a apresentarem médias bem abaixo de zero.[a]

Mudanças climáticas

O acampamento base para as expedições ao Everest sediadas no Nepal está localizado junto ao Glaciar de Khumbu, que está a diminuir rapidamente e a desestabilizar devido às mudanças climáticas, tornando-o inseguro para os alpinistas. Conforme recomendado pelo comité formado pelo governo do Nepal para facilitar e monitorizar o montanhismo na região do Everest, Taranath Adhikari — diretor-geral do departamento de turismo do Nepal — disse que têm planos para mudar o acampamento base para uma altitude mais baixa. Isto significaria uma maior distância para os alpinistas entre o acampamento base e o Acampamento 1. Embora os responsáveis tivessem afirmado inicialmente que a mudança poderia acontecer até 2024, a resistência das comunidades de alpinistas e xerpas resultou na suspensão da mudança, em parte porque não existe um local de acampamento alternativo viável que permita aos alpinistas passarem pela cascata de gelo nas horas mais seguras do início da manhã.

Meteorologia

Em 2008, uma nova estação meteorológica a cerca de 8 000 m (26 000 ft) de elevação entrou em funcionamento. O projeto foi orquestrado pela Stations at High Altitude for Research on the Environment (SHARE), que também colocou a Webcam do Monte Everest em 2011. A estação meteorológica movida a energia solar está localizada no Colo Sul. O Monte Everest estende-se até à troposfera superior e penetra na estratosfera. A pressão do ar no cume é geralmente cerca de um terço do que é ao nível do mar. A altitude pode expor o cume aos ventos rápidos e gelados da corrente de jato. Os ventos atingem frequentemente os 160 km/h (100 mph); em fevereiro de 2004, uma velocidade do vento de 280 km/h (175 mph) foi registada no cume.

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Levantamentos topográficos

Século XIX

Em 1802, os britânicos iniciaram o Grande Levantamento Trigonométrico da Índia para fixar, entre outras coisas, as localizações, alturas e nomes das montanhas mais altas do mundo. Começando no sul da Índia, as equipas de levantamento moveram-se para norte utilizando teodolitos gigantes, pesando cada um 500 kg (1 100 lb) e exigindo 12 homens para os carregar, para medir as alturas com a maior precisão possível. Chegaram ao sopé dos Himalaias na década de 1830, mas o Nepal não estava disposto a permitir que os britânicos entrassem no país devido a suspeitas sobre as suas intenções. Vários pedidos dos topógrafos para entrar no Nepal foram negados.

Século XX

Em 1856, Andrew Waugh anunciou o Everest (então conhecido como Pico XV) com 8 840 m (29 002 ft) de altura, após vários anos de cálculos baseados em observações feitas pelo Grande Levantamento Trigonométrico. De 1952 a 1954, o Survey of India, utilizando métodos de triangulação, determinou que a altura do Everest era de 8 847,73 m (29 028 ft). Em 1975, foi subsequentemente reafirmado por uma medição chinesa de 8 848,13 m (29 029,30 ft). Em ambos os casos, mediu-se a calota de neve e não o pico rochoso. A altura de 8 848 m (29 029 ft) fornecida foi oficialmente reconhecida pelo Nepal e pela China. O Nepal planeou um novo levantamento em 2019 para determinar se o Sismo do Nepal de abril de 2015 afetou a altura da montanha.

Século XXI

A 9 de outubro de 2005, após vários meses de medições e cálculos, a Academia Chinesa de Ciências e o Departamento de Topografia e Cartografia do Estado anunciaram a altura do Everest como sendo 8 844,43 m (29 017,16 ft) com precisão de ±0,21 m (8,3 in), alegando que era a medição mais exata e precisa até à data. Esta altura baseia-se no ponto mais alto da rocha e não na neve e gelo que o cobrem. A equipa chinesa mediu uma profundidade de neve-gelo de 3,5 m (11 ft), o que está de acordo com uma elevação líquida de 8 848 m (29 029 ft). Surgiu uma discussão entre a China e o Nepal sobre se a altura oficial deveria ser a altura da rocha (8.844 m, China) ou a altura da neve (8.848 m, Nepal). Em 2010, os dois lados concordaram que a altura do Everest é de 8.848 m, e o Nepal reconheceu a alegação da China de que a altura rochosa do Everest é de 8.844 m. A 8 de dezembro de 2020, foi anunciado conjuntamente pelos dois países que a nova altura oficial é de 8 848,86 metros (29 031,7 ft).

