Estados Confederados da América
Os Estados Confederados da América, também conhecidos simplesmente como Estados Confederados ou Confederação foram uma confederação formada em 4 de fevereiro de 1861 por sete estados do Sul dos atuais Estados Unidos, agrários e escravistas, após o antiescravista Abraham Lincoln ter vencido as eleições presidenciais de 1860. Jefferson Davis foi escolhido como o primeiro presidente dos Estados Confederados da América no dia seguinte, e foi o único a presidir a Confederação, até ser capturado pela União, em 10 de abril de 1865, um dia após a rendição incondicional das tropas confederadas, em Appomattox.
Causas da secessão
Segundo a opinião generalizada dos historiadores, foram duas as causas fundamentais da secessão. Por um lado a intenção dos republicanos de restringir, até mesmo eliminar, o escravismo. Por outro lado, as grandes limitações de poder político que tinham os estados da União, sobretudo no referente à propriedade dos escravos. Estas foram as causas fundamentais que alentaram os estados sulistas a se separarem da União. Alguns líderes religiosos do sul hasteavam nos seus sermões as causas da secessão. Benjamin M. Palmer (1818–1902), pastor da principal Igreja Presbiteriana de Nova Orleães, indicava o seu apoio à secessão num sermão do Dia de Ação de Graças em 1860, argumentando que os sulistas brancos tinham o direito e a obrigação de manter a escravidão em prol de uma autoproteção econômica e social. Também, para agir como "guardiães" dos "afetuosos e leais" embora "desamparados" pretos, para salvaguardar os seus interesses econômicos, e para agir como defensores da religião contra o "ateísmo" abolicionista. Este sermão foi amplamente difundido através dos templos religiosos.
Estados secessionados
Sete estados separaram-se antes de fevereiro de 1861: Após Lincoln chamar a tropas, quatro estados mais optaram pela secessão: Outros dois estados eram controlados por governos que apoiavam a União, mas onde existiram grupos em favor da Confederação que proclamaram a secessão. A Confederação admitiu-os como estados membros embora nunca fossem controlados pela mesma. Estes dois estados foram os seguintes: Ambos os estados permitiram a escravidão e tinham condados onde influenciava amplamente o pensamento unionista e o confederado, até mesmo existirem escravistas favoráveis à União.
Alçamento e queda da Confederação
A Guerra Civil Estadunidense estourou em abril de 1861 com a Batalha de Fort Sumter em Charleston, Carolina do Sul. As tropas federais dos EUA retiraram-se a Fort Sumter pouco após que a Carolina do Sul declarara a sua secessão. O Presidente em funções da União, James Buchanan, tentara aprovisionar as forças de Sumter enviando a Estrela do Oeste, mas as forças confederadas abriram fogo sobre a nave, afastando-a do seu destino. Quando Abraham Lincoln chegou à presidência também tentou procurar fornecimentos a Sumter. Lincoln notificou ao governador da Carolina do Sul, Francis W. Pickens, que "seria realizada uma tentativa de fornecer a Fort Sumter exclusivamente de provisões, e se essa tentativa não encontrava resistência, não se faria esforço nenhum para os fornecerem de homens, armas, ou munição sem aviso prévio, [exceto] no caso de um ataque ao forte". Em resposta, o gabinete da Confederação decidiu numa reunião em Montgomery abrir fogo contra Fort Sumter numa tentativa de forçá-lo a se render antes que chegasse à frota com relevos. A 12 de abril de 1861, as tropas confederadas, seguindo ordens de Davis e a sua Secretaria de Guerra, abriram fogo sobre as tropas federais forçando a entrega do forte e ocupando-o.
Constituição
A análise da Constituição dos Estados Confederados revela motivações para a cisão da União. Embora grande parte da mesma fosse copiada exatamente da Constituição dos Estados Unidos, continha várias proteções que garantiam explicitamente a permanência da escravidão, embora o comércio internacional de escravos fosse proibido. Também refletia uma forte filosofia sobre a preservação dos direitos dos estados a se autogovernarem, demarcando o poder do Governo central. Proibia que o Governo confederado estabelecesse tarifas protecionistas internas e que usassem os impostos arrecadados para financiar melhoras próprias de outro estado. Em contraposição da linguagem secular da Constituição dos Estados Unidos, a constituição confederada pedia abertamente a bênção de Deus, nela pode-se ler "Invoking the favor of Almighty God" ("Invocando o favor de Deus todo-poderoso").
