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Rio Tejo

Rio Tejo é o rio mais extenso da Península Ibérica. A sua bacia hidrográfica é a terceira mais extensa na Península, atrás do rio Douro e do rio Ebro. Nasce em Espanha — onde é conhecido como Tajo — a 1 593 m de altitude na serra de Albarracim, e após um percurso de cerca de 1 007 km, desagua no oceano Atlântico formando um estuário em Lisboa. A sua bacia hidrográfica é de 80 600 km², sendo a segunda mais importante da Península Ibérica depois da do rio Ebro.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 26/07/2026
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Nome e Lenda

Segundo Sílio Itálico, Tago, como era designado o Tejo, seria o nome de um rei Ibero que foi cruelmente assassinado por Asdrúbal e que teria o mesmo nome do rio. "A Tago de antiga estirpe, de grande belezaE famoso por corajosos feitos, pregou-o ele em alto poste,E, esquecido dos deuses e dos homens, em triunfo passeouPelos povos contristados o corpo de seu rei em exéquiasA Tago que recebera o nome de aurífera fonte.Ululando o choram pelas margens e cavernas as ninfas ibéricas". Quando da conquista de Lisboa Osberno comentou que "É este um rio que desce da região de Toledo, e em cujas margens se encontra ouro, quando no princípio da Primavera as águas se recolhem no leito. Segundo as lendas D. Afonso Henriques pagou a tença ao papa com o ouro retirado do rio Tejo. Dom Dinis mandou fazer o seu ceptro com o ouro das areias do Tejo e Dom João III mandou igualmente fazer outro ceptro com o seu ouro.

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Curso

Fonte

O rio Tejo nasce a 1 593 m de altitude, no local conhecido como Fuente de García, no município espanhol de Frías de Albarracín, na província de Teruel. A sua fonte situa-se entre San Juan (1 830 m) e o cerro de San Felipe (1 839 m), na Serra de Albarracín, que pertence aos Montes Universales, na parte ocidental do Sistema Ibérico. Esta formação montanhosa alberga um dos nós hidrográficos mais importantes da Península Ibérica, ao separar a vertente atlântica da mediterrânea. O rio Júcar, que desagua no Mar Mediterrâneo, tem origem a poucos quilómetros da sua fonte, assim como o Guadalaviar, que dá lugar posteriormente ao Turia. No seu percurso inicial, o rio salta um forte desnível, lavrando materiais originados entre o Ordovícico e o Quaternário, entre os quais predominam os calcários, as dolomitas, as margas e os arenitos.

Curso alto

O rio corre, num primeiro momento, na direcção sul-noroeste, marcando a linha divisória entre Aragão e Castela-Mancha, através das províncias de Teruel e Cuenca, respectivamente. Entra depois em Guadalaxara e, a uns dez quilómetros da sua fonte, recebe como afluente direito o rio da Hoz Seca, que é o seu primeiro grande afluente, que até tem um caudal maior que o próprio Tejo. O Hoz Seca, que recolhe as águas das serras de Orihuela del Tremedal (Teruel), nos Montes Universais, tributa no município de Peralejos de las Truchas (Guadalaxara). Aqui o Tejo já desce a uma altitude de 1 140 m, depois de vencer pronunciadas pendentes e formar diferentes gargantas, encravadas em áreas fortemente despovoadas.

Curso médio-alto

O Tejo entra na Comunidade de Madrid através do seu extremo sudoeste, pela comarca histórica da Cuesta de las Encomiendas. Passa em Fuentidueña de Tajo, onde se localiza o Remanso de la Tejera — a uma altitude de cerca de 500 m -, e de Villamanrique de Tajo. Depois de ser retido por nova barragem, a de Valdajos, entra no município de Aranjuez, a primeira localidade de importância que banha, onde passa ao lado do Palácio Real. Nesta povoação forma a albufeira do Embocador, feita no século XVI e remodelada no século XVIII para garantir o abastecimento de água à agricultura circundante. O seu curso é regulado mediante uma série de canais artificiais, utilizados como sistemas de rega e ornamentação dos Jardins de Aranjuez.

Curso médio-baixo

O Tejo entra na Estremadura pela província de Cáceres, onde forma depois a albufeira de Valdecañas, uma das de maior superfície da sua bacia, com 7 300 hectares. O lago, junto de Valdecañas de Tajo banha parte da comarca de Los Ibores, que se situa na margem do rio Ibor, afluente do Tejo (margem esquerda), ao qual tributa através da citada albufeira, perto de Mesas de Ibor e de Bohonal de Ibor. Atravessa depois a A-5 (Auto-estrada da Estremadura) e passa junto de Almaraz. Aqui a água é utilizada como sistema de refrigeração da central nuclear homónima, por meio da albufeira de Arrocampo-Almaraz, construída para tal efeitos. Volta a ser detido pela barragem de Torrejón, que fica no Parque Nacional de Monfragüe. Este espaço natural protegido, que ocupa uma área de 17.852 hectares, integra três ecossistemas principais: o bosque mediterrâneo, os rochedos e as zonas húmidas, sendo estas últimas localizadas em redor do rio.