Comparações

O cume do Everest é o ponto em que a superfície da Terra atinge a maior distância acima do nível do mar. Diversas outras montanhas são por vezes reivindicadas como sendo as "montanhas mais altas da Terra". O Mauna Kea, no Havai, é a mais alta quando medida a partir da sua base;[nota 1] ele eleva-se mais de 10 200 m (33 464,6 ft) da sua base no fundo do oceano, mas atinge apenas 4 205 m (13 796 ft) acima do nível do mar. Pela mesma medida da base ao cume, o Denali (também chamado Monte McKinley), no Alasca, é também mais alto que o Everest.[nota 1] Apesar da sua altura acima do nível do mar ser de apenas 6 190 m (20 308 ft), o Denali assenta no topo de uma planície inclinada com elevações de 300 a 900 m (980 a 2 950 ft), resultando numa altura acima da base na ordem de 5 300 a 5 900 m (17 400 a 19 400 ft); um valor habitualmente citado é 5 600 m (18 400 ft). Em comparação, elevações de base razoáveis para o Everest variam de 4 200 m (13 800 ft) no lado sul a 5 200 m (17 100 ft) no Planalto Tibetano, o que resulta numa altura acima da base entre 3 650 a 4 650 m (11 980 a 15 260 ft).

Contexto e mapas

Muitas das montanhas mais altas do mundo estão perto do Monte Everest, por exemplo, o Lhotse, com 8 516 m (27 940 ft); o Nuptse, com 7 855 m (25 771 ft); o Changtse, com 7 580 m (24 870 ft); e o Khumbutse, com 6 636 m (21 772 ft). No lado sudoeste, uma característica importante nas áreas mais baixas é o glaciar e a cascata de gelo do Khumbu, um obstáculo para os alpinistas nessas rotas, mas também para os acampamentos base.

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Ascensão

Como o Everest é a montanha mais alta do mundo, tem atraído considerável atenção e tentativas de escalada. Não se sabe ao certo se a montanha foi escalada na antiguidade. Pode ter sido escalada em 1924, embora isso nunca tenha sido confirmado, uma vez que nenhum dos dois homens que fizeram a tentativa regressou. As rotas de escalada foram estabelecidas ao longo de décadas de expedições. O cume foi alcançado por seres humanos, de que há conhecimento, pela primeira vez em 1953. Apesar do esforço investido em expedições, apenas cerca de 200 pessoas tinham atingido o cume até 1987. O Everest permaneceu uma escalada difícil durante décadas, mesmo para alpinistas profissionais e grandes expedições nacionais, que eram a norma até a era comercial começar na década de 1990. Até dezembro de 2024, a The Himalayan Database registou pouco menos de 13.000 cumes no total, alcançados por cerca de 7.200 pessoas diferentes.

Primeiras tentativas

Em 1885, Clinton Thomas Dent, presidente do Alpine Club, sugeriu que a escalada do Everest era possível no seu livro Above the Snow Line. A abordagem norte da montanha foi descoberta por George Mallory e Guy Bullock na Expedição de Reconhecimento Britânica inicial de 1921.Erro de citação: Elemento de abertura <ref> está mal formado ou tem um nome inválido Esta não estava equipada para uma tentativa séria de escalar a montanha. Com Mallory a liderar, tornando-se assim no primeiro europeu a pisar os flancos do Everest, escalaram o Colo Norte até a uma altitude de 7 005 metros (22 982 ft). A partir daí, Mallory avistou uma rota para o topo, mas o grupo não estava preparado para subir mais e desceu. Os britânicos regressaram para uma expedição em 1922. Na primeira tentativa de chegar ao cume, Mallory, o Coronel Felix Norton e Howard Somervell, sem oxigênio suplementar, alcançaram os 8 225 m (26 985 ft), a primeira vez que um humano relatou ter subido a mais de 8 000 m (26 247 ft). George Finch e Geoffrey Bruce escalaram utilizando oxigênio pela primeira vez. Subiram a uma velocidade notável — 290 metros (951 ft) por hora — e atingiram a altitude de 8 321 m (27 300 ft).

Primeira ascensão bem-sucedida por Tenzing e Hillary, 1953

Em 1953, uma nona expedição britânica, liderada por John Hunt, regressou ao Nepal. Hunt selecionou duas duplas de escaladores para tentar o cume. A primeira, Tom Bourdillon e Charles Evans, ficou a menos de 100 m (330 ft) do cume no dia 26 de maio de 1953, mas teve de voltar para trás devido a problemas de oxigênio. Conforme planeado, o seu trabalho na descoberta da rota, na abertura de caminho e nos depósitos de oxigênio foi de grande ajuda para a dupla seguinte. Dois dias depois, a expedição fez o seu segundo ataque com a segunda dupla: o neozelandês Edmund Hillary e Tenzing Norgay, um alpinista xerpa nepalês. Atingiram o cume às 11:30 da manhã, hora local, a 29 de maio de 1953, através da rota do Colo Sul. Na altura, ambos reconheceram que tinha sido um esforço de equipa de toda a expedição, mas Tenzing revelou alguns anos mais tarde que Hillary tinha colocado o seu pé no cume primeiro. Tiraram fotografias e enterraram alguns doces e uma pequena cruz na neve antes de descerem.

Décadas de 1950–60

A 23 de maio de 1956, Ernst Schmied e Juerg Marmet alcançaram o cume. Wang Fuzhou, Gonpo e Qu Yinhua, da China, fizeram a primeira ascensão relatada ao pico a partir do Cume Norte em maio de 1960. O primeiro americano a escalar o Everest, Jim Whittaker, acompanhado por Nawang Gombu, alcançou o cume a 1 de maio de 1963 na expedição americana ao Monte Everest. A 22 de maio, na mesma expedição, Tom Hornbein e Willi Unsoeld foram os primeiros a atravessar a montanha, subindo pela Face Norte e descendo pelo Colo Sul.

Década de 1970

Em 1970, montanhistas japoneses conduziram uma grande expedição. A peça central foi uma grande expedição de estilo "cerco", trabalhando para encontrar uma nova rota na Face Sudoeste. Outro elemento foi uma tentativa de descer o Everest a esquiar. Apesar de uma equipa de mais de cem pessoas e de uma década de planeamento, a expedição sofreu oito baixas e falhou o cume. Contudo, as expedições japonesas tiveram alguns sucessos. Yuichiro Miura tornou-se o primeiro homem a descer de esqui do Colo Sul — ele desceu quase 1 300 vertical metros (4 200 ft) a partir do Colo Sul antes de cair com ferimentos extremos. Outro sucesso foi uma expedição que colocou quatro alpinistas no cume através da rota do Colo Sul. As façanhas de Miura tornaram-se tema de filme, e ele viria a tornar-se a pessoa mais velha a atingir o cume do Everest em 2003, aos 70 anos, e novamente em 2013, aos 80 anos.

1979/1980: Himalaísmo de inverno

O alpinista polaco Andrzej Zawada chefiou a primeira ascensão de inverno ao Everest, e também a primeira ascensão de inverno de uma montanha com mais de oito mil metros. A 15 de janeiro, a equipa conseguiu estabelecer o Acampamento III a 7 150 metros (23 460 ft) acima do nível do mar, mas a ação subsequente foi interrompida por ventos com força de furacão. O tempo melhorou após o dia 11 de fevereiro, quando Leszek Cichy, Walenty Fiut e Krzysztof Wielicki montaram o acampamento IV no Colo Sul a 7 906 metros (25 938 ft). Cichy e Wielicki iniciaram a ascensão final às 6h50 do dia 17 de fevereiro. Às 14h40, Andrzej Zawada, no acampamento base, ouviu as vozes dos alpinistas pelo rádio – "Estamos no cume! O vento forte sopra o tempo todo. Está um frio inimaginável." Esta bem-sucedida ascensão de inverno deu início a uma nova década do Himalaísmo de Inverno, que se tornou uma especialidade polaca. Após 1980, os polacos realizaram dez primeiras ascensões de inverno a picos de 8.000 metros.

Tragédia de Lho La, 1989

Em 1989, os alpinistas polacos sob a liderança de Eugeniusz Chrobak organizaram uma expedição internacional ao Everest numa difícil crista oeste. Dez polacos e nove estrangeiros participaram, mas apenas os polacos permaneceram na tentativa para o cume. A 24 de maio, Chrobak e Andrzej Marciniak, partindo do acampamento V a 8 200 metros (26 900 ft), superaram a crista e chegaram ao cume. Contudo, a 27 de maio, durante uma avalanche proveniente da encosta do Khumbutse perto do passo de Lho La, quatro alpinistas foram mortos: Mirosław Dąsal, Mirosław Gardzielewski, Zygmunt Andrzej Heinrich e Wacław Otręba. No dia seguinte, devido aos ferimentos, Chrobak faleceu. Marciniak, que estava ferido, foi salvo por uma expedição de resgate na qual participaram Artur Hajzer e os neozelandeses Gary Ball e Rob Hall. A organização do resgate contou com a participação de Reinhold Messner, Elizabeth Hawley, Carlos Carsolio e do cônsul dos EUA.

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Escalada

Embora geralmente menos popular do que a primavera, o Monte Everest também tem sido escalado no outono (também chamada de "temporada pós-monção"). Por exemplo, em 2010, Eric Larsen e cinco guias nepaleses chegaram ao cume do Everest no outono pela primeira vez em dez anos. A temporada de outono, quando a monção termina, é considerada mais perigosa porque normalmente há muita neve fresca que pode ser instável. No entanto, este aumento de neve pode torná-la mais popular para certos desportos de inverno, como o esqui e o snowboard. Dois alpinistas japoneses também chegaram ao cume em outubro de 1973. Chris Chandler e Bob Cormack chegaram ao cume do Everest em outubro de 1976 como parte da Expedição do Bicentenário Americano ao Everest daquele ano, sendo os primeiros americanos a fazer uma ascensão de outono do Monte Everest, de acordo com o Los Angeles Times. No século XXI, o verão e o outono podem ser mais populares para tentativas de esqui e snowboard no Monte Everest. Durante a década de 1980, escalar no outono era na verdade mais popular do que na primavera. O astronauta dos EUA Karl Gordon Henize morreu em outubro de 1993 numa expedição de outono, enquanto conduzia uma experiência sobre radiação. A quantidade de radiação de fundo aumenta com altitudes mais elevadas.

Licenças

Em 2014, o Nepal emitiu 334 licenças de escalada, que foram prorrogadas até 2019 devido ao encerramento. Em 2015, o Nepal emitiu 357 licenças, mas a montanha foi fechada novamente por causa da avalanche e do sismo, e estas licenças receberam uma prorrogação de dois anos até 2017. Em 2017, uma pessoa que tentou escalar o Everest sem a licença de 11.000 dólares foi apanhada após passar pela cascata de gelo do Khumbu. Enfrentou, entre outras penalizações, uma multa de 22.000 dólares e possivelmente quatro anos de prisão. No final, foi-lhe permitido regressar a casa, mas foi banido do montanhismo no Nepal por 10 anos. O número de licenças emitidas anualmente pelo Nepal é:

Escalada comercial

Segundo Jon Krakauer, a era da comercialização do Everest começou em 1985, quando o cume foi alcançado por uma expedição guiada liderada por David Breashears que incluía Richard Bass, um rico empresário de 55 anos e alpinista amador com quatro anos de experiência em escalada. No início da década de 1990, várias empresas ofereciam visitas guiadas à montanha. Rob Hall, um dos montanhistas que morreu no desastre de 1996, tinha guiado com sucesso 39 clientes até ao cume antes desse incidente. Em 2016, a maioria dos serviços de guia custava entre 35.000 e 200.000 dólares. Ir com um "guia celebridade", geralmente um montanhista conhecido tipicamente com décadas de experiência em escalada e talvez vários cumes no Everest, podia custar mais de £100.000 a partir de 2015. Contudo, os serviços oferecidos variam muito e aplica-se a regra de que "o comprador deve ter cuidado" ao fazer negócios no Nepal, um dos países mais pobres e menos desenvolvidos do mundo. O turismo contribuiu em 7,9 por cento para o produto interno bruto (PIB) em 2019 num país com elevado desemprego, mas um carregador no Everest pode ganhar quase o dobro do salário médio nacional numa região onde faltam outras fontes de rendimento.