Liberdades civis
O Exército dos Estados Confederados foi amplamente utilizado para deter pessoas suspeitas de serem leais aos Estados Unidos. O historiador Mark Neely encontrou nas suas pesquisas até 2 700 nomes de indivíduos detidos e estimou que a listagem completa era muito mais longa. A proporção de detidos é similar à dos presos em território federal por suspeita de colaboração com os confederados. Neely conclui: Os cidadãos confederados não foram muito mais livres do que os cidadãos da União, e talvez, não tinham menos probabilidades de ser arrestados pelas autoridades militares. De fato, o cidadão confederado pôde ser menos livre que as suas contrapartes nortenhas. Por exemplo, a liberdade de viajar dentro dos próprios Estados Confederados ficou seriamente limitada pelo sistema de transporte local
Capital
A capital dos Estados Confederados da América era Montgomery (Alabama), a partir de 4 de fevereiro de 1861, e até 29 de maio de 1861. Richmond (Virgínia), foi designada a nova capital a 6 de maio de 1861. Pouco antes do final da guerra, o governo confederado evacuou Richmond, com a intenção de localizar a capital mais para sul. Mas estes planos não se efetuaram, já que Lee rendia-se no Palácio de Justiça de Appomattox. Danville (Virgínia) servia como efêmera capital dos últimos dias da Confederação, de 3 a 10 de abril de 1865.
Diplomacia internacional
Uma vez começada a guerra com os Estados Unidos, as possibilidades de sobrevivência da Confederação passavam pelo apoio e intervenção militar da França e do Reino Unido. Os Estados Unidos tiveram clara esta possibilidade, e manifestaram que o reconhecimento da Confederação significaria entrar em guerra com eles também. Também ameaçaram a respeito do abastecimento do Reino Unido de alimentos à Confederação. Os confederados pensavam que o Reino Unido iria apoiá-los para obter algodão, até mesmo utilizavam a frase "o algodão é o rei". Mais tarde foi demonstrado que estavam equivocados, os britânicos na realidade, em 1861, tinham grandes armazéns de algodão e dependiam muito mais dos grãos dos Estados Unidos.
O insucesso dos direitos dos estados para o seu autogoverno
O historiador Frank Lawrence Owsley argumentou que a Confederação "faleceu pela ambição de poderes políticos de autogoverno dos diferentes estados". De acordo com Owsley, os poderes legislativos dos estados do Sul e os seus Governadores, de fortes convicções, recusaram ceder ao Governo nacional os soldados e recursos necessários para a guerra porque temiam que Richmond usurpasse aos diferentes estados a capacidade de se autogovernar. O governador da Geórgia, Joseph Brown suspeitava que Jefferson Davis era um conspirador com a intenção de eliminar poder e liberdade de autonomia aos estados que formavam a confederação. Brown declarou: "quase cada ato que se faz para nos despojar de poder é concebido de má fé, elaborado e afiançado numa sessão segreda".
Durante os quatro anos de existência, os Estados Confederados da América quiseram demonstrar a sua independência designando dezenas de representantes diplomáticos no exterior. O Governo dos Estados Unidos, pelo contrário, afirmava que os estados de Sul eram apenas regiões declaradas em rebeldia e negava qualquer reconhecimento formal como país. Desta forma, o Secretário de Estado dos Estados Unidos, William H. Seward enviou instruções formais a Charles Francis Adams, novo Ministro Plenipotenciário no Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda: Não permita nenhuma expressão severa ou irrespeitosa, ou até mesmo preocupada, referente aos estados cindidos, os seus representantes, ou a sua gente. Pelo contrário, recorde constantemente que esses estados são agora, pois foram sempre por enquanto e, apesar do seu temporário auto-engano, deverão continuar sendo sempre, iguais e honrados membros da União Federal, e que os seus cidadãos através de todos os mal-entendidos e alheações políticas, continuam sendo e sempre continuarão sendo o nossos parentes e compatriotas.