Curso baixo

Vila Velha de Ródão é a primeira localidade importante que o rio encontra em Portugal, antes serve de fronteira entre Portugal (municípios de Idanha-a-Nova e Castelo Branco) e Espanha. Passadas as Portas de Ródão, o Tejo inclina-se para sudoeste e, seguindo esta direcção, encontra a barragem de Fratel, cuja albufeira, parcialmente, segue paralela à Linha da Beira Baixa e à auto-estrada A23. Recebe pela direita o rio Ocreza. A caminho de Belver no concelho de Gavião, é retido na barragem de Belver, ao largo da qual volta a fluir para oeste. Entra no concelho de Abrantes, através da freguesia de Alvega. Em Abrantes forma um meandro em volta da colina sobre a qual se situa esta cidade. Aqui junta-se-lhe o Rio Torto na margem esquerda.

Foz

Desagua no oceano Atlântico, formando o chamado mar da Palha, o mais importante da Península Ibérica, tanto pelas dimensões como pela relevância sociodemográfica. Na parte norte, este espaço está protegido legalmente mediante a Reserva Natural do Estuário do Tejo, criada em 1916, com uma área de 14 560 hectares. Aqui se integram zonas húmidas, lodos, salinas, ilhotas e terrenos agrícolas que, a cada inverno, dão abrigo a cerca de 80 000 aves. A vila de Alcochete, situada na margem esquerda do estuário, pode ser considerada como a principal localidade de referência deste espaço protegido. O rio prossegue até Lisboa, sob a ponte Vasco da Gama, considerada uma das mais compridas da Europa. Tem 17,2 km de comprimento, 10 dos quais sobre o leito do rio. Liga desde 1998 as cidades de Montijo e Sacavém, integradas na área metropolitana de Lisboa.

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Regime hidrológico

O regime hidrológico do Tejo é determinado por variações pluvionivais (dependentes de chuva ou neve) próprias da região central da Península Ibérica, especialmente no que se refere às formações montanhosas aí integradas. Os maiores níveis de caudal produzem-se de Janeiro a Abril, com o máximo absoluto em Março — quando tem lugar o degelo -, enquanto os menores dão-se entre Julho e Outubro, com mínimo em Setembro. Este regime foi alterado na segunda metade do século XX como consequência da construção de diferentes obras de engenharia, dirigidas à regulação da bacia para cinco usos principais:

Cabeceira

O Transvase Tejo-Segura é uma das infraestruturas que mais contribuíram para modificar o regime hidrológico do Tejo. É regulado através das barragens de Entrepeñas e Buendía, que desviam as águas do rio para a zona sudeste de Espanha. Aí são utilizadas principalmente para rega e abastecimento de água potável em áreas com forte turismo. A normativa espanhola prevê que se possa retirar até 70,29% da água que o rio receba à cabeceira, com destino à região do Levante. Esta cedência à bacia do Segura baixa grandemente o caudal. Segundo dados da Confederación Hidrográfica del Tajo, o troço compreendido entre Fuente de García e os pântanos de Entrepeñas e Buendía alcançou, entre 1999 e 2006, um volume anual de 853,6 hm³, 50,1% menos que entre 1959 e 1968.

Troço entre Buendía e Talavera de la Reina

Uma vez passada a barragem de Buendía, as possibilidades de recuperar o caudal desviado para o Segura são muito limitadas. Até Aranjuez, não há afluentes de importância, ao que se junta a escassa pluviometria que apresenta a zona sudeste da Guadalajara e sudoeste da Comunidade de Madrid (entre 400 a 500 mm/ano). Os campos situados na borda do rio, que se nutrem das suas águas, incidem ainda mais na perda de caudal. Quando o Tejo chega a Aranjuez, muitas vezes tem caudal inferior a 6 m³/s, mínimo estabelecido pela normativa que regula o Transvase Tejo-Segura, conhecido como "caudal ecológico". Antes da inauguração do transvase em 1979, o rio levava neste ponto um volume de água de 30 m³.s-1.

Barragens do curso médio-baixo

As barragens construídas no curso médio-baixo constituem outro factor de alteração do regime hidrológico, dada a intensa regulação a que é sujeito o seu caudal. A retenção do rio é especialmente visível no troço que vai de Talavera de la Reina até à fronteira entre Espanha e Portugal, de aproximadamente 300 km. Nesta parte, o rio segue através de uma sucessão de represas (Azután, Valdecañas, Torrejón-Tajo, Alcántara e Cedillo), que se vão ligando umas com as otras. Apenas no trajecto entre Azután e Valdecañas, o Tejo flui sem estar retido.

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Fontes consultadas

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