Rotas

O Monte Everest tem duas rotas principais de escalada, a Crista Sudeste pelo Nepal e a Crista Norte pelo Tibete, bem como muitas outras rotas escaladas com menos frequência. Das duas rotas principais, a Crista Sudeste é tecnicamente mais fácil e mais frequentemente utilizada. Foi a rota usada por Edmund Hillary e Tenzing Norgay em 1953 e a primeira reconhecida de 15 rotas para o topo até 1996. Esta foi, no entanto, uma decisão de rota ditada mais pela política do que pelo planeamento, uma vez que a fronteira chinesa foi fechada ao mundo ocidental na década de 1950, após a Anexação do Tibete à República Popular da China. A maioria das tentativas é feita durante o mês de maio, antes da temporada de monções de verão. À medida que a temporada de monções se aproxima, a corrente de jato desloca-se para o norte, reduzindo assim as velocidades médias do vento no alto da montanha. Embora às vezes sejam feitas tentativas em setembro e outubro, após as monções, quando a corrente de jato é temporariamente empurrada novamente para o norte, a neve adicional depositada pelas monções e os padrões climáticos menos estáveis no final das monções tornam a escalada extremamente difícil.

Cume

O cume do Everest tem sido descrito como tendo "o tamanho de uma mesa de sala de jantar". O topo é coberto com neve sobre o gelo por cima da rocha, e a camada de neve varia de ano para ano. O cume rochoso é feito de calcário do Ordoviciano e consiste numa rocha metamórfica de baixo grau. (Ver a secção Levantamentos topográficos para mais informações sobre a sua altura e o pico rochoso do Everest.) Abaixo do cume, existe uma área conhecida como o "vale do arco-íris" (rainbow valley), repleta de cadáveres ainda a usar equipamento de inverno de cores brilhantes. Abaixo disso, até cerca dos 8 000 m (26 000 ft), existe a área habitualmente chamada de "zona da morte", devido ao elevado perigo e à falta de oxigênio causada pela baixa pressão atmosférica.

Zona da morte

Nas regiões mais altas do Monte Everest, os alpinistas que buscam o cume costumam passar um tempo substancial dentro da zona da morte (altitudes superiores a 8 000 metros (26 000 ft)), e enfrentam desafios significativos à sobrevivência. As temperaturas podem cair para níveis muito baixos, resultando em geladuras em qualquer parte do corpo exposta ao ar. Como as temperaturas são tão baixas, a neve fica bem congelada em certas áreas, podendo ocorrer morte ou ferimentos por escorregões e quedas. Os ventos fortes nessas altitudes no Everest também são uma ameaça potencial aos alpinistas. Outra ameaça significativa aos alpinistas é a baixa pressão atmosférica. A pressão atmosférica no topo do Everest é cerca de um terço da pressão ao nível do mar ou 0,333 atmosfera padrãos (337 mbar), resultando na disponibilidade de apenas cerca de um terço da quantidade de oxigênio para respirar.

oxigênio suplementar

A maioria das expedições utiliza máscaras de oxigênio e garrafas acima dos 8 000 m (26 247 ft). O Everest pode ser escalado sem oxigênio suplementar, mas apenas pelos alpinistas mais experientes e com um risco acrescido. Os baixos níveis de oxigênio prejudicam a cognição, e a combinação de condições meteorológicas extremas, baixas temperaturas e encostas íngremes exige frequentemente decisões rápidas e precisas. Enquanto cerca de 95 por cento dos alpinistas que chegam ao cume usam oxigênio engarrafado para atingir o topo, cerca de cinco por cento dos alpinistas chegaram ao cume do Everest sem oxigênio suplementar. A taxa de mortalidade é o dobro para aqueles que tentam alcançar o cume sem oxigênio suplementar. Viajar acima dos 8 000 m (26 000 ft) de altitude é um fator para a hipóxia cerebral. Um estudo descobriu que o Monte Everest pode ser o ponto mais alto até onde um ser humano aclimatizado consegue ir, mas também descobriu que os alpinistas podem sofrer danos neurológicos permanentes apesar de regressarem a altitudes mais baixas.

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Aviação

Em 2016, a utilização crescente de helicópteros foi notada pela maior eficiência e por transportar material sobre a mortal cascata de gelo do Khumbu. Em particular, notou-se que os voos pouparam aos carregadores da cascata de gelo 80 viagens, mas mesmo assim aumentaram a atividade comercial no Everest. Depois de muitos nepaleses terem morrido na cascata de gelo em 2014, o governo queria que os helicópteros se encarregassem de mais transporte para o Acampamento 1, mas isto não foi possível devido ao terramoto de 2015 que encerrou a montanha, pelo que isto foi então implementado em 2016 (no entanto, os helicópteros provaram ser fundamentais no resgate de muitas pessoas em 2015). Nesse verão, a Bell testou o 412EPI, que realizou uma série de testes, incluindo pairar a 18 000 pés (5 500 m) e voar até 20 000 pés (6 100 m) de altitude perto do Monte Everest.

1933: Voo sobre o Everest

Lucy, Lady Houston, uma ex-corista e milionária britânica, financiou o Voo Houston sobre o Everest de 1933. Uma formação de aviões liderada pelo Marquês de Clydesdale voou sobre o cume num esforço para fotografar o terreno desconhecido.

1988: Primeira escalada e voo planado

A 26 de setembro de 1988, após ter escalado a montanha pela Crista Sudeste, Jean-Marc Boivin fez a primeira descida de parapente do Everest, estabelecendo no processo o recorde da descida mais rápida da montanha e do voo de parapente mais alto. Boivin disse: "Eu estava cansado quando cheguei ao topo porque tinha aberto grande parte da trilha, e correr a esta altitude foi bastante difícil."

1991: Sobrevoo de balão de ar quente

Em 1991, quatro homens em dois balões realizaram o primeiro voo de balão de ar quente sobre o Monte Everest. Num balão estavam Andy Elson e Eric Jones (operador de câmara), e no outro balão Chris Dewhirst e Leo Dickinson (operador de câmara). Dickinson viria a escrever um livro sobre a aventura chamado Ballooning Over Everest. Os balões de ar quente foram modificados para funcionar a uma altitude de até 40 000 pés (12 000 m). Reinhold Messner chamou a uma das vistas panorâmicas do Everest de Dickinson, capturada no agora descontinuado filme Kodachrome da Kodak, a "melhor fotografia da Terra", de acordo com o jornal britânico The Telegraph. Dewhirst ofereceu-se para levar passageiros numa repetição deste feito por 2,6 milhões de dólares americanos por passageiro.

2005: Piloto aterra no cume com helicóptero

Em maio de 2005, o piloto francês Didier Delsalle aterrou um helicóptero Eurocopter AS350 B3 no cume do Monte Everest. Ele precisava de aterrar por dois minutos para estabelecer o recorde oficial da Federação Aeronáutica Internacional (FAI), mas permaneceu durante cerca de quatro minutos, por duas vezes. Neste tipo de aterragem, os rotores permanecem engatados, o que evita depender da neve para suportar totalmente a aeronave. O voo estabeleceu recordes mundiais de aeronaves de asas rotativas tanto para a aterragem como para a descolagem mais altas. Alguns relatos da imprensa sugeriram que o relato da aterragem no cume foi um mal-entendido de uma aterragem no Colo Sul, mas ele também tinha aterrado no Colo Sul dois dias antes, com esta aterragem e os recordes do Everest sendo confirmados pela FAI. Delsalle também resgatou dois alpinistas japoneses a 16 000 pés (4 900 m) de altitude enquanto lá estava. Um alpinista notou que o novo recorde significava uma melhor hipótese de resgate.

2011: Descida de parapente do cume

A 21 de maio de 2011, os nepaleses Lakpa Tsheri Sherpa e Sano Babu Sunuwar desceram de parapente do cume do Everest até Namche Bazaar em 42 minutos. Após o voo, eles caminharam, andaram de bicicleta e andaram de caiaque até ao Oceano Índico, alcançando a Baía de Bengala a 27 de junho de 2011, tornando-se assim nas primeiras pessoas a completar uma descida contínua desde o cume até ao mar a partir do Everest. Alcançaram este feito inovador apesar de Babu nunca ter escalado antes, e Lakpa nunca ter andado de caiaque e nem sequer saber nadar. O duo venceu subsequentemente o prémio de Aventureiros do Ano da National Geographic em 2012 pelas suas façanhas. Em 2013, imagens do voo foram exibidas no programa de notícias de televisão Nightline.

2014: Ascensão assistida por helicóptero

Em 2014, uma equipa financiada e liderada pela alpinista Wang Jing utilizou um helicóptero para voar do Acampamento Base Sul até ao Acampamento II para evitar a Cascata de Gelo do Khumbu, e a partir daí escalaram até ao cume do Everest. Esta escalada provocou imediatamente indignação e controvérsia em grande parte do mundo do alpinismo sobre a legitimidade e a adequação da sua escalada. O Nepal acabou por investigar Wang, que inicialmente negou a alegação de ter voado para o Acampamento II, admitindo apenas que parte da equipa de apoio tinha sido transportada de avião para aquele acampamento mais elevado, sobre a Cascata de Gelo do Khumbu. Em agosto de 2014, no entanto, afirmou que tinha voado para o Acampamento II porque a cascata de gelo estava intransitável. "Se não voares para o Acampamento II, simplesmente vais para casa", disse numa entrevista. Na mesma entrevista, também insistiu que nunca tentara esconder este fato.

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Esportes radicais

O Monte Everest tem sido palco de outros esportes de inverno e de aventura além do alpinismo, incluindo snowboard, esqui, parapente e BASE jumping. Yuichiro Miura tornou-se o primeiro homem a descer o Everest de esqui na década de 1970. Ele desceu quase 4 200 vertical pés (1 300 m) desde o Colo Sul antes de cair com ferimentos graves. Stefan Gatt e Marco Siffredi desceram o Monte Everest de snowboard em 2001. Outros esquiadores do Everest incluem Davo Karničar, da Eslovênia, que completou uma descida do topo até ao Acampamento Base Sul em 2000, Hans Kammerlander, de Itália, em 1996, pelo lado norte, e Kit DesLauriers, dos Estados Unidos, em 2006. Marco Siffredi morreu em 2002 na sua segunda expedição de snowboard. Em 2025, Andrzej Bargiel completou a primeira descida de esqui sem oxigênio suplementar. Vários tipos de descidas planadas tornaram-se lentamente mais populares e são notados pelas suas descidas rápidas para acampamentos mais baixos. Em 1986, Steve McKinney liderou uma expedição ao Monte Everest. O francês Jean-Marc Boivin fez a primeira descida de parapente do Everest em setembro de 1988, descendo em minutos da Crista Sudeste para um acampamento mais baixo. Em 2011, os nepaleses Sano Babu Sunuwar e Lakpa Tsheri Sherpa fizeram uma descida planada do cume do Everest descendo 16 400 pés (5 000 m) em 45 minutos.

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Significado religioso

A parte sul do Monte Everest é considerada um dos vários "vales ocultos" de refúgio designados por Padmasambhava, um santo budista do século IX "nascido do lótus". Perto da base do lado norte do Everest encontra-se o Mosteiro de Rongbuk, que tem sido chamado de "limiar sagrado para o Monte Everest, com as vistas mais dramáticas do mundo". Para os Sherpas que vivem nas encostas do Everest na região de Khumbu, no Nepal, o Mosteiro de Rongbuk é um importante local de peregrinação, acessado em poucos dias de viagem através do Himalaia pelo passo de Nangpa La. Acredita-se que Miyolangsangma, uma deusa budista tibetana da "Dádiva Inesgotável", viva no topo do Monte Everest. Segundo os monges budistas Sherpas, o Monte Everest é o palácio e o campo de jogos de Miyolangsangma, e todos os alpinistas são convidados apenas parcialmente bem-vindos, por terem chegado sem convite. O povo Sherpa também acredita que o Monte Everest e suas encostas são abençoados com energia espiritual, e deve-se demonstrar reverência ao passar por essa paisagem sagrada. Aqui, os efeitos kármicos das ações de uma pessoa são ampliados, e pensamentos impuros devem ser evitados.

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Fontes consultadas

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