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A bandeira oficial dos Estados Confederados da América, e a que é chamada "Barras e estrelas", tem sete estrelas, uma por cada um dos sete estados que inicialmente formaram a Confederação. Esta bandeira por vezes e em condições de batalha era difícil de diferenciar da bandeira da União, assim a bandeira de batalha confederada, a "Cruz sulista", tornou-se na mais usada habitualmente nas operações militares. A "Cruz sulista" tem treze estrelas, adicionando quatro pelos estados que se acrescentaram à Confederação depois da Batalha de Fort Sumter e outras duas pelos estados em disputa de Kentucky e Missouri. Como resultado da sua difusão popular ao longo do século XX, a "Cruz sulista" é atualmente a bandeira habitualmente associada com a Confederação. A "Cruz sulista" atual é uma bandeira com forma quadrada, mas a mais frequentemente vista foi a bandeira retangular do Exército do Tennessee, também era conhecida como bandeira naval por ser a primeira usada na Armada Confederada.
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Legislativo
O poder legislativo dos Estados Confederados da América estava centralizado com o Congresso. Assim como o Congresso dos Estados Unidos, o Congresso Confederado constava de duas câmaras: o Senado, escolhidos dois senadores de cada legislativo estatal, e a Câmara de Representantes, escolhidos por sufrágio pelos residentes de cada um dos estados. Para afrontar o seu primeiro ano de vida, o Congresso confederado estabeleceu-se provisoriamente com um formato unicameral. A presidência da câmara recaiu sobre Howell Cobb Sr. do estado da Geórgia, de 4 de fevereiro de 1861 a 17 de fevereiro de 1862. O Congresso Confederado teve a seguinte representação das tribos indígenas da região:
Judiciário
O poder judiciário da Confederação foi esboçado na Constituição, mas como consequência da guerra o Tribunal Supremo dos Estados Confederados nunca foi instituído. De forma geral, os tribunais estatais e locais continuavam funcionando como o tinham feito até o momento, simplesmente realizavam um reconhecimento dos Estados Confederados da América como governo nacional, em lugar de reconhecerem os Estados Unidos da América. Alguns tribunais de distrito na zona confederada, porém, faziam reconhecimentos aos estados individuais. Isto ocorreu em tribunais nos estados da Carolina do Sul, Arkansas, Alabama, Florida, Geórgia, Luisiana, Carolina do Norte, Tennessee, Texas e Virgínia, e possivelmente em algum mais. No final da guerra, os tribunais de distrito recuperaram a jurisprudência dos EUA.
Os Estados Confederados da América tinham um total de 4 698 km de costa. Os estados que a formavam tinham, na sua grande maioria, saída ao mar e possuíam costas com areais. No interior existiam regiões montanhosas e no seu extremo ocidental desertos. A zona baixa do rio Mississippi dividia a Confederação em duas, a metade ocidental era frequentemente chamada de Trans-Mississippi. O ponto mais alto (excluindo o Território do Arizona e o Território do Novo México) era o Pico Guadalupe, no Texas, com 2 667 metros.
Clima
Grande parte dos Estados Confederados da América tinham um clima subtropical úmido com Invernos suaves e longos, com verões úmidos e calorosos. O clima varia da estepe semi-árida ao clima desértico árido a oeste, a 96 graus de longitude, aproximadamente. Os invernos suaves junto aos verões calorosos, próprios do clima subtropical, provocaram que aflorassem doenças infeciosas que acabaram com grande quantidade de soldados confederados.
Hidrografia
Os rios da Confederação eram geralmente navegáveis. Isto permitia um transporte fácil e barato dos produtos agrícolas na época de paz. Levando em conta a proximidade das grandes plantações aos rios e aos portos marítimos, o sistema ferroviário foi construído como um meio de locomoção complementar. Durante a guerra, a vasta geografia da região resultou ser um problema para a logística das tropas federais. Os soldados da União usavam os quartéis inimigos capturados para se protegerem e as linhas de ferrovia dos territórios recuperados para o transporte. Porém, a armada da União aproveitava os rios navegáveis, desde 1862, fazendo os seus trabalhos logísticos mais fáceis e complicando, de passagem, os das tropas confederadas. Depois da queda de Vicksburg em julho de 1863, ficou impossível para as unidades Confederadas cruzarem o Mississippi, por ser constantemente patrulhada por barcos federais armados com canhões. O Sul, portanto, perdeu o controlo que exercia sobre as regiões ocidentais.
Áreas rurais
Os Estados Confederados da América compreendiam uma zona de maioria rural. As populações maiores de 1 000 habitantes eram escassas e habitualmente os condados tinham menos de 500 pessoas. As cidades em território confederado eram escassas. Nova Orleães era a única grande cidade no sul que se encontrava entre as dez maiores dos Estados Unidos no censo de 1860, e a União recuperou pronto o seu controlo, em 1862. Apenas 13 das cidades confederadas se encontravam entre as 100 principais dos EUA. No mencionado censo de 1860. A maioria destas cidades sofreram o bloqueio da União nos seus portos e ressentiram-se as suas atividades econômicas. A população de Richmond, aumentou significativamente depois de se tornar capital confederada, alcançando cerca de 128 000 habitantes em 1864. As cidades do sul com maior população não estiveram nunca sob o controlo efetivo do governo confederado. As maiores cidades enquadradas nesta área eram Baltimore (Maryland), St. Louis (Missouri), Louisville (Kentucky) e Washington, D.C., nenhuma delas sob controlo confederado. Também não eram controladas de jeito efetivo outras cidades importantes como Wheeling (Virgínia Ocidental), e Alexandria (Virgínia).
A economia confederada dependia fortemente da escravidão, que era a base do setor agrícola. As plantações do sul, especialmente as que cultivavam algodão, contavam com o trabalho escravo para manter a produção. O algodão, conhecido como "King Cotton", era a principal exportação e fonte de riqueza para a Confederação, já que era muito procurado internacionalmente, principalmente na Europa. A dependência da escravidão criou um sistema social e econômico rígido, com pouco incentivo para a industrialização ou diversificação da mão de obra. O comércio exterior era crucial para a economia confederada, uma vez que o sul exportava algodão para a Europa em troca de bens manufaturados, armas e outros suprimentos essenciais. No entanto, o bloqueio naval imposto pela União prejudicou significativamente a capacidade da Confederação de manter esse comércio, causando escassez de suprimentos críticos. A incapacidade do sul de construir uma base industrial forte internamente os deixou vulneráveis a essas pressões externas, especialmente à medida que a guerra se arrastava e o apoio estrangeiro diminuía.
Entre os dirigentes militares da Confederação encontravam-se muitos veteranos do exército e da marinha dos Estados Unidos que renunciaram aos seus cargos federais para ocuparem cargos dirigentes nas forças armadas da Confederação. Muitos deles tinham participado na Guerra Mexicano-Americana (entre os que se encontravam Robert E. Lee e Jefferson Davis), enquanto outros, porém, tinham pouca ou nenhuma experiência militar (como Leonidas Polk, que assistira à academia militar norte-americana de West Point, embora não se chegasse a graduar). O corpo de oficiais confederado era composto na sua maioria por homens que não eram proprietários de escravos, embora existisse uma parte destes oficiais que eram jovens enviados por famílias proprietárias de escravos. Os Confederados eram nomeados ao grau de oficiais de campo e auxiliares através de eleições dos alistados. Embora não se estabelecesse nenhuma academia confederada em serviço, muitos colégios do Sul (como o de Citadel e o Instituto Militar da Virgínia) treinavam os cadetes e consideravam-se como campos de treino e academias de instrução de líderes militares. Uma academia naval foi estabelecida em 1863, embora não conseguisse graduar nenhum mando naval antes da derrota confederada.
Líderes militares
A seguir lista dos militares da Confederação, junto ao seu estado de nascimento e com a distinção mais alta que atingiram:


